Um Bonito Amor

34 Enfrentando o passado.


Notas iniciais
Hello!!! Voltei! Tenho aqui mais um cap, espero que gostem pq eu passei a madrugada toda rsrs... Vamos ler!!!

Ela não me respondia, me pergunto se ela estava fazendo joguinho comigo mantendo-se calada.

— Me responde, por que voltou? — Pergunto alterado.

— Fi... Digo, Raul não se altere, eu tenho uma explicação. — Disse ela me respondendo finalmente.

— Eu espero que tenha realmente uma boa explicação. — Paro um pouco e caminho nervoso de um lado para o outro. — Por que está fazendo isso? O que quer de mim se você já me tirou tudo. — Digo fazendo um grande esforço para não chorar outra vez.

— Eu sei que fui uma péssima mãe, eu assumo o meu erro e não me orgulho disso, mas eu quero te contar tudo, contar o que eu devia ter falado há anos.

Não sei que desculpa ela iria inventar, mas eu estava seguro de que estava ali de volta para arrancar mais dinheiro. E se realmente for o que estou pensando, ela não se dará bem por que no mínimo que posso fazer pelo o meu pai é tomar ao menos uma parte do dinheiro que ela lhe roubou, estaria preparado para fazê-lo.

Continuo impaciente andando de um lado a outro, via que ela se esforçava para tossir e quando fazia disfarçava, estaria doente? Isso não me importa, não haveria nada que pudesse arrancar a raiva que sinto dela e que só aumentou com seu retorno.

— E o que irá me contar? Vejamos... — Debocho. — Que o dinheiro que roubou de meu pai acabou, que os homens que você encontrava a cada esquina lhe tirara todo o dinheiro, ou que você simplesmente deixou todo o dinheiro pra caridade, a faça-me o favor, você é uma mulher sem escrúpulos algum, você simplesmente não vale nada! — Me exalto outra vez.

— Não é nada disso, se você soubesse que eu nem toquei nesse dinheiro...

— Mesmo? — Pergunto irônico e dou uma risada debochada. — O tempo te deixou muito mais mentirosa ainda. — Digo me virando de costas para ela, não suportava vê-la.

— Eu tenho ciência de que não irá acreditar em mim até que eu te mostre. — Diz ela e fica em silêncio, ouço se aproximar de mim. — Pegue, está nessa poupança todo o dinheiro que seu pai deixou para você, confira. — Diz, então me viro para ela.

Ela estendia um cartão de poupança, fiquei refletindo de quão idiota ela devia me achar, acredito que ela esteja debochando de mim em seu interior por achar que eu ainda seria aquele mesmo garoto de 10 anos que apenas aceitava suas migalhas.

— Não seja ridícula. — Digo, jogando para longe o cartão que ela estendia. — Você deve está achando que eu ainda sou aquele menino idiota, não é, acha mesmo que acredito nisso? — Aponto para o cartão ao longe.

— Mas, é a verdade eu jamais toquei no seu dinheiro, aconteceu tantas coisas assim que sai da casa de seu pai, refleti tantas coisas, percebi o que o havia perdido e...

— Chega! Eu não acredito numa só palavra que sai dessa boca suja! — E mais uma vez esbravejo. — Eu não acredito, você é uma mentirosa, manipuladora, repulsiva, eu não acredito numa só palavra!

— Raul, sei que é difícil de acreditar, você passou tantas coisas e eu também me odeio por isso, eu... — Ela se aproximou de mim. — Estou muito arrependida, e por isso aceito o castigo que recebo hoje, me ouça, ouça o que eu tenho pra te dizer, eu...

— Não encosta em mim. — Digo afastando às mãos dela que tentou tocar meu rosto. — Fica longe.

— Me desculpa. — Fala, se afastando de mim.

— Pára de fazer essa cara de coitada, eu não acredito nisso, e nem nesse teatro todo que você armou, aliás como é que você conseguiu se dá tão bem na vida, esse dinheiro do meu pai que você roubou não renderia tanto, diga como pôde ter se dado tão bem?! — Exijo.

