Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
25 Capítulo 25 - Uma Ferida Mal Curada
Notas iniciais
Retorcendo e revirando
Teus sentimentos estão ardendo
Você esta partindo a garota
Ela não queria te fazer nenhum mal
(Breaking The Girl — Red Hot Chili Peppers)
No dia seguinte Hotchner foi examinado e recebeu alta do hospital, porém foi obrigado a pegar um atestado médico de um mês e meio por conta da ferida a bala, a contragosto ele aceitou o afastamento.
Collin Johnson era realmente o culpado e havia se salvado do tiro de Agatha em uma cirurgia e assim que teve alta ele foi levado a delegacia e o prefeito da cidade precisou organizar uma coletiva pedindo desculpas pelas informações erradas que deu sobre o suspeito e ficou com ele junto a polícia resolver as questões das mortes das pessoas que foram confundidas pelo suspeito e o criminoso que invadiu a casa do casal Gordan se entregou a polícia por livre e espontânea vontade.
Após a alta de Hotchner a equipe pegou o avião de volta a Virginia, Jéssica voltou junto a eles e durante a viagem dormiu.
Hotchner aproveitou que Jéssica dormia tranquilamente em um canto isolado do avião e pediu que a equipe se sentasse todos próximos, pois ele queria discutir um assunto e ele junto a Agatha contou sobre o caso em que o policial Tomás Fernandes pediu ajuda:
‒ Eles não vão precisar só da ajuda do FBI, da Interpol também. – comentou Prentiss – É um caso fora do país fora de jurisdição nossa.
‒ Mas a Interpol só não interfere quando um criminoso é procurado por vários países? – perguntou Ashley.
‒ É bem provável que a Interpol precise intervir. – concordou Rossi.
‒ A coisa está feia pelo visto. – disse JJ – Se o governo brasileiro pediu ajuda ao nosso governo solicitando o FBI o caso é sério.
‒ Eles querem entender a mente deste criminoso... – explicou Agatha – Eles não têm pistas nenhuma e no Brasil é totalmente diferente.
‒ Se formos trabalhar neste caso vamos precisar de um tradutor. – disse Reid.
‒ Garoto esqueceu que a Agatha também é natural do Brasil? – indagou Morgan.
‒ Ela é do Brasil sendo mais especifico. – respondeu Hotchner.
‒ Spencer eu tenho doutorado em linguística. – afirmou Blake – Eu estudei várias línguas, sou poliglota.
‒ Blake você sabe falar português? – perguntou Agatha curiosa.
‒ Sim.
‒ Resolvido. – disse Todd – Temos a Agatha brasileira e a Blake poliglota quanto a esse problema estamos resolvidos.
‒ Eu sempre quis conhecer o Brasil! – disse Garcia e todos a encararam – Bom se vocês forem realmente chamados vão precisar de uma gênia dos teclados não é mesmo? Eu vou ter que ir junto ao Brasil não é?
‒ Penélope você é demais! – exclamou Donovan e todos riram.
‒ Ainda não sabemos se o governo vai nos autorizar. – disse Hotchner – Mas vamos dar um pequeno auxílio ao policial brasileiro Tomás Fernandes.
‒ De qual maneira? – perguntou Prentiss.
‒ Ele irá nos enviar os arquivos do caso, quando pudermos vamos dar uma analisada e responder algumas perguntas a ele.
‒ Seria interessante de marcar uma Vídeo Conferência com ele. – sugeriu Donovan – Assim fica mais fácil de vocês o ajudarem.
‒ Alguém tem feito à lição de casa. – elogiou Garcia – Eu estou orgulhosa.
‒ Ótima ideia. – elogiou Reid e Donovan sorriu para ele o deixando sem graça.
***
Rossi se responsabilizou de finalizar a papelada sobre o caso e assim Hotchner foi diretamente para casa acompanhado de Jéssica e Agatha.
A amiga de Jéssica levou Jack de volta para casa e o menino ficou contente em ver que estava tudo bem com seu pai.
Hotchner pediu que Agatha ficasse aquela noite com ele então ela foi até a sua casa para pegar algumas coisas e voltou ao apartamento do namorado.
