Um Anjo no Inferno
5 Capitulo 5 - O primeiro beijo
Notas iniciais
Já viajávamos a algumas horas, umas três ou quatro e até agora tudo estava bem. Eu ainda abraçava Cristal que dormia apoiada no meu ombro de forma profunda, sentia sua respiração quente batendo no meu peito, as vezes eu me virava para encará-la para ver se estava tudo bem. Seu rosto estava sereno e ela estava levemente encolhida em meus braços, quando eu respirava fundo conseguia sentir aquele cheiro doce que só ela parecia ter.
Até que em certo momento o comboio parou, peguei a besta de sobreaviso para o caso de ser algum ataque zumbi e olhei para os lados. Mas logo Rick nos avisou pelo radio que o trailer havia tido problemas mecânicos, ótimo. Balancei levemente o ombro de Cristal que abriu os olhos lentamente e me encarou ainda sonolenta.
– Já chegamos? – ela pergunta.
– Não, o trailer está com problemas, vamos sair e esticar as pernas – falei e ela apenas fez que sim com a cabeça.
Todos saíram dos carros, eu ainda carregava a besta e Cristal me acompanhava de perto. Dale havia ido com Shane para um posto que tinha a uma distancia curta para ver se arrumava algo para arrumar o trailer, a maioria de nós estava em volta do trailer. Rick havia entrado para ver como Jim se sentia, ou melhor para ver se ele não havia virado um zumbie e iria começar a nos atacar.
Rick finalmente sai do trailer e fala que Jim quer ser deixado para trás, parece que finalmente alguém nesse grupo pensa. O cara não vai sobreviver até chegar no CCD, não sabemos nem se tem alguma coisa realmente lá. Só que agora todo mundo estava com pena dele, achava que ele estava delirando e que não devíamos deixá-lo aqui.
– No acampamento quando eu concordei com o Daryl – começou o Dale chamando a minha atenção – você me entendeu mal Rick. Eu nunca concordaria em matar um homem de forma fria. Ia apenas sugerir que perguntássemos ao Jim o que ele quer. E acho que temos uma resposta.
No fim o infectado vai ficar para trás, só que eles ainda lhe deixam com uma arma e balas! Ridículo! Eles são emotivos demais, deixam a emoção falar mais alto e é isso os levará a morte. Dar uma arma para um cara que é provável que vire zumbi antes de ter tempo de usá-la o importante é se preocupar com os vivos. O mundo agora é egoísta, se importar demais com os outros só vai levar a morte.
Alguns foram falar palavras dóceis ou se despedir, fiquei afastado, mas quando vi Cristal já estava ali falando com ele. Tive que segurar a vontade de tirá-la de perto dele, ele poderia atacá-la, será que ela não tinha a menor noção do perigo. Senti meus músculos relaxarem quando ela se afastou e veio até mim. Não me despedi de Jim apenas acenei com a cabeça e voltei para o carro.
Logo todo o comboio começou a seguir viagem, T-dog continuava dirigindo. Cristal estava sentada no banco e me olhou hesitante, provavelmente não sabendo de poderia me abraçar e deitar no meu ombro. Faço que sim com a cabeça e como esperado ela se aconchega em meu braço. É engraçado o modo como ela não tem medo de mim e não se afasta, mas mesmo assim sente a necessidade da minha permissão. Talvez eu a intimide demais, nunca fui bom com as pessoas.
– Vocês fariam isso, no lugar do Jim? – pergunta Glenn querendo cortar o silencio.
Cristal não havia dormido ainda, não parecia estar com sono. Sua cabeça estava confortavelmente encostada em meu ombro e minha mão a abraçava, meus dedos tocavam levemente a ponta dos seus fios de cabelo. T-dog me encarava pelo retrovisor em tom de repreensão e Glenn nos olhava curioso. Como se eu ligasse para a aprovação deles, não é como se eu estivesse dando em cima da garota e fosse um maníaco que vou estuprá-la assim que eles virarem as costas.
– Já falei se eu for mordido e não morrer me matem um tiro no meio da testa, o que for. Não vou virar um errante – falei seco e grosso.
