Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
5 Capítulo 04 - Corações Arrancados (Parte 01)
Notas iniciais
A luz do dia se iniciando entrou pelas brechas da cortina, Agatha teve dificuldade de abrir os olhos então ficou piscando até sua vista aceitar a luz que adentrava o ambiente. Assustou-se ao ver que estava deitada no sofá da sala de reuniões da UAC e que sua jaqueta preta estava por cima de seu corpo servindo de coberta, sentou-se no sofá ainda sonolenta e então lembrou-se que a noite passada só foi de chuva, raios e trovões e por isso não conseguiu voltar para casa.
Esfregou os olhos e passou as mãos nos cabelos cacheados que estavam embaraçados e jogados em seu rosto quando Hotch entrou na sala:
— O que faz aqui? – perguntou ele admirado ao ver que ela estava sentada no sofá com a roupa amassada.
— Bem eu... Passei a noite aqui senhor... Choveu muito ontem à noite não consegui voltar para casa.
— Verdade... – Hotch não devia ter se esquecido disso, mas como ele também havia passado a noite por ali ainda estava sonolento e tentando assimilar informações.
— Eu vou ao vestiário tomar um banho e... A Sra. Strauss já chegou?
— Ainda não.
— Certo... Bom eu vou indo. – Agatha levantou do sofá sonolenta, havia dormido ali, mas parecia que não tinha dormido nada, ela pegou todas as suas coisas para sair.
Quando ia saindo deixou sua jaqueta cair no chão e Hotch em um gesto educado a pegou do chão e a devolveu, Agatha agradeceu com um “obrigado senhor” e um sorriso, Hotch respondeu “de nada” com o jeito sério de sempre, mas ao olhar para a jaqueta ele lembrou-se que durante a noite ele havia entrado na sala de reuniões para apagar a luz e que a cobriu com a jaqueta jogada no chão.
Agatha saiu da sala um pouco tonta de sono, mas apressou-se para ir ao vestiário tomar banho e colocar uma roupa que não demonstrasse que dormiu por ali. Logo todos os funcionários do departamento foram chegando e o pessoal da equipe de Hotch foi chegando aos poucos.
As primeiras que chegaram foram JJ, Prentiss e Blake.
JJ foi direto para sua sala ver qual seria o caso em que trabalhariam Prentiss e Blake foram direto para a sala de reuniões e encontraram Hotchner lendo alguns relatórios.
Prentiss logo percebeu que Hotch havia passado mais uma noite ali:
— Hotch não me diga que ficou essa noite aqui? – indagou ela.
— Por quê? – ele olhou rapidamente para Prentiss e Blake e voltou seu olhar nos relatórios.
— Sua cara de sono não engana ninguém!
— Tinha algumas pendências a resolver.
— Hotch você não pode ficar passando as noites aqui. – Blake percebeu que Hotch lançou um olhar estranho para Prentiss, ela então resolveu sair da sala dizendo que ia tomar um café.
— Pode ficar tranquila Prentiss eu estou bem.
— Não, não está... – Prentiss sentou-se ao lado de Hotch pegou a pasta de relatórios da mão dele e empurrou para o lado – Não arrumou um lugar ainda?
— Ainda estou hospedado no hotel. – respondeu ele dando-se por vencido, Prentiss não iria sossegar até que ele falasse.
— Hotch você precisa procurar por um apartamento, um lugar para morar de verdade!
— Eu sei... Prentiss obrigado pelo apoio.
— Imagina Hotch... Mas é sério, você não pode viver mais assim.
— Quando a gente voltar do próximo caso eu vou resolver isso, aliás, semana quem vem é a audiência do divorcio.
— Como vai ficar a guarda de Jack?
— Com certeza Haley ganhará a custódia e sinceramente eu não posso nem discutir isso.
— Entendi e eu sinto muito.
— Obrigado.
— Agora senhor agente Hotchner vai tomar um café para tira essa sonolência e melhorar os ânimos! – Prentiss colocou a mão no ombro de Hotch e lhe deu um sorriso.
— JJ já chegou?
— Está na sala vendo qual será o caso, logo ela te chama.
— Certo. – Hotch se levantou.
— Hotch.
— O que foi Emily?
— A registradora já chegou?
— Sim... Já. – Hotch preferiu não mencionar que Agatha havia passado a noite ali.