Queria saber apenas para tentar entender, não que eu tivesse interessado nisso, eu só queria entender como a vida poderia ser tão injusta com uns e justa com os errados, isso que eu queria entender, não fazia sentido para mim essa mulher ainda sequer estar viva, quanto mais bem de vida, enquanto meu pai está morto por causa dela.

— Eu posso te explicar tudo se me deixar. — Ela diz calmamente.

Aliás, ela não estava parecida como antes, seu gênio agitado e irritado havia sumido, sua fala era fina e culta, seu semblante não era mais cheio de vida e, não digo apenas pela idade, mas havia algo que mudou era como se eu não estivesse falando com a mulher que eu odiava, era como se realmente fosse alguém como Nicolle Muller, eu não saberia explicar essa dúvida que pairava agora. Ela estava fazendo de novo, me confundindo como sempre fazia, se fazia de boa para em seguida me agredir com palavras ou mesmo com seu cinto de couro. A cada minuto embora esteja muito diferente eu fico a comparando com o passado, na verdade o passado se fez presente e está rondando minha cabeça, querendo me deixar confuso, mas isso estava me irritando, acabaria com isso logo porque eu não queria mais vê-la.

— Eu não quero saber de mais nada, a única coisa que quero agora é que vá embora por onde veio e que não apareça nuca mais, você faria um enorme favor se morresse. — Jogo as palavras sem pensar, minha cabeça estava um caos.

— Raul, não fale assim, eu... Eu fui muito errada, te magoei muito, mas...

— Mas, nada! Suma, desapareça!

— Eu sou sua mãe! — Ela se exalta e eu a encaro por um tempo.

— Mãe? Você não merecia essa dádiva, mas se vê que nessa vida nada é justo, não é mesmo? — Retorno com ironia, ela me encara firme.

— Você tem razão, a vida não é justa e comigo não foi diferente, eu também fui vítima, eu...

— Vítima, você? — Não poderia crer no que ela me dizia. — Você está se escutando? Você fez vítimas e não é a vítima! — Digo em tom alto.

— Sim, eu sei, mas acredite a vida para mim não foi fácil..

— Já chega, eu não vou ficar ouvindo suas mentiras, eu não sei o que veio fazer aqui. — Digo e me viro para sair, quando ela segurou meu braço ligeiramente.

— Não vá, pois não sei se terei a chance de te ver de novo, por favor não vá. — Ela diz e vejo uma lágrima tímida cair de seus olhos.

— Você não acha que estou bem grandinho para você me manipular? Me solta! — Digo me soltando dela.

— Eu sei que não mereço seu perdão, sei que quem você queria que estivesse aqui era seu pai, sei de tudo isso, mas por favor me dê a oportunidade de te mostrar como as coisas foram, só me dê uma chance. — Fala soluçando as palavras, mas eu não acreditaria nessa cena.

— E por acaso você me deu uma chance, deu uma chance ao meu pai? NÃO! Você sequer pensou em nós, fez o que fez da pior maneira, me machucou, machucou e matou meu pai, você matou meu pai, acha mesmo que te perdoarei por isso, acha!? — Me exalto, sentia que explodiria senão saísse da presença daquela mulher.

— Eu não o matei. — Fala com dificuldade e abaixa a cabeça. — Eu sinto muito por ele ter feito o que fez, mas eu não o fiz, se eu pudesse voltar no tempo eu... Eu faria tudo diferente, juro que..

— Você é seca, não tem amor e nem compaixão e graças a você eu quase me torno uma pessoa assim também como você, mas ainda bem que Deus me deu a Gilda para me livrar desse abismo em que você havia me jogado, graças a ela, eu não me igualo a você. — Digo mais calmo e paro um pouco ao perceber que ela continuava em silêncio. — Seja lá o que você veio fazer aqui, só retorne por onde veio, pois não darei chances a você de me fazer sofrer outra vez, vá para longe, nós não pertencemos ao mesmo espaço, ou você sai ou eu irei, pois o que eu não quero é ter que cruzar com você em cada esquina, então suma para sempre. — Digo e dou um passo para me aproximar da porta, até que ela se pronuncia.

— Eu amo você. — Ouço dizer pelas minhas costas, então paro o passo, porém não me viro.

— E eu odeio você. Adeus. — Digo e saio por aquela porta.

