Quando o homem abriu a porta Agatha pensou em não entrar e tentar lutar, mas logo pensou que aquilo podia ser pior então entrou na casa, quando o garoto entrou o homem bateu a porta e a trancou.

Agatha ficou parada no meio de uma sala de estar, a casa não tinha moveis modernos, os eletrônicos como TV e rádio eram antigos, não tinha vídeo game e nem aparelho de DVD, o rádio era velho e só tinha toca-fitas.

O homem se aproximou de Agatha e puxou sua bolsa:

— David!

— Sim pai.

— Olha a bolsa dela... Veja se tem algo estranho.

— Ok... – o menino pegou a bolsa e abriu e Agatha passou a rezar mentalmente para que ele não mexesse em sua credencial do FBI. O menino vasculhou chegou até colocar a mão na credencial, mas ele achou não ser nada demais e nem a abriu.

Ele disse que não tinha nada de estranho então o homem pediu que ele guardasse a bolsa dela em algum canto.

Quando o menino saiu da sala o homem apontou seu canivete para o pescoço de Agatha e disse em seu ouvido:

— O garoto que quis escolher hoje... Ele escolheu você, portanto seja carinhosa e legal com ele não seja a bruxa que é!

— Entendi... – respondeu aflita.

— Você parece ser inteligente acho que não vai me dar trabalho.

— Eu prometo ficar quieta e fazer o que você quiser, mas não me machuca, por favor! – Agatha tinha a voz tremula de medo.

— Quieta! Está vendo aquela porta ali? – ele apontou para uma porta em um canto da sala.

— Sim...

— Vai até lá... – sem discutir Agatha caminhou até porta e ele foi indo atrás dela com o canivete apontado.

Agatha abriu a porta e viu que era um quarto escuro, tropeçou ao descer uma escada de madeira, ela não conseguia enxergar muito bem, mas sentia cheiro de sangue. O homem acendeu a luz e Agatha soltou um grito não podendo se controlar, pois se assustou com o que viu.

O quarto tinha uma estante enorme de madeira onde na estante havia caixas de vidros com corações humanos logo deduziu que era o coração das vítimas, o homem pegou Agatha e lhe deum tabefe em sua face que a fez cair no chão, quando caiu sentiu que caiu em cima de alguém e quando viu quem era Agatha se colocou a chorar, ela havia caído em cima do corpo de Taylor Miller que já estava sem o coração.

— Eu disse sem gracinha! – berrou o homem – Nada de gritos, choros... Não quero ouvir de novo entendeu?

— Entendi... – Agatha tentava controlar o choro, mas não conseguia o homem então lhe chutou no estômago.

— Não vai ter jeito vou ter que amarra-la... – o homem pegou Agatha que lhe implorava para não fazer nada dizendo que ia ficar quieta e amarrou suas mãos em uma corda pendurada em algo do teto, amarrou os pés e colocou uma fita em sua boca, ele pegou o corpo de Taylor Miller e retirou dali, Agatha deduziu que ele ia desovar o corpo.

Ele saiu dali carregando o corpo nas costas, ao sair ele fechou a porta e apagou a luz, mas Agatha conseguia ouvir sua voz falando com o menino:

— David!

— Sim pai... – a voz do garoto era de choro.

— Vou me livrar deste lixo, a sua escolhida já me deu trabalho!

— Papai não faça nada com ela, por favor, eu prometo que ela vai ser legal!

— Eu decido isso entendeu? Agora me ajuda a embalar essa porcaria aqui! – Agatha depois de um tempo não ouviu mais as vozes deles, mas ouviu a de uma porta batendo então soube que o homem havia acabado de sair.

Agatha fechou os olhos e tentou manter a calma, começou a pensar em algo que pudesse ajuda-la então se lembrou de sua teoria: o assassino deve ter tido o coração partido por alguém e se vingava disso com as mulheres que sequestrava. Ela então lembrou que as vítimas ficavam desaparecidas por dois dias e depois seus corpos eram encontrados.

Ela pensou e pensou tentando chegar a alguma resposta ou algo que pudesse salva-la, então ela se perguntou: “Porque ele fica com elas por dois dias, mas com Taylor Miller não ficou?” então ela pensou em algo: que talvez ele sequestrasse as vítimas e ficava com elas por dois dias esperando algo delas, como elas não deviam corresponder ele as matava lhe arrancando o coração.

