Um Anjo no Inferno
4 Capitulo 4 - Ultima noite no acampamento
Notas iniciais
O resto do meu dia foi relativamente tranquilo, ajudei Dale a consertar o motor do trailer. Na verdade eu não fiz muito, apenas passava as ferramentas, mas mesmo assim eu me senti útil. Dale é um cara realmente legal, ele é um senhor idoso mas é bem batalhador e está determinado a viver. Isso é bem interessante, depois T-dog me substituiu porque ele entende mais de carros do que eu. Uma pena, eu estava me divertindo com as história do Dale.
Também ajudei Lori e Andrea a empacotar as coisas e deixar tudo o mais organizado possível, estávamos dividindo as coisas pelo numero de carros que temos, não são muitos, mas vai dar para a viagem.Fora o trailer temos mais 2 carros, 1 caminhonete e a moto do Daryl. Só que para a viagem eles acham mais seguro a moto ir na parte de trás da caminhonete. Não sei como serão as divisões mas espero ficar junto com o Daryl.
Já era o fim da tarde e eu não tinha nada para fazer, Daryl ainda não voltara e essa demora me deixava agoniada. Lori e a família organizavam as coisas, Jim ainda estava mal e a maioria das pessoas parecia mais ocupada em arrumar as malas porque partiríamos cedo. Eu não precisava me preocupar com isso porque bem, eu nem havia desfeito a minha essa seria minha segunda noite com este grupo.
– Cristal quer ficar conosco? – perguntou Sophia se aproximando.
Sorri para ela, achava a jovem loira extremamente fofa. Ela tinha um jeito doce, se eu tivesse uma irmã mais nova eu gostaria que fosse exatamente como ela. Sempre quis ter uma irmã caçula, mas eu só tinha um irmão mais velho. Não que ele fosse ruim, ele era incrível, mas não era uma garota.
Me sentei com Sophie e Carl em um canto mais afastado, mas que me permitia olhar para o lugar de onde Daryl sumiu. Conversamos sobre banalidades, estávamos nos conhecendo. Falamos de coisas que gostávamos, do que fazíamos antes dos zumbis aparecerem e dos nossos pais. Claro que por isso eu acabei conhecendo um pouco mais sobre os pais de Carl e os de Sophia. Fiquei com pena dela pelo pai ter morrido no ultimo ataque.
Os dois me encaravam esperando que eu falasse um pouco mais sobre mim, respirei fundo, a presença dos meus pais e da minha antiga vida ainda estava bem próxima. Eu não havia saído de casa, minha vida havia continuado o mais normal possível. Talvez seja por isso que eu tenho mais meus pais aqui comigo, ou talvez isso tenha garantido que eu ainda esteja viva. Não sei.
– Bem eu morava aqui em Atlanta mas estudava em um colégio interno em NY desde os 11 anos por escolha minha – falei tentando soar calma – acho que foi sorte o meu colégio ter o período de férias diferente dos outros. New York foi uma das primeiras cidades atacadas, se eu não tivesse vindo passar as férias com os meus pais eu estaria morta... Ou não teria encontrado vocês...
– Mas porque você quis ir para New York e ficar longe dos seus pais? – perguntou Sophia curiosa.
– Bem o meu sonho era ser uma dançaria e o melhor colégio para isso era a Monroe League – falei com um pequeno sorriso ao me lembrar do meu antigo colégio – lá eu tinha aulas normais durante amanhã e aulas especializadas em dança a tarde. Por isso que minhas férias são no outono, elas são no momento de menor pico da Broadway e dos grandes musicais.
Notei que as duas crianças me olhavam admiradas e eu me senti envergonhada. Não devia estar falando disso, não importa mais, a verdade é que a dança foi sempre a minha vida. Quando tinha 5 anos eu implorei para a minha mãe me por em uma academia de balé. Fiz greve de fome, chorei e fiquei completamente muda por um mês até meus pais verem que aquilo era importante para mim. Sei que agi de uma forma meio mimada, mas aquilo era algo realmente importante para mim. Eu ia a todas as aulas de balé e me esforçava muito, e então a paixão pelas outras danças foi surgindo. Aos 10 anos eu lotei todos os meus horários com os mais variados tipo de dança e levava meus pais a loucura com tantas apresentações e ensaios. E então no final dos meus 10 anos eu fiz o teste para a Monroe League e passei, lembro que foi o dia mais feliz da minha vida.
