Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
26 Capítulo 26 - A Visita (Parte 01)
Notas iniciais
Você se acha tão esperto
Mas agora você tem de cortar os laços
Você esta partindo a garota
Ele não ama mais ninguém
(Breaking The Girl — Red Hot Chili Pepper)
Depois de ter consolado Agatha em seus braços Hotchner adormeceu junto a ela e tiveram uma noite tranquila de sono.
Hotchner foi despertado pelo barulho do chuveiro que vinha do banheiro em seu quarto, com dificuldade abriu os olhos e se deu por falta de Agatha na cama, mas era obvio que era ela a tomar banho.
Era possível ver a claridade entre as cortinas azul marinho da janela adentrarem o ambiente significando que mais um dia se iniciava.
Quando pensou em se levantar Agatha saiu do banheiro enrolada a uma toalha branca:
‒ Já está de pé? – perguntou ele confirmando as horas em seu celular que estava em cima do criado mudo – São sete horas da manhã.
‒ Eu tenho prova hoje. – respondeu ela abrindo sua pequena mala cor de rosa para procurar uma roupa – Estamos nos testes finais.
‒ Em breve você obtém o certificado e a sua credencial de agente.
‒ Em breve não serei mais uma cadete. – respondeu ela contente enquanto se vestia.
‒ Passarei o dia sem você?
‒ Na verdade eu tenho dois testes hoje... Um de tiro e o outro de defesa pessoal.
‒ Quer usar o meu carro?
‒ Não meu amor, não será preciso.
‒ Tem certeza?
‒ Quando voltei para buscar minhas coisas ontem eu vim de carro não se lembra?
‒ É mesmo. – Hotchner se colocou sentado à cama – Ficarei o dia todo em casa já que me obrigaram a me afastar.
‒ Vai poder passar o dia com Jack quando ele chegar do colégio veja pelo lado bom. – Agatha termina de se vestir e passa a pentear seus longos cabelos cacheados.
Jéssica havia preparado um delicioso café da manhã, Agatha tomou café junto a eles e depois se despediu, pegou seu carro e foi para a academia do FBI.
***
Quando Agatha se aproximava da academia avistou o carro de Ashley e deu uma buzinada para a amiga, as duas estacionaram juntas:
‒ Bom dia. – disse Ashley ao sair do carro.
‒ Bom dia. – respondeu Agatha trancando a porta do seu.
‒ Como está o Hotch?
‒ Bem, em breve ele volta à ativa.
‒ Que bom. – Ashley percebeu que a amiga escondia algo e insistiu para que ela revelasse o que seria e Agatha desabafou com a amiga sobre a situação de John Curtis.
Quando elas entravam na academia Agatha recebe uma ligação:
‒ Pode ir Ashley, nos encontramos no vestiário.
‒ Tudo bem. – concordou Ashley que se afastou da amiga.
‒ Alô. – respondeu Agatha ao atender a chamada.
‒ Cadete Silva? Aqui é o supervisor Mateo Cruz.
‒ Pois não senhor.
‒ O agente Hotchner te deixou a par sobre John Curtis?
‒ Sim. – respondeu ela desanimada.
‒ Você irá nos ajudar?
‒ Sim senhor.
‒ Você poderia ir visitar John Curtis hoje na prisão?
‒ Já? – Agatha ficou aflita.
‒ O julgamento dele se aproxima, nós não podemos perder tempo.
‒ Eu tenho dois testes hoje, estou liberada no final da tarde.
‒ Agendarei sua visita, está bem?
‒ Sim senhor. – Agatha encerrou a ligação e entrou na academia.
***
Enquanto Hotchner ficou em casa e Agatha junto a Ashley estavam na academia realizando seus testes os demais foram convocados para uma reunião com o supervisor Cruz, Morgan teve que pedir que outro agente acompanhasse os testes de seus cadetes para comparecer a reunião.
A equipe como sempre se reuniu na sala de reuniões, o supervisor Cruz chegou e explicou o porquê da reunião, ele pediu ajuda a equipe para investigarem o passado de John Curtis na ajuda de provarem seus crimes passados e os informou sobre a cooperação de Agatha ao caso:
‒ O senhor tem certeza de que é uma boa ideia envolver a cadete Silva desta maneira? – perguntou Rossi a Cruz durante a reunião.
‒ Temos boas chances de conseguirmos algo. – respondeu Cruz.
‒ Eu perguntei se é uma boa ideia. – insistiu Rossi.
‒ Como assim? – Cruz coçou o queixo se demonstrando desentendido a questão de Rossi.
‒ O senhor leu o relatório do caso de John Curtis? – perguntou Blake.
‒ Sim.
‒ Então o senhor está ciente de que Agatha foi uma vítima dele. – afirmou JJ.
‒ Sim. – confirmou Cruz.
‒ Isso não pode ser bom para ela. – começou Prentiss preocupada – As memórias de tudo o que viveu vão voltar.
‒ Eu não acho correto ela ficar frente a frente a ele. – concordou Morgan.
‒ Ela não pensa assim. – respondeu Cruz.
‒ Como assim? – indagou Reid.
‒ Ela aceitou... Ontem eu liguei para o agente Hotchner e hoje para ela e ela aceitou.
‒ Não acredito! – exclamou Todd que lia o arquivo do caso para ficar ciente da situação – Porque ela aceitaria visitar o homem que a sequestrou e que quase matou ela e a equipe? Vejam só... Aqui diz que Alex Blake quase morreu por uma bomba implantada por ele.
