Um Bonito Amor

18 Pensamentos confusos :O


Notas iniciais
Hello! Vindo aqui rapidinho postar esse cap. Vamos ler.

Estava tão ansioso em viajar à minha chácara com Gilda, que não demorou muito já estava na porta de seu prédio a esperando. Mandei-a uma mensagem avisando que já estava lá embaixo, e então a vejo descer.

— Bom dia! — Cumprimento-a, pegando sua maleta a pondo no banco de trás enquanto a mesma senta-se no banco ao meu lado, colocando o cinto de segurança.

— Bom dia! Eu não sabia quanto tempo íamos ficar em sua chácara, então eu trouxe o necessário, espero que não se importe.

— Alguns dias, deixaremos por conta. Quando quiser voltar você me diz. — Digo-a sem tirar minha atenção do trânsito.

— Tudo bem.

Rapidamente a olhei de soslaio, ela estava entrentida olhando pela janela e quando se remexeu no banco eu disfarcei.

Entramos em silêncio, eu não teria assunto e creio que ela também não e assim ficamos por um bom tempo...

O sol já se escondia entre as nuvens, e com mais alguns minutos já adentrava pelos os portões da Chácara. Parei com o carro em frente e olhei para Gilda, ela estava tão linda. Seu rosto angelical dormindo serenamente, me fez esboçar um pequeno sorriso, alguns fios de cabelos desciam por sua bochecha corada e então retiro para vê-la melhor, sua boca carnuda levemente rosada me deu uma imensa vontade de beijá-la, e eu ia fazê-lo.

— Hum, já... Já chegamos? — Pergunta espreguiçando-se. Ela se ajeita tímida ao ver que eu estava bem próximo dela. Disfarçadamente me endireito.

— S-sim, é... Eu ia acordá-la. — Sorri sem jeito e ela também.

Logo, buzinei para que Luís, o caseiro viesse nos receber. Saímos do veículo e, Luís já se encaminhava em nossa direção.

— Seja bem vindo Patraozinho. Como foi a viagem? A estrada estava boa? — Perguntou-me abrindo os braços para um abraço, retribui.

— Sim, Luís. Está tudo certo por aqui? — Questiono, olhando ao meu redor.

— Sim, patraozinho, tudo do jeito que seu pai deixou. — Ele disse. — Que linda é sua namorada patraozinho! Prazer, sou o Luís, caseiro da Chácara. -Se apresentou e vi Gilda corar.

— Ela não é minha namorada Luis, é uma amiga. — O expliquei ao perceber o desconforto de Gilda.

— Ah, me perdoe. — Pediu curvando-se.

— Está tudo bem. Eu sou Gilda Barreto, o prazer é todo meu. — Disse ela apertando a mão de Luis educadamente.

— Seja bem vinda, e estarei a sua disposição no que precisar, assim como o patraozinho. — Luis sempre foi muito receptivo, o que me deixou bastante tranquilo pois queria que Gilda se sentisse à vontade.

— Bom, Joana está?

— Sim, sim, vamos entrando, ela está terminando o jantar. Vamos entrar. — Ele nos dirigiu para dentro todo amigável, havia me esquecido de como eu me sentia bem ali.

Pegamos as maletas e nos dirigimos para dentro, Joana saía da cozinha e vinha em nossa direção abrindo um grande sorriso. Ela era uma velha de pele morena, corpo magro e cabelos muito longos, lisos e grisalhos, ela tinha uns olhos como duas amêndoas grandes e brilhantes. Por muito tempo ela trabalhou conosco desde que eu nascera, fora funcionária de confiança de meu pai tanto que era nossa governanta, mas se dedicava muito mais a ser minha babá. Quando meu pai comprou a Chácara queria duas pessoas de confiança aqui, e trouxe Joana e Luís que antes era nosso jardineiro e amigo de papai. Senti falta dela porque cuidava de mim quando minha genitora nem sequer se importava, mas não hesitou em vir para a Chácara e eu a entendi pois ela tinha muita raiva da minha mãe. Mas então nas férias, eu vinha também para vê-la...

