Um Bordel Chamado Olimpo
1 [PRIMEIRA SAGA] Parte I/III: Como Cão e Gato
Notas iniciais
Naquela zona urbana, onde arranha-céus e palacetes ilustres ocupavam um terreno mínimo coberto por ruas e parques, apenas ricos tinham vez. Ali transitavam, dia após dia, milhares de pessoas apressadas que nem mesmo paravam para admirar a beleza do local.
Era um lugar que tinha pouca criminalidade, poucos eram os ladrões ou arruaceiros, ali parecia só existir pessoas perfeitas. As vidas pacatas. Isso é o que pensava o pobre Madness ao adentrar seus domínios. Não sendo dono de uma grande quantidade de dinheiro e ainda cursando a faculdade, ele não tinha vez no meio daqueles lobos gananciosos.
E foi o medo de acabar sendo preso — pois ali não existia mendigo virando lata -, ele andou pela noite agitada daquela cidade turbulenta que nunca dormia. Se durante o dia era bonita, de noite era incrível. Cheia de luzes, fontes d'água brilhantes e diversos espetáculos. Todo aquele lugar era como um maravilhoso show aos seus olhos.
Mas nada se comparava a um prédio que encontrou bem no coração daquele lugar. Uma construção larga e imponente, pintada de negro e ostentando diversas pichações com tinta fosforescente que coloriam a fachada. Na porta havia estendido um tapete vermelho e holofotes giravam para todos os lados, enquanto dezenas de pessoas ficavam paradas na entrada, gritando enlouquecidas.
"Que lugar é esse?", pensava. E, muito esperto, se esgueirou para o fundo e encontrou uma porta. Ela estava aberta.
Estava tudo escuro, andava lentamente tateando as paredes, com medo de cair. E não foi um medo por muito tempo porque logo ele pisou em falso e um buraco abriu no chão, fazendo-o cair no piso duro do subsolo.
Ouviu berros de garotas, algumas chamavam-no de tarado, outras o chutaram e as ultimas saíram correndo. Que bizarro, tinha caído em um camarim.
— AHHHHH, O QUE É ISSO? — Uma delas dizia, abismada, apontando para o rapaz de cabelos azuis que se levantava do chão, tonto.
— Ah! Minha cueca de elefante. — Resmungou, assustado, se encolhendo. A tromba do bicho era uma coisa que não deveria ser postas em palavras. Onde diabos se metera sua calça?
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? — Uma mulher disse, entrando com um chicote em mãos. Ela tinha um olhar feroz, como se uma assassina, mas isso não poderia ser levado tão a sério depois que Madness notou que ela usava um pijama amarelo com ovos estampados. Ovos não-identificados.
— DESCULPA, DESCULPA! — Gritou assim que sentiu alguém lhe puxar pelos cabelos. — Eu não entrei aqui pelos fundos. Eu... hm... Estava procurando a igreja. É! Estava procurando a igreja. Tenho que rezar um terço para Maria curar minhas celulites!
A moça coçou a cabeça, a feição meio torta e confusa. As garotas em volta continuavam encolhidas em algum cantinho, escondendo peitos e virilha como podiam, algumas também saíram do seu momento "'tô em pânico" pra compartilhar da expressão da outra. Celulite? Igreja?
No fim, Durga apenas deu de ombros. Celulites eram universais, entendia o cara. Afinal, estava cheia. Suspirou e então puxou o cara para cima. O de cabelos azuis quase chorou quando as meninas ao redor começaram a rir dele por causa de sua situação vergonhosa.
Durga lhe arrastou pra fora do camarim, fazendo-o andar por corredores sem fim, com paredes vermelhas e chão negro. Ela o puxava sempre pelo colarinho, quase o enforcando. Sua mão estava tão baixa que ele era obrigado quase a andar de quatro.
— Para com isso, 'tô me sentindo um cachorro.
