Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
15 Capítulo 14 - O Final do Maldito Acordo
Notas iniciais
Hotch e Agatha ficaram jogados no tapete agarrados um ao outro, Agatha tinha a cabeça encostada no peitoral de Hotch enquanto ele tinha uma das mãos afagando seus cabelos, ficaram daquele jeito por um bom tempo sem dizer uma só palavra, até que o celular de Hotch que estava dentro do bolso de sua jaqueta começou a tocar e ele teve que soltar Agatha para atender:
— Oi Haley... Está tudo bem? Eu vou até ai, sem problemas... Tchau. – ele encerra a ligação.
— Quem era? – perguntou Agatha se levantando e se vestindo de volta.
— Minha ex-esposa... Ela voltou a morar na casa que era nossa e quer ajuda para montar o berço do nosso filho.
— Entendi...
— Eu preciso ir... – Hotch se levantou e se vestiu rapidamente.
— Hotch...
— O que foi?
— Eu não quero ser chata e nem pegajosa, mas o que acontece depois disso tudo? – Agatha estava com medo de que ele fosse dispensa-la mais uma vez.
— Agatha vem aqui... – ele a pegou pela mão a fazendo sentar com ele no sofá – A gente se conhece pouco, mas acho que você percebeu que eu sou uma pessoa muito fechada.
— Isso se percebe de longe.
— Eu levo meu trabalho muito a sério e foi essa seriedade que causou o fim do meu casamento, por isso eu quis evitar entende? A gente somos companheiros de trabalho e é antiético uma relação ou um caso entre dois agentes.
— Eu sei Hotch... – Agatha abaixou a cabeça.
— Ei... – ele pegou levemente no queixo dela levantando sua cabeça – Olha para mim.
— Desculpe...
— Eu não gosto de cometer falhas, de fazer as coisas por debaixo dos panos, mas eu não consigo mais evitar... Eu disse aquelas coisas de manhã para você porque eu acho que seria o certo, mas acontece que eu não consigo... Eu vim aqui e não pude evitar.
— Mas então você acha que não devemos fazer mais isso?
— Por parte eu acho... Mas eu não vou conseguir.
— Como assim?
— Agatha... – ele segurou a mão dela e olhou bem para seus olhos – Eu não sei exatamente o que eu sinto, mas eu não consigo eu não posso te evitar mais...
— Hotch eu também tentei... – como Hotch segurava uma de suas mãos, ela levou a outra ao rosto dele o tocando de leve – Eu disse tanto a mim mesma que isso seria loucura, mas foi acontecendo... Quando você se aproxima de mim eu não consigo...
— Eu tenho um amigo... – ele falava sobre Rossi – Que sempre me diz que o meu problema é evitar as oportunidades que me acontecem na vida porque eu crio uma maneira de seguir as coisas e acho que ele tem razão.
— O que você quer dizer?
— Agatha eu não quero acabar com sua chance de se tornar uma profiler como eu e os outros da equipe e eu também não posso arriscar mais minha profissão como já foi arriscada a toa, mas não quero deixar de viver isso.
— Você quer dizer o que então? Que não deve acontecer mais nada entre nós ou a gente deixa acontecer e fica a sete chaves?
— Para um homem como eu que leva o trabalho tão a sério isso não é o certo, mas vou me arriscar e você?
— Hotch você está supondo para a gente ter um caso em segredo? – Agatha arregala os olhos se sentindo admirada.
— Eu acho que sim... – ele soltou um breve sorriso.
— Bem... Digo... Acho que então podemos.
— Sério?
— Eu acredito que sim... – Agatha sorriu Hotch então a beijou, mas desta vez foi um beijo mais carinhoso.
— Eu preciso ir... – disse ele no final do beijo.
— Certo... E quando a gente pode se encontrar de novo?
— Eu não sei... A gente vai se falando.
— Está bem... – Agatha se levanta – Acho que agora você precisa ir ajudar sua ex-esposa.
— Claro, eu estou indo... – ele se levantou.
— Como é nome do seu filho?
— Jack, ele tem três anos.
— Que graça!
— Ele é mesmo. – Hotch sorri.
— Você tem jeito de ser um ótimo pai.
— Eu tenho dúvida a isso...