Ao sair daquela porta soltei o ar, era como se eu estivesse com ele preso lá dentro evitando que ela percebesse meu nervosismo. Foi muito ruim ter que encontrá-la outra vez, mas ao menos pude fazer com ela visse o que ela significava para mim, que era um tanto quanto quase nada, e isso pra mim foi bom, pois ela soube de meu desprezo por ela.

Sai dali às pressas o mais rápido que pude, e ao avistar a Gilda nem dei tempo de ela explicar, apenas a peguei pelo o braço e a sai levando para meu carro sem pronunciar, uma palavra sequer...

POV NICOLLE MULLER ON...

Ele estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe, meu coração só ficou menor com todas as palavras duras ditas por ele, mas eu não o julgo, ele estava na sua razão, pois realmente errei muito com meu filho e se eu quisesse conquistar o seu perdão ao menos que seja, terei de lutar muito. Mas, para meu filho eu lutaria, seguiria me tratando até o último suspiro, pois acredito que ainda tenho um tempo de conquistá-lo, não será nada fácil, mas por ele eu estava disposta.

Havia poucas horas que Raul havia saído, ainda me sentia péssima com o que aconteceu entre nós, tentei suavizar, mas tudo piorou, Raul me odiava muito mais que antes e isso me entristecia.

— Senhora, os convidados lhe esperam para a despedida da noite. — David entra, enxuguei rapidamente algumas lágrimas.

— Oh, está chorando, o que houve entre vocês? — Pergunta-me David se abaixando para perto de mim ao lado da poltrona.

— O que já esperávamos; Ódio. Meu filho continua me odiando e agora muito mais que antes. — Digo suspirando fundo.

— Não contou para ele?

— Não tive a chance, ele não me deixou. — Digo triste.

— Eu sinto muito que não tenha saído como pretendia. Talvez Gilda tinha razão, devíamos ter esperado ela prepará-lo um pouco mais. — Diz David penoso.

— Realmente, mas você sabe o porquê não poderia adiar mais isso, talvez eu não dure tanto. — Digo entristecida com meu fim.

— Não fale isso senhora, iremos voltar para Paris e lá conseguirá novos tratamentos, você vai ver ainda vai sair adiante e conseguirá o perdão de seu filho. — David tenta me tranquilizar.

— Agradeço sua positividade David, mas sejamos realistas, nós dois sabemos que minha doença tem avançado muito esse mês e o médico já me alertou que não teria muito tempo. — Falo convencida de minha doença.

— Sabemos, mas não custa nada ter fé e acreditar que tudo pode melhorar.

— Sim, eu tenho fé, mas se Deus quisesse me levar ainda hoje, eu iria feliz, pois falei com meu filho, o vi bem perto, e isso pra mim já foi o bastante. — Digo pensativa, e David ainda tenta me animar.

— Ok, não vamos falar disso mais, a senhora ainda vai viver muito tempo e ao lado de seu filho. Agora, vamos lá para fora encerrar essa festa.

David seguiu comigo para fora indo em direção ao salão para que eu me despedisse dos convidados. E assim fiz, agradeci a todos pela presença, mas sempre tentando encontrar Raul, mas ele não estava mais lá. Em seguida, retornei para casa, buscando descansar dessa noite agitada...

POV NICOLLE MULLER OFF...

Dirigi o caminho todo em silêncio, de vez em quando percebia que Gilda me olhava aflita de canto, eu não queria que ela ficasse assim, me sentia péssimo fazendo-a se sentir assim, mas eu estava transtornado não conseguia evitar ficar com cara emburrada.

Chegamos ao meu apartamento e da mesma forma em silêncio entrei, sentia que Gilda estava inquieta.

— Você... Você está bem? — Finalmente pergunta quando me dirijo para a cozinha e me sirvo com um copo d’água.

— Depois de hoje não sei se vou ficar bem. — Jogo as palavras.

— Vocês brigaram? — Pergunta com algum receio.

Retorno para a sala me jogando no sofá.

— Eu nunca vou me entender com ela. — Olho para ela que se senta ao meu lado. — Você acha mesmo que eu me entenderia com ela? — Pergunto e a Gilda tem uma reação estranha.

