Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
6 Capítulo 05 - Corações Arrancados (Parte 02)
Agatha estava na fila da lanchonete aguardando seu café, quando se lembrou de ligar para Francine para avisar que estava fora da cidade:
— Alô Francine?
— Agatha e ai tudo bem?
— Tudo... – o tom de voz de Agatha era de uma alegria que ela não sabia explicar – Só queria avisar que estou fora da cidade.
— Vocês pegaram um caso fora daqui?
— Eles pegaram... Mas enfim estamos em Milwaukee.
— É o caso que vi na TV mais cedo?
— Desde quando você se liga nesse tipo de notícia? – Agatha começou a rir.
— Desde que minha amiga entrou para o FBI!
— Ok... Então deve ser o mesmo caso.
— Do “Ladrão de Corações”?
— Como é?
— Tem um cara nessa cidade que mata as mulheres e arranca o coração depois não é?
— É... Mas a mídia o intitulou assim?
— Não é a polícia que dá esses nomes estranhos?
— Que eu saiba não... Será que o Hotch sabe? – Agatha pegou seu café, pagou a atendente e foi saindo da lanchonete.
— Quem é Hotch?
— Hotch?
— Você acabou me dizer o nome dele... Quem é?
— O chefe da equipe.
— Seu chefe no caso.
— Eu não sei...
— Agatha como você não sabe se ele é seu chefe ou não?
— Sei lá... Eu estou aqui para registrar tudo o que eles fazem até o que ele mesmo faz, acho que meu chefe é a Sra. Strauss.
— Erin Strauss?
— Sim... Como você sabe o nome dela?
— Bem... Você sabe que eu trabalho com gente importante e gente importante...
— Conhece gente importante, eu sei! – concluiu Agatha rindo.
— Por acaso tem algo que eu não sei?
— Não entendi sua pergunta.
— Agatha eu estou “vendo” o sorriso da sua voz, você está rindo a toa... Pode contar!
— Ok você me venceu... Eu sem querer querendo falei uma teoria minha sobre o caso enquanto estávamos no jatinho e...
— Jatinho? Uau eu trabalho com gente milionária e você que anda de jatinho? Vou mandar um currículo para o FBI.
— Larga de ser boba! – Agatha deu um gole em seu café enquanto caminhava pela calçada para voltar à delegacia.
— Você me conta do jatinho depois, continua o que dizia.
— Então eu falei uma teoria sobre o caso e meu chefe, digo o agente Hotchner me deu parabéns.
— Agente Hotchner? Esse é o Hotch então?
— É... O pessoal o chama de Hotch.
— Entendi... Mas então é só isso?
— Como assim Francine é só isso? Francine eu quero ser uma analista de perfil, quero trabalhar como eles, receber um parabéns do agente chefe é por uma teoria é maravilhoso!
— Desculpe... Eu imagino a sua felicidade com isso, mas eu te conheço e sinto que tem algo mais.
— Não tem nada a mais... Para de bancar a detetive porque quem sonha com isso sou eu!
— Agatha para de enrolar a linda Francine aqui e abre o jogo!
— Ok... – Agatha parou em um canto da calçada – Sei lá é o Hotch... Digo o senhor Hotchner.
— Que foi amiga? Ficou interessada?
— Não... Digo... Eu não sei!
— Ele é gato?
— Tenho que admitir que gato para aquele homem é apelido.
— Uau amiga! Faz tempo que você não falava de alguém assim...
— Ele me olhou de uma forma tão estranha no jatinho e depois agora na delegacia... Enquanto eu fazia minhas anotações o flagrei me olhando.
— Ele está interessado então?
— Não... Creio que não... O pouco tempo com ele percebi que ele é um homem sério e usa aliança.
— Só porque é sério e usa aliança você acha que não rola?
— Francine eu não sei... Eu tô confusa... Eu não sei o que acontece comigo sabe?
— Não, eu não sei.
— Francine eu preciso voltar à delegacia está bem? Os outros devem estar voltando e preciso fazer meu trabalho.
— Ok... Se vocês não tiverem algum caso depois desse a gente conversa.
— Beijos, amiga! – Agatha encerrou a ligação e guardou seu celular na bolsa e voltou para a delegacia.
***
— Ele descarta as vítimas como lixo... – dizia Prentiss aos outros na delegacia – O beco em que a última foi encontrada tem mais lixo do que se possa imaginar.