– O que você sabe dançar? – perguntou Carl animado.
A Monroe League oferecia diversos cursos de dança, claro que o balé, o jazz, o sapateado irlandês e o contemporâneo eram obrigatórios no primeiro ano. Mas conformes os anos iam passando as aulas obrigatórias aumentavam gradativamente. Antes das férias eu fazia um total de 33 danças diferentes, entre elas as que eu mais gostava eram: polidance, balé, sapateado irlandês e americano, jazz, contemporâneo, dança do ventre, lap dance, dança de rua, forró, salsa, tango e eu estava particularmente ansiosa para a volta as aulas para poder começar as aulas de hip hop, samba e salsa. Comecei a listar algumas das danças, as que eu acredito que eles conheçam porque são mais famosas. Não falei todas, não quero eles me achem louca. A dança foi por muito tempo a minha vida, eu adorava ela e ainda adoro, acho que é uma das coisas das quais eu sinto mais falta.
– Dança pra gente ver! – falou Carl animado.
– Mas não tem musica e eu não estou com uma roupa apropriada – falei querendo fugir daquela situação.
Quer dizer seria bem constrangedor todos me olhando e eu nem saberia o que dançar direito. Quer dizer ia ser estranho e constrangedor dançar aqui na frente de todos eles, porque se eu começar a dançar do nada as chances de todos pararem para olhar são bem grandes.
Fiz que não com a cabeça completamente vermelha e para a minha sorte naquele instante Daryl chegou com alguns coelhos presos em uma corda nas suas costas. Tentei não pensar em coelhos fofos e fui correndo até onde ele estava – claro que antes eu me despedi do Carl e da Sophia – fui a primeira a cumprimentá-lo e tudo bem que eu fui a única que foi correndo até ele, mas para mim isso era importante.
Sorri para ele que apenas assentiu levemente com a cabeça para mim. Fui andando do seu lado em silencio, estava escurecendo rapidamente, ele entregou os coelhos para a Lori e a Carol que iriam limpá-los. Eu ia me oferecer para ajudá-las, mas o Daryl falou que precisava falar comigo então eu fui atrás dele.
Meu coração batia acelerado a cada passo que nos afastávamos dos outros, eu me sentia observada e logo a conversa que eu tive com a Lori me deixou tensa. Será que todos pensavam isso de nós dois? Será que o Daryl me via assim? E se ele me visse o que eu faria? Eu estava tão confusa, a cada passo que dava as coisas parecia mais complicadas. Não que eu tivesse medo do Daryl eu jamais sentiria isso, mas eu não sabia como agir ou como ele pensava. Não sabia se deveria ou não falar sobre isso com ele. Foi quando de repente ele parou de andar e me encarou, o encarei hesitante e com o coração batendo acelerado.
– O que houve enquanto eu estive fora, você está tensa – ele falou serio e eu engoli em seco.
– Nada.. o que poderia ter acontecido? – falei nervosa passando as mãos no cabelo e pelo olhar que ele me lançou eu vi que ele não acreditou em nada do que eu disse, engoli em seco antes de continuar – bem... a Lori veio falar comigo e bem... não é nada, não sei se devia falar com você... ela perguntou qual a nossa relação... Ela achava ou acha.... bem que nós tínhamos... bem... algo mais intimo, ela fez varias perguntas se a gente já se beijou ou se você bem... encostou em mim em lugares..bem... há você entendeu.