Agatha sentia seu corpo suar, mas não era de calor era de medo, seu estômago lhe doía muito devido ao chute que levou, mas também por nervoso, mas ela fechava os olhos e tentava achar solução. O homem havia dito que seu filho havia a escolhido, ou seja, enquanto ela caminhava até a lanchonete deve ter sido observada e para Taylor Miller ter sido assassinada antes do previsto era porque ela não correspondeu ao que ele queria e agora ele esperava isso de Agatha, ele sequestrava as mulheres procurando por uma substituta quanto para ele quanto para o filho, ele pediu que Agatha fosse legal e carinhosa e era isso que ela precisava fazer.

Seus braços começaram a doer pela posição em que estavam, mas ela precisava se conter, manter a calma e não provocar a fúria dele quando voltasse. Ela lembrou-se que saiu da delegacia para atender a ligação de Francine e só disse isso a Hotch, ninguém da equipe iria saber o que havia acontecido, pois ela não disse nada sobre sair.

Agatha passou a se culpar por estar ali, se tivesse entrado de volta a delegacia depois de falar com Francine nada daquilo tinha acontecido, lágrimas rolavam de seus olhos o medo de ter seu coração arrancado ou dele fazer qualquer coisa que a machucasse havia a dominado e ela ali presa não poderia fazer nada. Ficou imaginando coisas horríveis como seu corpo sendo encontrado em uma caçamba de lixo, a equipe o prendendo e achando seu corpo pela casa, de uma coisa ela tinha certeza: cedo ou tarde Hotch e a equipe iam pega-lo, ela tinha fé nisso.

Ao pensar na equipe ela então se lembrou de algo que podia ser uma luz no fim do túnel, mas também podia ser algo que fizesse a ser morta de imediato, mas precisava arriscar, ela lembrou-se de que havia decorado facilmente o número de Hotch quando olhava os contatos do celular, ela então bolou um plano e rezou para que desse certo.

***

Todos da equipe junto com o delegado estavam unidos em uma sala discutindo as teorias e tentando achar algo que os ajudasse a salvar Taylor Miller, Garcia não havia encontrado nada nos arquivos escolares que pudesse ajuda-los.

Quando todos revisavam as teorias, Hotch sentiu falta de Agatha:

— A agente Silva ainda não voltou?

— Quem? – perguntou Rossi.

— A Agatha!

— A registradora? – perguntou Prentiss.

— Verdade... – disse Blake – Ela não está aqui.

— Deve ter voltado ao hotel... – disse Morgan – Ela não é obrigada a ficar grudada na gente, depois a gente fala tudo e ela anota.

— Não. – disse Hotch.

— Não o que Hotch? – perguntou JJ.

— Agatha quer se tornar uma de nós, levantou duas teorias hoje estava envolvida com o caso, porque do nada voltaria ao hotel?

— Hotch pode estar certo... – disse Morgan pensativo – Eu hoje conversei com ela pedi desculpas pela minha grosseria de ontem e ela me contou que aceitou essa ser registradora como uma chance dela ser uma agente como nós.

— Vou verificar se ela não está em outro local aqui da delegacia. – disse o delegado que saiu da sala.

— Isso é estranho. – Hotch tinha o olhar preocupado e todos perceberam.

— Ela deve ter saído para comer alguma coisa. – disse Prentiss.

— Não... Agatha tem o costume de avisar quando vai sair... Na última vez que a vi ela disse que ia atender uma ligação de uma amiga e...

— E o que Hotch? Hotch o que foi? – Rossi se preocupou.

— Eu não sei... Algo aconteceu!

— Ela não está em nenhum lugar da delegacia. – disse o delegado voltando.

— Não, não... – Hotch não sabia explicar, mas sentia que tinha algo errado – Morgan e Reid vão para o hotel que nos hospedamos procurem por ela lá, vou ligar para a Garcia.

— Fale e será ouvido! – atendeu Garcia.

— Garcia eu preciso que rastreie o celular da agente Silva!

— De quem? Da registradora?

— Sim.

— Porque senhor?

— Garcia não há tempos para pergunta... Rastreie agora! – todos se entreolharam assustados com o nervosismo de Hotch.

— Senhor?

— Achou Garcia?

— Eu vi que tem um número novo nos registros provável ser o número dela profissional...

— Achou?

— Não... Deve estar desligado ou com bateria descarregada.

— Tem outro número Garcia?

— Não...

— Como não?

— Eu não sei senhor... Ela entrou esses dias e só tem um número no banco de dados... O que houve senhor?

— Ela sumiu!

— Sumiu?

— Sim!