— Se você não fosse não iria ajudar sua ex-esposa a montar um berço a essa hora da noite, se fosse outro tinha inventado alguma desculpa.
— É verdade... Eu preciso ir.
— Eu te levo até a porta e destranco o portão daqui do interfone. – Agatha o acompanhou até a porta onde se despediram com um selinho.
***
A semana passou rapidamente, a suspensão de todos chegou ao fim e a equipe já podia voltar a ativa, o departamento da UAC ficou com casos acumulados devido a uma semana de ausência da melhor equipe que existia.
Agatha não sentiu mais dores no estômago, ela chegou a ter alguns pesadelos com o menino David Smith que de tudo o que houve com ela, foi o a que deixou mais sentida, mas não mencionava isso a ninguém, ela então foi à psicóloga antes de voltar ao trabalho e se consultou.
Hotch aproveitou os últimos dias e visitou Jack antes que voltasse a trabalhar, pois depois seria corrido, quando chegou o dia de voltar a ativa todos voltaram dispostos a capturar os piores assassinos, Agatha estava ansiosa em voltar a trabalhar. Hotch e Agatha como haviam combinado, mantiveram segredo sobre eles dois, nem para Rossi Hotch quis abrir o jogo pelo menos de começo ele guardou o segredo para si e Agatha também achou melhor não revelar nada a sua amiga Francine.
— Bom dia! – disse Garcia com uma xícara de café entrando na sala de reuniões.
— Bom dia mama! – respondeu Morgan – Como foi sua semana de férias?
— Foi ótima! E como foi a de vocês?
— Apesar de não ter sido renumerada, descansei bastante. – respondeu Prentiss.
— Joguei bastante xadrez. – respondeu Reid.
— Aproveite e coloquei umas aulas de linguística em dia. – disse Blake.
— Eu viajei... – respondeu JJ.
— Para onde? – perguntou Garcia.
— Fui visitar uma amiga... – respondeu desconfiada, Prentiss e Morgan olharam um para o outro percebendo que JJ escondia algo.
— Pelo visto todos descansaram. – disse Rossi – Cadê o Hotch? – Hotch e Agatha eram os únicos que faltavam.
— A Agatha não chegou ainda também. – disse Reid.
— Bom dia! – disse Agatha sorridente ao chegar.
— Bom dia! – respondeu Garcia – Que felicidade é essa?
— Apenas acordei bem... – respondeu ela sentando-se a mesa ao lado de Reid – E vocês como estão?
— Prontos para voltar a ativa! – disse Morgan.
— Falta o chefe. – quando Prentiss disse isso, Agatha quase deixou escapar um sorriso, mas se controlou.
— Bom dia. – era Hotch entrando na sala com seu jeito sério de sempre, ele olhou rapidamente para todos, olhou para Agatha, mas não sorriu ela também se manteve séria diante dele.
— Qual o caso que temos para hoje JJ? – perguntou Hotch sentando-se ao lado de Rossi de frente a Agatha.
— Então eu estava esperando todos chegarem para avisar... O Sr. Anderson disse que antes queria conversar com a gente. – respondeu JJ.
— Como é? – perguntou Morgan – O que foi desta vez?
— Eu não sei, mas daqui a pouco ele está ai.
— Ele vem vindo. – disse Garcia que era a única em pé próximo a porta.
— Bom dia. – disse o Sr. Anderson ao entrar na sala.
— Bom dia. – responderam em coro.
— É ótimo que todos tenham voltado, pois estamos em uma situação complicada... – foi dizendo ele – Srta. Garcia pode fechar a porta?
— Sim senhor. – Garcia fechou a porta e sentou-se a mesa com os outros.
— Senhor Hotchner estamos atolados de caso, mas temos um que é muito pessoal para o senhor.
— O que está havendo Sr. Anderson? – perguntou Hotch, todos se entreolharam assustados e curiosos.
— É o seguinte... – o Sr. Anderson tinha uma pasta na mão, ele sentou-se a mesa diante de todos abrindo a pasta e tirou um pedaço de papel dentro de um pacote plástico transparente de evidência.
— O que é isso? – perguntou Morgan.
— Uma carta. – respondeu ele.
— Sr. Anderson eu não entendo. – disse Hotch.
— Acontece o seguinte... Senhor Hotchner qual foi o seu primeiro caso como profiler?