— Você acha que ela pode ser prejudicial a nós?
— Eu espero que não.
— Estou preocupada... A minha falha boba de ontem com certeza ela registrou.
— Eu não sei... Saberemos depois. – Hotch saiu da sala logo Emily também se levantou e saiu.
***
Quando Agatha ia saindo do vestiário seu celular começou a tocar:
— Alô.
— Alô? Agatha?
— Francine?
— Meu Deus o que houve que sumiu?
— Francine que número é esse?
— É de uma amiga minha... Meu celular está sem bateria.
— Entendi... Desculpa eu fiquei presa aqui, aquela tempestade foi tão forte que os taxistas não estavam prestando serviço.
— Eu vi no jornal hoje cedo... Eu fiquei preocupada, você não me ligou nem retornou para casa... Onde passou a noite?
— Aqui no departamento da UAC.
— Na onde?
— Aqui no trabalho.
— Você passou a noite no prédio do FBI?
— Não tinha outro jeito... Desculpa eu devia ter te ligado é que minha cabeça está a mil com tanta coisa.
— Como foi o primeiro dia?
— Corrido demais...
— Já fez amizades?
— Não exatamente, digo... Sei lá Francine isso é algo que quero falar, mas depois.
— Ok... Você volta hoje?
— Não sei... Acho que não, o caso de ontem foi por aqui nas redondezas o de hoje sei lá... Lembra que eu disse que era um serviço que viveria mais viajando que tudo?
— Desculpe eu nem estava lembrada disso... Então até a próxima, mas, por favor, me liga para avisar qualquer coisa!
— Ok... Tchau Francine! – Agatha encerrou a ligação foi até seu armário pegar seu relatório de registros, quando chegou à recepção viu que Strauss saia do elevador.
Strauss ao vê-la abriu um sorriso:
— Bom dia agente Silva!
— Bom dia Sra. Strauss.
— Como foi o primeiro dia?
— Bem... – Agatha não sabia se era a palavra adequada para definir seu primeiro dia de trabalho, mas ela preferia ficar calada ao dizer que se sentiu incomodada com algumas coisas.
— Que ótimo! Isso na sua mão é o relatório?
— Sim Sra. Strauss.
— Ok... – Strauss pegou o relatório da mãos de Agatha – Eu disse que depois a gente conversava melhor, mas acontece que estou sem tempo, preciso que venha a minha sala pegar algo. – Agatha acompanhou Strauss até sua sala.
Strauss ao entrar na sala foi logo abrindo uma gaveta de seu gabinete e pegou uma caixa e entregou a Agatha:
— O que é isso? – perguntou Agatha ao pegar a caixa.
— Ai dentro tem um celular com um carregador pertencerá a você, mas para uso profissional e ai também está sua credencial, tudo bem que você apenas fará registros das coisas, mas como faz isso acompanhando uma equipe de agentes do FBI você precisa de uma credencial.
— Entendi senhora... Muito obrigada!
— Os contatos de todos da equipe já estão salvo na memória do celular, agora se me permite eu tenho muitas coisas a resolver, lerei seu relatório mais tarde e depois nos falamos certo?
— Como queira Sra. Strauss. – Agatha sorriu gentilmente para Strauss e se retirou da sala.
***
— Como vai o meu doce de chocolate? – perguntou Garcia ao ver que Morgan saia do elevador junto com Doutor Reid – Oi Spencer, como vai?
— Bom dia Garcia, tudo bem?
— Indo...
— Certo... Eu vou pegar um café antes de ir para a sala. – Reid se retira de perto deles.
— Então o que acontece com meu herói?
— Não entendi Garcia... Que eu saiba não está acontecendo nada.
— Eu sei que tem algo incomodando e não desisto até você me contar! – Garcia bateu o pé no chão e ficou em frente a Morgan impedindo que ele desse mais algum passo.
— Certo você venceu... Eu só estou incomodado com a registradora que colocaram na nossa cola.
— Verdade... E ela já chegou, quando cheguei a vi saindo da sala da Strauss.
— Ontem à noite eu pensei que fui muito cruel com ela...
— Cruel?
— Não te contaram?
— Não... Eu sabia! Eu senti que você estava tenso, mas Blake disse que não era nada demais!
— Eu fui um pouco... Um pouco não... Fui muito grosseiro com a agente registradora e o Hotch teve um ataque de fúria e gritou comigo.