— Os horários que as vítimas foram sequestradas são exatamente o mesmo... — continuou Spencer – As vítimas foram levadas pelo horário de depois das três da tarde e depois de dois dias são encontradas pelas oito horas da manhã.
— Isso pode nos dizer que o cara tem um emprego, talvez ele use carro do trabalho, por exemplo. – concluiu Morgan.
— Chegamos! – disse JJ ao chegar com Rossi.
— Como foi com os pais das vítimas? – perguntou Hotch.
— Como é de se imaginar... – respondeu Rossi — Mas nos disseram que se tinha alguém que não gostasse da família e fizesse isso não sabem nos dizer.
— Vou ligar para a Garcia – Hotch pegou o celular – Garcia?
— Peça e seja atendido!
— Garcia eu preciso que verifique todas as empresas que tenham alguma escala de trabalho do horário das oito da manhã ás três horas da tarde.
— E uma lista dos funcionários deste horário, mama! – disse Morgan.
— Uau senhor tem várias que tem essa escala... Algo a mais?
— Garcia veja dessas empresas quais os funcionários que usam o transporte delas. – concluiu Prentiss.
— Ainda assim será uma grande lista.
— Quando tivermos mais pistas à gente te informa! – disse Hotch.
— Ok, vou fazer minha mágica!
— É assim que se fala baby girl! – disse Morgan.
— Garcia fica off! – Garcia encerra a ligação.
— Cheguei... – disse Blake entrando na sala.
— O que sabe da vítima desaparecida hoje? – perguntou Hotch.
— O nome da vítima é Taylor Miller, foi vista pela última vez em uma loja de roupas infantis um pouco depois das três horas.
— Mesmo horário! – disse Prentiss.
— Agora são cinco horas da tarde... Já temos menos de 48 horas para encontra-la. – disse Rossi olhando o relógio.
— A loja mandou o vídeo das câmeras de segurança. – disse o delegado entrando na sala. Hotch ligou o computador na mesa e acessou o vídeo.
Enquanto analisavam o vídeo, Agatha havia chegado e se ajuntou a eles, algo intrigou todo mundo quando assistiam a filmagem que era um garoto loiro que aparentava ter uns dez anos de idade se aproximando da mulher desaparecida e depois os dois juntos caminhavam até um lugar onde a câmera não tinha mais acesso.
— A Sra. Miller tem filhos? – perguntou JJ.
— Uma menina de cinco anos. – respondeu Blake.
— Então... Quem é o garoto? – perguntou Prentiss.
— Não pode ser! – Agatha e Morgan exclamaram juntos e se olharam assustados.
— O que foi? – perguntou Hotch encarando os dois.
— No que você pensou? – perguntou Morgan a Agatha.
— Eu? – Agatha sentiu-se sem graça – Não eu não pensei em nada... Digo eu pensei, mas diga você.
— Hotch... – continuou Morgan – O suspeito usa o filho como isca!
— Não acredito... Pobre criança! – disse Prentiss horrorizada.
— Agatha no que você pensou? – Hotch sem perceber a chamou pelo primeiro nome.
— Nada demais senhor... – Agatha desviou o olhar dele.
— Diga sem medo jovem. – pediu Rossi.
— Ok... Eu pensei o mesmo que o agente Morgan.
— Certo... – disse Hotch.
— Os horários, os horários... – começou Spencer.
— Garoto no que está pensando? – perguntou Morgan.
— Os horários... Os horários agora fazem sentido!
— Fala logo Reid! – disse JJ.
— Os horários agora fazem sentido... Das oito ás três é um horário escolar, o filho do suspeito está na aula nesse horário!
— Vamos precisar verificar todas as escolas... – disse Blake.
— Mas o que sabemos da criança? – perguntou JJ.
— Ele deve ter problemas... – foi dizendo Blake – Ele deve saber o que o pai faz ou pelo menos sente que não é coisa boa, ele não tem um lar familiar de paz, ele deve ser depressivo algo do tipo.
— O pai é solteiro ou viúvo... – disse Rossi.
— Precisamos checar crianças assim... – Hotch pegou o celular novamente – Garcia?
— As suas ordens senhor!
— Garcia precisamos que você pesquise todas as escolas da região e sobre os alunos que estudam do horário das oito ás três, desses alunos pesquise sobre garotos que deve ter algum problema de depressão ou algo parecido.
— Ok senhor, mas já aviso que nem todos os colégios podem ter isso nos registros.
— Garcia tem razão... – disse Spencer – A caso que isso se passa despercebido pelos professores.
