Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
9 Capítulo 08 - Acusações.
Hotch estava corredor no hospital andando de um lado para o outro, Rossi ao sair do elevador avistou o companheiro e percebeu seu nervosismo, se aproximou dele para saber o que estava acontecendo:
— Hotch?
— Oi Rossi... Sean Smith morreu mesmo?
— Seu tiro foi certeiro companheiro. – Rossi colocou a mão no ombro de Hotch.
— Então acabou... Esse caso acabou.
— E como vai a Agatha?
— Pelo que a enfermeira disse o mais grave foi o estômago... Ela levou vários chutes do desgraçado! – o olhar de Hotch demonstrava muita preocupação.
— Calma meu amigo... Ela vai ficar bem.
— Eu estou calmo.
— Hotch você é um ótimo profiler, mas um péssimo mentiroso.
— Quem disse que eu estou mentindo?
— Você mesmo... Ao chegar já notei seu nervosismo, você estava andando de um lado para o outro, seu olhar está perdido e preocupante seu tom de voz também demonstra isso.
— Você venceu... – Hotch sentou-se em um banco e Rossi sentou-se ao lado dele – Eu estou preocupado... Digo agora eu me sinto aliviado que a gente a salvou, mas...
— Mas o que Hotch?
— Eu me pergunto se ela vai ficar traumatizada.
— Bem... A gente sabe como essas coisas funcionam... Ela vai precisar de apoio das pessoas próximas a ela, pode ter ataques de fúria por más lembranças do ocorrido... A gente nem sabe o que ele realmente fez com ela.
— Não... E durante a vinda para o hospital eu não tive coragem de perguntar.
— Hotch vamos precisar saber... Isso tem que ir para os registros dos casos resolvidos, todos os detalhes precisam estar registrados.
— Rossi...
— Hotch você sabe como é... Quantas vítimas não tiveram que voltar nos seus piores momentos, ela também é mais uma vítima.
— Rossi... Quando eu entrei no quarto onde estava Sean Smith a blusa dela... – Hotch hesitou em falar.
— O que foi Hotch?
— A blusa dela... Estava rasgada... Então você imagina.
— Hotch seria assim com outra vítima... As outras que infelizmente não pudemos salvar passaram a mesma coisa, Agatha foi inteligente e sortuda.
— É... – Hotch não disse mais nada e Rossi não quis continuar a conversa, eles ficaram ali sentados pensando. Rossi se levantou e convidou Hotch para tomar um café que negou, quando Rossi ia se levantando uma mulher muito sensual com um vestido curto chamou atenção ao sair do elevador.
Ela usava um vestido tomara que caia amarelo justo ao seu corpo bem acima do joelho, calçava sapatos pretos de salto agulha, sua pele era branca e seus cabelos eram lisos e negros de comprimento até a cintura, ela tinha um enorme quadril que chamava a atenção de quem queria e de quem não queria, usava uma maquiagem forte, carregava uma micro bolsa de couro preta, ela se aproximou de uma enfermeira e disse:
— Preciso saber em que quarto está a paciente Agatha Cristina da Silva.
— Um momento... – a enfermeira olhou as fichas que tinha em suas mãos – Naquele último ali, mas está sendo examinada não pode entrar visitas ainda.
— Ela está bem?
— O doutor ao sair pode lhe informar.
— Querida é o seguinte... – a mulher segurou a enfermeira pelo braço – Ela é minha amiga e eu preciso saber se ela está bem!
— Aguarde o doutor para lhe responder!
— Com licença... – foi dizendo Rossi se aproximando das duas – Você é quem?
— Eu? – perguntou a mulher – Sou Francine Carter.
— Eu sou um colega de Agatha do trabalho...
— David Rossi? – a mulher soltou o braço da enfermeira que saiu de perto deles.
— Como você sabe meu nome?
— Eu já o vi em um evento em um dos lançamentos dos seus livros.
— Legal...
— Eu trabalho com algumas pessoas importantes sabe... Estou sempre em eventos.
— Imagino...
— Bem, mas então você trabalha com minha amiga?
— Sim... Faça o favor. – Rossi a pegou de leve pelo braço e a levou para perto de Hotch – Hotch?
— Rossi... – respondeu Hotch levantando a cabeça.
— Essa aqui é Francine Carter amiga de Agatha.
— Prazer... – Hotch se levantou e estendeu a mão para ela – Hotchner.
— Olá Hotch... – respondeu Francine – A Agatha já me falou de você.
— Mesmo?
— É... Espero que não se importe de chama-lo de Hotch em vez de Hotchner. – Francine já demonstrava ter intimidade.
— Imagina... – Hotch olhou para o lado sem graça.
— Ela veio visitar a amiga. – disse Rossi.
— Eu fui contatada por alguém do departamento de vocês e quando soube fiquei horrorizada vim o mais rápido que pude!
— Mas ela está bem agora. – respondeu Hotch.
— Que ótimo, mas ainda assim estou horrorizada... Prenderam o infeliz?
— Isso já foi resolvido. – respondeu Rossi.
— O que ele fez com ela? Abusou dela?