— Que homem lindo você se tornou! — Disse com a voz carregada de emoção, fazia muito tempo em que não nos víamos.

— Oh Joana! — E então lhe dei outro abraço caloroso.

— Sua namorada também é muito linda. — Ela diz encantada com Gilda. Eu devia me lembrar em apresentar Gilda primeiramente.

— Eu sou..... Somos apenas amigos. — Gilda se explicou envergonhada.

— É, me desculpe minha grosseria. Gilda, esta é Joana ela fora governanta na época de meu pai e veio para cá a pedido dele para cuidar da Chácara. Ela também é uma mãezona. — Explico brevemente, abraçando os ombros frágeis de Joana que rir encantada. — Joana, essa é Gilda trabalha para mim no escritório e é minha amiga também.

Elas apertam a mão uma para outra com semblante amigável. Me parece que elas se dariam bem.

— Prazer!

— O prazer é meu linda. Estão com fome? — Pergunta nos olhando animada.

— Estamos. — Respondo por mim e Gilda e ela apenas assente.

— Ótimo, já vou servir. Fiz aquele prato que você adora.

— Vamos nos trocar e já descemos para nos deliciar com sua comida que é dos deuses. — Digo, dando um beijo na mão de Joana que acaricia meus cabelos. Ah, eu estava com saudades.

Peguei Gilda pelo pulso e subi com ela as escadas. Ela estava bastante silenciosa, estava curioso em saber o que estava achando de está ali.

P. O. V// RAUL OFF.

Era um lugar muito bonito, andávamos em uma grama verdinha e bem cuidada, a casa estilo amadeirada e antiga porém, muito linda e zelada.

Joana e Luís parecem ser boas pessoas e que Raul tem muito carinho por eles, principalmente pela senhora que ele disse ter cuidado dele. Ele me puxou para o andar de cima e paramos no corredor.

— Há dois quartos aqui em cima, lá embaixo fica é o de Joana e Luís. Os daqui é o meu e do meu pai. Em qual você quer ficar? — Me perguntou com seus olhos negros fixados em mim.

— Só há esses dois mesmo?

— Aqui em cima, sim.

— Será que Joana deixaria eu dormir no quarto dela com ela. — Ele levantou as duas sombracelhas, indicando surpresa. Eu não estaria confortável dormindo em um dos quartos principais daquela casa.

— Gilda, você é minha convidada. Veja. — E então ele saiu me puxando abrindo uma porta. — Este é o meu quarto.

Adentrei o ambiente e era um tanto infantil, havia uma grande cama com um colcha azul de desenhos de carros, umas prateleiras com alguns brinquedos, e um guarda-roupas de madeira vazio.

— Tem um banheiro ali. — Me indicou. — Agora venha. — E outra vez me puxou pela mão, entrando em outra porta um pouco afastada de seu quarto. — Aqui é o quarto de meu pai.

Eu vi o lugar bastante espaçoso, tudo amadeirado, e era como o outro só havia uma grande cama, um guarda-roupas, e banheiro .

— Eu durmo na sala. — Digo timidamente.

— Mas deixe de cerimônia mulher. Escolhe um quarto. — Pediu e ficou aguardando eu responder. Tive de escolher.

— Tudo bem, fico no seu.

— Ótimo, agora vá tomar um banho, daqui a pouco vamos descer para jantar. — Assinto apenas indo em direção ao quarto que escolhi.

Eu não estava confortável, queria que Raul percebesse e me deixasse dormir em qualquer outro lugar daquela casa. O quarto dele era muito particular, muito dele e talvez eu me sentisse espionada estando ali. Mas que paranóia!

