Um Bonito Amor
32 Pensamentos conturbados
Notas iniciais
Os dias iam se passando e eu estava muito assustada do que poderia acontecer nessa festa, pois de verdade ainda não acredito que seja a hora de que a senhora Nicolle se revele para Raul. Isso estava me tirando toda a concentração em tudo que fazia e Raul por ser muito observador não deixou passar.
—Meu amor, qual você prefere? — Disse ele com o controle no ar esperando que eu escolhesse o gênero do filme.
—Ah, é.... Não sei, porque não escolhe você? — Pergunto confusa, indo em direção à sua cozinha.
Havia ido até a casa de Raul para assistirmos a um filme, uma vez que nossas vidas estavam corridas e quase não nos víamos.
—Gilda, o que é que está acontecendo? — Pergunta-me diretamente ao me acompanhar até a cozinha.
—Nada, acho que é só o cansaço. — Tento disfarçar e bebo um gole demorado d’àgua.
—Verdade? Você não me parece bem, está distraída. Há alguma coisa te incomodando.
“sua mãe”, pensei.
Não poderia dizer-lhes nada nesse momento, e mesmo assim eu não teria coragem em dizer.
—Não, não é nada. — Digo, e me aproximo dele o dando um beijo. — Não se preocupe, é como eu disse, apenas cansaço. — Digo, tentando convencê-lo.
—Já que é só cansaço, aceitaria uma massagem? — Pergunta gentilmente.
—Sim! — Respondo disfarçando uma animação.
Então voltamos para a sala, sentei no sofá e me virei de costas para ele, logo ele pôs suas mãos grandes sob meu ombro e iniciou uma bela e relaxante massagem. Raul, conseguiu tirar realmente o estresse da faculdade e do estágio, mas a preocupação continuava, me esforcei ao máximo para não ficar com isso na cabeça ou enlouqueceria.
Raul continuou amavelmente com a massagem e eu realmente estava relaxando, não sabia que ele era tão bom nisso também.
—E então, se sente melhor? — Pergunta me virando de frente para ele.
—Melhor? Estou muito melhor depois dessa massagem, não sabia que o senhor tinha mãos mágicas. — Digo me jogando em cima dele que deita no sofá.
—Ah, essas mãos fazem tantas mágicas que você nem imagina. — Diz ele todo libidinoso.
—Hum, só que essas mágicas vão ficar para que eu possa descobrí-las depois, — Digo tirando suas mãos que já passeavam pelas minhas pernas. – Porque agora, iremos assistir o nosso filme. — Falo me sentando no sofá, clicando em algumas teclas do controle.
—Ah, que pena. Mas, só em estar em sua companhia já vale a pena. — Me disse selando minha bochecha.
—Este, vamos assistir este! — Digo-o ao encontrar o filme certo.
Ele concordou e ficamos agarradinhos para assistir ao filme, um momento realmente mágico. Às vezes fico pensando senão deveria aproveitá-lo mais, é que a mãe dele está tão perto de se revelar para ele que, mesmo ela me garantindo que não irá dizer que eu tenho algo haver, me sinto insegura, algo me diz que posso acabar o perdendo. E, ao pensar nisso, acaba saindo uma lágrima de meu rosto, Raul percebeu, mas usei o filme como desculpa por ser um gênero de drama.
A mãe de Raul está muito doente e, claro, entendo o lado dela em querer urgente falar com o filho, apesar de eu ter certeza que ele irá rejeitá-la, mas pelo menos ela irá cumprir seu último desejo...
No dia seguinte, mãe Cecília disse que queria falar comigo sobre a senhora Nicolle, fico um pouco surpresa de quem a havia contado, mas Raquel me explicou de o porquê o fez, e a entendo por estar preocupada comigo, então relevei.
—Oi, mãe, a sua benção. — Cumprimento-a ao vê-la.
—Oi, filha, Deus te abençoe. Sente-se. — Pediu e eu o fiz.
—Você não parece bem, o que está acontecendo? — Pergunta-me carinhosamente.
Embora eu quisesse mentir, percebi que não adiantaria sendo que ela já sabia toda a história, então só a abracei e chorei, eu precisava muito daquele colo.
—Oh, meu amor, me diga o que quer que eu faça, que eu farei. — Disse alisando meus cabelos no intuito de me consolar.
—Eu queria muito que você pudesse fazer alguma coisa, mas não depende de nós. — Digo enxugando as lágrimas do rosto.
—Eu falei com aquela senhora, e ela me prometeu que você não seria afetada. — Confessa, me ergo ligeiramente de seu colo.
—Você o quê?
—Raquel me contou tudo e então não me segurei e tive de falar com essa mulher, de mãe para mãe. — Disse.
—Você não precisava fazer isso mãe, mas obrigada, entendo sua preocupação. — Digo penalizada.
—Tivemos uma conversa e ela me garantiu que não prejudicaria seu relacionamento, e para conferir estarei também nesse evento com ou sem convite. — Falou cheia de si.