Sinto Cristal estremecer, mas ela não se afasta. Talvez eu tenha sido franco demais, não sei, ela é um tanto desconexa. Desde que o mundo foi dominado por zumbis ela é a garota — e provavelmente a pessoa- mais próxima que já tive depois do Merle. Isso não me ajuda a saber lidar com ela, nem um pouco.
– Não acho que eu queira alguém atirando na minha cabeça e você Cristal? – ele pergunta sorrindo para ela.
Ele sorri demais, não devia sorrir assim para ela. Ela sorri de volta, um sorriso doce e inocente. Mas ele não a olha com inocência, ele não está a comendo com os olhos, mas a olha com interesse, a observa detalhadamente. Sinto vontade de matá-lo, ela é só uma criança! Mas ninguém liga para o modo como ele olha para ela,eles só se importam com o modo como EU me comporto perto dela.
– Acho que gostaria que Daryl cuidasse disso – ela fala em tom pensativo – nunca pensei nisso, mas não gostaria de matar outras pessoas e se eu virasse um zumbi acabaria matando outras pessoas. Daryl você faria isso por mim?
Ela me encarava, todos no carro pareciam esperar para ver a minha reação e isso me deixa irritado. Não gosto de ser analisado, não sou um bicho para ficarem me analisando cheios de detalhes. Parece uma merda de um teste onde eu tenho que dar a resposta certa que é só uma enquanto existem varias respostas erradas. Merda.
– Sim – falo serio, se ela for mordida eu vou matá-la e impedir que uma garota de modos tão doces saia por ai matando pessoas atrás de carne fresca . Noto que T-dog e Glenn me olham em tom reprovador e percebo que dei a resposta errada, odeio quando me colocam nessas situações – não se preocupe, isso não vai acontecer eu vou te proteger.
Ela sorri e se aconchega mais nos meus braços. A conversa ficou em volta de amenidades, a maioria era Glenn querendo saber sobre Cristal. Descobri que ela tem um irmão mais velho, que ela estudava em um colégio interno, que sofreu muito com a morte dos avós, que gosta de todos os estilos de musica mas prefere musica clássica, que sua estação favorita do ano é o verão e que não namorava ninguém quando o apocalipse surgiu.
Finalmente chegamos na cidade. Cristal pegou sua mala eu segurava a minha arma com força, o lugar fedia a cadáveres em decomposição e havia milhares deles por toda parte. Cristal paralisa e eu a puxo pela mão para que não fique para trás, andávamos em silencio e quanto mais adentrávamos na cidade, mais cadáveres apareciam. Olhava para os lados a procura de zumbis e Cristal me acompanhava assustada apertando minha mão com força.
Chegamos no CCD e ele estava vazio, a porta estava fortemente fechada. Shane e Rick começaram a bater a porta com força. Logo reparo que alguns zumbis se aproximam, coloco Cristal atrás de mim e preparo a besta, Seus dedos finos seguravam a minha blusa. Não havia nada aqui, mas Rick continuava a bater naquela porta, berrar e fazer barulho atraindo cada vez mais zumbis. Shane teve que o arrancar de lá.
Fizemos um circulo para tentar nos proteger, estamos ferrados e tudo o que eu mais quero é matar Rick por nos meter nessa furada. Só que de repente a porta se abre, a porta daquele lugar se abre e uma luz forte nos certa. Não penso duas vezes antes de entrar lá puxando Cristal comigo, todos entramos e a porta se fecha na hora.
Andamos em passos lentos, minha besta estava posicionada para qualquer ataque repentino, mantinha Cristal atrás de mim para a proteger. Ela estava nervosa, mas no momento eu tinha preocupações maiores. Quando um homem apareceu segurando uma arma, no mesmo instante todos apontamos armas para ele.
– Alguém está infectado? – ele pergunta apontando a arma para nós, cretino – porque vieram aqui? O que querem?
Não tenho ideia de quem ele é, pode ser desde o segurança do lugar até um dos cientistas. Talvez tenhamos vindo para um ninho de cobras, noto que a respiração de Cristal ficou acelerada mostrando que estava nervosa e com medo.
– Um dos nossos estava, ele não resistiu. Nós queremos uma chance – falou Rick.