— Ela está sendo examinada ainda... – disse Hotch desviando os olhares de Francine, ela o olhava de um jeito sedutor sem disfarçar e aquilo o incomodava.
— Eu não tive coragem de ligar para a mãe dela... A família não pode saber de nada.
— Porque não? – desta vez Hotch a encarou curioso.
— A família dela mora no Brasil, a mãe dela não gostou muito dela querer trabalhar com criminosos e ser agente do FBI e essas coisas... Se eles ficam sabendo a coitada da mãe dela vem até os Estados Unidos e força Agatha a voltar, mas Agatha já tem uma história de vida aqui... Ela batalhou muito e tenho certeza de que ela não quer que a mãe saiba.
— Entendi...
— Parentes de Agatha Cristina da Silva? – perguntou o doutor no corredor.
— Aqui! – respondeu Hotch e Francine ao mesmo tempo.
— Somos amigos... – disse Rossi.
— Ela está bem... Teve cortes superficiais no rosto e um no braço direito, o que foi um pouco preocupante foi o estômago, mas ela já tomou remédios para a dor e está tudo sobre controle para a cabeça também ela tomou alguns remédios por causa de uma pancada.
— Como ela está agora? – perguntou Hotch.
— O efeito de um dos remédios já passou e ela está acordada e consciente, mas está cansada e ainda assustada.
— Podemos vê-la? – perguntou Francine.
— Sim, mas deixe-a relaxar... Não falem muito alto.
— Certo doutor...
— O quarto é aquele último lá... Com licença.
— Eu vou ver minha amiga... – Francine apressou os passos e foi até o quarto.
— Doutor... – chamou Hotch em voz baixa.
— Pois não? – o doutor se aproximou de Hotch.
— Ela sofreu abuso sexual?
— Não... Os exames não mostraram isso e ela disse que o impediu.
— Impediu?
— Sim... Senhor não toque nesse assunto com ela, a eu tive que perguntar por que sou médico era necessário eu ouvir a resposta dela antes do exame e ela se desesperou ao lembrar.
— Eu entendo... Obrigado doutor!
— Estamos à disposição. – disse o doutor que se afastou.
— O que houve Hotch? – perguntou Rossi.
— Perguntei se ela sofreu abuso sexual...
— E aí?
— Não sofreu, mas o doutor disse que ela impediu que acontecesse.
— Ela pode ter apanhado muito por causa disso...
— Eu sei... Eu imagino que ela preferiu sofrer qualquer outra coisa a isso.
— Eu também acho, mas agora vai lá ver como ela está eu vou até a delegacia falar com os outros.
— Ok... – eles se despediram, Rossi foi embora enquanto Hotch foi até o quarto ver como Agatha estava.
Ao entrar viu que Francine estava em pé ao lado esquerdo da cama segurando a mão de Agatha, ela tinha curativos pelo rosto e no braço direito, seus cabelos estavam bagunçados, mas enrolados em um coque mal feito, Agatha ao ver que Hotch estava ali sentiu seu coração disparar:
— Hotch... – disse ela, Francine logo percebeu o olhar de um para o outro e acabou sentindo-se incomodada.
— Agatha... Como está?
— Cansada... E com vontade de ir embora, detesto hospitais.
— Logo estaremos em casa. – disse Francine roubando atenção na cena.
— Hotch essa é Francine... É com ela que eu moro lá em Virgínia.
— Nos conhecemos no corredor agora pouco... – respondeu ele.
— Sério? – Agatha encarou Francine.
— Não mencionei? Desculpe eu estava tão ansiosa em vê-la... – respondeu Francine encarando Hotch.
— Tudo bem... – disse Agatha – Hotch.
— Diga...
— Tem notícias do David Smith?
— Ele está bem.
— Quem é David? – perguntou Francine.
— É o filho do assassino.
— Para que você quer saber dele?
— Francine ele é apenas uma criança... Ele foi vítima de tudo.
— Esquece isso amiga.
— Não posso... – Agatha tentou segurar as lágrimas.
— Agatha você precisa relaxar. – disse Hotch se aproximando mais um pouco.
— Eu preciso saber do David...
— Amiga relaxa... Esquece esse pesadelo.
— Não posso! – exclamou ela que colocou a mão em seu estômago – Ai droga...
— Agatha você precisa ficar calma... – Hotch sem perceber se aproximou mais e do outro lado da cama tocou levemente no braço de Agatha.
— Ele salvou minha vida... Digo ele ajudou, ele implorava para ele não me machucar! – Agatha soltou a mão de Francine encarou Hotch e depois olhou para a mão de Hotch pousada em seu braço, Francine encarou os dois.
— Agatha você precisa se acalmar entendeu? – continuou Hotch – Você passou por algo ruim demais... Por favor, se acalma.
— Certo... – Agatha resolveu no momento não perguntar mais sobre o garoto e Hotch tirou a mão de seu braço.
— Ei... Aquela vindo ali não é sua chefe? – perguntou Francine apontando para a porta que estava aberta.
— A Sra. Strauss aqui? – perguntou-se Agatha, Hotch não disse nada, mas imaginou que coisa boa não era.