— O que fazemos então? – perguntou Prentiss.
— Vou ver o que posso fazer. – disse Garcia que encerrou a ligação.
— O tempo está passando... – disse JJ.
— Vamos ter que ir às escolas. – disse Hotch.
— Nossa isso vai ser difícil... – disse Prentiss pegando o casaco da cadeira.
— Senhor Hotchner... – chamou Agatha que já estava sentada a mesa fazendo suas anotações sobre tudo o que falaram ali.
— Sim. – respondeu ele a encarando.
— Quantos corpos foram encontrados?
— Quatro. – Hotch respondeu enquanto os outros se entreolhavam.
— Eu estava pensando... – Agatha apontou para o mapa no painel.
— Eu já entendi! – disse Spencer que pegou um lápis e rabiscou alguns pontos no mapa – Os lugares de desova não são tão longe assim, os lugares que as vítimas sumiram também não então o colégio do garoto tem que próximo desses lugares... Aqui! – Spencer apontou para cinco escolas que tinha no mapa, Morgan pegou o celular ligou para a Garcia e pediu que ela focasse a busca nas escolas que Spencer riscou no mapa.
— Então vamos a esses colégios ver se a gente consegue alguma coisa. – disse Rossi.
— Não será possível... – disse o delegado – Já se passou das cinco e as escolas estão fechando, o horário da secretária encerra nesse horário eu sei por que minhas filhas estuda em um deles.
— O jeito é aguardar as informações da Garcia... – disse JJ – Espero que possamos encontrar Taylor Miller logo!
— Eu também. – respondeu Hotch. Todos resolveram tomar um café e saíram exceto Hotch e Agatha que ficaram na sala, Agatha ficou fazendo suas anotações enquanto Hotch olhava para o painel, mas desta vez em Agatha, ele ficou pensando em como ela queria participar nos casos, ela tinha teorias e pensava junto com a equipe.
Morgan voltou para a sala com uma xicara de café e sentou-se ao lado de Agatha:
— Aqui está... – ele tirou um bloco de anotações do bolso da calça e entregou a ela.
— O que é isso? – ela pegou sem entender.
— Enquanto estava no local da desova dos corpos, eu fui anotando algumas informações minha e do restante que estava comigo, assim fica fácil para você registrar.
— Uau... – Agatha ficou admirada com a atitude e a postura de Morgan de um dia para o outro – Fico agradecida.
— Escuta... Eu fui muito rude com você ontem... – Hotch que olhava o painel passou a prestar atenção na conversa – Eu não vou entrar em detalhes, mas a gente passou uns bocados um tempo atrás e a gente nunca precisou de alguém para registrar nossos passos em uma investigação então é estranho sabe... É como se tivéssemos um dedo duro entre nós.
— Eu acho que estou entendendo... – responde Agatha olhando Morgan nos olhos – Agente Morgan...
— Só Morgan, por favor.
— Ok... Morgan eu fui chamada para esse trabalho e eu confesso que achei estranho eu ser uma agente para anotar o que vocês fazem, mas eu fiquei feliz por um lado porque eu recentemente me formei em psicologia criminal o meu sonho é ser uma de vocês um dia... Poder ir atrás dos criminosos, poder analisar o tipo de perfil deles... Essas coisas que vocês fazem eu aceitei porque me disseram que podia ser uma chance de quem sabe eu consiga e eu quero conseguir!
— Entendi... Hoje eu percebi isso, primeiro foi ontem no carro você querendo participar e eu fui ignorante, depois hoje no avião e agora pouco... Eu percebi que você é inocente de tudo.
— Inocente?
— Um dia acho que você vai entender... – Morgan se levantou – Peço desculpas por ter sido rude ontem!
— Bem... Desculpas aceitas.
— Ótimo!
— É...
— Qualquer dúvida sobre o que anotei é só perguntar. – Morgan se levantou e saiu da sala, Agatha o observou sair e a palavra “inocente” ficou martelando em sua cabeça, depois ela olhou para Hotch que olhava o painel e lembrou-se de quando Strauss pediu que ela registrasse qualquer coisa sobre ele, até uma respiração diferente era para anotar então começou a fazer teorias na sua cabeça.
Ela terminou suas anotações e quando foi saindo da sala Hotch a chamou:
— Agente Silva.
— Pois não senhor?
— Eu ouvi sua conversa com o Morgan.
— Sim senhor e já estamos entendidos o lance de ontem já é passado...