O cara abaixa a arma e todos abaixamos, mas ainda o olho e se ele fizer alguma gradinha atiro no rosto dele entre os olhos. Cristal agora está do meu lado segurando meu braço livre com alguma força. O cara nos olha atentamente, cada um de nós como se nos avaliasse e vem andando na nossa direção lentamente. Ele chega ao ultimo degrau da escada e fala.
– Terão que fazer exame de sangue, é o preço para entrar .
Ele se apresenta como o Doutor Edwin Jenner e cada um foi se apresentando, alguns mais distantes, alguns mais frios, inseguros. Cada um foi se apresentado ao seu modo. Depois disso ele nos conduziu por um corredor até uma sala grande.
No final esse lugar não tem mais ninguém além desse cara, vir para cá não vai nos trazer respostas. Quando a crise começou a dois meses e meio atrás a maioria dos cientistas batem em retirada para ficar com as famílias e os que continuaram começaram a se matar. Bando de covardes, eles nem ao menos tentarem lutar, simplesmente se mataram.
Depois fomos conduzidos a outra sala onde ele foi fazendo os exames de sangue, fomos indo um por um, quando chegou a vez de Cristal ela tirou o braço assustada no ultimo segundo e fechou os olhos. Aquele movimento chamou não só a minha atenção como a de todos que estavam ali. A maioria estava concentrada em qualquer outra coisa,como nos filhos ou conversando.
– O que foi? – perguntou o Doutor Jenner desconfiado.
– Desculpe... eu...eu tenho medo de agulhas – ela falou com as bochechas vermelhas.
Ela tem 16 anos e morre de medo de agulhas, da onde essa garota saiu? Ela já morou em NY e parece uma daquelas garotinhas que viveu a vida toda em um conto de fadas, o doutor tenta acalmá-la e fala que se ela ficar tensa só vai doer mais, só que ela ainda está insegura. Merda.
Me desencosto da parede e vou até onde ela está tocando no seu ombro, não sei bem como acalmá-la nunca tive que fazer isso, mas queria ajudá-la. Por algum motivo ela confia em mim e gosta de me ter por perto e acho que também gosto de tê-la por perto. De algum modo mesmo tendo a encontrado a menos de uma semana eu também me importo, gosto de tê-la por perto. Ela é uma criaturinha indefesa, com um cheiro delicioso e uma beleza exótica. Não quer dizer.. eu não olho para ela desse jeito, deve ser a fome que está me confundindo.
Seus olhos me encaram e ela sorri de leve, havia insegurança e gratidão no seu olhar. Ela estende o braço para o doutor mas mantém o olhar fixo em mim, o medico aproveita este momento para tirar o sangue dela. Um gemido de dor escapa por seus lábios neste momento e por um segundo me pergunto como seria ouvi-la gemer de prazer. Mais uma vez me amaldiçoou, que merda está havendo comigo. Deve ser a falta de mulher, desde que os zumbis surgiram não tive nenhum contato de caráter sexual com nenhuma mulher, nem ao menos beijos tive e de uma hora para outra tenho essa garota magrela e de modos inocentes grudada em mim – não que isso seja ruim — e que ultimamente vem me fazendo ter pensamentos que eu não deveria ter. Merda ela só tem 16 anos!
Depois que todos tiraram o sangue, fomos conduzidos até um corredor. Havia uma sala de recreação para Carl e Sophia e pelo fato da maior parte do CDD estar sem energia não podemos exagerar. Tem algumas salas com vários sofás e vamos ficar por aqui, mas ao menos é um teto fixo e aparentemente sem zumbis. Não podemos exagerar na água quente, bando de regras, mas aqui é mais seguro para Cristal e como ela decidiu que não me abandonaria tenho que pensar na segurança dela também.
Fomos para o nosso quarto, sim vamos ficar no mesmo quarto mesmo por mais que Rick e Shane tenham se mostrado bem desgostosos quanto a isso. Tem três sofás relativamente compridos aqui e um banheiro. Cristal se senta em um e começa a procurar algo na mochila, me jogo em um sofá. Ainda tenho que esperar ela tomar banho e depois iremos nos juntar aos outros para ter uma refeição digna.
– Pode ir tomar banho primeiro sei que vou demorar e ai você já pode ir comendo – ela falou chamando minha atenção – mas guarde um lugar para mim.
