Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada

39 Capítulo 38 - Tem Amigo Melhor que Doutor Reid?


Notas iniciais
Oi gente!!! Eu consegui arrumar um tempinho e escrever o capítulo 38 eu agradeço a paciência de vocês! =) Boa leitura!

Francine fez uma ligação e em dez minutos providenciou que alguém fosse buscar Agatha para que ela fosse para Milwaukee, um homem em um carro escuro a buscou e a levou para uma linda mansão onde o dono era o qual tinha o jatinho e um piloto já preparado aguardando para decolar.

Agatha havia se arrumado as pressas vestiu uma roupa qualquer para ir, ela vestia uma blusa branca de mangas curtas e de um ombro caído, uma calça jeans justa ao corpo e calçava um all star vermelho de cano médio. Seus cabelos longos e cacheados foram presos em um coque mal feito onde algumas mechas ficaram soltas jogadas próximo dos olhos, não havia passado maquiagem estava de cara lisa a aparência pouco importava para ela naquele momento, ela agradeceu ao amigo de Francine e embarcou no jato com destino a Milwaukee.

***

Os telefones da delegacia não paravam de tocar, jornalistas de vários lugares ligavam querendo falar com JJ para obter mais informações do caso e os policiais estavam cansados de atender para dizer que não podiam passar informações.

Hotch se sentia zangado seu humor estava péssimo porque além de investigar sobre as vítimas tinha que investigar sobre o desaparecimento de David Smith, a mulher responsável pelo lar adotivo aonde o garoto havia sido mandado foi intimada a comparecer na delegacia para ser interrogada, Hotch fez questão dele mesmo interrogar.

A mulher ao chegar foi surpreendida por jornalistas e repórteres que estava em frente à delegacia precisou da ajuda dos policiais para que pudesse entrar. Ela foi levada a sala de interrogatório e Hotch não perdeu tempo e deu logo início:

— Eu sou o agente Hotchner... – apresentou-se ele sentando-se de frente para a mulher com uma pasta na mão – Judith Taylor não é mesmo?

— Se sabe meu nome porque pergunta? – respondeu ela com rispidez.

— Eu não tenho tempo a perder... A senhora já deve imaginar o tipo de problema que tem! – Hotch a encarou seriamente e a mulher logo mudou o semblante para preocupação sentindo-se intimidada – Eu vou ser direto: como não notou que um garoto de dez anos desapareceu?

— Eu tomo conta de doze crianças o senhor não sabe o trabalho que é!

— Independente de ser doze ou mais é responsabilidade sua! David Smith tem apenas dez anos de idade! Como à senhora não se deu por falta dele?

— Eu não sei como o garoto desapareceu está bem? Eu coloco aqueles danados para dormirem ás dez da noite todos os dias e ás sete da manhã todos estão de pé para irem ao colégio eu tenho que preparar café da manhã e outras coisas é uma correria não tenho tempo para nada!

— Eu não sei como o Serviço Social deixa crianças inocentes aos seus cuidados... Se não é capaz de cuidar e de vigiar as crianças porque aceita a ficar com elas? – Hotch não se conformava de como a mulher não sabia como David desapareceu – Alguém estranho apareceu no lar adotivo com interesse nas crianças?

— Aparecem pessoas direto, mas uma coisa eu sei: todos que visitaram o lar nenhum deles queria saber de David Smith! – a mulher respondeu com desdém virando o rosto para o lado.

— O que a senhora quer dizer? – Hotch ficou intrigado.

— Todo mundo sabia que o garoto era filho de um assassino ninguém quer adotar uma criança como essa com medo de que ele se tornasse mais um.

— Em algum momento ele teve algum comportamento estranho?

— E eu vou saber? Eles chegavam da escola almoçavam faziam as tarefas e depois os deixava brincar no quintal da casa.

— A senhora ficará sobre custodia e as crianças serão retiradas do lar e serão levadas a outro local. – Hotch se levantou.

— Porque ficarei em custodia? E as crianças serão levadas para onde? Vocês não tem esse direito! – a mulher havia ficado indignada.

— David Smith está desaparecido, a senhora que era a responsável por ele e não notou que o garoto sumiu ele foi visto a última vez com uma mulher que foi encontrada morta dois dias depois a chance de o garoto ter sido sequestrado pelo assassino é alta! – esbravejou Hotch saindo da sala e batendo a porta com força.