— Você vai ser coisa pior que isso quando ver a dona. — Respondeu num tom tranquilizador que não o acalmou. Mas ela o olhou por um segundo, então sorriu. Parou bruscamente, fazendo ele bater contra suas coxas. — Não é uma má ideia. Um cachorro, é?
— O que você...? — Ele tentou perguntar enquanto ela se agachava em sua frente.
— Dá a patinha. — Pediu estendendo a mão, um sorriso lindo nos lábios. Ele ficou meio tonto vendo isso mas então bufou.
— 'Tá é maluca, sua puta arrombada. Eu não sou um cão. — Disse enquanto fazia menção a levantar. Isso até ela lhe chutar no joelho e pegar aquele chicote de novo, passando ele pelo seu queixo.
— O que você disse mesmo? — Perguntou num tom amável, mas algo nos seus olhos cor de purpurina assassina despertou um medo enorme no garoto.
Imediatamente enfiou a cara no chão, de quatro e latiu. Passou a mexer os quadris de forma exagerada como se tivesse um rabo e então pulou alguns centímetros como se fosse um cão mesmo, feliz de ver o dono. E deu a patinha, fungando.
— Que deprimente~! — Ouviram uma voz arrastada e manhosa, como de um gato pronunciar. Durga gelou inteirinha, virando-se antes de sequer falar para o "cão" portasse decentemente, este sendo então obrigado a continuar a cavucar o piso.
Ouvindo a voz, o azulado ergueu os olhos. Uma moça estava de pé a alguns metros. Sua pele era tão preta que nem mais podia-se dizer que era negra, aquilo parecia piche. Seus cabelos eram verdes claro brilhantes assim como seus olhos, vestia roupas coladas e pretas também. E pra fora dos seus cabelos espetavam orelhas pretas e pontudas de gato. Ela também tinha bigodes, cauda e se portava com a graciosidade de um gato.
E o que o moço fez? Latiu! E então com a língua pra fora e rugindo furiosamente, saiu em disparada na direção daquela moça-gata. Os pelos dela se eriçaram por inteiro e ela saiu em disparada, correndo também de quatro.
Ambos achavam que corriam a toda velocidade, mentalizando um campo cheio de margaridas e um sol absolutamente maravilhoso sobre suas cabeças, uma sensação de leveza e liberdade corroendo-os enquanto o vento fraco batia em suas faces. Mas só eram dois retardados andando pelo chão de quatro que nem dois bebês que não sabiam andar.
Gash achava que estava a ser graciosa e linda como um gato deveria ser. Tendo sido criada na rua da amargura por um bando de gatos selvagens, não sabendo do porque ela tinha nascido como uma furry nigga, ela só tinha certeza de uma coisa: era uma gata perfeita, com ótimos reflexos e equilíbrio, graciosa.
Bem, ela foi, até bater de cabeça em uma porta que se abriu de repente à sua frente. A mesma caiu desmaiada no chão, babando.
Lee ouviu o barulho alto e se surpreendeu, quase deixando as garrafas que segurava caírem. Mas conseguiu segurar tudo, olhando receosa o que tinha acontecido. Deparou-se com a dona estirada no chão, inconsciente.
— Mas já tá desmaiando de bêbada? — Resmungou, emburrado. — Só porque eu acabei de tirar as pingas pra gente fazer o esquenta. — Ostentou um bico, magoado. E viu um cachorro-homem correr em sua direção, pulando por cima da furry nigga.
E se apoiando na sua perna. Não porque estava contente em ele ter desmaiado sua presa ou porque estava feliz em vê-lo. Ele estava tentando acasalar com a perna do rapaz de cabelos negros.
E o garoto só pode suspirar. "É terceira vez essa semana que isso me acontece", pensou frustrado. E se pôs a tentar andar em direção ao salão privativo, arrastando a perna que o azulado não soltava de forma alguma enquanto continuava a se esfregar nela loucamente.