Ela se levanta ligeiramente do sofá, e fica andando de um lado para o outro, nervosa.

— O que foi? — Pergunto notando sua aflição.

— Vocês falaram do que tanto? — Me devolve a pergunta.

— Não foi uma conversa fácil, não tinha como ser, eu odeio aquela mulher. — Digo trazendo minha irritação. Ela es então se senta ao meu lado outra vez.

— E.. ela não chegou a mencionar nada mais? — Se apressa em dizer.

— Não, só... — Deixo de falar quando começo a refletir no interesse de Gilda. — Como assim? O que ela iria mencionar? — Pergunto curioso.

— Ah... É... — Ela gagueja e eu fico mais curioso ainda. Por que ela está agindo assim? — Ah, não sei, tipo qualquer coisa, quem sabe o porquê agia de forma bruta com você por exemplo.

— Hum, não disse nada. E também não quis saber de nada, sei que iria inventar alguma desculpa, porque ela é manipuladora. Eu só sei que não quero nem ver mais essa mulher na minha frente. — Digo colérico me levantando do sofá.

— Raul, mas e se ela realmente tivesse algo pra contar? Em muitas vezes as pessoas agem de uma maneira por que sofreram algo no passado. — Ela diz atrás de mim e eu paro o passo, a encarando.

— É isso mesmo que eu estou entendendo? Você está justificando aquela mulher? — Pergunto sentindo raiva mesmo.

— N-não é isso... Apenas...

— Eu quero estar sozinho, vá para casa. — Digo indo em direção ao meu quarto.

— Raul, me desculpa, eu..

— Por favor, quero estar sozinho. — Repito.

Naquele momento, eu estava cego e com raiva não conseguiria ser uma boa companhia para ela, eu só queria estar sozinho, não queria ter que contaminá-la com minha raiva ela não merecia. Não me despedi dela e apenas entrei no quarto e tranquei a porta, desejando que ela fosse para casa, pois seria o melhor para ela. Me joguei na cama e fiquei um bom tempo refletindo, talvez eu tenha sido um bruto e egoísta com ela que esteve ao meu lado sempre, mas talvez fosse melhor assim para que ela não se sentindo mal por eu estar agindo assim, não queria que minha Gilda fosse afetada. Mas, pensado bem, fui muito rude com ela acredito que deve ter ido embora fumaçando de raiva, pois Gilda é sensível e frágil e com certeza a magoei por ser brusco. No dia seguinte falaria com ela e pediria desculpas.

Adormeci que nem me dei conta, ainda estava com a mesma roupa da noite, então segui para o banheiro para fazer minha higiene matinal, pois bem que precisava de um bom banho.

Após algum tempo, destranquei o quarto e já saia do quarto quando me deparei com uma cena que me magoou e eu quis me matar no mesmo instante. Gilda estava adormecida no chão, no canto da porta, acredito que esperou a noite toda para que eu abrisse a porta, eu me sentia extremamente culpado.

— Gilda, meu amor, acorda. — Digo tentando a despertar.

— Hummm.. Quê? Hã? — Acordava aos poucos confusa.

— Meu amor, por que dormiu aí? — Pergunto a levantando.

— Ah, eu... Eu apenas adormeci, não pude evitar. Me senti culpada pelo meu comentário de ontem, queria falar com você, mas não queria te incomodar. — Diz ainda sonolenta.

— Oh meu amor, me perdoe, me perdoe mesmo por ontem, eu...

— Hey, eu sei, não precisa se explicar, sei que fui abusada, e... — Não dou tempo de ela terminar a frase e preencho os lábios dela.

— Te amo! — Digo após me desprender de seus lábios saborosos.

— Eu também te amo muito. — Confessa.

— Quer saber? Não irei deixar que com essa mulher desgrace a minha vida outra vez, eu tenho você e com você e sou mais forte e confiante, por você eu vou esquecê-la para sempre sem deixar mais que ela atinja meus sentimentos. — Digo e em seguida dou um abraço nela que retribui.

— Pode contar comigo. — Selamos nossos lábios outras vez, Com ela eu realmente estava em paz.

POV RAUL OFF...

Notas finais
Aguardem o próximo capítulo!!!!