A cada palavra que eu falava eu ficava mais vermelha, no final eu não consegui terminar de falar e estava tão vermelha que encarava o chão. Aquele assunto era tão pessoal e constrangedor que eu não sabia como agir. Eu só queria encarar o chão e sumir completamente para bem longe dali. Se antes eu não sabia como encarar a situação agora eu não sabia MESMO como encará-lo.
Senti seus dedos um tanto calejados mas de toque quente encostarem no meu queixo e o erguerem, fui forçada a encarar seus olhos. Não havia notado que ele estava tão próximo, sua expressão era séria e eu não conseguia decifrá-la, tantas coisas podiam estar se passando pela sua mente que eu me sentia confusa. Engoli em seco e encarei, meu coração batendo a mil, minhas mãos suando e meu coração revirando, me sentia estranha. Muito estranha.
– E o que você pensa? Você acredita nela e está com medo de mim?
Medo de Daryl? Sentir medo seria querer ficar afastada, bem afastada e não é isso que eu quero. O que eu quero é o oposto, eu quero ficar perto dele porque é ali que eu me sinto protegida e pode até ser um pouco constrangedor mas eu adoraria poder encostar a minha cabeça de novo no seu peito e sentir tudo o que senti de novo. Não eu posso não ter a menor ideia do que estou sentindo, mas não quero me afasta dele.
– Eu não tenho medo de você, eu só me sinto segura ao seu lado. Você é a pessoa mais importante para mim – falei falando logo tudo o que eu sentia – eu só não sei como agir, eu não sei o que você pensa... Mas eu não tenho medo, você é importante para mim e é um cara bom, jamais faria algo de ruim comigo.
Por alguns segundos eu consegui visualizar aquele mesmo sorriso que eu vi quando ele se preocupou comigo e senti um calor invadir o meu corpo. Ele realmente se importa comigo e um pequeno sorriso brotou nos seus lábios por isso, queria fazê-lo feliz. Queria fazer que ele se sentisse tão bem comigo quanto eu me sinto com ele. Quero fazê-los sorrir mais, quero fazer com que ele seja mais feliz.
Ele fez um carinho de leve e bem rápido na minha bochecha, depois ele me puxou pela mão e foi até onde Rick, Shane e Lori estavam. Arregalei os olhos, não sabia sobre o que eles poderiam estar falando, mas mesmo assim eu estava nervosa. Não tinha ideia do que Daryl poderia querer falar e eu estava com medo que ele comentasse sobre a conversa que tivemos. Quer dizer foi constrangedor falar disso com o Daryl, mas o Shane e o Rick não precisam saber disso também.
– Porque vocês foram atormentar a Cristal com as merdas da cabeça de vocês? – falou Daryl irritado – porque vocês mandaram a Lori ir falar com a Cristal, se estavam tão preocupado com a vida dos outros em vez da de vocês que viessem perguntar para mim.
Daryl ainda segurava a minha mão com força, mas aquilo era bom, sua mão era quente. Aquilo poderia ser verdade? Quer dizer que talvez a Lori só tenha vindo falar disso comigo porque Rick e Shane acham que eu o Daryl temos algo? Não sei se fico aliviada ou ainda mais nervoso com essa acusação. Por alguns segundos nenhum deles falou absolutamente nada e isso só me deixou ainda mais nervosa. Segurei mais forte a mão de Daryl, mas quando eu penteei em soltar ele a segurou firme deixando claro que não ia soltá-la.
– Estávamos apenas preocupados porque você nunca se deu com ninguém, sempre se manteve afastado e do nada você trouxe a garota para o grupo, sei que você é um cara legal e achei que você apenas se compadeceu com ela, mas vocês não se separam. Ela te deixa decidir tudo por ela, não ligou quando você deu um ataque mais cedo porque você é importante para ela – falou Rick tentando apaziguar as coisas – só ficamos preocupados.
– Preocupados com o que? Que nós estivéssemos transando, desde quando isso é da conta de vocês? Desde quando isso lhes dá o direito de mandar a Lori vir se meter na minha vida – falou Daryl e isso só me deixou mais confusa, isso quer dizer que o Daryl pensa em mim desse jeito?
