Um Bordel Chamado Olimpo
2 [PRIMEIRA SAGA] Parte II/III: Uma Forma Eficaz de Seduzir.
Notas iniciais
O bordel Olimpo era um dos estabelecimentos mais requisitados e visitados de toda aquela cidade. Mesmo que de dia ele não abrisse as portas, só o publico que recebia em suas noites já eram o suficiente para desbancar qualquer outro.
Ali era, além de muito famoso, muito caro. Hospedado em uma cidade onde só haviam ricos, óbvio que aquele lugar não ficaria pra trás em questões como luxo e qualidade. Tanto que o nome — Olimpo -, fora dado por ali só ter deuses: da sedução, da dança, do desejo, da beleza, do sexo.
Só para entrar ali deveria se ter pelo menos trinta mil reais para desembolsar. E isso na verdade nem lhe dava direito a uma noite quente com alguém. Talvez de uma masturbação quente no banheiro depois de ver tantas beldades, femininas e masculinas, esbanjando sensualidade ao dançar nas jaulas suspensas, nas argolas também erguidas ou no palco. Aquilo era um paraíso da libido.
Quando as portas se abriam, a enorme massa de gente bem vestida ia entrando empurrando tudo, exatamente como uma manada de rinocerontes faria, necessitados de prazer. O dinheiro jogado pelos balcões como em todos os dias, era enlouquecedor. As pessoas se amontoavam tentando sempre conseguir pegar um ingresso antes que esses acabassem.
Não bastava ser um lugar caro, era um lugar quase exclusivo. Mesmo para um lugar tão grande, com vários andares e um salão de recepção e shows gigantesco, eram contados os sortudos que poderiam entrar. No máximo dos máximos uns duzentos ingressos para atender uma montanha de gente louca. Por isso sempre havia uma guerra na recepção, também acompanhada com decepção depois por quem não tinha conseguido — bastante gente.
Para quem não queria ficar lutando num mata-mata cruel na entrada, haviam as entradas vips. Estas eram compradas antecipadas, as vezes uma semana antes, para o individuo conseguir entrar sem problemas. E só isso. Não tinha uma área melhor pra ficar, nem tratamento especial, pagando cerca de vinte mil a mais. Só pelo direito de entrar de certeza. Mesmo assim, sempre tinham malucos que fariam isso.
Emo era um desses. Ele sempre vinha, toda sexta-feira, sem falta. Dono de um império de petróleo na Arabia Saudita, era absolutamente rico e também ocupado. Sempre impecável e perfeito, era um cara modelo. Inteligente, bonito, certinho... só se deixava sair disso naquele lugar, por aquela garota.
Tata era a dançarina mais requisitada e esperada. Era absolutamente sexy e provocante enquanto dançava agarrada naquele poste. Subia, descia, rodava, esfregava-se naquilo como se assim pudesse suprir uma necessidade que ardia em seu amago. Mas mesmo sendo absolutamente erótica, sua face angelical e com traços coreanos era angelical. Tinha uma fofura, uma graça, que seduzia. Essa mescla que fazia tanto ele, como qualquer homem e mulher naquele lugar ter espasmos e tremedeiras. Perfeita, era a única coisa que podia dizer sobre ela.
— Socorro! Socorro! — Gritava Tata, suspirando.
— O que houve, o que houve? Tá morrendo? — Questionou Durga, vindo correndo em sua direção, ofegante. Por algum motivo, ela estava cheia de mordidas que pareciam feitas com dentes pontudos (logo, por Gash). — Ah, de novo não, Tata.
— Descuuuulpa! — Pediu, chorosa. — Me ajuda!
Tata tinha, de novo, se enroscado toda com a meia 3/4 e não conseguia se soltar.
"Essa é a moça perfeita que todo mundo quer comer", resmungou Durga em pensamentos, completando raciocínio com um exasperado "idiota". Depois de ajudá-la a se soltar, a loira voou nela, nenhum pouco contente.
— Além de não aparecer pra dançar a Lua me Traiu (acreditei que era pra valer, a lua me traiu, fiquei sozinha e louca por você), você fez algo indecente com a minha irmãzinha! Sua, sua... Boba! — Mostrou a língua pra ela e saiu correndo, chorando.