Desde que eu me confessei para Raul, não sei o que ele pensa sobre isso. Já me disse que estava se apaixonando por mim e quem sabe mesmo seja verdade mas, confesso que ainda o amando, não consigo confiar sabendo como ele era antes; um grosso, mulherengo e superior. Confesso que ele ter me trazido pra cá me deixou feliz porque é sinal de que ele gosta de mim — Eu penso- mas, é bastante constrangedor não ter nada definido entre nós, porque eu nunca vou saber como agir. Primeiro me diz que está apaixonado e eu me entrego em beijos. Depois me beija, que me dá uma certeza de querer o amar ainda mais. E logo após diz que somos só amigos, desse modo eu realmente não sei como agir. Eu não tenho atitude o suficiente para chegar nele e pedir para namorar, do tipo "E então Raul, namora comigo? " ou então " façamos um teste, se conseguirmos passar mais de meses namorando, descobriremos o que somos um para o outro. Vamos, vai ser só um teste".

Ah, quem estou querendo enganar, talvez a mim mesma por sonhar demais e ficar nisso mesmo, na verdade eu queria que ele tivesse a atitude de me pedir em namoro, se é que ele quer isso comigo, mas ele já falou coisas que me fazem sentir especial, ele disse ter mudado por mim, então? O que ele está esperando? ....

—Gilda? Está pronta? — Ouço ele bater na porta e me assusto. Nem havia me dado conta de que já estava pronta.

— S-sim, estou. — Digo elevando minha voz para que ele possa escutar.

— Pode abrir pra mim? — Eu hesito, mas acabo cedendo, afinal é o quarto dele.

— Oi. — Digo, não entendo porque estou com vergonha, talvez porque ele me olha esquisito.

— É, você está... está fofa. — Sua voz sai serena. Fico bastante surpresa. Fofa?

Acabo por descobrir que estava realmente "fofa", pois gosto de me sentir confortável no que adorava vestir blusas de mangas longas felpudas, com bichinhos. Estava eu assim, não era exatamente uma blusa, era um vestido de mangas longas, meio que um blusão que ia até o meio de minhas coxas na cor cinza. Havia um desenho de um coelho. Usava tênis e cabelos soltos sem me importar em penteá-los.

— Parece infantil pra você? — Pergunto-o um pouco sem jeito. Ele me lança um sorriso e se aproxima de mim.

— Eu gosto do seu jeito, menina-mulher. Me agrada. — Confessa, e eu poderia jurar que meu coração falhou uma batida.

— Eu... Pensei que..

— Sh.. — Me interrompe com seu indicador sob meus lábios. — Não pense essas coisas. Você me chama atenção pelo o que você é, por ser esse seu jeito e você não querer mudar. Você é diferente de muitas, sua personalidade definida me agrada.

— Hã, obrigada. — Digo nervosa. Por quê ficar tão nervosa assim na frente dele, porquê?

Ele me esboça outro lindo sorriso, e segura minha mão.

— E aqui faz muito frio mesmo...- Prossegue ele- Espero que tenha trago mais blusas de mangas longas. — Diz me levando para fora do quarto.

— Creio que acertei então. Não acreditei que aqui teria shoppings, restaurante chiques para irmos, então trouxe roupas nesse estilo aqui. — Falo descontraída mostrando meu vestido. Sua boca desenha um sorriso por entre sua barba bem feita.

— É, você acertou. — Confirmou enquanto desciamos a escada.

— Você também parece confortável. — Digo,o olhando e sorrio.

—É verdade.

Ele estava usando um moleton felpudo, e uma calça jeans.

— Também gosto de me sentir confortável quando não estou trabalhando. — Me diz.

Descemos o último degrau, passamos pela sala e rapidamente estávamos na sala de refeição. Ao chegarmos lá ele soltou minha mão quando viu que Luis e Joana nos olhava. Eu me encolhi tímida, mas não por estarem olhando mas do modo como ele havia me soltado, pois parecia mesmo não querer ter nada comigo.