— Não é isso. – interrompeu ele.
— Não?
— Não... É sobre o que você disse a ele... Que almeja ser um de nós um dia.
— É verdade senhor... Eu não estudei a toa, tive a chance de me formar muito cedo então quero aproveitar cada oportunidade.
— Entendo e admiro.
— Mesmo começando a ser uma “dedo duro”. – Agatha sorriu sem perceber e Hotch não se conteve e sorriu também. O coração de Agatha acelerou de um jeito que ela achou que pudesse ser visto, o breve sorriso de Hotch a fez voltar sentir aquele frio na barriga, ela ficou pensando em falar alguma coisa antes de sair da sala, Hotch a ficou olhando ele voltou para seu semblante sério, mas não deixou de encara-la, Agatha por um lado queria desviar o olhar, mas por outro ela queria ficar ali o encarando.
Eles ficaram parados de frente um para o outro em certa distância, mas ficaram se olhando sem dizer sequer uma palavra, os dois foram tomados por sensações estranhas parecia que tudo ao redor não existia mais só eles dois ali até o celular pessoal de Agatha tocar e ela se atrapalhou para pega-lo na bolsa:
— Com licença senhor... É a amiga com quem moro eu posso atender? – perguntou ela com a voz tremula.
— Claro que pode. – Hotch também acabou acordando da sensação que teve.
— Licença... – Agatha saiu apressada para fora da delegacia – O que foi Francine?
— Minha nossa... Amiga está tudo bem? Sinto tensão na sua voz.
— Francine diga o que aconteceu?
— Nada demais... Eu só liguei apenas se caso estava ocupada não precisava atender eu deixava recado na caixa postal.
— Agora eu já atendi! – Agatha se irritou.
— Atrapalhei seu trabalho ou algum momento paquera com seu chefe?
— Francine qual é?
— Ai amiga desculpa... É que eu pesquisei aqui na internet sobre o agente Hotchner... É Aaron Hotchner não é?
— É... Por quê?
— Tem até alguns vídeos dele aqui falando de algumas investigações... O cara é conhecido por prender os piores.
— E...
— E ele é mais que um gato mesmo, é um homem lindo de morrer!
— Francine você me ligou para dizer isso?
— Agatha o que aconteceu? Tenho certeza que não atrapalhei seu trabalho aconteceu alguma coisa!
— Quer saber? Atrapalhou sim!
— Eu sabia, eu sabia! O que aconteceu?
— Aconteceu que... Eu não sei o que houve entendeu? Eu quero respirar e pensar um pouco depois a gente se fala.
— Agatha...
— Tchau Francine! – Agatha encerrou a ligação e guardou o celular em sua bolsa. Agatha não sabia o que pensar ela entendia e não entendia o porquê de ficar tão tensa com Hotch à toa, o sorriso dele foi fatal para ela ficar daquele jeito, suas pernas tremiam o frio na barriga só aumentava ela sentia como se borboletas estivessem voando por dentro de seu corpo, sua cabeça girava.
Agatha então olhou para os lados e resolveu ir até a lanchonete próxima dali que havia ido mais cedo, o dia já estava escurecendo ela então decidiu comprar um café para relaxar e colocar as ideias no lugar, quando ia caminhando ela ia se lembrando do sorriso de Hotch para ela andava tão distraída quando fui puxada pelo braço:
— Ei garoto o que é isso? – perguntou ela irritada com o garotinho loiro que a puxou.
— Eu não sei onde está meu pai. – disse ele triste.
— Como não sabe? – Agatha olhou para o garoto e o logo o reconheceu, era o menino da filmagem da loja que foi usado como isca para a vítima.
— Me ajuda a encontra-lo.
— Claro... – respondeu ela tentando mostrar que não desconfiava de nada – Vamos até a delegacia... A polícia pode te ajudar.
— Não... – o garoto encravou as unhas nas mãos dela – Papai disse que sem polícia!
— Não... A polícia pode ajudar...
— Sem polícia! – um homem disfarçadamente para os outros da rua abraçou Agatha por trás e enlaçou seus braços em sua cintura e ela pode ver o canivete nas mãos dele – Entendeu?
— Entendi... – respondeu Agatha que pensou em gritar, mas ficou com medo do que o homem podia fazer.
— Vamos sair daqui como um casal e você não tente fazer uma gracinha... Entendido?
— Entendido... – Agatha obedeceu ao homem e junto com ele e o menino entraram em uma van azul escuro.
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