— Foi há mais de dez anos, o caso do Ceifador em Boston.
— Eu li sobre esse caso... – disse Spencer – Ele matou várias pessoas a facadas e a tiros entre os anos de 1995 a 1998, teve apenas um sobrevivente que deu as caraterísticas dele, mas ninguém conseguiu captura-lo.
— Depois desta última vitima... – continuou Hotch – Não ficamos sabendo de mais crimes sobre ele, ficamos um mês e meio investigando, mas não tínhamos mais pistas e eu fui dispensado para trabalhar em outro caso.
— O detetive que convidou você e alguns integrantes da UAC não era o Tom Shaunessy? – perguntou Rossi.
— Ele mesmo.
— Mas porque abordar sobre esse caso agora? – perguntou Prentiss.
— Srta. Prentiss... – respondeu Sr. Anderson – Você e todos ficaram pasmados.
— Sr. Anderson o que aconteceu? – perguntou Hotch.
— Leia isto aqui... – o Sr. Anderson entregou a carta que era evidência a Hotch – Leia em voz alta.
— Está bem... – Hotch pegou a carta e leu, a carta dizia o seguinte:
“Enquanto vocês tentarem me caçar eu não vou parar, proponho um acordo ao senhor: O senhor encerra a investigação e eu poupo a vida de muita gente, enquanto o senhor viver eu não matarei ninguém”.
Atenciosamente,
O Ceifador.
— Eu entendi bem? – perguntou Blake – Ele tentou fazer um acordo?
— Sim... – respondeu o Sr. Anderson – Esse acordo foi feito ao detetive Tom Shaunessy.
— Não me diga que ele aceitou? – perguntou Garcia se sentindo tensa.
— Infelizmente sim...
— Por isso ele me dispensou do caso e o arquivou. – disse Hotch.
— Onde está esse detetive agora? – perguntou JJ.
— Ele faleceu ontem á noite de problemas no coração, a esposa dele procurou por nós e me entregou essa carta, pediu que o agente Hotchner soubesse o quanto antes.
— Esse maldito vai voltar a matar! – disse Morgan irritado – Que maldito acordo foi esse?
— Vamos precisar agir rápido... – disse Hotch – Temos que captura-lo logo!
— Ele era conhecido como Ceifador então ninguém sabe algum outro nome? – perguntou Prentiss.
— Ele sempre usou uma mascara para esconder seu rosto, nunca conseguimos descobrir sua identidade, nada de DNA ou digitais. – respondeu Hotch.
— Com licença... – disse Agatha sem jeito – Eu sei que eu só estou aqui para registrar as atividades da equipe...
— Srta. Silva se caso tem uma observação a fazer fique a vontade. – disse o Sr. Anderson.
— Obrigada senhor... Senhor Hotchner teve um sobrevivente certo?
— Sim... – Hotch sentiu uma pequena estranheza ao ser chamado de senhor Hotchner, mas eles tinham que manter o profissionalismo.
— Seria interessante conversar com ele, talvez ele agora se lembre de algo que antes não lembrava... Alguma informação útil.
— A Agatha tem razão... – foi dizendo Blake – E também é interessante essa vitima ganhar proteção, o Ceifador pode ir atrás dele.
— Concordo. – disse Hotch.
— Aqui comigo eu tenho alguns arquivos do caso... – disse Sr. Anderson abrindo a pasta – Aqui está as informações sobre o sobrevivente.
— Eu interroguei ele no hospital... – disse Hotch pegando o documento das mãos do Sr. Anderson.
— Como ele se chama? – perguntou Garcia mexendo em seu notebook.
— George Foyet.
— Como é? – Agatha arregalou os olhos assustada e sem querer bateu o cotovelo em Reid.
— O que foi? Você o conhece? – perguntou Prentiss.
— Sim, digo não... Quer dizer digo sim!
— Agatha você o conhece sim ou não? – perguntou Hotch a olhando nos olhos.
— Sim senhor... Na semana passada eu o conheci, ele foi onde moro com minha amiga com outros homens fazer um serviço, eles são de uma empresa de segurança...
— Foram fazer que tipo de serviço? – perguntou Rossi.
— Instalar uma cerca elétrica no muro e um alarme para nossa casa.