A que sobrou no recinto suspirou, olhando os braços cheios de machucados que faltavam ser cobertos (pelo menos tentar cobrir) com maquiagem. Aquilo ali eram as provas da surra que levara da furry nigga ao qual chamava de mestra, por trazer um cão pra dentro do bordel. Seus pulsos estavam cheios de arranhões, promovidos pelas garrinhas da gata, que agora pareciam outra coisa.
— Stay Strong, Durga. — Troçou a si mesma, em voz baixa, dando depois uma pequena risada e então partindo novamente pro camarim.
— x —
Nemesis era um caçador. Aliás, era um dos bons.
Assim que as portas do lugar se abriam e tinham de receber os visitantes, ele assumia um papel muito semelhante a de um felino (mas não um idiota como sua mestra) e com os seus olhos atentos encobertos pelos óculos escuros — no maior estilo Felipe Neto -, encarava a multidão que havia ali dentro e fazia um burburinho agradável de conversas e risos. Quase já podia ouvir os gemidos.
Ele era o serviço diferenciado da casa. Enquanto a atração principal se vestia e preparava, sendo sempre o centro das atenções e o corpo mais caro, ele fazia diferente. Estava ali, misturado ao público como um convidado, pronto a entreter de uma forma bastante proveitosa apenas um sortudo sem que ele soubesse quem era de verdade. Por que ele era primeiramente o prazer do mistério.
— Tá procurando um buraco pra foder? — Inquiriu Zooni, parando ao seu lado. Os seus braços estavam cruzados nas costas e seus pés o pendiam para frente e para trás, nervoso. Aquele cara era um passivo assumido, amante de caras e que só se permitia gostar de transar com caras.
Ele era, de fato, gostosinho. Era um deus, no fim. Ele estava ali por ser bom no que fazia. No caso, Nemesis imaginava que era em gemer que nem uma puta. E ouviu dizer que ele era apertado. Já pensou em investir nele e já o fez, mas o cara era tipo sabão quando não envolvia trabalho. Ele era tão cu doce que dava vontade de mandar ele pedir para alguém lamber antes que enchesse de formigas.
— Uhum... — Pronunciou sem vontade. Logo depois olhando-o demoradamente. — Poderia ser o seu, mas estamos em trabalho agora. Mas nada impede que nós tentemos mais tarde. — Comentou, com um sorrisinho malicioso, virando o rosto. — Sabe, o banheiro do meu quarto é bem espaçoso...
O outro rapaz limpou a garganta, bem altivamente. E então disse:
— Acho que não vai ser com indiretas estúpidas que você vai conquistar o meu traseiro. — Pela voz falha, Nemesis sabia que ele estava vermelho, mesmo que não o olhasse. — Vou ver se algum cliente está me requisitando.
— Mas quem disse que eu iria fazer isso com indiretas? — Perguntou, depois de segurá-lo pelo pulso, impedindo que ele se fosse. O garoto o olhou demoradamente, mordendo o lábio. — Por favor, quando for no balcão e a Hime falar que não tem ninguém ainda, volte seu olhar para a pista. Vou te mostrar como eu vou te conquistar.
Ele corou ferozmente e então desvencilhou-se, saindo quase correndo para onde Hime estava. Mas ela não estava lá. Mesmo assim, decidiu ficar lá para observar a tal coisa de uma distância segura.
Nemesis continuou observando aquele enorme salão avermelhado, dotado de gaiolas e argolas suspensas que já eram ocupadas por moços e moças que pareciam feitos da mais flexível borracha, o corpo virando, girando, requebrando e descendo. No chão firme a sua frente, haviam mesas e sofás espalhados na parte mais baixa do lugar. Neste ponto, os holofotes vermelhos enlouquecidos quase deixavam quem dançava ou babava na perfeição dos dançarinos maluco de tão fortes. Era tão bonito que nunca cansava de olhar.
Mas algo além da decoração lhe chamou a atenção. No meio das pessoas estava um homem com cabelos brancos escorridos e com franja, usando um terno negro. Ele o conhecia. E, na verdade, era aquele buraco que estava procurando.
Kaka olhava apreensivo para todos os lados depois de despachar a esposa, pedindo que esta fosse buscar bebidas. Tinha pouco tempo para sumir de vista. E foi nesse tempo, certinho, que viu ele se aproximando, decidido.
