Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
3 Capítulo 02 - Shopping Center
Notas iniciais
Strauss viu que a porta da sala de reuniões estava trancada então bateu para que alguém abrisse:
— Posso saber o porquê da porta trancada?
— Sei lá... – respondeu Garcia sem jeito que atendeu a porta – Acho que trancamos sem querer.
— Sei... Vamos Agatha pode entrar.
— Com licença Sra. Strauss... – Agatha estava muito tímida não sabia se entrava cumprimentando a todos ou se aguardava Strauss lhe apresentar, ela ficou mais receosa ainda quando percebeu que Garcia e Derek lhe intimidavam com o olhar.
— Eu vou ser breve porque não temos muito tempo a perder... Todos vocês já sabem que a agente registradora de vocês começava hoje. – foi dizendo Strauss enquanto todos olhavam para Agatha que ficou em um canto da sala olhando para os lados desviando os olhares intimidadores que recebia os únicos que a olharam sem querer intimida-la foram Blake e Spencer – Essa aqui é a agente Silva a registradora da equipe, apresentação eu peço depois, pois o caso que temos hoje não pode perder tempo.
— Posso começar? – perguntou JJ.
— Por favor! – respondeu Hotchner sentado a mesa com alguns papeis na mão.
— Ok... – continuou JJ – Em um shopping aqui em Virginia no shopping Potomac Mills uma garotinha de sete anos chamada Ashley Richardson desapareceu e estamos indo agora ajudar localiza-la, o shopping foi fechado ninguém entra ninguém sai de lá, a polícia não localizou a menina e pelas câmeras de segurança não é possível visualizar ela saindo com alguém.
— A gente já estava discutindo o caso Strauss... – continuou Hotchner — A gente já está indo para o shopping todos no carro daqui cinco minutos. – todos se levantaram pegando suas coisas.
— Agente Silva?
— Pois não Sra. Strauss?
— Vou lhe entregar a chave do seu armário para que guarde as suas coisas, depois acompanhe o agente Hotchner e seja rápida! – Strauss apontou para Hotchner para que Agatha soubesse quem era.
— Sim senhora. – respondeu Agatha que seguiu Strauss ao sair da sala.
— Eu não disse Morgan que ela era a X9! – disse Garcia.
— Gente quantos anos aquela menina tem? – perguntou Emily – Quinze anos? Viram a cara de criança dela?
— Ela tem vinte anos. – respondeu Spencer pegando sua bolsa da mesa.
— Reid como sabe disso? – perguntou Derek.
— Se eu não estiver errado ela foi à aluna daquela turma de psicologia criminal que com seu relatório nos ajudou a prender o assassino do nosso último caso no Arizona.
— Está brincando não é garoto? – continuou Morgan dando risada do que Spencer havia dito.
— Não... Se vocês não lembram a aluna que assinou se chamava Agatha Silva.
— Spencer não pode ser ela não... – insistia Morgan.
— Estou pronta! – respondeu Agatha que entrou apressadamente na sala toda ofegante, desta vez ela carregava uma pequena bolsa tiracolo marrom.
— Estamos perdendo tempo aqui... – disse Hotchner – É Silva não é?
— Agatha Silva senhor, mas pode me tratar pelo nome que achar melhor. – Morgan fez cara de espanto e olhou para Spencer que sorriu ao saber que estava certo.
— Tudo bem... – continuou Hotchner – Vamos logo, tem uma criança que precisa da gente.
— Sim senhor! – respondeu Agatha que o seguiu. Derek quis discutir o assunto, mas não tinham tempo para aquilo, Garcia desta vez também ia com eles, ia se instalar no shopping para ajudar a encontrar a menina desaparecida.
Hotchner e Agatha foram os primeiros a chegar ao estacionamento e foram entrando no carro, quando Agatha colocava o cinto de segurança, Hotchner que já estava pronto no volante decidiu ser educado com ela para assim caso ela não protestar nada com Strauss:
— Ok... Eu me chamo Aaron Hotchner, sou o chefe da equipe pode me chamar de agente Hotchner.
— Prazer agente Hotchner como eu me apresentei me chamo Agatha Silva, mas me trate pelo nome que achar melhor.
— Agente Silva pode ser?
— Sim senhor. – os outros demais chegaram e se dividiram em duas equipes: cada uma em um carro.
Hotchner e Agatha já estavam em um e se ajuntaram a eles: Spencer, Blake e Morgan, no outro carro estavam Rossi, JJ, Garcia e Emily.
Logo saíram do estacionamento apressados para que chegassem logo ao shopping, no carro onde estava Hotchner dirigindo Spencer no banco de trás sentado ao lado da janela atrás de Agatha tinha um mapa do shopping na mão e ele discutia possíveis lugares onde a menina devia estar escondida:
— Já olharam as instalações internas das lojas?