– Porque ela tem 16 anos seu merda e pedofilia é crime! – berrou o Shane.
Depois disso só vi o Daryl soltando a minha mão e pulando para cima do Shane. Os dois rolaram no chão e trocando socos e chutes. Arregalei os olhos e eu simplesmente não sabia como agir, Lori parecia estar tão assustada quanto eu. Os dois berravam coisas um com o outro. Estava completamente paralisada, dura no lugar, queria saber o que fazer para que eles parassem. Não queria que ninguém se machucasse. T-dog e Rick os afastaram. T-dog segurava Dary e Rick o Shane. Ambos estavam um pouco machucados, droga eu devia ter ficado quieto.
– Fiquem calmos vocês dois, discutir não vai levar a nada. Não podemos ficar matando os vivos, já não basta os zumbis atrás de nós – falou Rick ora encarando um ora encarando outro.
– Então parem de se meter na minha vida! Eu não tenho que ficar prestando conta para nada pra vocês – berrou Daryl irritado.
– Por favor não briguem – berrei desesperada – nós devíamos ficar juntos e unidos e não brigar, sei que sou nova aqui... Mas nós somos uma família né? Meio diferente e complicada, mas uma família.... As famílias brigam mas se entendem e nós vamos ter uma viagem pela frente, não seria legal se fossemos brigados...
Algumas lagrimas já escorriam dos meus olhos, todos no acampamento me encaravam mas desta vez eu não me sentia tímida. Eu só queria que todas as brigas terminassem e o pior é que era tudo por minha culpa. Eu devia ter reagido melhor a conversa com a Lori, se eu tivesse reagido melhor o Daryl não teria descoberto e a briga não teria nem ao menos começado. Eu sou mesmo uma idiota, só causo confusões nesse grupo. O problema é que acho que sou uma egoísta, porque não sei se teria forças para ir embora e deixar o Daryl para trás e eu prometi que estaria sempre com ele.
– Eu e o Daryl não temos nada, sério, ele só é muito especial para mim... Mas não briguem, façam as pazes – falei e limpei as lagrimas que continuavam a cair.
T-dog e Rick soltaram os dois garotos, todos ainda me olhavam, fortes lagrimas escorriam de meus olhos. Daryl e Shane apertaram as mãos, vi que Daryl estava machucado, seu braço tinha um corte e sua boca também. Mas ao menos ele estava melhor que Shane, tenho que ajudar os dois, mas não vou conseguir ser imparcial eu me preocupo muito mais com o Daryl!
Corri até ele e o abracei, ele tocou com os dedos a ponta dos meus cabelos. Não falamos nada, mas foi confortante. Aos poucos todos foram se afastando mesmo nos olhando pelo canto dos olhos. Eu sentia que tudo estava bem, mas ao mesmo tempo me sentia terrivelmente culpada pela briga.
Fui com Daryl até um canto mais afastado e depois peguei o meu Kiti de primeiros socorros para cuidar dos seus machucados. Voltei para onde ele estava com a caixa de primeiros socorros, um pano e água. Me sentei ao seu lado e comecei a limpar seus machucados com cuidados.
– Me desculpa – falei quando terminei de cuidar dos seus machucados – é tudo culpa minha, eu não devia ter reagido tão mal ao que a Lori disse...
– Eles que não tem que ficar se metendo entre nós, não de ouvidos a eles – ele falou e fez um carinho no meu rosto.
Senti meu rosto queimar e sai dali o mais rápido possível, fui até shane, mas antes senti uma ardência no braço e levantei. O lugar onde mais cedo Daryl me segurou com força e me arrancou do trailer ficou vermelho e estava meio dolorido. Suspirei, depois vou ter que passar uma pomada. Shane estava junto com Rick e Lori, me aproximei e na hora eles pararam de falar. Droga agora fiquei na duvida se eles estão ou não falando de mim.
– Oi... desculpa por mais cedo, o Daryl me viu estranha e eu não consigo mentir para ele – falei envergonhada – quer que eu cuide dos seus machucados?
