Um Bonito Amor

33 Por que voltou?


Notas iniciais
Hi people!!!! Estou de volta com mais um cap, espero que gostem... Vms ler!

Finalmente o tal dia havia chegado, dia em que a senhora Muller se revelaria para Raul. Estava uma pilha de nervos e, não realizei muito bem minhas tarefas do dia.

Não estava muito animada para esse evento, na verdade queria fugir, correr, gritar, não sei, só queria que esse dia passasse sem eu nem perceber. Cheguei em casa e me joguei no sofá, senhora Muller havia ligado mais de três vezes no dia e continuava ligando, mas eu não estava afim de falar com a mesma no momento. Após algum tempo jogada no sofá apenas pensando, me levantei sem ânimo nenhum para me arrumar para o evento.

Vesti o vestido que Raul havia comprado para mim, um preto longo tomara que caia. Nos cabelos usei um “ meio amarrado” puxado para o lado, finalizando com algumas ondas nas pontas. Por fim, fiz minha maquiagem, a mais simples possível, pois não estava muito afim para me arrumar.

Após um tempo, retornei para a sala, para esperar Raul, o mesmo havia chegado pontualmente ao meu apartamento. Assim que ele chegou eu desci para recebê-lo, ele estava tão lindo que me apaixonei outra vez. Ele usava um terno na cor azul marinho escuro, os cabelos estavam jogados perfeitamente para trás selados com gel, deixando seu rosto perfeito em contraste com sua pouca barba. Corri para abracá-lo.

— Nossa, que abraço bom. — Diz ele sendo pressionado pelo meu corpo.

— Você está lindo! — Digo me desprendendo dele.

— Você está mais, esse vestido caiu perfeitamente em você, aliás qualquer roupa fica perfeita em você. — Diz ele encantado.

— Obrigada! — Digo esboçando um leve sorriso.

— Vamos? — Diz abrindo a porta do carro para mim.

— Sim.

E então entramos. Passamos todo o percurso em silêncio apenas admirando as ruas iluminadas do grande México. Em poucos minutos, finalmente havíamos chegado, Raul estacionou e deu a volta para abrir a porta do veículo para mim. Ao chegar na fachada no local, meu coração começou a palpitar muito forte, pois não sabia ao certo o que poderia acontecer nessa noite, tentei disfarçar ao máximo meu nervosismo, mas quando Raul tocou minha mão percebeu que estava gelada e trêmula.

— Você está bem? — Pergunta ele com um olhar preocupado.

— S-sim, estou. — Tento tranquilizá-lo. — É que está frio, e estou com os ombros nus.

— Espera... — Ele já se preparava para tirar seu palitó para me dar.

— Não, não precisa, vamos entrar, lá dentro deve está mais quente. — Digo e ele obedece.

Entramos para dentro do salão, tudo estava muito bonito e organizado, luzes e holofotes para todos os lados, câmeras e câmeras e agenciadores por todos os cantos daquele salão, pessoas da alta sociedade também se faziam presentes. Em uma mesa encontrei minha mãe, Raquel, Rogério, Lilian, Ronaldo e Vanessa, me aproximei deles.

— Pensei que não viesse Gilda. — Se prontifica Raquel, sabendo que eu não queria estar ali.

— E porque não viríamos? — Raul se apressa em dizer.

— Não lembro de ter mencionado você, Raul De La Peña. — Disse Raquel sarcástica.

— Olha aqui...

— Vocês não pensam em brigar aqui, não é? — Intervém mãe Cecília, ao perceber que Raul e Raquel se estranhavam.

— Desculpe Cecília. — Disse Raul penalizado.

— Tudo bem, sentem-se.

Sentamos e, após algum tempo, minha mãe, Rogério e Raul foram falar com alguns conhecidos do meio social. Raquel, Bruno e Vanessa haviam se retirado da mesa também. Estávamos apenas eu e Ronaldo e Lilian que me olhavam preocupados.

— Você está bem? — Pergunta-me Lilian buscando meu olhar.

— Sim. — Respondi vagamente.

— Não parece, aconteceu alguma coisa? — Ronaldo pergunta.

— Eu estou bem gente, não se preocupem. — Finjo.

— Está assim pelo o que possa acontecer hoje, não é? — Lilian me conhecia tão bem. Suspiro.

— Não como negar pra vocês, sim, é por causa disso sim. — Respondo abaixando o olhar.

— Não fica assim Gilda, nada vai sair errado. — Ronaldo tenta me tranquilizar.

— Eu espero muito mesmo, acho que me sentiria muito mal se tudo isso der errado.

— Mas, não vai amiga, acredito que essa senhora não seja capaz de te magoar a julgar de tão bem que você fala dela.

— Sei que ela não seria capaz de dizer a Raul que eu sabia de tudo, mas estou assim pelo Raul, ele irá sofrer tanto com essa volta dela, eu queria tempo para poder prepará-lo mais. — Revelo com um olhar tristes.

— Entendo, mas, pelo o que você disse, quem não tem tempo é ela e talvez por isso apressou as coisas. — Disse Lilian.