‒ E foi mesmo. – afirmou Blake.
‒ Que horror! – exclamou Donovan que também lia o arquivo.
‒ A cadete Silva também deseja que ele pague por esses crimes passados, vocês querem o contrário? – retrucou Cruz.
‒ Não é que queremos o contrário... – explicou Prentiss – Só que colocar Agatha de frente com John Curtis não será bom.
‒ Ela o visitará hoje à tarde. – afirmou Cruz se mostrando indiferente com a situação.
‒ Com licença. – era a agente Beth Cruz adentrando a sala com algumas pastas na mão – Aqui estão os arquivos que pediu.
‒ Obrigado Beth. – agradeceu Cruz e Beth se retirou da sala.
‒ Ela voltou a trabalhar aqui? – perguntou Garcia curiosa.
‒ Como minha assistente, por quê? – Cruz mirou Garcia.
‒ Por nada.
‒ Nessas pastas contém arquivos das vítimas que suspeitamos ser de John Curtis. – Cruz coloca as pastas na mesa – Eu quero que analisem.
‒ Está bem. – concordou Rossi e todos consentiram.
Cruz saiu da sala e deixou a equipe a analisar os arquivos entregues.
Garcia e Donovan voltaram para sua sala para procurar mais informações das vítimas em seus computadores enquanto o restante ficou a discutir o caso.
Passando-se algumas horas Morgan recebeu uma ligação:
‒ Morgan. – atendeu ele.
‒ Agente Morgan solicitamos sua presença na academia agora.
‒ O que houve.
‒ Houve um problema entre duas cadetes da sua turma, por favor, compareça aqui o mais rápido possível.
‒ Está bem, estou a caminho. – Morgan sem entender nada se levantou da mesa.
‒ O que foi? – perguntou JJ curiosa igual os demais.
‒ Eu recebi uma chamada pedindo que eu comparecesse de imediato a academia, me informaram que houve um problema com cadetes da minha turma.
‒ Eu espero que não seja grave. – disse Rossi.
‒ Eu também espero. – Morgan se retira da sala.
***
Assim que chegou a academia foi pedido a Morgan que ele comparecesse a sala da diretoria, sem entender nada ele foi até o local e surpreendeu-se ao encontrar a diretora da academia junto a Agatha e a Diane Turner outra cadete de sua turma:
‒ O que houve? – perguntou ele ao entrar na sala.
‒ Tivemos um problema durante o teste de defesa pessoal. – explicou a diretora – A cadete Silva praticava o teste junto a cadete Turner.
‒ Sim e o que aconteceu de tão grave?
‒ A cadete Turner se machucou durante a prova física, a cadete Silva a agrediu.
‒ Como assim?
‒ Ela enlouqueceu do nada e começou a me bater! – exclamou Turner.
‒ Era um teste de defesa pessoal existem chances de se sair machucado! – retrucou Agatha nervosa.
‒ Ela me deu um soco do nada! – Turner apontou para seu rosto e Morgan pode notar o hematoma roxo ao redor dos olhos – Está vendo?
‒ Você pegou pesado desta maneira? – confrontou Morgan.
‒ Eu estava colocando em prática o que eu aprendi! – respondeu Agatha – Ou quando eu estiver brigando com um criminoso vou ter que pegar leve?
‒ Qual é o seu problema? – Morgan não reconhecia a Agatha que estava diante dele.
‒ Você pegou muito pesado no teste! – reclamou Turner ao colocar a mão em seu olho roxo, como ela tinha a pele branca o hematoma era bem evidente – Está nervosa com alguma coisa?
‒ O que está acontecendo? – insistiu Morgan que já imaginava a resposta.
‒ É uma longa história. – respondeu Agatha voltando a si – Desculpe Diane eu não queria te machucar desta maneira.
‒ Seja qual for o seu problema precisa resolvê-lo... – retrucou Turner – Não saia descontando sua raiva nos outros, irei deixar passar desta vez.
‒ Vamos conversar. – disse Morgan que pediu a diretora que ele se responsabilizasse pelo ocorrido e a diretora por admirar o trabalho dele permitiu.
Morgan levou Agatha para outra sala para conversarem e ele a informou que ele e todos da equipe sabiam de John Curtis e que eles investigariam mais o caso e Agatha confessou estar perturbada pela visita que iria fazer a ele na prisão:
‒ Você não é obrigada a fazer isso. – apelou Morgan – Por favor, não se prejudique com isso.
‒ Isso me perturba muito, mas Morgan eu não posso ficar sem fazer nada... O infeliz tem mais crimes a responder e se ele tem chance de pegar cadeira elétrica eu quero colaborar.
‒ Porque quer fazer isso?
‒ Porque ele merece.
‒ Com licença. – disse a diretora a entrar na sala – Telefone para a cadete Silva em meu escritório.
Agatha foi até a diretoria atender a ligação e era Mateo Cruz ao telefone:
‒ Cadete Silva. – atendeu Agatha.
‒ Cadete Silva aqui é o supervisor Cruz, eu agendei sua visita para John Curtis hoje às cinco horas da tarde.
‒ Tudo bem senhor eu irei. – antes que Cruz falasse algo a mais Agatha encerrou a ligação e respirou fundo dizendo a si mesma em sussurro: “Vai dar tudo certo”, mas ela se questionava se daria mesmo.
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