Ele voltou para a sala onde se reunia com os outros e sentou-se a mesa, Rossi notou que o parceiro não estava bem e questionou:

— O que houve Aaron?

— Judith Taylor é uma irresponsável... – respondeu ele – Não se deu conta que o garoto desapareceu!

— Como pode existir gente assim? – indagou JJ indignada – E essa mulher é responsável por um lar adotivo?

— Por isso providenciamos a transferência das outras crianças... – respondeu Reid entrando na sala com Blake e Prentiss – E até agora não sabemos se alguma mulher na faixa dos 18 ao 25 anos desapareceu.

— Será que o suspeito está dando um tempo? – indagou Morgan.

— Foi anunciado na mídia sobre David Smith... – respondeu Rossi – É provável que ele tenha visto na TV e se ele tiver envolvido mesmo com o desaparecimento ele não vai querer arriscar.

— Com certeza ele tem! – exclamou Prentiss sentando-se a mesa – Não pode ser só coincidência o garoto ter sido visto com Sara Dorough e assim descobrirmos que ele desapareceu!

— O que é intrigante é como o suspeito tem certeza de que David foi usado como isca nos crimes do pai... – começou Blake – Ele não pode ter sequestrado o garoto com outra intenção!

— Os jornalistas questionaram muito se o garoto foi usado como isca nos crimes. – afirmou JJ.

— Mas quando Sean Smith atacava nunca foi informado que ele usava o filho! – exclamou Prentiss.

— Temos que tomar cuidado... – começou Morgan – Alguém da polícia deve ter passado essa informação.

— Agente Hotchner. – chamou o delegado ao entrar na sala.

— Pois não. – respondeu Hotch.

— Chegou uma agente da sua equipe e pelo visto muito irritada. – o delegado apontou para o lado de fora da sala.

— Que agente? – Hotch ficou desentendido.

— Ela apresentou uma credencial do FBI se apresentando como Agente Silva.

— A Agatha! – exclamou Prentiss e Reid ao mesmo tempo.

— Quem avisou a ela que estaríamos aqui? – Hotch encarou a todos da equipe inconformado.

— Hotch nem olha para nós! – defendeu Morgan – Nós o obedecemos!

— Mesmo não concordando eu não a avisei! – exclamou JJ – Mas eu reuni a mídia para uma coletiva pedindo informações de David Smith esqueceu?

— Ainda assim ela não conseguiria chegar aqui tão rápido a coletiva foi há algumas horas! – respondeu Rossi.

— Ela pode ter conseguido um jatinho. – disse Reid e todos o encararam desentendidos – Pessoal pelo que sabemos ela mora com alguém muito bem de vida financeiramente a amiga dela pode ter ajudado nisso.

— Faz sentido! – concordou Hotch – Delegado peça para ela entrar.

— Está bem... – o delegado saiu da sala.

— Alguém quer tomar um café? – perguntou Rossi se levantando e todos entenderam o recado.

— Aonde vocês pensam que vão? – questionou Hotch vendo que todos saiam da sala.

— Aaron você ouviu o delegado falar que ela estava irritada? – perguntou Rossi – A ideia de afasta-la da investigação foi sua e você é o chefe agora resolva a situação! – antes que Hotch pudesse falar algo todos foram no embalo de Rossi e se retiraram da sala e saíram da delegacia pela garagem para não encontrarem Agatha.

Hotch ficou de pé não sabendo como deveria agir e quando tentava ensaiar as palavras em pensamento Agatha entrou na sala acompanhada por um policial ela carregava sua pequena mala cor de rosa o policial que a acompanhou pediu licença e se retirou. Ela colocou sua mala no chão e cruzou os braços para encarar Hotch que ao observar em como ela estava vestida de uma maneira completamente diferente do que ele estava acostumado a ver notou que ela havia saído às pressas de casa antes que ele abrisse a boca Agatha fez questão de começar:

— O senhor Hotchner pode explicar qual foi a razão para eu não ter sido comunicada que vocês tinham um caso? Esqueceu que fui contratada para fazer os registros?

— Eu jamais me esqueceria. – respondeu Hotch de cabeça baixa.

— Então porque não me avisou que viriam para cá? – esbravejou ela descruzando os braços.