—Eu sei que a senhora Nicolle não seria capaz de me magoar, mas eu tenho medo mãe, medo de perder o Raul, porque tenho certeza que se ele descobre que estou envolvida com a mãe que ele sempre odiou, de toda certeza me odiará também, eu sinto. — Digo já com as lágrimas se fazendo presente outra vez.
—Não meu anjo, não chore. Olha, nada disso vai acontecer, a mãe dele irá se revelar para ele sim, mas ele nem sonhará que você tentou ajudá-la, então não se preocupe. — Disse com toda a tranquilidade, e eu senti uma calmaria após ela dizer isso.
Busquei confiar nas palavras que minha mãe dizia, e de todo modo ela estava certa, Raul não teria como descobrir que eu estava envolvida, a não ser que alguém que sabe o contasse, mas todos que sabem são minhas pessoas de confiança, Lilian, Ronaldo, Raquel e agora mamãe, e eles não me trairiam. Então, tentei afastar os pensamentos ruins, não queria mais me martirizar por isso. Tentaria confiar de que tudo sairia bem.
—Você tem razão, não irei me preocupar com isso. — Digo tentando realmente me convencer disso.
—Isso, não se preocupe. Você e Raul sempre serão muito felizes. — Ela disse e me abraçou.
As palavras de mãe Cecília sempre me traziam uma calmaria, era exatamente como mãe Assunção que sempre tinha os melhores conselhos para me dar e tudo na hora certa. Após algum tempo, retornei ao meu apartamento, e voltei outra a ficar pensativa, mas estava mais calma, pois depois de conversar com minha mãe senti mais confiança e mais preparada, tinha certeza que Raul não saberia de meu relacionamento com sua mãe e, continuaríamos bem como agora, então não teria porquê eu ficar revirando minha mente com isso, resolvi não pensar sobre isso.
Estava lanchando algo, quando a campainha de meu apartamento soou. Ao abrir porta, lá estava o homem mais lindo que eu poderia ver em toda a minha vida, Raul de La Penha.
—Raul? Não me avisou que vinha. — Digo surpresa. Ele entra e sela meus lábios.
—Ah, então para ver minha namorada, tenho que avisar. -Diz se apossando de meu sofá.
—Claro que não seu bobo, apenas fiquei surpresa porque não me avisou. — Digo sentando-me ao seu lado. — Aconteceu alguma coisa?
—Nada, apenas fui atender a um cliente por essa região, e como estava perto de seu apartamento resolvi vim vê-la. — Responde sincero.
—Entendi. Pois, que bom que veio, já estava morrendo de saudades dessa cara linda. — Digo manhosa e lhe dou um beijo demorado.
—Eu sempre estou com muitas saudades de você. — Ele sela nossos lábios outra vez. — Que tal, a gente matar essa saudade lá no seu quarto?
—Infelizmente não podemos. — Digo me levantando ele faz o mesmo com o rosto franzido.
—Não? E o que nos impede?
—Oras, tenho dois relatórios para iniciar, então começarei esta noite. — Explico, mas morrendo de vontade de estar juntinha com ele a noite toda.
—Ah, claro, mas quando a senhora estiver disponível irei cobrar com juros e correção monetária. — Fala me puxando pela cintura.
—Pagarei com todo prazer. — Disse e minha voz saiu um pouco sexy.
—Hum, minha Gilda conhecendo os prazeres da vida e se agradando deles. — Ele disse risonho e eu fiquei ruborizada, meu rosto esquentava.
—Eu... não, é que... — Havia ficado super tímida, porque eu não falava assim. Ele deu uma risadinha gostosa.
—Hey, calma minha linda, não fica assim, olha que esse seu jeitinho me deixa mais excitado. — Disse sem escrúpulos e me apertou firme contra si.
—Você está me deixando sem jeito. — Digo envergonhada, me virando de costas pra ele.
—Boba, é que você é linda. — Diz me agarrando por trás.
—Não quero que pense que sou uma safada, ou uma viciada em sexo. — Disse, e ele deu uma gargalhada que me arrepiou com bafo quente de sua boca em minha orelha.
—Eu não disse e nem sequer pensei nisso. — E então ele me vira de frente para ele. — Você é diferente de todas, você uma princesa delicada que merece ser amada todos dias, que merece ter muito carinho, você é aquela garotinha que tinha um amor platônico por mim, mas que acabou sendo correspondida e não pense que você foi quem saiu ganhando nisso, pois quem se deu muito bem por ter o seu amor, este foi eu. Sou o cara mais sortudo por você ter me escolhido para amar.
Eu não esperava uma declaração dessas de Raul, ele realmente não cansava de me surpreender.
—Ah, Raul, eu não sei o que dizer, eu...
—Então não diga, apenas me beije. — E assim o fiz, nos beijamos como se não houvesse um amanhã...
Havíamos esquecido a hora e tive um sobressalto ao lembrar dos relatórios.