— Pensei que não iria vir mais. — Disse o rapaz, sorrindo de forma discreta. Falava tão baixo que parecia não querer ser descoberto. — Tenho pouco tempo pra sumir de vista. Pra onde vam-?
Não teve tempo de terminar a sua frase pois Nemesis pousou seu dedo sobre sua boca. E pediu silêncio com a boca. Kaka, gay enrustido, ficou vermelho na mesma hora. Todos estavam vendo.
De repente, Nemesis ergueu a mão para o alto e a música eletrônica que tocava cessou. Lá em cima, na cabine de DJ, Kaka pode ver Lee acenar animadamente enquanto um homem de cabelos azuis apertava-o, mordendo seu ombro.
De repente o ambiente preencheu-se com uma voz e uma melodia em seguida:
Ladies and gentlemen
This is Mambo number 5
Quando olhou de volta, viu que as pessoas tinham se afastado alguns metros deixando os dois sozinhos. O moreno de cabelos longos agora tinha uma rosa na boca, não sabia de onde ele tinha tirado aquilo. Nemesis — acompanhando a contagem com a voz grossa e desafinada -, o puxou para perto, juntando seus corpos e impedindo que ele se mexesse.
Everybody's in the car, so come on
Let's ride to the liqueur-store around the corner
The boys say they want some gin and juice
But I really don't wanna
Beerbust like I had last week
I must stay deep
Because talk is cheap
I like Angela, Pamela, Sandra and Rita
And as I continue you know
They are getting sweeter
So what can I do I really beg and you my Lord
To me flirting it's just like a sport, anything fly
It's all good let me dump it
Please set in the trumpet
Passou a guiá-lo numa dança de tango "100sual". Primariamente devagar, acompanhando a batida latina. Fazia com que ele movesse as pernas, rodopiando, rodando e rodopiando como uma dama. Em um de seus rodopios, o moço de cabelos albinos viu a esposa. Ela estava bem na frente da multidão, de boca aberta e olhos arregalados. E sangrando litros pelo nariz.
A little bit of Monica in my life
A little bit of Erica by my side
A little bit of Rita is all I need
A little bit of Tina is what I see
A little bit of Sandra in the sun
A little bit of Mary all night long
A little bit of Jessica here I am
A little bit of you makes me your man
Nesse refrão, o moreno lhe rodou muitas vezes e então arremessou, fazendo ele passar a rodopiar sozinho pelo grande círculo aberto como uma bailarina. O público o empurrava toda vez que chegava perto, fazendo ele continuar nesse movimento, batendo lá e aqui como um pião maluco.
Enquanto isso, Nemesis sapateava de forma ridícula no meio do salão, cantando com uma voz de taquara rachada bem alto, acompanhando o cantor.
Mambo number 5
Disse ele por fim, parando tudo para lançar um olhar sensual para a multidão. A moça que estava bem em sua frente, desmaiou depois de ter um "heart attaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaack" com o sorrisinho do rapaz. Por algum motivo, ela estava molhada também.
E então a batida latina desapareceu como surgiu e então um funk ostentação começou. Um funk ostentação que a minha vó ouvia.
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia (2x)
E o moço passou a descer até o chão loucamente, que nem uma lombriga. Ou uma gelatina.
.
.
.
Mas que bunda.
— x —
— O que você está fazendo? — Questionou a Tigresa, surgindo atrás do sofá onde flagrara Durga sentada. A garota deu um grito esquisito, dando um pulinho que a fez bater o pé na mesinha de centro. E a segunda dona só pode rir. — Se a Gash te pega ai, calma e na mordomia, você apanha tanto e perde tanto dinheiro que vai virar uma escrava corcunda.
— Mas ele é tão lindo...! — Choramingou a garota, logo depois se recompondo.
— Quem? — Perguntou a de cabelos alaranjados, mirando a multidão. Logo reconheceu os cabelos longos de Nemesis que continuava rebolando loucamente até o chão. E deu uma risadinha desdenhosa. — Iludida.
E a outra só pode choramingar em resposta, depois recebendo da outra o recado de que tinha um cliente a esperando.
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