— Eu vou ver o que acho aqui e depois retorno. – Garcia encerrou a ligação, Morgan e Reid foram até o hotel verificar se Agatha estava por lá enquanto os outros aguardavam, Hotch estava muito nervoso, ele sentia que algo estava errado, mas não sabia explicar.

***

Agatha havia se cansado tanto psicologicamente tanto fisicamente pela posição que estava presa que acabou cochilando por alguns minutos, quando a porta foi aberta ela abriu os olhos achando que tudo não passava de um pesadelo, mas infelizmente não: ela continuava presa naquele lugar.

O homem havia voltado, ele entrou no quarto acendendo a luz se aproximando dela e disse:

— Eu vou tirar essa fita de você, mas se você gritar eu arranco sua língua! – ele a ameaçou com o mesmo canivete de antes, Agatha consentiu que concordava com a cabeça e ele tirou a fita. Ele desamarrou as mãos e os pés, Agatha sentiu um pequeno alivio ao poder abaixar seus braços, ele a pegou pelo braço e a puxou para fora daquele quarto e a jogou no sofá da sala.

Agatha se ajeitou no sofá e ele sentou-se ao lado dela sussurrando em seu ouvido:

— Você precisa ser legal e carinhosa com a gente, meu garoto gostou de você não o decepcione.

— Certo... Eu prometo ser legal com ele, eu juro.

— Só com ele?

— Com você também. – uma lágrima rolou dos olhos dela.

— Não acabe com meu coração... Se você o arranca-lo de novo eu acabo com você. – a teoria de Agatha estava certa, o homem tinha raiva de alguém que o magoou.

— Eu preciso de uma coisa... – arriscou ela rezando para que ele mordesse a isca.

— Você não precisa de nada! – ele apontou o canivete para seu pescoço – Eu já disse: sem gracinha!

— Eu juro que vou ser legal... É David o nome do garoto?

— COMO VOCÊ NÃO SABE O NOME DO GAROTO? – berrou ele que com uma mão apertou o pescoço de Agatha que tentou se livrar.

— Pai? – o menino entrou na sala.

— O que é David? – o homem então soltou o pescoço de Agatha que colocou as mãos no pescoço e tossiu como se tivesse engasgado.

— Pai ela é legal... Ela vai ser legal.

— Eu vou ser legal... – respondeu ela se recompondo – Eu juro David, nunca mais vou embora.

— Olha o que está prometendo ao garoto! – disse o homem irritado.

— Eu vou ser legal com vocês... – insistiu Agatha – Eu só preciso fazer uma coisa.

— Você não precisa de nada, não me engana com essa! – ele pegou Agatha pelo cabelo e a jogou no chão.

— Papai não faça isso! – o garoto começou a chorar.

— Filho ela quer nos enrolar!

— Não papai, ela só precisa de algo... Por favor, pai não faz nada com ela!

— Ela não precisa de nada!

— Papai, por favor... – o menino abaixou a cabeça.

— Você acha que essa vai ser legal? – perguntou ele com o canivete apontado para Agatha.

— Sim... Por isso a escolhi.

— Ok garoto, eu vou confiar em você... – ele se levantou puxando Agatha pelo braço e a fazendo ficar de pé – Do que você precisa?

— Fazer um telefonema. – quando Agatha respondeu ela recebeu um soco em seu estômago, depois foi jogada no chão e começou a levar chutes por toda a parte do corpo e o menino chorava desesperadamente.

— Você acha que eu sou idiota? – falava ele enquanto chutava ela – Você acha que eu não sei que isso é um plano para fugir? Você não vai levar meu coração de novo entendeu? – ele lhe deu mais um chute no estômago – Entendeu?

— Entendi... Mas eu preciso avisar alguém que fui embora...

— Do que está falando sua vadia? – ele deu mais um chute a forçou a levantar e a puxou até o quarto onde guardava os corações e a amarrou como antes.

— Pai não! – berrava o menino atrás dele.

— Você não precisa falar com ninguém sua desgraçada, você quer me enganar. – o homem pegou um martelo e uma estaca de ferro.

— NÃO! – berrou Agatha – EU SÓ PRECISO FALAR QUE FUI EMBORA!

— Para quem? – perguntou o homem irritado.

— Para ele... – respondeu Agatha.

— Quem?

— O motivo de eu ter ido embora antes! – desta vez Agatha respondeu sem pensar.

— O que quer dizer? – o homem a olhou nos olhos.

— Eu só preciso... Preciso avisar a ele que voltei para vocês e que nunca mais vou embora.

— Viu papai? – o garoto abraçou o pai – Ela é legal, não vai querer ir embora... Ela só precisa avisar.