Jack tomou um bom tempo de Agatha, mas ela não achou nada ruim, adorou passar algumas horas com Jack enquanto Jéssica aproveitou para arrumar a casa, eles brincaram, assistiram TV e leram alguns livros de contos infantis.
O dia passou tranquilamente e quando anoiteceu Jéssica preparou um delicioso jantar para todos, quando finalizaram Jack já estava cansado e Agatha o colocou para dormir em seu quarto e ajudou Jéssica com a louça.
Perto das dez horas da noite todos foram para suas camas, Jéssica estava exausta e não via a hora de descansar verdadeiramente, Agatha também estava e ficou no quarto de Hotchner junto a ele.
Eles ficaram deitados abraçados um ao outro, Hotchner afagava uma de suas mãos nos cabelos de Agatha enquanto ela pousou a cabeça com todo cuidado em seu peitoral, eles conversavam sobre o casamento:
‒ Quando vamos contar ao Jack? – perguntou Agatha.
‒ Em breve... Vou providenciar as alianças primeiro.
‒ Temos muitas questões a resolver... Os padrinhos, a igreja, a data, se vai haver festa ou não.
‒ Você quer festa? – Hotchner beija os lábios de Agatha carinhosamente.
‒ Você não quer? – Agatha levantou a cabeça para fita-lo nos olhos.
‒ Eu não parei para pensar, pois a única coisa que eu penso é de quero que seja minha esposa.
‒ Hotch você é um amor. – Agatha aproximou o seu rosto ao rosto dele e o beijou com ternura – Você precisa descansar.
‒ Você também, porque foi um caso e tanto.
‒ Que já foi resolvido.
‒ David me contou que foi você que atirou no suspeito.
‒ Sim. – afirmou Agatha ajeitando-se no lençol.
‒ E então?
‒ Então o que? – ela virou-se para encarar Hotchner.
‒ Agatha foi seu primeiro tiro em campo.
‒ E?
‒ Gostaria de compartilhar alguma coisa?
‒ Compartilhar o que? Foi um tiro limpo.
‒ Meu amor presta atenção... – Hotchner acariciou o rosto de Agatha – Talvez agora de momento você não esteja sentindo nada, mas depois vai querer falar sobre isso.
‒ Por qual razão?
‒ Agatha atirar em uma pessoa de verdade não é a mesma coisa que um alvo de treinamento que é falso.
‒ Eu deveria me sentir mal?
‒ Não exatamente, mas normalmente quando estamos em campo e temos que tomar algumas atitudes onde uma delas é atirar em alguém isso pode mexer um pouco conosco inclusive no início.
‒ Por enquanto eu não estou sentindo nada.
‒ Talvez seja pelo fato do suspeito ter sobrevivido.
‒ Como assim?
‒ Agatha vai chegar um momento em que você vai ter que matar alguém.
‒ Como assim? – Agatha arregalou os olhos.
‒ O nosso trabalho em alguns momentos exige isso... Imagina você correndo atrás de um suspeito e quando o encontra ele faz uma vítima refém? Se tiver que atirar para salvar a vitima será obvio que fará isso nem que mate o suspeito, entendeu?
‒ Eu estou entendendo... Como foi para você quando teve que atirar em alguém e acabou matando a pessoa?
‒ Foi estranho... – Hotchner ajeitou-se na cama – Porque eu tive que atirar no suspeito que fazia uma criança refém, eu atirei e o mesmo morreu na hora foi um tiro certeiro na testa, eu não senti nada na hora digo eu senti, mas me sentia orgulhoso porque tinha salvado uma criança entende?
‒ Sim.
‒ Quando se passou alguns dias, quase um mês a imagem deste suspeito veio me assombrar, tive alguns pesadelos com ele e eu cheguei a um momento que eu me questionava se eu havia feito a coisa certa.
‒ Mas é claro que fez!
‒ Eu sei, mas eu não sou um assassino entende?
‒ Agora eu entendo. – Agatha abaixou a cabeça.
‒ Hoje eu lhe dou bem com isso porque levo isso no profissional.
‒ Eu posso te perguntar uma coisa? – Agatha levantou a cabeça e o encarou mais uma vez.
‒ Sempre que quiser.