—Os relatórios! — Digo me afastando dele.
—Nossa, desculpa, estava tão bom que nem me dei conta da hora. -Dize ele.
—Nem eu, desculpa por não poder ficarmos mais tempo juntos, mas quando tudo isso passar, iremos ficar colados. -Brinco e ele rir com meu comentário, em seguida me dando mais um beijo.
—Linda. Bom, já vou indo, não quero que se atrase mais. — Disse se levantando. — Ah, lembrei de algo, você está disponível amanhã à noite?
—Acho sim, porque?
—Tenho um evento de gala amanhã as 20:00. Gostaria de ser minha dama? — Disse todo galante e eu lhe esbocei um leve sorriso.
—Sim. Sobre o que é o evento? — Pergunto curiosa.
—Ah, senão me engano no convite falava de uma inauguração de uma agência de modelos... — Gilda, o que houve?
Eu havia caído perplexa no sofá.
—Hã... eu...é..
—Gilda, meu amor, o que houve, você não parece bem. — Diz ele ´preocupado se posicionando ao meu lado no sofá.
Minha cabeça estava rodando, Raul falava comigo, mas eu só entendia sua última frase “ agência de modelos”, certeza que era a da Nicolle Muller. Tentei me acalmar e disfarçar, uma vez que Raul parecia bastante preocupado.
—Ah, é... Me desculpe amor, é que... eu tive uma queda pressão, não se preocupe. — Disfarço.
—Não me preocupar? Gilda, você caiu na minha frente, como quer que eu não me preocupe? Agora é que não te deixo sozinha mesmo. -Disse ele firme.
—Isso não foi nada, eu só não me alimentei corretamente hoje, então minha pressa caiu, mas já estou melhor, por favor não se preocupe, eu realmente estou bem. — Disfarço outra vez.
Ele se levantou nervoso e ficou me encarando fixamente sem nenhuma expressão, e como se eu já estivesse bem louca com toda essa situação, imaginei que seria da mesma forma que me olharia quando descobrisse meu relacionamento com sua mãe. Estava ficando assustada e desconfortável com aquele olhar, era como se me julgasse ou me condenasse por estar mentindo para ele.
—Pára! — Praticamente grito e desvio o olhar dele.
—Parar com o quê? — Ele pergunta e se aproxima de mim, vejo que seu olhar mudou e agora me olha com compaixão.
Não consigo dizer nada, apenas o abracei forte, tentando me acalmar e afastar os pensamentos ruins.
—Desculpa, você deve está me achando uma louca. — Digo penalizada, após sair de seu abraço.
—Não, meu amor. Só estou preocupado com você. — Disse carinhoso.
—Desculpa, não queria te deixar assim.
—Não peça desculpas isso, eu sempre irei me preocupar com você. Vamos a um hospital? — Sugere, e eu rapidamente tento me recompor.
—Não, realmente não é necessário, irei comer algo e tudo vai está, eu sempre tenho quando não me alimento bem. — Minto.
—Você promete que vai ficar bem? — Tenta confirmar.
—Sim, é coisa de momento, já me sinto bem, você pode ir tranquilo.
—Ok, mas, qualquer, não hesite me chamar. — Disse enfático.
—Tudo bem. — Dou-lhe um beijo e abro a porta para ele.
—Ah, e você poderá ir mesmo comigo amanhã para esse evento, porque senão se sentir não tem problema, não iremos.
Eu poderia dizer que não iria, mas Raul não iria também, e ele, especialmente teria de ir, porque afinal esse evento foi criado para ele, então não me recusaria, iria enfrentar essa situação, tudo estaria bem.
—Está tudo bem, eu irei com você. — Ele sorrir, e me dar um selinho antes de ir embora.
Fechei a porta e deixei-me escorregar sobre ela, eu não saberia o que fazer, tive um ataque na frente de Raul e o deixei preocupado. Não queria ficar pensando nisso, afinal, o leite já havia derramado, não adiantaria chorar sobre ele, o que eu teria de fazer era manter a pose e levar isso até o fim.
Segui para meu quarto e me preparei para começar os relatórios, embora minha cabeça estivesse bem confusa, sem conseguir digitar nenhuma palavra apenas tendo relances de toda essa situação desgastante para mim.
Estava prestes a desistir do relatório, sendo que eu não estava rendendo, quando o meu celular sinaliza uma mensagem.
[Mensagem de Sra° Muller]
“Boa noite querida!
Já entreguei os convites, e claro, você é minha convidada especial.
Te vejo amanhã no evento e, não se preocupe, você não será afetada. Bjs!”
Após ler essa mensagem, desisto de vez dos relatórios e me jogo na cama, me vencendo do esgotamento que me trouxe toda essa situação. Não quis pensar em mais nada, só queria dormir e acordar amanhã com tudo resolvido, embora tenha sido muito difícil pregar o olho, acabei adormecendo e finalmente pude desligar os maus pensamentos.
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