— Hotch gritou com você?
— Sim.
— Eu não posso acreditar... – Garcia olhou para os lados e abafou a voz para não ser ouvida – Hotch é sério não demonstra emoção nenhuma que eu não consigo imagina-lo gritando com alguém.
— Ei baby girl você não viu ele interrogando suspeito... Quando estamos correndo contra o relógio para encontrar as vítimas.
— Ok... Com um suspeito é aceitável, mas com você ou com qualquer um de nós é inacreditável... Ele a defendeu?
— Não exatamente... Enfim depois nos falamos brevemente no shopping ontem e ele disse que foi preciso gritar comigo.
— Uau!
— Mas eu acho que fui mal com ela...
— Como mal? Você só está preocupado, aliás, todos nós estamos... Ela vai anotar tudo o que a gente fizer e se ela tiver complô com a Strauss pode anotar qualquer coisa prejudicial a nós.
— Ei mama calma... Talvez ela não tenha culpa.
— Não?
— Ela se formou recentemente em psicologia criminal, talvez ela veja isso como uma chance... Enfim eu não devia ter sido tão chato com ela.
— Morgan! – Reid apareceu o chamando.
— O que foi garoto?
— Todos já estão reunidos.
— Ok... Vamos baby girl! – Morgan e Garcia junto com Reid foram para a sala de reunião.
Quando chegaram cada um se acomodou em seu lugar, Agatha chegou por último na sala com suas coisas, desta vez ela não recebeu olhares intimidadores, Agatha desejou bom dia a todos e acabou sentando-se do lado de Hotch e JJ começou a apresentar o caso.
Desta vez a equipe iria para Milwaukee investigar um caso de mulheres que ficavam desaparecidas durante 48 horas e depois seus corpos eram encontrados sem o coração. Agatha ao olhar as fotos do crime no telão sentiu-se enojada, mas forçou-se a olhar, pois se queria ser um deles tinha que ter coragem para lhe dar com aquilo. Cada um deles falou sua teoria inicial, Hotch pediu que Garcia já fizesse algumas pesquisas sobre homicídios na região, após isso ele pediu que todos se encontrassem no avião dentro de trinta minutos.
Agatha junto com Prentiss, JJ e Blake foram pegar suas coisas no armário, enquanto ela ajeitava sua bolsa e verificava se estava tudo em ordem Blake puxou assunto com ela:
— Já tem tudo preparado para a viagem?
— Sim... A senhora Strauss já havia me dito antes como era a rotina de vocês.
— Entendi... – Blake ao ouvir o nome de Strauss não conseguiu disfarçar o semblante de incomodo.
— Bem, está tudo aqui.
— Que ótimo! – Prentiss e JJ saíram deixando as duas sozinhas.
— É agente Blake não é?
— Isso.
— Blake posso fazer uma pergunta?
— Já está me fazendo. – Blake soltou um sorriso.
— Desculpe...
— Vai fundo pode perguntar.
— Vocês nunca tiveram antes alguém como eu que faz esse serviço?
— Não... Por quê?
— Não por nada... Só curiosidade.
— Entendi... Pronta?
— Pronta!
— Então vamos. – Blake e Agatha foram até o avião juntas, Blake fez Agatha começar a se sentir mais confortável lhe tirando um pouco a tensão que sentia, mas quando entraram no avião a tensão voltou ao ver Hotch.
Agatha percebeu que Hotch era um homem muito sério mais do que podia se imaginar logo ela lembrou-se de quando estava esperando o elevador e ele apareceu de que ela lhe deu um “bom dia” e ele a respondeu bem seriamente.
Ela sentou-se isolada dos outros, Blake sentou-se ao lado de Reid, ela sentiu vontade de se sentar próximo a eles, mas teve receio. Hotch também se sentou um pouco isolado, já JJ, Morgan e Rossi sentaram-se próximos.
Agatha começou a mexer no celular olhando para a lista de contatos salva e viu que tinha o número de cada um deles e o da supervisora Strauss, ela percebeu que o número de Hotch era o mais fácil de ser decorado. Blake logo viu que ela se sentou isolada e a chamou para sentar-se ao lado dela, Agatha sentiu uma alegria por dentro e juntou-se a eles.