‒ Promete não ficar chateado?
‒ Eu prometo.
‒ Está bem... – Agatha ajeitou sua posição na cama – O que você sentiu quando matou Foyet?
‒ Como assim? – Hotchner encarou Agatha com os olhos semicerrados.
‒ Quando você matou Foyet o que sentiu?
‒ Quer a verdade?
‒ Sempre.
‒ No momento eu não senti nada porque estava desesperado por você e por...
‒ Haley. – concluiu Agatha.
‒ Sim... Mas depois eu senti um alivio, fiquei aliviado porque ele não iria incomodar mais, uma pena que isso custou a vida de Haley.
‒ Quando você foi atrás de Foyet você estava cheio de ódio não estava? – Agatha ficou com os olhos marejados – Você não estava com ódio e não queria pega-lo de qualquer maneira?
‒ Sim eu estava... Porque pergunta essas coisas?
‒ Porque quando eu fui atrás de Collin Johnson eu estava cheia de ódio! – Agatha começa a chorar.
‒ Ódio pelo o que?
‒ Ódio por ele ter atirado em você! Eu estava com medo de te perder, eu queria pegar o infeliz de qualquer maneira.
‒ Agatha...
‒ Mas é como você disse: Não somos assassinos.
‒ O que quer dizer com isso?
‒ Hotch eu podia ter matado Collin Johnson, mas quando ele virou-se para mim apontando a arma eu me desesperei e errei a mira... Eu queria ter acertado na cabeça dele!
‒ Meu amor... – Hotchner a abraçou – Está tudo bem agora.
‒ Eu havia ido caça-lo com a intenção de mata-lo... É normal?
‒ Muito normal.
‒ Foi a mesma coisa com John Curtis ano passado.
‒ Como assim?
‒ Quando você estava lutando com John eu estava escondida com a arma que consegui tomar de Francine.
‒ Isso eu já sei, foi para o relatório.
‒ John estava com colete a prova de balas, mas eu podia ter atirado na cabeça dele, mas na hora eu mirei na perna.
‒ Agatha, olhe para mim. – ele pegou delicadamente no queixo de Agatha a fazendo o mira-lo – Você não é assassina, você é uma ótima pessoa, uma mulher com muito amor no coração.
‒ Mas eu tive vontade de matar John Curtis, tive vontade de matar Collin Johnson...
‒ Por causa de vidas inocentes e por sua vida você quis matar, isso é normal.
‒ Hotch...
‒ Está tudo bem meu amor, mas quando estiver assim procure alguém e converse não guarde esses sentimentos com você.
‒ Está bem.
‒ Promete?
‒ Eu prometo. – Agatha beijou Hotchner.
Após a longa conversa eles decidiram descansar e quando Agatha estava prestes a apagar a luz do abajur o celular de Hotchner que estava no criado mudo ao lado da cama começa a tocar:
‒ Não me diga que é do departamento? – indagou Agatha.
‒ É o Mateo Cruz. – respondeu ele pegando o celular.
‒ Diga a ele que está de atestado médico e que não pode ir trabalhar.
‒ Hotchner. – disse ele ao atender.
‒ Agente Hotchner que bom que atendeu.
‒ O que deseja?
‒ Eu peço desculpas pelo horário e eu já estou informado de que está ferido e de atestado médico.
‒ O que quer Senhor Cruz?
‒ Eu vou direto ao ponto... Lembra-se de John Curtis?
‒ Sim. – Hotchner olhou brevemente para Agatha.
‒ O julgamento dele finalmente está se aproximando.
‒ Isso é bom.
‒ O FBI suspeita de muitos mais crimes cometidos por ele além dos que já sabemos.
‒ Como o que?
‒ Mais assassinatos e pedofilia... Pedofilia não é um grande segredo já que a sua cadete antes era uma garota de programa dele e pelo que sei ela tinha menos de dezoito anos.
‒ O senhor disse que iria direto ao assunto.
‒ Não temos provas sobre essas suspeitas de crimes anteriores, se conseguirmos provar é possível que ele pegue pena de morte.
‒ Você quer que a equipe investigue isso?
‒ A diretoria tem uma sugestão melhor: de que Agatha seja entrevistada.