— Boa noite. Olha só você é mesmo muito bonita. — Disse Joana se referindo a mim. — Sente-se jovem. — O fiz me sentando ao lado de Raul que sentou no centro da mesa.

— Obrigada. — Digo com uma voz praticamente falha.

— Boa noite senhorita Gilda, Patraozinho. Vocês formariam um belo casal hein. — Disse o velho que ajudava Joana a pôr a mesa. Raul ficou inquieto, o que não passou despercebido por mim, e logo abaixei a cabeça.

— Pega mais arroz! — Falou Joana com os dentes quase trincados, talvez por perceber que eu e Raul ficamos desconfortáveis com o comentário do senhor.

— Joana, junte-se a nós. — Pediu Raul. Joana hesitou mas acabou cedendo. — Você também Luis. — Este também resistiu mas Raul praticamente ordenou e o mais velho acabou aceitando.

— E como vão as coisas no México filho, suas funcionárias cuidam bem de você? — Joana o perguntou o servindo.

— Sim. — Ele deu um leve riso que fez eu esboçar um sorriso também. — Joana, você sempre preocupada comigo. Mas, elas estão de férias, então recentemente eu ando fazendo minha comida.

— Oh, porque não me avisou? Eu teria ido ajudá-lo até que elas voltassem.

— Ah, não precisa Joana. Não queria incomodar você, você gosta daqui e, eu cozinho bem. — Ele disse levando a comida à sua boca.

— Oras, mas não custava nada, estou aqui para te ajudar, você sabe. — Ele apenas assentiu...

Acho que não dei mais que duas garfadas na comida. Estava sem fome, pois algo me incomodava. Percebi que Joana me olhava curiosa, mas eu não conseguia olhá-la, nem mesmo Raul quis encarar, já que era o motivo de meu incômodo.

Depois de algum tempo, havíamos terminado de comer, bem eu mais ou menos. Joana recolhia a louça, e eu me apressei em ajudá-la quando Raul quis fazer o mesmo ato de me pegar pela mão e sair me puxando por ai.

— Eu posso ajudar você a lavar a louça, Joana? — Ela me olhou surpresa e logo olhou para Raul.

— Não precisa linda, vá descansar, eu faço sozinha.

— Eu ajudo você.- Se ofereceu Luís e ela concordou.

— Isso Luís, vamos Gilda? — Raul me chama, mas eu não consigo olhá-lo. Porque estou fazendo isso?

— Por favor, deixa eu te ajudar. — Praticamente a implorei, e como se ela entendesse o desespero em meus olhos, assentiu timida.

— Gilda, você não precisa fazer isso, é minha convidada eu... Gostaria de falar com você. — Me disse e eu o olhei então rapidamente peguei as últimas louças que restavam e me dirigi para o lado de Joana.

— Você pode conversar com o Luís, até que eu termine. Sério, eu quero muito ajudar.

Estava um clima forçado, Raul me olhou sério talvez ele havia entendido que eu o estava evitando a partir de agora, e Luís nada falou apenas seguiu seu patrão que o chamou para jogarem Xadrez. E eu logo segui Joana até cozinha.

Enquanto eu lavava toda a louça, Joana as enxugava e as guardava por saber exatamente onde se colocava cada coisa. Estávamos sem falar nada, e eu sentia que Joana queria fazer mil e uma perguntas.

— Você quer conversar? — Começou ela.

Não sei se queria, afinal falaria de Raul a qual ela era bem próxima, mas ao mesmo tempo eu queria desabafar.

— Não se preocupe. — Tentei esboçar um falso sorriso.

— Porque o está evitando? — Bem no ponto.

— Hum? — Finjo não entender enquanto o prato que eu passava para ela quase caía ao chão.

— Você o evitou agora a pouco. Aliás, você estava estranha o jantar inteiro, parecia incomodada com algo. Está tudo bem? — Ela realmente é uma ótima observadora.