No salão privativo — um cômodo redondo cheio de pufes e forrado com um tapete preto peludo, com geladeirinhas cheias de afrodisíaco e redbull–, haviam já alguns jovens parados esperando pela pinga.
Tata e Hime conversavam num canto de um assunto que ninguém naquele lugar ligava, falando muitas vezes kawai e kakoi e expressões idiotas que os otakus pegam do japonês. A loira só tinha decidido ir falar com a ruiva porque estava cansada de esperar por Durga, moça que iria treinar com ela a coreografia de A Lua me Traiu. Estava entristecida, divar sozinha não era divertido. E ainda chorava ao lembrar que não iria então requebrar seu corpo — que também poderia ser chamado de tábua humana.
Mad, o cara que por algum motivo usava calças com estampa militar como se fosse a última moda e derramara algo sobre a camisa branca apertadinha, estava sentado com as pernas abertas sobre uma geladeirinha. Cansado demais de esperar a pinga, tomou afrodisíaco e agora felava um microfone com a boca. Felava, palavra bonitinha pra tentar diminuir o ato mas vamos direto ao ponto: 'tava batendo um boquete pra um microfone. "Por que?", você se pergunta. Eu também não sei.
Zooni também estava ali, comendo de forma bastante contente salgadinho, fazendo um barulho insuportável de mastigação ao fazê-lo com a boca aberta. Cuspia tudo enquanto ria fungando como um porco das duas mocinhas que ficavam gritando fangirlzisse sem sentido. Como um homem muito humilde, sentava-se na pior cadeira. E essa se chamava Fr3, que caíra estuporado no chão depois de tanto esfregar o chão. Ele ainda estava vivo. Pelo menos, eu acho.
De repente as portas se escancararam, batendo na parede com força. Todos os presentes — os que estavam conscientes -, olharam em direção aquela entrada vendo a sua tão adorada chefia ali parada, transpirando e exalando ódio enquanto a pobre Tigresa, a chefia no.2 corria ao seu lado para segurar a bolsinha de gelo na sua testa.
— Outro cão te perseguiu, gata? — Questionou Mad em um tom meio estranho, parecia definitivamente drogado e a barraca estava bem armada. A de cabelos verdes olhou-o por um segundo, pensando se aquilo fora uma constatação ou uma cantada. Acabou por bufar e, como era metade gato, em vez do costumeiro som tosco o que saiu foi um miado fofo.
E dessa forma, Tata gritou "KAWAIIIII" e se jogou sobre a pobre gata, enlaçando seu pescoço e apertando.
— TIGREEEESA! TIRA ESSE NEGÓCIO DE CIMA DE MIM, CARAMBA!! — Gritava histérica, correndo de um lado para outro na sala enquanto socava as costas nas coisas tentando nocautear a maldita fangirl que ficava apertando suas bochechas enquanto as pernas se apertavam firmemente a sua cintura. A pobre ruiva — com o cabelo em um tom não exatamente vermelho mas, sim, laranja -, corria atrás das duas com o saquinho de gelo, gritando.
Enquanto isso, Zooni continuava no seu canto se mijando de tanto rir enquanto comia e cuspia em seguida o seu salgadinho. Hime, acostumada com as zoeiras e estranhezas, sacou seu caderno que escondia no sutiã — que estava bem seco -, passando a desenhar freneticamente uma pequena garrafinha cheia de balas. Mad, ainda parado na mesma posição, cantava "Is This Love" do Bob Marley no maior tom drogado, fazendo o ritmo com as mãos, alheio ao que acontecia ao redor.
A perseguição acabou quando a furry nigga conseguiu alcançar a mão da sua Onee e lhe morder dolorosamente com as presas de gato. Tata saiu chorando pro seu cantinho da depressão, rejeitada por sua irmãzinha. E então a gata foi deitar-se na sua caminha de gato, que ficava sobre um magnifico trono — tão magnifico que eu nem me dei ao trabalho de comentar antes -, se enrolando toda e começando a cochilar, ronronando.