— Como assim? – perguntou Blake que estava do outro lado da janela atrás de Hotchner.
— Cada loja tem um depósito dos seus produtos não tem?
— Isso não seria separado?
— Não... Porque se um produto sair da prateleira eles tem que sair da loja e ir em um depósito separado buscar? Não faz sentido.
— É verdade!
— Vou perguntar ao delegado responsável pelo caso. – disse Hotchner.
— Depósitos de produtos só funcionários tem acesso... – disse Agatha em voz baixa.
— O que você tem haver com isso? – perguntou Derek irritado.
— Morgan o que é isso? – perguntou Hotchner.
— O que houve Derek? – perguntou Blake.
— Desculpa senhor... Eu não quis me intrometer. – respondeu Agatha querendo poder abrir um buraco no banco do carro e enfiar a cabeça de vergonha.
— Morgan isso não é jeito de falar! – exclamou Hotchner.
— Não é jeito? Hotchner qual é? Está com medo de ela falar para a Strauss? Não se preocupe eu assumo a briga e quando a Strauss perguntar digo que a tal registradora da equipe se intrometeu em uma investigação!
— Desculpa não quis me intrometer... – Agatha ficou muito sem graça e sentida.
— Cadê seu caderninho para anotar isso aqui? Vai anotar o que foi falado? Ou você tem um gravador ai gravando nossa conversa?
— Morgan tenha calma. – disse Spencer.
— É Morgan fica calmo... A jovem não tem nada haver com o que ocorreu. – disse Blake.
— Claro que não... – Morgan fez questão de demonstrar que não ficava nada feliz com a presença de Agatha – Ela só vai escrever sobre a gente para Strauss ler... Quando a gente for no banheiro vai precisar registrar também?
— MORGAN JÁ CHEGA! – Hotchner berrou de um jeito que fez todos se assustarem, Agatha não teve coragem de olhar para ele e para mais ninguém então abaixou a cabeça, ela sentiu que queria chorar, mas segurou o choro, não podia fazer isso logo em seu primeiro dia.
— Hotch precisa gritar assim? – indagou Morgan encarando Hotchner.
— Precisei para você parar... Não precisamos de problemas a mais! – antes que Morgan pudesse protestar eles finalmente chegaram no local, todos saíram do carro, Morgan quando saiu caminhou apressadamente para dentro do shopping apresentando sua credencial para o policial que fazia guarda na entrada.
— O que houve com meu chocolate? – perguntou Garcia que ao descer do carro sentiu a tensão de Morgan de longe.
— Nada demais... – respondeu Blake.
— Vamos logo entrar e encontrar essa menina... – disse Hotchner – Digo esperem... JJ vai na frente com os outros procure o delegado e fique sabendo dos fatos eu já vou indo.
— O que vai fazer? – perguntou JJ.
— Vou ter uma palavra rápida com a agente Silva.
— Ok... Então vamos equipe. – todos seguiram JJ e entraram no shopping.
— Agente Silva?
— Sim senhor Hotchner!
— Peço desculpas pelo ocorrido no carro.
— Não se preocupe senhor... Eu já me esqueci. – na verdade Agatha queria se esconder em um lugar e chorar até secar as lágrimas.
— Eu na maioria dos casos costumo ficar com chefe local do caso e divido tarefas entre os outros, não sei como vai fazer para registrar tudo, mas espero que tenha alguma ideia.
— Senhor não se preocupe... Agora vamos temos que achar a menina digo o senhor e sua equipe precisam encontra-la. – Hotchner não disse mais nada e junto com Agatha entrou no shopping.
Cada um ficou com uma tarefa como sempre, Garcia se instalou na sala de segurança do shopping com seu computador e JJ ficou para auxiliar, Emily Prentiss foi interrogar os tios da vítima enquanto Blake ficou interrogando os pais, Morgan se ajuntou com outros policiais na busca da garota, Spencer conversou um pouco com o primo de treze anos da vítima e depois ficou estudando o mapa e os locais do shopping enquanto Hotchner e Rossi ficaram com o delegado chefe do dia tentando obter informações com os outros e analisando em como tudo ocorreu, Agatha então se ajuntou a Blake para registrar o interrogatório dela com os pais.
— Senhora Richardson quando esteve com sua filha pela última vez? – perguntava Blake à mãe da vítima.
— Bem... – a mulher tentava manter a calma, mas não conseguia e desabava em chorar.
— Desculpe ela está descontrolada... – disse o esposo da mulher.
— Então o senhor pode me responder?
— Claro que sim agente... – A gente havia almoçado aqui em uma dessas mesas da praça de alimentação.
— Em qual das mesas? – perguntou Blake.
— Não lembro exatamente... Em uma das centrais.
— Ok...