O avião começou a decolar e Hotch sentou-se próximo a eles e assim começaram a discutir o caso e Hotch passou a tarefa de cada um:
— Morgan e Reid e Prentiss vocês vão até a cena do crime, JJ e Rossi vão conversar com os parentes da última vítima, Blake e eu vamos até a delegacia.
— Senhor... – Agatha queria perguntar quem devia acompanhar primeiro, mas desistiu.
— Agente Silva pode vir conosco até a delegacia, depois quando os outros tiverem tempo eles sentam com você para suas anotações pode ser? – desta vez o olhar de Hotch foi diretamente aos olhos de Agatha que sentiu um frio na barriga.
— O que fica melhor para a equipe senhor. – Agatha desviou o olhar.
— Voltando ao caso... – continuou Rossi – Cruel demais o suspeito arrancar os corações? Será que ele guarda como troféu.
— Alguém deve ter partido o coração dele. – respondeu Agatha que na verdade estava pensando, mas pensou alto demais.
— Como? – perguntou Morgan e todos a olharam sem piscar.
— Desculpe... Eu pensei alto, não devo me intrometer no caso de vocês.
— Talvez você tenha razão... – continuou Spencer – Alguém deve ter magoado o suspeito, uma esposa, namorada, mãe... Enfim alguma figura feminina então ele arranca o coração das vítimas como se estivesse se “vingando”.
— E como uma demonstração daquilo que sente... – concluiu Blake – Ele deve sentir que lhe arrancaram seu coração.
— Essa teoria faz muito sentido... – disse Rossi – Ele deve guardar os corações como troféus de sua “vingança”. – todos olharam para Agatha admirados em como ela prestava atenção no caso e tinha teorias.
— Agente Silva. – chamou Hotchner.
— Pois não senhor?
— Anote essa sua teoria.
— Como? – Agatha arregalou os olhos.
— Estou pedindo que anote essa teoria... Suspeito que ela será bem forte e será importante entrar para os registros.
— Ok... Agatha abriu sua bolsa e pegou seu caderno – Se o senhor não se importa vou anotar as outras teorias que foram faladas também... Acredito que possa ser importante.
— Sim, com certeza. – Agatha começou a escrever enquanto alguns foram se servir de café, ela sentia que sorria por dentro enquanto fazia suas anotações.
***
Hotch, Blake e Agatha chegaram à delegacia local e o delegado responsável do caso os deixou a par das informações, logo um policial apareceu dizendo que uma mulher havia desaparecido e Blake junto com o delegado foi verificar, Hotch ficou na delegacia analisando as fotos dos crimes e o mapa da cidade que estavam pregados em um painel.
Agatha estava sentada a mesa terminando suas primeiras anotações, quando Hotch parou de olhar o painel para observa-la e então pode reparar que como realmente ela tinha um rosto de menina, as mãos dela eram finas e delicadas, seus cabelos eram cacheados e estavam presos em um rabo de cavalo fazia uso de uma maquiagem leve, Agatha usava uma calça social preta, uma camisa de botão branca das mangas compridas, sapatilhas básicas da cor preta, mas pelo rosto e mãos podia ver que sua pele morena tinha um brilho como se fosse um bronzeado, ela tinha os olhos castanhos, grandes e arredondados, nariz fino, pequeno e reto, seus lábios também eram finos.
Quando ela terminou suas primeiras anotações, ela viu que Hotch a olhava sem piscar:
— Senhor... – ela sentiu aquele frio na barriga novamente.
— Pois não? – Hotch então percebeu que havia se distraído para olha-la.
— Terminei minhas primeiras anotações, posso ir tomar um café?
— Claro que sim.
— O senhor deseja alguma coisa?
— Eu?
— Quer que eu traga algo?
— Não agente Silva não é necessário... Estou bem, obrigado.
— Tudo bem... – Agatha foi se levantando.
— Agente Silva. – Hotch a olhou nos olhos como antes no avião.
— Pois não senhor?
— Parabéns pela sua teoria de mais cedo.
— Imagina senhor... – desta vez Agatha sentiu a face do rosto queimar – Eu apenas pensei alto.
— De qualquer forma, parabéns.
— Fico agradecida... Obrigada senhor. – Agatha guardou suas coisas na bolsa e saiu da sala da delegacia, ela sentiu por um momento que não sentia o chão não sabia se era pelo “parabéns” ou pelo olhar de Hotch.
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