Shane dispensou os cuidados, então eu fui me trocar para depois ir para a fogueira comer com os outros. Eu ia por uma blusa regata, mas não queria deixar o machucado a mostra.
Coloquei um casaco para esconder o machucado e uma calça jeans a janta ocorreu silenciosa, o certo seria eu dormir no trailer, mas não sei se é realmente o certo. Não quero preocupar o Daryl porque o Jim pode me atacar no meio da noite. Não tenho medo do Jim, não acho que isso vá acontecer por enquanto, mas nunca se sabe.
Entrei e peguei o meu saco de dormir para ir atrás de Daryl, ele estava sentado sobre seu saco de dormir um pouco afastado dos outros. Sorri para ele e me aproximei ele me encarava e eu não conseguia desviar o olhar, era como se eu estivesse completamente ligada naqueles olhos.
– Daryl... eu posso, dormir aqui com você hoje? – perguntei insegura – é porque no trailer tem o Jim que está contaminado e eu me sinto segura com você.
– Aqui fora faz frio – ele falou sério, mas não parecia incomodado que eu ficasse ali.
Sorri e abri meu saco de dormir ao lado do seu, senti um vento frio e me encolhi um pouco, cruzei os braços só que eu fui tocar justo no machucado do meu braço, gemi baixinho. O pior é que não deu para passar nenhuma pomada porque o trailer estava cheio, não quero que ninguém veja o machucado, não quero ninguém encrencando com o Daryl.
Meu braço estava formigando, mas eu tinha que agir o mais naturalmente possível para que ele não reparasse no meu machucado. Estava deitando quando sinto os dedos quentes, grandes e calejados tocarem o meu machucado, tentei ao máximo me impedir de expressar a minha dor.
– Me mostra – ele falou sério já puxando a manga do meu casaco.
A marca vermelha estava lá bem visível e tinha o tamanho da mão dele, seus dedos tocaram o machucado e eu fechei a cara e travei a mandíbula para tentar não mostrar a dor que sentia. Ele afastou o dedo e eu o olhei um pouco nervosa sem saber como ele reagiria. Ele se levantou e foi para longe, droga eu sou uma idiota.
Fiquei olhando para o meu saco de dormir me perguntando se deveria simplesmente entrar nele e dormir, rezando para que tudo esteja melhor pela manhã. Talvez isso seja o melhor a se fazer, a noite vai ser fria o vento já bate de forma cortante em meu rosto.
Foi quando eu senti meu braço sendo puxado, ele havia voltado e passava uma pomada ali. Seus dedos tocavam a minha pele de uma forma leve e por mais que aquilo formigasse e que eu soubesse fazer aquilo de uma forma que doeria menos eu deixei que ele continuasse passando pomada ali, aquilo era bom. Ele parou e me encarou, também o encarei só que de forma mais tímida.
– Cristal... – ele pareceu hesitar como se pensasse no que ia dizer – me desculpe.
– Não foi nada, boa noite Daryl – falei e beijei sua bochecha – tenha bons sonhos.
– Boa noite – ele falou tocando com os dedos o meu cabelo.
Senti um arrepio percorrer meu corpo mas sorri para ele antes de entrar no meu saco de dormir. Aos poucos o meu coração foi se acalmando e o sono foi chegando, sei que terei que acordar bem cedo amanhã para irmos até o CCD então é melhor descansar bastante. Tomara que me deixem ficar no mesmo carro que o Daryl, eu me sentiria melhor assim
The Walking Dead – POV Daryl
Fui despertando aos poucos, senti um cheiro doce e um frio no braço. Estranho, não dormi perto de nada doce e o saco de dormir é bem quente. Abri os braços e reparei no pequeno e magrelo corpo colado ao meu. De algum modo estranho e bizarro eu e Cristal – dentro dos respectivos sacos de dormir – estamos dormindo de conchinha e o meu braço esquerdo está para fora do saco de dormir a abraçando.