Eu sabia que o certo deveria ser cavalheiro e deixá-la tomar banho primeiro – como era meu plano original – mas ela insistiu nessa ideia então eu simplesmente fui tomar banho.
Sai do banho e ela estava sentada no sofá com um sacola no colo mexendo nos cabelos. Eu sai de pés descansos usando apenas a calça jeans e os cabelos molhados os secando com a toalha. Ela me olha de cima a baixo com as bochechas coradas, mas mesmo assim não para a analise, o modo como ela me olhava uma mistura de inocência e desejo me deixou excitado, meu jeans parecia apertado. Fui na direção dela e toquei o seu rosto, mas quando notei o que faria eu quis me mandar a merda. Onde estou com a cabeça.
– Pode ir tomar banho, eu te espero – digo e me afasto, meu membro ainda duro e dolorido na calça.
– Não precisa, nos encontramos lá – ela fala sorrindo e correndo para dentro do banheiro.
Coloco uma blusa de botões, me calço e quando meu corpo finalmente se acalma vou até o refeitório. T-dog, Shane, Carol, Sofia e Dale já estavam lá. Me sento no canto e logo Glenn chega se sentando a uma cadeira de distancia de mim. Um a um todos vão chegando, menos Cristal, ela realmente demora bastante no banho. A comida é servida e a bebida também, vinho com grande teor alcoólico, a quanto tempo não tenho álcool no meu sangue.
As conversas começam a se desenvolver, o baixinho filho de Rick quer provar do vinho e a mãe não quer deixar. Dale tenta argumentar que na Italia e na França as crianças podem beber um pouco de vinho, no final o garoto acaba bebendo e fazendo uma careta. É para quem é tão jovem e não está acostumado a beber, pelo visto ele vai ficar no refrigerante.
– Você não Glenn – digo quando vejo ele quase indo pegar o refrigerante – beba garoto, quero ver como fica vermelho.
Mais risadas, Glenn acaba se afastando do refrigerante e toma um gole da bebida, o pessoal já levemente embriagado dá risadas altas quando de repente um silencio toma parte e ouço Glenn soltar um assobio, olho para porta e vejo Cristal entrando...
Os cabelos loiros estavam soltos e caindo em cachos por suas costas, ela usava um delicado vestido rosa que marcava seu corpo de forma leve acentuando suas curvas e deixava suas brancas como leite a mostra, em seus pé uma sandália e havia um brilho em seus lábios. Entendo o porque da demora dela para se arrumar, mas não gostei nada do modo como a olhavam. Especialmente Glenn, ela não é um pedaço de carne. Ela sorria docemente e vinha até onde eu estava.
Glenn se levanta para puxar a cadeira para ela se sentar, ela se senta exatamente entre eu e Glenn e o modo como eles sorriem um para o outro me irrita ainda mais. Pego a garrafa de vinho e dou longos goles virando quase metade de garrafa.
– Achei que tinha dito nada de vestidos – gruni irritado.
– Desculpe, não consegui me desfazer de todos – ela falou me olhando com aqueles olhos negros cheios de culpa que pareciam me invadir e ver dentro da minha cabeça.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa o idiota do Glenn a abraça e começa a tecer vários elogios. Como eu tenho vontade de socá-lo por estar tão perto dela. Ela fica vermelha com os elogios de semi bêbado dele. Tenho vontade de socá-lo ainda mais quando ele se aproxima demais dela, graças a deus ela vira o rosto encabulada.
Bebi muito mais do que comi, mas não conseguia deixar de prestar atenção nela. Quanto mais comia, mais atenção eu prestava nela. No modo como ria, como conversava com Carl e Sophia, como ficava constrangida com os gracejos de bêbado de Glenn. Terminei de virar a garrafa e fui para a próxima, não havia comido quase nada, apenas um pouco de carne. Bem diferente da jovem ao meu lado que comia pouco, mas com classe.
– Não vai beber? Você já tem 16 anos, ninguém vai ligar – graceja Glenn.