— Porque estamos trabalhando em um caso de um imitador dos crimes de Sean Smith. – explicou ele levantando a cabeça para encara-la.

— E?

— E eu não queria que você revivesse o trauma que passou.

— O senhor achou que seria melhor eu não estar presente para as tristes lembranças não me incomodarem?

— Isso mesmo eu espero que compreenda.

— Eu vou te falar uma coisa... – Agatha aproximou-se de Hotch levantando a cabeça para ficar olho a olho a boca dela ficou mínima distância da boca de Hotch e ele respirou fundo ao sentir a respiração ofegante dela tão próxima – As tristes lembranças do que me aconteceu com Sean Smith nunca me deixaram assim como as que passei com Foyet.

— Agatha...

— Eu não acabei de falar senhor Hotchner... – ela colocou o dedo indicador por cima dos lábios dele fazendo sinal de silêncio – Você acha que não? Não é preciso haver um caso semelhante para me sentir com medo e ficar traumatizada isso vai me acompanhar pelo resto da vida, mas eu não posso sempre me deixar levar a esse trauma eu preciso ser forte e eu quero ser forte e não é evitando a minha pessoa de casos que isso vai resolver!

— Agatha você não entende a gravidade...

— Quem não está entendendo nada aqui é você! – esbravejou ela o empurrando – Se eu quisesse ser afastada eu tinha pedido demissão! Eu tinha motivos para isso, mas não me formei a toa! Hotch eu não fiz o que fiz para conseguir essa bolsa de estudos aqui nos Estados Unidos para nada! Eu quero um ser de vocês droga! E não vai ser o fantasma de Sean Smith e nem o de Foyet que vai me fazer desistir! Porque você acha que eu continuei? Porque eu não entrei na sala da Sra. Strauss e pedi demissão? Assim como você que perdeu a mãe do seu filho não desistiu eu não quero desistir! – os olhos de Agatha se encheram de água.

— Eu não queria te causar problemas. – respondeu ele arrependido de não tê-la chamado.

— E outra coisa: Qual era o problema de ter me ligado e falado isso?

— Eu já imaginava que você não concordaria.

— Da próxima vez seja homem e comunique quando decidir algo!

— Agatha eu...

— Cadê o restante da equipe? – ela puxou sua mala para abri-la e retirar seu material de registros – Eu tenho registros a fazer sou contratada para isso!

— Agatha...

— Cadê o pessoal? – insistiu ela, Hotch percebeu que ela não aceitaria suas desculpas de imediato então ligou para Rossi e ordenou que todos voltassem a delegacia.

Quando todos voltaram se surpreenderam com Agatha já sentada dando início ao seu trabalho eles ficaram com vontade de se desculpar, mas acharam que ela pudesse se irritar, pois Agatha deixou claro em seu olhar em como havia ficado incomodada.

Hotch não sabia como reagir então voltou a discutir o caso com a equipe todos então voltaram a se concentrar no trabalho exceto Reid que observou Agatha por um bom tempo e depois observou Hotch. O doutor Reid chegou a conclusão e entendeu que as intenções do seu chefe não foram as piores e sim as melhores ele se retirou da sala por alguns instantes e em um canto isolado ligou para Garcia:

— Peça e será atendido!— atendeu Garcia.

— Garcia eu preciso de um favor.

— E que favor o gênio precisa?

— Eu preciso que acesse o arquivo do caso do Tobias Hankel.

— Para que?— Garcia ficou pasma com o pedido.

— Acesse o arquivo e envie para mim está bem?

— Reid para que você precisa disso? Para que reviver esse pesadelo?

— Garcia, por favor, faça isso eu peço.

— Está bem... Eu vou procurar aqui e logo envio.

— Está bem e obrigado. – Reid encerrou a ligação e voltou para a sala com os demais.

As horas se passaram e não houve notícias de desaparecimento de alguma nova vítima e não houve informações sobre David Smith. Agatha fez as anotações necessárias e depois foi convidada por Prentiss e JJ para tomar um café e JJ aproveitou para se explicar e se desculpar de não poder tê-la chamado para o caso, Agatha foi compreensiva e disse que ela e nem ninguém precisava se desculpar que a situação era dela com o Hotch.

Rossi chamou Hotch para uma conversa particular e ficou por uma hora falando a ele que não ter chamado Agatha foi um erro grave e que ele precisava conversar com ela mais cedo ou mais tarde.