— Não é nada, estou bem. Apenas cansada.- Digo sem encará-la a entregando a última louça e pegando um pano enxugando minhas mãos.

— Está mentindo. Sei porque que quando se mente não se olha nos olhos do outro. — Então a encarei, me encostando na pia, ela se aproximou, tenho certeza que meu olhar agora é de tristeza. — Veja, você é tão bonita, jovem não tem porquê guardar para si um problema que lhe está corroendo por dentro.

— Não, eu estou bem, eu... — Ela então inclina a cabeça para o lado e apóia as mãos em sua cintura em uma posição de "chega de mentir ". Então respirei fundo e despejei. — É Raul, eu não sei o que fazer.

— Vem, sente-se aqui. — Disse puxando dois bancos altos que haviam ali, deixando a louça em um canto qualquer, fixando-se em mim. — Conte — me.

E então eu a relatei desde o início, do momento que eu o conheci e me apaixonei, até agora. Ela não parecia surpresa e nem nada, apenas me deixava tranquila ao falar.

— ... Eu só queria que ele definisse o que é isso que estamos vivendo, eu sonhei tanto em está tão perto dele e agora ele me confunde com esse chove e não molha. — Finalizo cabisbaixa. Sinto Joana pôr suas mãos sobre a minha.

— É difícil para uma jovem feito você de idade? ...

— 22!

— De 22 anos entender os sentimentos de um homem que por muito tempo se mostrou evasivo a amar alguém, mas filha acredite ele também está confuso.

Está?

— Eu queria muito entendê-lo, uma hora diz que precisa de mim, que está se apaixonando por mim, me beija e depois resulta que sou só uma amiga. Por acaso isso é o quê, algum tipo de amizade colorida? — Pergunto, e já bastante chateada. Joana rir.

— Não sei nem o que isso significa, mas se tratando de jovens deve ser algo ruim para quem quer algo sério não é? — Eu a olho terna e assinto. — Pois bem, o menino tem uma certa dificuldade em demonstrar sentimentos à mulheres, penso que ele já até demonstrou bastante para você, eu nunca vi ele chegar pra nós e apresentar alguém como "amiga",sempre era uma "conhecida","colega", "namorada de fachada ". Você está no lucro Gilda.

Eu paro pra pensar, e fico ainda mais curiosa sobre ele.

— E porque essa aversão, algum motivo em especial? — Ela então pareceu vagar, fixando em um ponto qualquer.

— Olha, isso já é muito particular dele, não me atrevo aqui a relatar cada detalhe do motivo que o faz ser assim. Mas, já que você é uma "amiga" dele, e eu considero isso muito íntimo, deve saber que ele fala muito do pai e praticamente quase nada, na verdade nada mesmo de sua mãe, não é?

— Sim, reparei que ele venera o pai, mas a mãe... Inclusive em uma primeira vez que saímos juntos eu comentei sobre a mãe dele, mas ele desconversou e parecia nervoso.- Dei uma pausa lembrando do dia em que passei mal e ele me levou ao hospital em seguida me levando para almoçar. — E uma outra vez foi recentemente, onde no apartamento dele não sequer tem uma foto da mãe dele e eu curiosamente quis perguntar e ele mudou muito de meigo para irritado, logo percebi que ele tinha um problema com sua mãe, mas eu não quis ir mais a frente nisso com medo de irritá-lo.

— Pois continue na sua sobre isso querida, quando ele se sentir confortável em falar ele falará, tenho certeza que você é a única mulher que ele confia.

— Talvez. Mas confia em você também, percebe-se que ele tem um enorme carinho por você. — Ela riu mostrando suas linhas de expressões.

—Entao somos as únicas privilegiadas. — Rir de seu comentário. -Eu cuidei dele desde que nasceu, ele era apegado a mim, já que a mãe... Bom, mas isso é um capítulo que ele mesmo irá te contar. Só peço que tenha paciência com ele, entenda, ele está lutando com ele mesmo para aprender a amar, você pode mostrá-lo o que é o amor, e então toda essa barreira acabará.