A maioria deles ri concordando, como ele se atreve a oferecer bebida para ela? Ela é a porra de uma garotinha inocente, ela não sabe nada da vida, ela mal sabe diferenciar pessoas vivas de zumbis. Ele quer que ela fique bêbada por acaso? Ela não devia estar com essa roupa, chama muita atenção, o mundo não é como era antes para se usar esse tipo de vestido e se um zumbi aparecesse? OU vários como ela fugiria? Ela não pode ficar usando esse tipo de vestido!
– Eu não bebo – ela falou timidamente ajeitando o cabelo para ficar atrás da orelha – eu estudava em um colégio interno muito rígido, bebidas não eram permitidas.
– Verdade Monroe League, né? – falou Carl animado – dança pra gente Cristal!
Monroe League, já ouvi esse nome. Era um colégio caro em New York que tinha haver com dança e que era preciso além de dinheiro passar em um teste de varias fazes para fazer parte. Olho a garota magricela ao meu lado, ela poderia ser uma dançaria com o corpo magro e a postura sempre perfeita e alinhada. Bebo mais me perguntando o que ela dança, noto suas bochechas ficarem coradas e me vejo jogando ela naquele sofá do nosso quarto e beijando todo seu corpo, explorando cada pedacinho de sua pele e a deixando assim vermelha. Merda não devia ter bebido tanto, ela não devia estar com essa merda de vestido.
– Mas não tem musica e eu nem sei o que dançar, estou de vestido – ela disse enrubescendo ainda mais.
Mas Carl e Sophia não desistem e começam a tentar convencê-la a dançar que fica mais vermelha e sem saber como negar o pedido. Minha raiva aumenta quando Glenn se levante e pergunta se ela não quer dançar forró com ele. Como ele ousa e o pior aquele doutor providencia a musica!
Os dois se afastam e começam a dançar, a cada giro e movimento que davam que chamava mais atenção os idiotas riam e gritavam, as crianças pareciam animadas. Havia um sorriso doce nos lábios de Cristal, no momento ela transmitia uma segurança que nunca havia visto nela desde que a conheci. Ela sempre me pareceu uma criança indefesa que não sabe onde está e caiu de paraquedas no mundo, mas naquele momento ela parecia saber exatamente onde estar e ao mesmo tempo seus movimentos eram tão delicados que ela parecia um anjo voando. Ou pareceria mais se Glenn não estivesse tão atrapalhado nos movimentos, eles dançaram mais duas musicas e depois ela foi parar nos braços do doutor que parecia dançar ainda melhor. Ouvi T-dog incentivar Glenn a mais uma dança com Cristal e isso me irritou.
Quando me vi estava dançando com ela, a tirei dos braços do doutor Jenner e dançava com ela. Seus olhos pareciam brilhar e eu a girava e fazia alguns movimentos variados, não sabia tantos movimentos assim mas minha mãe gostava de dançar antes de meu pai matá-la e já tive uma namorada que gostava de dançar forró cheguei a ir em alguns clubes de dança de salão com ela.
The walking dead – POV Cristal
Eu estava na sala de recreação, Carl e Sophia haviam ido dormir a pouco tempo mas eu ficará. Segurava um livro nas mãos, mas não importava quantas páginas eu avançasse eu sempre tinha que voltar para o inicio, não conseguia me concentrar. Tive emoções demais para um dia e elas me fogem a concentração.
A primeira foi quando Daryl saiu do banho com aquela calça ou melhor apenas com aquela calça. Os cabelos loiros ainda molhados, e o peito completamente nu. Já vi garotos sem blusa em algumas coreografia que fiz parte, mas nenhum fez o meu coração bater tão rápido ou deixou o meu corpo tão quente. Droga o que está havendo comigo. Fui despertada do transe quando ele falou comigo, mas ele já estava tão perto que achei que ele ia me beijar. Foi a primeira vez que eu realmente quis que ele me beijasse.
A segunda forte emoção foi quando dançamos, foram feitos apenas movimentos relativamente simples mas eu me senti tão conectada com Daryl. Parecia que eu sabia tudo sobre ele e mais uma vez veio aquela vontade que ele me beijasse, tenho que parar com isso Daryl nunca encostaria em mim ele me vê como uma criança indefesa. Sou acordada dos meus pensamentos com o barulho da porta sendo fechada com força.