A equipe ficou até de madrugada na delegacia, mas não avançaram em nada no caso e Hotch liberou todos para que fossem para o hotel descansar e reservou um quarto para Agatha. Um pouco antes de saírem da delegacia Garcia mandou uma mensagem a Reid avisando que já havia enviado o arquivo do caso que ele havia pedido e antes de ir descansar ele imprimiu o arquivo na delegacia e sem falar a ninguém ele levou o arquivo consigo.

Ao chegarem no hotel cada um foi para seu quarto Hotch tentou conversar com Agatha, mas ela o evitou dizendo que estava muito cansada. Quando Agatha estava em seu quarto retirando as coisas de suas malas foi interrompida por batidas a porta do quarto e ficou surpresa ao ver que era Reid com uma pasta na mão:

— Doutor Reid?

— Será que podíamos conversar um pouco? – perguntou ele educadamente.

— Eu acho que sim... – Agatha deu espaço para que ele entrasse.

— Com licença. – disse ele ao entrar.

— Em que posso ajuda-lo? – questionou ela trancando a porta.

— Eu gostaria que lesse isso. – Reid estendeu a pasta do arquivo que segurava.

— O que é isso? – perguntou ela pegando a pasta.

— Eu gostaria que lesse primeiro. – respondeu ele com seu jeito tímido e educado.

— Está bem... – Agatha sem entender sentou-se na cama e começou a ler Reid ficou em pé próximo a janela observando o lado de fora.

Era um arquivo grande onde tinha fotos de algumas vítimas e informações de um caso que a equipe havia trabalhado há muito tempo. Agatha ficou quase uma meia-hora lendo e ficou chocada com o que lia e prendeu a respiração ao ler que Reid havia sido uma das vítimas de um assassino que se chamava Tobias Hankel ao terminar a leitura ela arregalou os olhos para Reid sentindo-se horrorizada:

— Porque me mostrou isso?

— Você viu que o criminoso tinha problemas com a religião e com o pai dele que o traumatizou?

— Eu li tudo... – Agatha ficou segurando a pasta – Ele tinha problemas de personalidade uma hora ele era o pai dele e outra hora não... Enfim eu li tudo e você foi torturado por ele!

— Sim. – Reid virou-se para olhar Agatha.

— Doutor Reid porque me trouxe isto?

— Agatha você já ouviu falar de Jason Gideon?

— Sim... Ele é fantástico já realizou algumas palestras na faculdade e li no arquivo que ele trabalhou no caso.

— Uma vez aconteceu de termos um caso semelhante a este de Tobias Hankel... Foi alguns meses depois deste e então Gideon me deu outra tarefa para que eu ficasse em Virginia e não trabalhasse no caso.

— Por quê?

— Porque ele achou que o trauma daquilo que vivi nas mãos de Tobias Hankel fosse me incomodar durante o caso entende?

— Entendi... – Agatha abaixou a cabeça entendendo a intenção de Reid.

— Eu fiquei irritado achei que ele estivesse me tratando como criança, mas depois ele sentou comigo e explicou que não tinha má intenção que ele só queria me ajudar me proteger do pesadelo que vivi... Hoje quando olhei para Hotch e vi que ele estava preocupado mesmo ele disfarçando eu entendi que o que ele fez foi o que Gideon fez comigo.

— Reid ele podia ao menos ter me falado isso. – reclamou Agatha ficando de pé e encarando Reid.

— Ele achou que talvez não falar nada pelo menos de início fosse a melhor ideia... Agatha eu estou trabalhando com Hotch há alguns anos e eu descobri que por trás daquele jeito sério de chefe ele nos vê muito mais que simples agentes do FBI assim como era o Gideon e eu garanto: ele não te disse nada pensando no seu próprio bem.

— Está bem... – Agatha lembrou de como chegou brava e que brigou com Hotch assim que chegou – Eu agora entendo... – ela estendeu a pasta para Reid a devolvendo – Obrigada doutor Reid pela confiança de compartilhar algo tão pessoal da sua vida para me fazer entender as coisas. – Reid soltou um breve sorriso e pegou a pasta das mãos de Agatha se despedindo com um “boa noite” Agatha o acompanhou até a porta o agradecendo mais uma vez e compreendeu a verdadeira intenção de Hotch de que ele queria protege-la e nada mais.