Eu agarrei as mãos de Joana e as beijei, ela era tão sábia, acho que me darei bem com ela.

Ela pediu para eu ter paciência — Mais ainda- mas, buscarei fazer desse modo, pelo menos eu sei que Raul tem motivos para agir assim, embora não justifique ele ser um mulherengo e as tratar como um objeto- Ja me sentia nessa lista, por isso me sentia inquieta -mas pelo menos ele está mudando ou tentando mudar e é bom saber que eu estou causando essas mudanças.

Só mais um pouquinho Gilda, tenha mais um pouquinho de paciência, só mais um pouco.

— Tentarei ser mais compreenssiva. — Digo me erguendo do banco e Joana faz o mesmo.

— Isso querida, não é a toa que Raul está se apaixonando por você, você realmente é uma garota única. — Ela piscou o olho para mim e eu lhe dei um sorriso amigável.

— Obrigada por conversar comigo, me sinto mais tranquila.

— Qualquer coisa, estarei aqui. — Ela diz acariciando meus cabelos.

— Bom, vou indo dormir, isso tudo me deu sono.

— Mas e Raul? Acredito que deve está esperando você para conversar.

— Bom, terei de despachá-lo por hoje, eu realmente estou cansada agora. — Digo sincera e piscando várias vezes os olhos.

— Realmente, seus olhos não negam. Vá, meu bem, durma tranquila. Nos vemos amanhã. Boa noite. — Eu então a abracei, logo em seguida passando pela sala....

— Estavam lavando toda a louça que havia nos armários? — Ele disse irônico, eu havia me assustado com ele sentado em um sofá de couro em vinho. Estava inclinado mexendo nas peças do jogo de xadrez sem nenhum interesse.

— Ah, é que esquecemos do tempo conversando. — Digo e ele me olha, levantando-se e vindo até mim.

— Vamos lá fora conversar. — E então ele segurou no meu braço, mas eu travei no lugar.

— Raul, me desculpe, mas estou cansada e... Eu gostaria de dormir. — Falo calmamente para ele tirando suas mãos de meu braços delicadamente.

— Ah, entendo. A viagem fora bastante cansativa. Amanhã te mostrarei os arredores da chácara. — Apenas concordei. — Então tenha uma boa noite.

— Boa noite. — Talvez ele tenha sentido que estava estranha com ele, pois o ouvi suspirar fundo.

Subi as escadas e adentrei o quarto, eu só queria deitar e dormir até o dia seguinte, mas ainda fiquei com os pensamento em um turbilhão que depois de um bom tempo, enfim, peguei no sono....

.....

P. O. V//RAUL ON.

Gilda estava diferente todo o jantar, quase nem sequer tocou a comida. Queria falar com ela a respeito mas, ela acabou por se oferecer em ajudar Joana com a louça, o que me deixou ainda mais desconfiado, algo a estava perturbando e eu queria saber.

Luís acompanhou-me até sala para jogarmos Xadrez, mas a verdade é que não estava nem um pouco afim. Estava longe, pensando no que fazer, Gilda estava rondando meus pensamentos..

—Senhor?

— Hum?

— É sua vez! — Diz Luís indicando- me para que movesse a peça, mas eu não estava com cabeça.

— Me desculpe Luis, mas não estou afim. — Digo encostando-me no sofá.

— Você gosta dela não é? — Ele me pega de supresa.

— O quê?

— Me desculpe falar assim patraozinho, mas você sabe que pode falar comigo qualquer coisa, eu o ouvirei.

— Não Luis, não há nada que eu queira falar.

— Tudo bem.. — Ele então guarda o jogo na caixa de madeira e se levanta. — Mas se quiser falar, estarei sempre disponível. — Me disse.

Ainda estava hesitante, não sabia se queria falar sobre isso com outro alguém, mas Luís é sábio e depois de meu pai sempre me deu os melhores conselhos.