Em seguida, Nemesis chegou andando bem no estilo "sou de gangue" mas parecendo que tinha a cueca enfiada no cu. Passou por todos distribuindo beijos, como um cantorzinho adolescente. Chegou até a Tigresa — que estava brincando com seu lábio inferior com o dedo, puxando-o pra baixo e soltando muitas vezes, fazendo um barulho estranho -, perguntando:
— Cadê a pinga? O nosso horário 'tá quase chegando. Nego está enlouquecido na entrada, tentando entrar. Os seguranças estão em pânico tentando segurar eles. — Comentou, cansado. Estava acostumado. — Eu não vou para aquele poste dançar sem tomar minha pinga antes...! — Tentou advertir mas foi cortado por uma voz felina sonolenta.
— Faça isso e eu desconto mil pratas do seu salário o segundo que ficar parado.
Nem precisou olhar quem era a infeliz, se não fosse a voz irritante que a denunciasse, seria a frase.
— Vadia avarenta. — Sussurrou pra si mesmo.
E viu a gata levantar-se de supetão, ficando de pé no trono com os braços erguidos. E então começou a convulsionar, fazendo mil movimentos diferentes em segundos, dizendo coisas sem sentido como por exemplo: "dinheiro é amor".
Todos bufaram, revirando os olhos enquanto a furry nigga se deitava, metade para fora do móvel, sonhando com seu dinheiro.
Em seguida, Lee entrou na sala ofegante, tentando passar da porta com as garrafas mas não conseguia pois o cão que tentava transar com a sua perna arredou os pés no chão e não queria se mexer.
— Galera! Por. Favor. Me. Ajudem. — Pediu pausadamente, vendo que todo mundo o olhava. Nemesis, com seu sobretudo vestido e cabelos castanhos longos, aproximou-se. — Estou sendo estuprado por um cão.
— Ah, é? — Questionou o maior, com um tom desinteressado. Ia catando uma garrafa de cada vez das mãos do ulzzang enquanto ele o olhava estranho, não entendendo o que ele estava fazendo. Quando viu-se sem garrafa alguma, ergueu os braços abertos para o homem bombado, esperando que ele o agarrasse e salvasse. Mas apenas sentiu ele empurrar seu corpo magricelo com força para trás, fazendo-o cair sobre o cachorro tarado que passou a lamber seu queixo enquanto o colega fechava a porta.
— A PINGA CHEGOU, GALERÊ!
O pessoal deu um grito conjunto animado e cada um pegou uma garrafa, todo serelepe. Alguns, de forma inteligente, abriram a tampa com o saca-rolha. Outros, meio chapados — ou totalmente — quebraram o vidro em sua própria cabeça, desmaiando enquanto o sangue surgia. E, por último, a dona tentava se livrar da tampa com as pequenas presas de gato, os pés flexíveis ajudando a agarrar o objeto como se fosse um brinquedinho.
Enquanto riam e brindavam, ouviam gritos do pobre Lee que bradava por socorro lá fora, arranhando a porta. A maioria ignorou por um tempo até que, com peso na consciência, Tata perguntou:
— Não deveríamos socorrer o garoto?
Todos a olharam apreensivos mas ninguém ousou sequer abrir a boca. Até que a dona se pronunciou, a boca ainda colada a garrafa que não abrira sequer um centímetro:
— Ele demorou séculos pra trazer essa pinga ruim. Vocês ainda tem pena?
Todos se entreolharam, questionando-se em silêncio e então deram de ombros, quase em conjunto, voltando a rir e beber.
Isso até ouvirem um grito mais alto, só que este não era de dor ou uma lamúria: era de puro prazer. A galera na sala voltou a calar-se, os olhos se cruzando.
— Humpf. Tirem ele de lá. Eu não dei permissão pra ele liberar o toba antes das dez horas. — Resmungou, em ordem, a furry nigga. E miou incomodada e inconformada logo depois. — E alguém me ajuda! Acho que minhas presas prenderam na tampa.
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