Pulo da cadeira assustada, mas sorrio ao ver que era Daryl. Ele estava bonito e carregava uma garrafa de vinho que estava quase vazia, me pergunto o quanto ele bebeu. Não sei, mas homem costumam ser fortes para bebida.
Ele vai se aproximando de mim e a cada passo que dá sinto meu coração bater mais rápido, eu não devia sentir isso, não posso sentir isso. Ele é mais velho que eu, mais experiente e poderia se afastar de vez de mim. Tenho que me concentrar em fazê-lo feliz como ele me faz e não em beijos. Ele nunca me beijaria e porque eu o beijaria? Eu morreria de vergonha, já fui beijada mas nunca beijei nenhum garoto. Eu nem gosto dele, isso é impossível, sempre fui uma romântica incorrigível e eu não posso ter me apaixonado a tão pouco tempo por um cara que eu não sei quase nada a respeito!
– Sabia que você ficou muito bonita assim Cris – ele falou já bem perto e o meu coração acelerou.
Eu agora estava com as costas encostada na parede fria, Daryl estava tão perto que eu tinha que erguer o rosto para encarar seus olhos azuis. Estávamos a 20 centímetros de distancia e eu não sabia como agir. Sentia tantas coisas estranhas, o que está acontecendo comigo? O elogio dele só me deixou ainda mais constrangida. Droga tenho que parar de pensar nisso, não sei nem o porque de estar pensando nisso é algo bobo. Se Daryl suspeitasse que eu penso nisso ele se afastaria e então eu jamais conseguiria fazê-lo sorrir.
– Obrigada – sussurro e sinto ele tocar o meu rosto.
É como se uma corrente elétrica percorrer o meu corpo, eram tantas sensações novas que eu não sabia como reagir. Daryl estava ainda mais perto nossos corpos estavam coladas, uma de suas mãos apoiada na parede e outra tocando meu rosto em um carinho leve. Ele tinha um sorriso fino nos lábios, nunca o vi manter um sorriso por tanto tempo.
– Eu quis matar aquele engraçadinho do Glenn por ficar de gracejos para cima de você – foi quando senti o leve cheiro do álcool então era por isso que ele estava assim, isso me deprimiu mais do que deveria – não deixe ele te tocar entendeu, você é minha.
Dele? É claro que isso deve ser efeito do álcool ele jamais falaria isso normalmente. Sei que ele se preocupa comigo e isso já me deixa imensamente feliz, mas tenho certeza que ele só me vê como uma garotinha indefesa, uma irmã na melhor das hipóteses.
Aliais o Glenn não ficou de gracejos para cima de mim, tenho certeza, ele apenas quis ser simpático. Nós somos os mais jovens depois de Carl e Sophia por isso acho que nos entendemos tão bem e ele não dança mal, foi divertido dançar com ele. Foquei o rosto de Daryl também não sei se ele vai se lembrar disso ou como ele vai reagir.
Não tive tempo para pensar mais profundamente sobre isso pois no instante seguinte senti minha boca sendo invadia pela língua de Daryl. Ele terminou de colar nossos corpos e sua língua entrou na minha em um beijo totalmente diferente de todos os que já dei, mas completamente delicioso. A língua dele explorava cada canto da minha boca e eu apenas tentava acompanhar aquele ritmo. A sua barba por fazer pinicava em meu rosto, mas eu não ligava para isso. Meus dedos foram para aqueles cabelos loiros tocando os fios como eu jamais imaginei poder tocar, meu coração batia tão forte que fiquei com medo que ele pudesse sentir.
Sua mão que antes tocavam meu rosto agora contornava a lateral do meu corpo indo do meu seio até meu quadril e apertando com força o mesmo. Nunca fui tocada assim, mas não sei se tenho força física ou de vontade para afastá-lo. Eu não queria pensar, o que estava feito estava feito. Eu estava beijando um cara que eu conhecia a menos de uma semana e me sentia bem com isso. Sentia como se pudesse voar, meu coração batia acelerado e era como se milhares de borboletas estivessem no meu estomago.