— Luís. — O chamo, e ele se senta novamente. — Você... Você acha que sou capaz de amar?

— Oras meu jovem, todos nós temos essa capacidade, basta querermos.

— Sim, mas acho que eu... eu, eu não consigo. — Digo nervoso, me sentia um adolescente confuso de seus sentimentos.

— É claro que consegue...

— Tenho medo de machucá-la, e eu sei que não merece.

— Você a está machucando muito mais ocultando o que realmente sente..

— O quê? — Indago surpreso.

— Ela gosta de você, dar de ver o brilho no olhar daquela jovem quando olha você.

— Sei que gosta de mim, já havia me dito, mas, eu tenho medo de não correspondê-la corretamente e acabar a fazendo sofrer, porque em toda a minha vida eu não amei uma mulher sinceramente, sempre as usei para o meu prazer carnal e agora... Agora sinto algo pela Gilda o que não havia sentido por nenhuma outra.

Ele me ouvia atentamente e me deu um sorriso.

— Você a ama, ela é a que vai fazer você descobrir o amor, acredite. — Disse pousando sua mão na minha.

— Mas...

— Confesse para ela, jovem.

— Eu já a disse que estava me apaixonando por ela, eu..

— Não adianta dizer,tem que mostrar. Se você diz isso pra ela e age de outra maneira no mínimo a deixará confusa e decepcionada. — Ele diz e então percebo que talvez por isso Gilda estava estranha.

— Mas eu quero ter certeza de meus sentimentos por ela, pois como eu disse não a quero ver sofrer.

— Você já tem essa certeza, porque acha que a trouxe para cá? Apenas para conhecer sua chácara? Não, você a ama, só está com medo de assumir tem medo dela o fazer sofrer.. — Eu ia fazer menção de falar, mas ele ergueu o seu indicador no ar me fazendo parar. — Acredite, nem todas são iguais, é hora de se libertar dessa dor, filho. — Ele se levantou e me ajudou a levantar, me dando um abraço.

— Luís, obrigado. — Agradeço saindo de seu abraço.

— Não foi nada. Eu já vou me recolher, faça o mesmo. E, siga esse aqui. — Disse apontando para o meu coração. — Não esse aqui — Completou apontando para minha cabeça. Eu lhe esbocei um sorriso.

— Obrigado mesmo. Boa noite.

— Ah, — E então ele virou-se para mim novamente.- A leve para conhecer a chácara amanhã, faça um passeio a sós com ela e a observe. Verá que ela é a dona de seus sentimentos.

Luís então saiu dali, me deixando pensativo com a nossa conversa. Fora muito bom falar com ele, pelos menos agora entendo muitas coisas e acho que, deveria me entregar mais e a dar uma certeza do meu sentimento por ela.

Eu esperei muito tempo por ela naquela sala, queria falar com ela, precisava, mas ela estava demorando muito na cozinha com Joana, o que me deixou inquieto e irritado. A vi se aproximar e caminhar para as escadas, a chamei para conversar mas ela recusou alegando está cansada, eu procurei ser paciente e deixar passar aquela noite, quem sabe ela estivesse realmente cansada. Apenas suspirei fundo, e a informei que passearíamos pela chácara no dia seguinte como havia sugerido Luís, ela concordou e então a vi subir as escadas. Ela ainda estava diferente, mas bem melhor do que na hora do jantar, acho que ajudar Joana lhe fez bem, talvez precisasse se distrair.

Não demorou muito e o sono ja se fazia presente, apenas desliguei as luzes da sala e subi a escadaria pesadamente, olhei a porta de meu quarto onde estava Gilda, mas não tive coragem de abrir e logo havia fechaduras e supostamente ela havia trancado. Fui para o quarto de meu pai, sem muito pestanejar acabei entrando em sono profundo....

P. O. V//RAUL OFF

Notas finais
É isso. Até o próximo. Bjs LQM