— Ele se apresentou pelo nome? – perguntou Reid.
— Sim... No final do serviço quando estavam saindo ele me deu um cartão dele com o nome “George Foyet” e tinha um número de celular, ele fez uma pequena propaganda dele mesmo dizendo que era um “faz tudo”.
— Tem certeza que é ele? – perguntou Blake.
— Tenho, porque quando o chamei de senhor Foyet ele me disse “pode me chamar de George”.
— Achei! – exclamou Garcia – George Foyet tem 43 anos sem ficha criminal... Realmente trabalha em uma empresa de segurança fazendo instalação de serviços como cercas elétricas, alarmes e outras coisas.
— E pelo visto ele faz serviço extra para ter dado um cartão a Agatha. – disse Morgan.
— Garcia contate ele imediatamente, peça que ele venha até o departamento! – disse Hotch.
— E se o Ceifador já estiver seguindo ele? – perguntou Prentiss.
— Mas o Ceifador já sabe que o detetive faleceu? – perguntou Reid.
— A esposa dele me confirmou que tinha sensações dela e seu esposo serem vigiados... Ela garante que já viu uma sombra na janela, ele passou o tempo todo vigiando o detetive o aguardando morrer.
— Mas porque ela não avisou a policia? – perguntou Morgan indignado.
— Porque o senhor Shaunessy pediu que ela não fizesse isso com medo do Ceifador voltar a matar.
— Meu Deus e agora? – perguntou Garcia – Se a gente contatar ele e ele vem até e o Ceifador o segui? Vai querer mata-lo logo!
— Então vamos ao endereço dele. – disse JJ.
— Eu creio que a essa altura do campeonato o Ceifador já vigie ele, se ele vê o FBI indo visita-lo não vai ser legal. – disse Blake.
— A gente já vai levando proteção. – insistiu JJ.
— Eu tenho uma ideia... – disse Rossi – Agatha você pode ligar para ele!
— Eu? Para que?
— Dizendo que precisa dos serviços extras dele, podemos interroga-lo e oferecer proteção.
— E na onde a gente se encontraria com ele? – perguntou Blake.
— Na casa de Agatha, ele vai lá como se fosse para fazer algum serviço. – concluiu Rossi.
— Não! – exclamou Hotch.
— Porque não Hotch? – indagou Rossi.
— Se o Ceifador já estiver seguindo o Foyet é provável que ele o siga até a casa de Agatha e isso pode coloca-la em risco. – Hotch olhou brevemente para Agatha e ela abaixou a cabeça sem graça.
— Talvez ele já tenha seguido... – disse JJ – Se for o caso que ele já segui o Foyet pode ter acontecido que ele seguiu ele quando foi instalar os serviços de segurança na casa de Agatha.
— Ai meu Deus! – exclamou Agatha levantando a cabeça.
— Fica calma Agatha, não vai te acontecer nada... – disse Hotch – Eu juro! – todos se entreolharam quando Hotch disse isso.
— Senhor Hotchner eu preciso voltar a diretoria, mas é importante que vocês tomem alguma decisão... – foi dizendo o Sr. Anderson ao se levantar – Temos que pegar esse infeliz!
— Perfeitamente Sr. Anderson. – respondeu Hotch.
— Com licença. – o Sr. Anderson saiu da sala encostando a porta.
— O que fazemos? – perguntou JJ.
— Garcia passe o endereço do trabalho de George Foyet... – foi dizendo Hotch – Morgan e Prentiss vão tentar falar com ele lá, vocês vão como se quisessem saber algo relacionado a empresa e então interrogam Foyet e ofereçam proteção, Reid quero que releia os arquivos antigos do caso junto com Blake e JJ, Rossi e eu vamos falar com a esposa do detetive descobrir se ela viu alguma coisa ou tem alguma pista.
— Quem eu devo seguir primeiro para fazer os primeiros registros? – perguntou Agatha.
— Você pode acompanhar Morgan e Prentiss, como você já teve contato com o Foyet antes pode ser que ele confie na gente mais rápido e aceite proteção.
— Entendido senhor – respondeu ela.
— Agora que esse maldito acordo chegou ao seu prazo final temos que correr contra o tempo! – disse Morgan e todos se levantaram para suas tarefas.
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