‒ Para que?
‒ Como assim para que agente Hotchner? Ela teve muito contato com John Curtis em seu passado, ela pode nos ajudar.
‒ Mas se ela soubesse algo a mais tinha nos revelado.
‒ Você acha mesmo? O passado dela só foi revelado porque John Curtis passou a perseguir a equipe se não ela teria abafado todo esse caso.
‒ Senhor...
‒ Agente Hotchner é o seguinte: O senhor mais do que ninguém sabe que o passado de uma pessoa é investigado em mínimos detalhes quando a mesma deseja entrar para o FBI, qualquer coisa fora da linha o departamento não aceita certo?
‒ Sim.
‒ O passado de Agatha Cristina da Silva foi abafado nem sequer foi colocado em sua ficha e isso teve ajuda sua e de Erin Strauss, ela foi aceita a academia e confesso que ela tem se mostrado uma boa cadete está indo muito bem em estágio, mas agora precisamos da colaboração dela.
‒ Eu entendo tudo isso, mas eu acredito que ela não sabe de mais nada, eu posso dizer isso por que...
‒ Porque é namorado dela.— interrompeu Mateo Cruz – Eu sei e sinceramente? Eu não me importo com isso, eu fui casado com uma agente e tenho uma sobrinha no FBI isso não afeta e o senhor é um agente que conhece Agatha mais do que ninguém, mas precisamos da ajuda dela.
‒ E como ela passaria informações sendo que ela não sabe de nada?
‒ Eis outra sugestão da diretoria: Agatha irá visitar John Curtis na prisão para conseguir informações.
‒ Não! – exclamou Hotchner irritado a ponto de sentir uma pontada de dor no local em que foi baleado.
‒ Hotch! – exclamou Agatha preocupada – O que foi?
‒ Agente Hotchner se existe mais crimes cometidos por esse perverso ele tem que pagar por eles também.
‒ Encontre outra maneira. – exigiu Hotchner.
‒ Não existe outra maneira, já tentamos e esgotamos todas as alternativas, Agatha é a última que temos.
‒ Eu conversarei com ela. – Hotchner se deu por vencido.
‒ Agradeço a compreensão e desculpa pelo horário.
‒ Está bem. – Hotchner encerra a ligação.
‒ O que foi? – perguntou Agatha curiosa e preocupada.
‒ Amanhã nós conversamos.
‒ Como assim amanhã? Hotch o que foi? – Agatha queria saber de qualquer jeito e Hotchner se entregou a insistência dela e explicou toda a situação.
Agatha ouviu tudo atentamente e tentou controlar as emoções, quando Hotchner terminou de explicar ela levantou-se da cama e foi até a janela do quarto.
‒ Eles não podem te obrigar. – disse Hotchner.
‒ Pode dizer ao supervisor Cruz de que eu vou cooperar.
‒ Como assim? Agatha você sabe que isso pode trazer péssimas lembranças.
‒ Como é possível se lembrar de algo que nunca se esqueceu? – perguntou ela o mirando ao enxugar as lágrimas.
‒ Agatha...
‒ Hotch me escute. – exigiu ela – Eu preciso fazer isso.
‒ Você ainda não superou não é?
‒ Nunca.
‒ Meu amor...
‒ Eu compreendo muito bem essas vitimas que ficam traumatizadas por ter vivido horrores nas mãos de psicopatas... O pior de tudo é você ter vivido esse horror nas mãos de três.
‒ Você quer fazer isso por vingança?
‒ Eu não sei... Eu não sei... Sean Smith e Foyet estão mortos eu tenho traumas do que vivi com eles, mas com John Curtis eu tenho mais.
‒ Deve ser porque ele está vivo.
‒ Eu não sei dizer.
‒ Agatha, por favor, venha aqui. – Hotchner abriu os braços e Agatha se aproximou dele e o abraçou – Tem certeza que quer fazer isso? Quer mexer nesta ferida mais uma vez?
‒ É uma ferida mal curada... Eu preciso fazer isso, eu aceito visitar John Curtis na cadeia. – Hotchner não quis discutir mais o assunto e envolveu Agatha em seu abraço como se a estivesse protegendo de tudo.
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