— Agente Silva como está? – perguntou Strauss que entrou no quarto sem cumprimentar ninguém, seu olhar era sério Hotch já sabia que ela estava ali para caçar encrenca.
— Sra. Strauss viajou até aqui para saber de mim? – perguntou Agatha se ajeitando na cama – Não precisava, mas estou bem agora aprecio sua preocupação e atitude vir até aqui.
— Eu precisava sim... Agente Hotchner está virando especialista em criar problemas agora? – Strauss encarou Hotchner com toda o ódio que sentia por ele.
— Como senhora? – Hotch olhou para Strauss sem entender, mas já preparado para a discussão, aliás, ele conhecia a peça.
— Sra. Strauss o que houve? – perguntou Agatha desentendida.
— Agente Silva você não percebeu a gravidade? Você foi colocada em risco por falta de responsabilidade do agente Hotchner!
— Sra. Strauss vamos conversar lá fora... – disse Hotch.
— Ei pode esperar ai Hotch... – disse Agatha – Eu quero saber o que houve!
— Agente Silva depois eu lhe explico. – disse Strauss.
— Não senhora... – insistiu ela – A senhora disse que eu fui colocada em perigo por culpa do Hotch? Digo agente Hotchner.
— Claro que sim... Você é apenas para registrar o que ele fazem não é para estar nessas situações!
— Sra. Strauss a agente Silva precisa se recuperar, vamos ter essa conversa lá fora. – disse Hotch tentando sair do quarto com Strauss.
— Eu quero falar uma coisa a Sra. Strauss... – Agatha a encarou – Se a senhora acha que tudo isso aconteceu comigo por erro do agente Hotchner está muito enganada!
— Você não é uma agente como eles para ser colocada em perigo! – exclamou Strauss.
— Eu não fui levada por um psicopata por culpa de ninguém, a culpada fui eu por ter saído da delegacia sem avisar! – berrou Agatha.
— Amiga se acalma... – disse Francine – Não pode ficar nervosa.
— Sra. Strauss se a senhora quer fazer acusações sem fundamento fique a vontade, mas vamos lá fora! – disse Hotch.
— Agente Hotchner isso é culpa sua... Como deixou que acontecesse isso com ela? – Strauss continuava firme nas acusações.
— ELE NÃO TEM CULPA! – Agatha soltou um berro e começou a chorar.
— Amiga se acalma... – Francine pegou em sua mão.
— O único culpado foi o psicopata que me pegou na rua... Ele é o culpado Sra. Strauss eu não vou aceitar que acuse o agente Hotchner sem fundamentos.
— O que acontece aqui? – perguntou uma enfermeira ao entrar, ela havia ouvido os berros de Agatha – Todos para fora, a paciente precisa de paz! – todos saíram do quarto.
Hotch e Strauss decidiram sair do hospital, pegaram o elevador e desceram ao estarem do lado de fora Strauss continuou a briga:
— Agente Hotchner já chega... O senhor já devia ter sido transferido com o seu erro daquele caso no Arizona, já não basta prender suspeito errado deixar mais uma vítima morrer e agora permitir isso?
— Senhora eu não permiti que nada disso acontecesse.
— Será que não? Como uma agente que é só para registrar o que vocês fazem é sequestrada por um psicopata? Ela tinha que estar próximo a vocês fazendo o trabalho dela!
— Ela faz um ótimo trabalho Sra. Strauss tudo o que aconteceu ninguém imaginava... Felizmente ela foi salva!
— Entendi agora senhor Hotchner... Quer ser conhecido como um herói? Sua ex-esposa não reclama a toa!
— O que a Haley tem a ver com isso? A senhora anda investigando minha vida pessoal?
— Senhor Hotchner... – Strauss não se importou com a pergunta – Essa agente foi contratada para fazer os registros de vocês ficar de olho nas falhas e pelo visto a maior falha vocês cometeram com ela, mas não se preocupe irei passar ao diretor tudo o que aconteceu pelo visto é melhor separa-los e transferir o senhor!
— A senhora está cometendo um erro. – Hotchner a encarou seriamente nos olhos.
— Eu já disse ao senhor um dia: vocês são agentes do FBI e não uma família parem de se ver como irmãos, vocês serão separados e o senhor transferido!
— Teremos tudo relatado do caso, Agatha dará o depoimento dela e a senhora vai ver que acusa sem motivo.
— Senhor Hotchner ela não deveria estar sozinha na rua... Aposto que um de vocês se sentiu incomodado com ela anotando tudo o que fazem e pediram para ela sair e essa desgraça aconteceu, não tem mais conversas Hotchner o diretor foi claro ao dizer que não aceitaria nada de errado com a equipe em qualquer situação, inclusive em um caso.
— Faça o que quer fazer senhora... Eu tenho certeza que está errada.
— Senhor Hotchner para que esse drama? Quem sabe o senhor sendo transferido não fica em um horário fixo e a Sra. Hotchner pode pensar antes de assinar os papeis do divorcio! – sem dizer mais nada Strauss se afastou de Hotch entrou em um carro preto com um motorista que já a aguardava e foi embora.
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