Respiro fundo e um cheiro doce novamente invade as minhas narinas, o cheiro vem dela, não sei exatamente ao que se parece o cheiro mas é adocicado. Sua cabeça estava apoiada no meu peito e a sua respiração era calma. Não me mexi com medo de acordá-la. Notei que algumas pessoas já haviam acordado como Andrea, Carol e Shane. Acho que essa cena só dará mais motivos para o Shane pensar que eu e Cristal temos algo, mas eu não ligo para o que ele pensa.
Rick e Shane se acham os lideres e além de não tomarem conta das próprias vidas querem tomar conta da minha. Eles não tinham nada que se meter na minha relação com Cristal. Não que eu esteja comendo ela ou planeje comê-la, mas eles não tem o direito se meter. Eu como quem eu quiser, ela dá para quem quiser. E ela é bonita, com essa pele leitosa, feição angelical, pernas longas e esse cheiro doce. Ela não tem o corpo mais desenvolvido do mundo, mas ele combina perfeitamente com ela. Senti meu membro ficando duro e apertado dentro da calça jeans, isso me alertou para o que eu estava pensando. Ela tem 16 anos!
– Cristal está na hora, acorde – falei tocando em seu rosto e depois mexendo em seu ombro.
Aos poucos ela foi acordando, quando ela notou a situação em que estávamos ficou completamente vermelha e se afastou. Ela se sentou e olhou para os próprios joelhos, ela estava constrangida e parecia não saber exatamente como agir. Notei que mais pessoas estavam acordadas e nos olhavam pelo canto do olho, desde a bagunça que os dois babacas fizeram alegando que eu sou pedofilo e estou comendo uma garotinha que eu conheço a dois dias. Claro porque se eu fico longe de todo mundo eu sou o agressivo, se eu decido tomar conta de uma garota que por algum motivo não se afasta de mim e confia em mim eu sou o pedofilo. Hipócritas nojentos.
– Me desculpe – ela murmura desanimada.
Ergui seu rosto para que nos encarássemos, seus olhos negros mantinham aquela mesma profundidade que parecia me engolir facilmente. Já conheci muitas garotas e tive relacionamentos relativamente sérios, o maior durou um ano e dois meses, mas nunca tive um com menos do que de 4 meses. Mas nenhuma das minhas antigas namoradas tinha olhos tão profundos quanto os dela, ou tão inocentes ao mesmo tempo.
– Eu não me importo com isso, não quanto é você – fiz um carinho de leve em seu rosto com o polegar – você é diferente deles.
– Diferente... porque? – ela perguntou docemente, havia incompreensão nos seus olhos, ela não entendia.
– Porque você se importa, não consigo mais ser rude com alguém tão doce que só me trata bem – falei lhe dando um curto e breve sorriso, seus olhos pareceram brilhar e ela sorriu mais ainda – tem certeza que quer ficar comigo? Todos aqui são de confiança e todos são capazes de te proteger.
Sabia que Cristal era muito ligada a mim porque fui eu que a encontrei naquele banheiro, eu que decidi trazê-la e colocá-la no grupo e fui eu que a protegi no primeiro ataque zumbi. Achei que logo ela se cansaria de mim, eu a protegia mas não pensei em nenhum momento em socializar com ela. Só que ela não desistiu de mim, ela continua vindo até mim com esse seu jeito doce. Já percebi que é inútil afastá-la e que se fodão o Rick e o Shane, não estou planejando comer a garota, só decidi que não vou mais afastá-la. Cristal ainda conserva uma inocência que até Carl e Sophia haviam perdido, eu arrancaria as tripas de quem tentasse algo com ela.
– Eu sei que eles podem me proteger, mas é você que é especial para mim – ela falou com as faces rosadas – e eu falei serio quando falei que estaria sempre com você, nunca vou te deixar.
É ela é diferente de qualquer garota que eu já vi e eu vou protegê-la custe o que custar. Não vou deixar que um zumbi faça dela a próxima refeição, foi pensando nisso que eu arrumei minhas coisas e deixei a minha besta separada. Iria com ela na estrada e se algum zumbi nos atacasse eu o mataria, agora eu tinha alguém para proteger.