— Então minha esposa ao terminar de comer disse que queria ir ao banheiro e as crianças queriam ir em uma loja de jogos então minha esposa pediu que sua irmã levasse as crianças enquanto ela ia no banheiro então aproveite para ir ao banheiro também eu pensei: Ashley está com minha cunhada e o esposo dela qual o problema?
— Então o que houve?
— Quando eu cheguei a loja de jogos encontrei meu sobrinho jogando sozinho. – enquanto Blake os interrogava Agatha sentou-se em uma mesa próxima deles ali da praça de alimentação e passou a anotar tudo o que eles falavam, Blake prestava atenção no homem respondendo as perguntas, mas também se admirava em como Agatha escrevia muito rápido.
— O seu sobrinho é o Jake certo?
— Isso.
— Porque ele estava jogando sozinho?
— Bem ele disse que sua mãe ia em uma loja ver algo com Ashley e que logo voltava.
— E o marido de sua cunhada?
— James? Jake respondeu que ele havia ido ver um negócio em outra loja, mas não sabia na onde eu fiquei esperando até minha esposa chegar.
— Foi ai quando cheguei que minha irmã voltou gritando dizendo que Ashley desapareceu. – respondeu a mulher em meio a prantos.
— Ok entendi...
— Não leve mal agente Blake, mas já dissemos tudo isso aos tiras antes... Vão procurar nossa filha!
— É o que estamos fazendo senhor Richardson... Agora peço que tentem se acalmar e sentem-se, nós vamos encontra-la. – os pais da vítima sentaram em uma mesa e ficaram abraçados em meio a prantos, Blake se aproximou de Agatha e sentou-se ao lado dela, Agatha havia terminado suas anotações.
— Quer ler? – perguntou Agatha.
— Como? – Blake ficou sem entender.
— Quer ler para ver se está tudo certo?
— Não imagina... Prazer me chamo Alex Blake.
— Prazer eu me chamo Agatha Silva... A proposito me deixa anotar o seu nome aqui antes que me esqueça.
— É brasileira não é?
— Sou sim.
— O seu rostinho e seu sotaque não engana... De que lugar?
— São Paulo.
— Mas você é bem nova não é? Quantos anos?
— Tenho vinte anos.
— Se formou nova demais.
— Eu tive digamos o privilegio de sair do ensino médio cedo com quinze anos entrei para a faculdade de psicologia depois ganhei a oportunidade de vir para os Estados Unidos e estudar psicologia criminal, minha turma se formou há quinze dias.
— Como veio parar os Estados Unidos?
— Agente Blake é uma longa história...
— Um dia você me conta... – Blake soltou um sorriso a Agatha demonstrando não ter nada contra ela.
— E agora o que eu faço?
— Bem... Vou ligar para alguém aqui... – Blake pegou o celular – Spencer? Está em qual lugar do shopping? Posso mandar a agente Silva ai fazer os registros do seu trabalho? Ótimo! – Blake guarda o celular.
— Então para onde vou?
— Ele está no andar de baixo na loja de jogos onde a menina foi vista pela última vez pelo primo.
— Então eu vou para lá. – Agatha pegou suas coisas e foi para onde Spencer se encontrava.
***
Morgan havia se cansado de fazer a busca e não encontrar pistas sobre a vítima então foi se ajuntar a Spencer na sala de jogos, quando chegou não gostou de ver que Agatha estava lá tentou dar a volta e sair dali, mas Hotchner chegou logo em seguida o detendo:
— Aonde pensa que vai Morgan?
— Vou ver o que a Garcia descobriu.
— A JJ já está lá com ela.
— Hotch se você pensa que eu vou ficar falando sobre o que eu fiz durante uma investigação para essa menininha ou deixar anotar tudo o que eu faço e digo está enganado... Se a Strauss quer saber ela que venha perguntar!
— Morgan... – Hotchner olhou para Spencer e Agatha que na verdade estavam distraídos, Spencer estudava o local e falava suas teorias enquanto Agatha anotava tudo atentamente – Por acaso você acha que estou contente?
— Parece que você aceitou em uma boa.
— Não aceitei, mas não tinha opção... A minha carreira estava ameaçada, isso foi decisão da diretoria.
— Tem certeza que não tem digitais da Strauss no meio disso tudo?
— Morgan se tem ou não eu não sei... Mas não posso dar motivo para essa... Para essa menina registrar uma reclamação minha e espero que todos da equipe pensem o mesmo!
— Hotch... – quando Morgan ia falar mais, Agatha se aproximou deles.
— Pois não agente Silva? – perguntou Hotchner.
— Desculpa atrapalhar, mas onde se encontra a agente Prentiss? Preciso fazer as anotações do interrogatório dela com os tios da vítima.