— Eu juro que eu não vou tentar fugir... Eu só tenho que avisar para... – ela teve que pensar rápido – Para que ele também não se sinta que arranquei seu coração... Entende?

— Como assim? – perguntou o homem com a estaca apontada para o peito de dela.

— Se eu não ligar... Ele vai ficar furioso e vai atrás de mim... Eu só preciso avisa-lo. – Agatha achou que aquilo foi a pior ideia que teve e quando se deu por vencida o homem a desamarrou fazendo a alegria do menino que enxugou as lágrimas.

Agatha estranhou o fato dele não questionar se ela ia ligar para a polícia ou chamar ajuda a hesitação dele era de que ela pudesse ir embora. Ele a pegou pelo braço e levou de volta a sala, e apontou um aparelho de telefone que tinha em uma instante era a única coisa moderna da sala.

Agatha olhou de relance para o homem e depois para o menino que sorria para ela contente, ela respirou fundo e pegou o aparelho para discar, ela fechou os olhos e lembrou-se novamente dos números memorizados do celular de Hotch e então discou, após três chamadas foi atendida:

— Hotchner. – atendeu ele.

— Hotch? – perguntou Agatha tensa o homem a encarava e continuava com a estaca de ferro na mão.

— Agatha? Onde está você? — Hotch tinha a voz tensa.

— Eu liguei para te avisar que eu voltei para casa...

— Como?

— Hotch me escute: eu voltei para casa... Eu fui muito cruel antes com ele, magoei muito o coração deles dois.

— Agatha o que está querendo dizer?

— Eu quero dizer que eu não vou mais voltar... Ele conseguiu roubar meu coração e preciso ficar com ele... – o homem se aproximou – Tchau Hotch só liguei para avisar. – antes que Hotch respondesse ela encerrou a ligação.

— E então? – perguntou o homem.

— Eu já avisei... Agora está tudo bem. – disse ela soltando um sorriso falso.

— Você então não vai tentar fugir?

— Fugir? Não, eu não vou!

— Ótimo eu estou com fome! – respondeu o garoto a abraçando, Agatha sentiu pena do garoto que era inocente a tudo o que acontecia.

— Eu vou preparar algo para você... – respondeu ela fingindo estar contente e o homem soltou um sorriso a ela.

***

— Hotch mantenha a calma! – pedia Rossi a Hotch.

— O que ela quis dizer com isso? – se perguntava Hotch andando de um lado para o outro.

— Tem certeza que era ela?

— Eu tenho!

— Hotch! – Morgan e Reid voltaram do hotel – Ela não está lá e não passou por nenhum lugar próximo.

— Ela ligou para Hotch de um número estranho. – respondeu JJ.

— E aí? – perguntou Morgan.

— Falou algumas coisas sem sentido.

— Não JJ... – disse Hotch – Fazem sentido... Ela disse algo como “voltei para casa” e depois disse “magoei muito o coração deles dois” e encerrou com algo tipo “ele roubou meu coração”.

— O assassino! – exclamou Prentiss – Ela se tornou mais uma vítima!

— Como assim? – Morgan ficou perplexo – Hotch você disse que ela foi atender uma ligação... O suspeito a levaria de frente da delegacia?

— Seria muita audácia... — continuou Reid – Fora que não passou 48 horas ele deve estar com Taylor Miller.

— Não está mais... – respondeu o delegado entrando na sala – Uma patrulha encontrou o corpo dela dentro de uma caçamba de lixo a alguns quilômetros daqui.

— Ele mudou o M.O por qual motivo? – perguntou-se Blake.

— Agatha pedia ajuda... – disse Hotch – Não sei como ela conseguiu fazer uma ligação, mas a frase “ele roubou meu coração” era um recado...

— Hotch a Garcia pode rastrear o número! – disse Prentiss.

— Verdade... – Hotch pegou seu celular e enviou o número para Garcia e depois ligou para ela.

— Senhor sobre a Agatha eu não achei nada...

— Garcia eu te enviei um número você viu?

— Acabo de ver senhor!

— Descubra da onde é o mais rápido possível!

— Senhor o que houve?

— Agatha é a próxima vítima do suspeito.

— O meu Deus não!

— Garcia seja rápida!

— Ok... Eu vou ser mais rápida que um foguete senhor, só um momento... Mais um pouco... Achei senhor, estou enviando para o telefone de todos agora!

— Obrigado Garcia... – Hotch encerrou a ligação – Garcia enviou o endereço, vamos logo! – todos saíram desesperados na esperança de salvar Agatha.