Com Merle nunca foi assim, ele é durão e pode cuidar de si mesmo. Ainda vou encontrá-lo porque sei que ele aguenta o tranco e deve estar por ai matando milhares de zumbis. Minha relação com Cristal é completamente diferente, ela não consegue se defender sozinha, ela depende de mim. Creio que nem em um mundo sem zumbis ela se sairia bem sozinha.
Logo já estávamos prontos para seguir em viagem, a família que não iria conosco havia saído e Jim continuava deitado naquele trailer pronto para virar um zumbi a qualquer instante. Deviam dar logo um tiro bem no meio da testa dele, seria mais fácil e mais seguro. Não existe cura, mas não posso ir embora desse grupo, ficar com eles via dar mais chances de sobrevivência para Cristal.
– Eu ficarei em um carro com a Lori e o Carl, Shane e Andrea irão na caminhonete, T-dog,Glenn e Daryl no outro carro e o resto irá no trailer – falou Rick.
Como assim a Cristal vai no trailer? Pra começar eu não iria a deixar sozinha em uma viagem relativamente longa onde podemos ser atacados e pior deixá-la em um lugar com um infectado que do nada pode atacá-la. Notei que ela não gostou disso tanto quanto eu, ela estava ao meu lado e ficou tensa quando ouviu que ficaríamos separados. A maioria estava indo para os carros, mas ela ficou estancada no lugar.
– Eu não posso ir com Daryl, Glenn e T-dog? Cabem 4 no carro – ela perguntou um pouco insegura – eu me sentiria mais segura.
– O carro vai ficar apertado, assim vocês ficariam mais espaçosos – falou Shane mas pelos olhos dele dava para ver que ele não queria nos manter juntos.
– Olha só eu já falei que ela não vai ficar no trailer junto com o Jim e a Cristal é magrela ela no carro e nada, não fará diferença – falei irritado e depois sai na direção do carro.
Ela ainda ficou mais alguns segundos ali e depois entrou no carro junto comigo, nós dois ficamos atrás. T-dog dirigia e Glenn ficou no lugar da carona, os cabelos dela estavam presos em um rabo de cavalo alto e ela parecia ansiosa. Logo os carros começaram a andar, ela olhava a paisagem fascinada cm os olhos fixos no vidro.
No inicio ninguém disse nada, eu por não ter nada para falar com T-dog e Glenn e os dois porque não sabiam exatamente o que falar. Sempre achei o silencio confortante. Conforte o tempo foi passando notei que Cristal parecia brigar para se manter acordada, a minha besta estava encostada no meu pé em posição estratégica par ser pega e já ir atirando caso necessário. Sua cabeça ficaria com um calo se continuasse batendo no vidro. Sei que isso só fará com que eles pensem mais besteiras e provavelmente vão ir feito duas velhinhas fofoqueiras contar para o Rick e o Shane, mas eu não ligo para eles. Minha única preocupação atual é com Cristal.
– Tente dormir, se acontecer algo eu te acordo – falei e vi ela fazendo que não com a cabeça.
– Não consigo dormir em carros, minha cabeça dói quando encosta no vidro – ela falou e bocejou mostrando que realmente estava cansada.
Decidi não perder tempo em uma discussão, ações valem mais que palavras. Com o braço livre a puxei para mais perto de mim, ela me encarou surpresa e depois apenas sorriu encostado a cabeça no meu ombro e se aconchegando mais nos meus braços. Já dormimos lado a lado, isso não é nada, a abracei de forma firme e com a mesma mão eu mexia em alguns cachos de seu cabelo, eles eram gostosos de se mexer. Não iria lhe desejar bons sonhos ou boa noite na frente de Glenn e T-dog, não que eu ligue para o que eles pensem. Mas o modo como eu trato Cristal é só da minha conta e eles já vão falar muito para o Rick, não preciso lhes dar mais o que contar.
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