— Estão em frente a uma cafeteria... Não a que fica na praça a que fica neste mesmo andar, mas no próximo corredor.
— Obrigada e com licença. – Agatha se retirou perto deles.
— Então Hotch...
— Morgan isso não tem mais discussão... Vamos ver o que o Spencer descobriu. – eles se ajuntaram ao Spencer na investigação.
***
Agatha ao chegar aonde Prentiss e os tios da vítima se encontravam viu que o interrogatório havia acabado, mas Prentiss sentou-se com ela e falou tudo o que havia sido falado, quando Agatha anotava tudo ela viu algumas divergências hesitou em falar, mas Prentiss percebeu que ela pensou em algo e lhe questionou:
— O que foi?
— Nada... – respondeu Agatha ao terminar suas anotações.
— Por favor, se é algo que ajuda achar Ashley diga logo!
— Eu só sou uma registradora.
— Mas estudou para ser uma agente e analisar perfis não é?
— Ok... Bem... Leia o que escrevi do interrogatório da agente Blake e depois leia o seu, por favor.
— Ok... – Prentiss pegou o caderno das mãos de Agatha e leu atentamente.
— Agora leia o que anotei do Spencer que me disse que antes de analisar os locais conversou brevemente com o primo de Ashley.
— Ok... – Prentiss revirou as folhas do caderno e leu atentamente – Eu não creio!
— A tia ou o menino podem estar envolvidos nisso! – disse Agatha eufórica.
— Claro que sim... – Prentiss pegou seu celular – Hotch? Você não vai imaginar... – ela explicou a situação para Hotch, após isso ela chamou a tia da vítima e a levou para um lugar isolado longe do marido enquanto Hotchner localizou o garoto e levou para outro lugar.
Eles demoraram em conseguir as informações que queria, Hotchner pediu a Garcia para checar tudo da vida deles e desenterrar qualquer coisa sobre eles, passou mais algumas horas já era de noite, mas Prentiss conseguiu que a tia falasse e revela-se que foi ela mesma que escondeu a menina dentro de um depósito antigo onde ela conhecia muito bem por já ter trabalhado lá antes do carro e que estava esperando a polícia de desistir de procurar no local para se livrar dela. Quando a menina foi retirada do lugar que estava presa ela estava desacordada, pois teve ataque de asma e estava sem sua bombinha, mas os paramédicos conseguiram salva-la e os pais comemoram triunfantes enquanto a tia da vítima foi algemada e levada à delegacia.
O delegado agradeceu a Hotchner pela ajuda dele e sua equipe, todos ficaram contentes em poder ter ajudado a salvar a garota, quando estavam entrando no carro Emily disse:
— Eu não acredito que deixei um detalhe tão idiota passar.
— Que detalhe Emily? – perguntou Rossi dando partida no carro.
— No detalhe da resposta do garoto para a resposta da tia.
— Como assim? – perguntou JJ.
— O Spencer chegou a falar com o garoto primo da Ashley e ele disse que quem falou com ele na loja de jogos foi a própria Ashley que disse que ia tomar um sorvete com a tia enquanto ele jogava.
— E daí? – perguntou Garcia.
— E a tia disse para mim que ela saiu com rapidamente com a Ashley para ver um presente para o marido e que quando reparou Ashley lhe sumiu de vista... Como fui burra!
— Calma Emily... Estávamos todos tensos porque a investigação não dava em nada. – disse JJ.
— Como calma JJ? Não podemos falhar assim? Sempre dividamos informação dos casos e não cometemos gafes desse jeito! O que está acontecendo com a gente? A gente não era assim?
— Emily querida infelizmente existe um dia que não estamos em sintonia... – disse Garcia – E hoje foi um dia que estávamos todos tensos com a chegada da X9.
— Garcia coitada... – disse JJ.
— Ok me perdoem... Eu só estou com medo dela anotar alguma falha e a Strauss separar a gente e mandar o Hotch embora.
— Vem cá meu amor... – Emily lhe deu um abraço.
— Eu só tenho medo... Essa sua pequena falha mesmo ela já deve ter anotado.
— O pior é que foi as anotações dela que me ajudou.
— Viu só? – Garcia afastou-se um pouco do abraço de Emily para enxugar as lágrimas – Pode ter certeza que ela vai registrar isso.
Todos ficaram calados, pois a preocupação era a mesma: os registros de Agatha sobre o trabalho deles, qualquer erro podia ser registrado e isso seria um prato cheio para Strauss.
No outro carro Hotchner dirigia desta vez Morgan sentou-se ao seu lado Blake e Spencer sentaram-se lado a lado enquanto Agatha encostou a cabeça no banco e cochilou sem perceber, Hotchner através do espelho conseguia ver o rosto dela, ele ficou a observando por alguns instantes, mas logo voltou a atenção no volante.
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