— Sim, eu a entendo, mas é que é ferida que se abre entendem? Ele estava melhor sem essas lembranças e com o retorno delas, ele ficará péssimo e eu ainda não estou pronta para lhe dar com isso.

— Você acha que Raul pode voltar a ser aquele cara amargurado de antes? — Pergunta Ronaldo.

— Sim, será dias difíceis para ele. — Suspiro outra vez.

— Mas, não se preocupe Gilda, Raul já não é mais aquele garotinho, tenho certeza que com a cabeça que ele tem hoje, saberá contornar isso da melhor maneira possível. — Lilian diz segurando minhas mãos.

— Acontece que, Raul apenas cresceu, mas ainda há um garotinho amargurado preso dentro dele, que não estará livre de seu passado sofrido enquanto não perdoar, enquanto não tentar entender tudo o que aconteceu. — Explico-os.

— Realmente será difícil, mas eu acredito que com sua ajuda ele sairá adiante, tenho certeza.

— Espero muito, muito mesmo.

Falar sobre isso estava me deixando mais para baixo ainda, então buscamos mudar de assuntos, conversávamos sobre o estágio quando David chegou todo feliz.

— Gilda, menina, estou maravilhado em te ver! — Diz me dando um beijo no rosto.

— Ah, oi David, você conhece meus amigos? Esse é o Ronaldo e esta é Lilian. — Os apresento.

— Prazer em conhecê-los! — David os cumprimenta.

— Prazer é todo nosso. — Diz Ronaldo.

— E aí, ele veio? — David se volta para mim.

— Sim, está por aí. — Digo erguendo a cabeça, procurando por Raul pelo o salão.

— Ótimo, irei avisar a senhora, ela ficará muito feliz, obrigada minha linda. — Diz me dando um beijo na minha mão.

— Mas, o que significa isso? — Raul chega num repente com o rosto franzido.

— Olá senhor Raul, fico feliz em tê-lo aqui. — Diz David contente estendendo a mão par a Raul que o ignorou sentando-se ao meu lado.

— O que esse cara faz aqui? — Raul cochicha para mim, mas David ouviu muito bem.

— Acho que disse a vocês, mas eu sou assistente da senhora Nicolle Muller, sou seu braço direito. — Responde todo orgulhoso.

— Hum, você sabia disso Gilda? — Pergunta-me Raul desconfiado.

— Eu...

— Ficou sabendo agora quando me viu aqui, ficou super surpresa. — Diz David rapidamente, ele era muito ágil em desculpas.

— Hum, está certo. — Diz Raul.

David nos deixou e seguiu pelo o salão cumprimentando os convidados, ele era muito habilidoso com as pessoas e as conquistavam rápido. Raul por outro lado não se agradou dele, não entendia que David era gay e fica enciumado quando me ver com ele.

— Porque essa cara? — Pergunto-o ao ver ele com a cara franzida.

— Não gosto desse cara. — Confessa.

—

— Ciúmes?

— É que tem algo nele que não me deixa confiar nele. — Diz eu estremeço.

— Deixa disso, David é uma boa pessoa. — Tento suavizar.

— Não sei não, tem algo nele que eu não gosto.

Talvez Raul já sentia a ligação que David tinha com sua mãe, por isso essa sensação. Após algum tempo, David começou a falar no alto de uma escadaria, onde chamou a atenção de todos para se levantarem e se aproximarem, e assim fizemos.

Ele fez algumas apresentações de modelos e explanou sobre a agência, logo depois anunciou a senhora Muller, e todo o controle que eu havia mantido até agora de meu corpo havia descontrolado, me deixando inteiramente nervosa.

— Boa Noite, quero agradecer a cada um de vocês por terem comparecido para prestigiar o trabalho de nossa agência, de coração agradeço a todos. Agora, irei chamar aqui a pessoa que realiza sonhos através da modelagem, com vocês senhora Nicolle Muller.

Nesse momento as luzes do salão se apagaram, apenas uma pequena luz iluminou o ponto alto da escada, onde a senhora Muller aparecia aos poucos, meu coração estava para sair pela boca, e então joguei meu olhar para Raul que estava imóvel e sem reação, meu coração realmente ficou pequeno quando vi uma lágrima cair....

POV RAUL ON...

O tal David falava algumas palavras no ponto alto de uma escada, tudo para pronunciar a dona da agência. Apagaram as luzes, mas deixaram apenas um luz iluminando um ponto específico da escada ( Achei exagero todo esse show para exibir essa mulher). Ao dizer o nome dela, uma mulher começou sair da penumbra e entrar na luz do ponto alto da escada e, quando pude realmente ver quem era, senti que as memórias voltavam numa velocidade luz, aquele rosto eu conhecia bem, muito bem. Minhas pernas paralizaram e eu não conseguir fazer nenhum movimento, as memórias daquela mulher entraram em minha cabeça destroçando o meu coração, era como se todo o esforço que eu tivesse feito para esquecer as lembranças em anos, retornavam bruscamente como se tudo estivesse guardado ali apenas esperando o momento em sair de novo.