De repente ouvimos o barulho de algo caindo de risadas e da porta sendo aberta, nos afastamos e eu vejo Glenn que a fecha no mesmo instante. Daryl se afasta e meus joelhos sedem me fazendo escorregar pela parede até sentar no chão. Milhares de perguntas se passam pela minha mente, não sei se consigo pensar direito. O homem a minha frente me olha como se não acreditasse no que fez e sai dali o mais rápido possível. Céus eu beijei Daryl e gostei muito disso. Pior do que isso eu acho que estou apaixonada por ele.
Como poderei olhá-lo amanhã? Não posso amá-lo, não sei nada sobre a vida. Sou uma garota completamente inexperiente e não estou pronta para ganhar a experiência, além do que não acho que sóbrio ele faria isso e eu não posso me arriscar a beijá-lo. Isso poderia colocar uma parede permanente entre nós, céus o que vou fazer.
Ouço passos e ergo o rosto, céus Glenn nos viu. Ninguém pode saber desse beijo se não Rick e Shane jamais me deixaram ficar sozinha com Daryl novamente e eu não vou suportar isso. Agora sei que não, porque estou completamente apaixonada por ele e mesmo sabendo que jamais terei chances eu fico feliz em estar por perto, em poder segurar sua mão quando estou com medo.
– Glenn – o chamo e ele se aproxima lentamente se sentando na minha frente – você viu não é?
Estava tão insegura e com tanto medo, não sei nem se Daryl vai se lembrar disso amanhã. E se ele não lembrar? Isso é bom ou ruim? E se ele lembrar e não quiser mais olhar na minha cara porque nos beijamos e porque eu fui fácil e não lhe dei um tapa? Será que ter correspondido ao beijo me torna uma garota fácil. Talvez seja melhor que ele não lembre, mas e se mesmo ele não lembrando o Glenn comentar algo sobre isso.
– Vi... Então vocês estão realmente juntos – ele falou em tom desanimado – achei que talvez... eu tivesse uma chance com você, somos os mais novos e eu te faria feliz.
Glenn gostava de mim, isso é tão estranho. Mal o conheço, ele é um rapaz adorável e talvez eu realmente devesse gostar dele. Seria tão mais fácil, ele é uma pessoa fácil de se líder e a diferença de idade é bem menor. Mas ele não me faria feliz, sei disso porque minha felicidade está em Daryl. Nunca senti metade das coisas que senti hoje com qualquer outra pessoa.
– Eu queria gostar de você, seria tão mais fácil... mas você não é ele – digo o olhando e fazendo carinho em seu rosto – por favor não comente com ninguém, se não irão nos proibir de ficar perto um do outro. Não comente nem com Daryl sobre o que você viu, ninguém deveria ter visto isso...
Bem eu não menti, quer dizer ninguém pode realmente saber sobre isso e Daryl também não. Seria melhor se ninguém tivesse visto, talvez eu tenha deixado a entender que eu estou com o Daryl, mas é por um bom motivo assim o Glenn poderia me esquecer e encontrar uma sobrevivente que o ame. Porque agora tenho certeza que jamais poderia amá-lo, não com Daryl tendo local permanente em meu coração.
Glenn faz um carinho de leve em meu rosto e eu o encaro, não sinto nada, nenhuma das sensações que sinto quando Daryl faz. Mesmo o gesto de Glenn sendo mais afetuoso ele não faz o meu coração disparar, isso é tão estranho. Já me apaixonei antes, já tive dois namorados e eu nunca senti por eles metade do que estou sentindo por Daryl. Acho que isso é mais forte do que eu pensei.
– Vou guardar o seu segredo, não precisa se preocupar – ele disse e beijou a minha testa.
Sorri e sai com Glenn dali, encontramos Lori no corredor que perguntou se tinha algum livro bom na sala de recreação. Depois disso fui para o meu quarto com o coração batendo acelerado, será que Daryl estaria ali. Se estivesse ele estaria acordado? Será que eu conseguiria mais beijos? Abri a porta cautelosa e vi Daryl jogado em um sofá dormindo. Talvez seja melhor assim, peguei um cobertor para cobri-lo. Ele nem se mexeu, passei os dedos por seus cabelos loiros ele estava tão lindo. Beijei sua testa antes de ir me deitar. Me enrolei nos cobertores e toquei nos meus lábios, é acho que amo Daryl Dixon.
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