Não aguentando mais estar ali, olhando o meu terrível passado, sai correndo para fora do salão, ouço Gilda me chamar, mas eu não atendo apenas saio às pressas passando pelas pessoas. Gilda então me acompanha, e antes que eu pudesse alcançar meu carro, ela me puxa pelo braço me fazendo enxergá-la.

— Raul, o que aconteceu? — Pergunta ela recuperando o fôlego.

— Estou indo embora, cadê... cadê meu carro? — Pergunto a mim mesmo, esperando o flanelinha para entregar meu carro.

— Mas, porque o que houve? — Ela estava muito aflita, assim como eu.

— Ela é... Aquela mulher... ela é... AARGH!!! — Praticamente grito pelo meu nervosismo e raiva.

— O que tem diga.

— Ela é... ela... — E então não consigo dizer mais nenhuma palavra, pois o choro se faz presente, não pude evitar.

— Vem.

Gilda me puxa pela mão me levando para um lugar reservado, onde só havia apenas nós dois.

— Apenas chore se quiser. — Me diz quando permanecemos em silêncio.

Foi então que realmente não aguentei, afundei meu rosto em seu pescoço e comecei a chorar, um choro de raiva. Por que ela havia voltado? O que significava tudo isso? Após algum tempo, quando me sentia pronto, sai de seu abraço.

— Ela, aquela mulher é a minha mãe. — Digo sem olhá-la, e ela tem a atitude mais reconfortante, me abraçou por alguns segundos.

— Oh, eu sinto muito. — Diz ela penalizada com minha situação.

— Não sinta, desculpa não queria ter saído assim e ter chorado na sua frente. — Digo envergonhado.

— Você deve chorar quando precisa, e nesse momento você precisou, e estou aqui para aparar as suas lágrimas, para apoiar você. — Falou carinhosamente e então eu selei seus lábios.

— Obrigado por estar comigo, senão fosse você eu talvez faria uma besteira. — Revelo.

— Não diga isso, não aja de cabeça quente. — Gilda Intervém.

— Já me acalmei o bastante e, agora vou lá falar com ela. — Disse e apressei o passo, mas Gilda me barrou preocupada.

— Espera, o que pensa em fazer, Raul vamos pensar você não está em condições agora.

— Senão for agora, não vai ser nunca. Eu preciso olhar na cara dela e dizer tudo que está engasgado aqui. — Aponto para minha garganta.

— Meu amor, não servirá de nada, por favor vamos sair daqui e depois com calma você fala com ela. — Gilda tenta me tranquilizar, mas estou decidido.

— Eu preciso agora, essa mulher pensa que é quem? Arma um show desses e acha que vai ficar por isso mesmo? Vou agora mesmo saber o que ela quer e exigir que volte por onde veio. — Digo sentindo a fúria me dominar.

— Raul...

Não dou tempo para Gilda, e saio dali as pressas, ela vem mais atrás tentando me impedir, mas nada irá me impedir de dizer umas verdades para essa mulher.

— Fique aqui. — Sussurro para Gilda, para que ela fica com a família enquanto ia falar com essa mulher.

— Raul, deixa eu ir com você, talvez...

— Não Gilda, vou sozinho, você fica aqui por favor. — Digo firme.

— O que está acontecendo? — Cecília pergunta ao ver toda essa agitação.

— Uma tragédia Cecília, depois te explico. — Vi que Gilda ficou bastante aflita, mas eu estava com muita raiva dessa mulher.

Andei pelo salão a procura de onde ela poderia estar, não encontrei. Ao longe, vi aquele tal David conversando com alguém, logo segui rapidamente para perto dele e o segurei pelo colarinho.

— Eu sabia que não dava para confiar em você. — Digo enfurecido.

— Hey! Do que você está falando? Dar para me soltar? — Diz ele tentando se soltar.

— Onde encontro sua patroa? Vamos diga logo!

— Fala da senhora Muller? — Diz ele com dificuldade.

— Vamos, não enrola!

— Pra lá. — Diz apontando para uma porta.

E rapidamente sem me explicar saio correndo para a porta que ele apontava, bati, bati e bati, até que a porta fosse aberta. Ela se encontrava sentada em uma poltrona, seu olhar estava cansado e seu corpo parecia frágil, mas estava vestida completamente de elegância e embora parecesse cansada, sua aparência estava boa. Não era justo que ela tenha se dado tão bem na vida.

— Meu filho, que bom que veio. — Diz esboçando um riso de alegria.

— Primeiramente, não me chame de filho e,..... segundamente: Por que voltou? — Ela não respondeu apenas baixou a cabeça com se ela fosse vítima. — Responde, QUE DIABOS VOCÊ QUER??!!!

Minha raiva era tanta que eu não pude evitar gritar, ela destruiu minha infância, minha vida e agora volta trazendo as más lembranças consigo, mas eu não deixaria que dessa vez me destruísse, não mesmo, era um homem de 30 anos e, não deixaria que ela acabasse com tudo que construi todo esses anos, ela não terá chances dessa vez....

Notas finais
E então, eita que agora vai rolar fogo no parquinhooo! Aguardem os proxxxx