Um Anjo no Inferno
3 Capitulo 3 - Porque eu me importo com você
Notas iniciais
Aquela foi a experiência mais assustadora do que eu imaginei, zumbis por todos os lados, pessoas que eu não conhecia sendo atacadas. Mesmo assim me mantive em meu posto atrás de Daryl e por sorte os poucos zumbis que talvez me atacassem foram mortos por outras pessoas armadas, eu não consegui atirar. Aqueles rostos ainda eram humanos, aquilo era como matar uma pessoa humana. Quando tudo aquilo acabou já era tarde da noite. Talvez o sol chegue a nascer em algumas horas, quando não havia mais nenhum zumbi avista eu suspirei aliviada e abracei Daryl por trás, quando percebi o que fiz me afastei completamente corada. Ele deve estar me achando uma louca.
– Desculpe – falei olhando para os meus pés e depois lhe entregando a arma.
– Fique com você, não posso ficar te defendendo o tempo todo – ele falou em tom seco.
Fiz que não com a cabeça e lhe entreguei a arma. Sei que não vou conseguir matar um zumbi, quando formos atacados, quando entramos no meio dessa loucura eu devia ter tentado me proteger e ser útil ao Daryl, mas eu não podia. O rosto ainda é humano e isso me impede de atirar, porque seria como matar uma pessoa igual a mim só que mais indefesa. Mais indefesa porque a pessoa não tem controle dos próprios atos.
Foi isso o que eu falei para Daryl que apenas riu e me chamou de criança, depois ele bagunçou os meus cabelos e me acompanhou para pegar minha mochila que estava um pouco afastada porque a larguei bem na entrada do acampamento. Corpos estavam por toda parte, mas não havia nenhum zumbi a vista.
– Quem é ela? – perguntou uma mulher morena de cabelos curtos.
– O nome dela é Cristal, Daryl a encontrou e ela vai ficar com a gente – falou Rick sério.
Fui apresentado a maioria, pelo que eu entendi metade do grupo morreu. Haviam 4 crianças eu gostei delas eram simpáticas. Só não fui apresentada a Andréa a irmã dela morreu no ataque, entendo que ela esteja de luto e mal. Sei como é a dor de perder uma pessoa próxima. Não é fácil.
Eles me explicaram mais ou menos como as coisas funcionam, perguntaram onde Daryl tinha me encontrado e eu fui respondendo as perguntas do melhor modo que pude. Daryl não ficou mais ao meu lado, pelo que eu entendi ele ia garantir que os que foram mordidos não iam levantar no meio da noite para nos atacar. Não é que eu não confie em todas essas pessoas, mas elas não são o Daryl.
As perguntas mais frequentes foram: Qual o seu nome? De onde você é? Onde o Daryl te encontrou? Quantos anos você tem? O que você fazia lá sozinha? O que houve com a sua família? Como eu me sinto? Se eu sabia atirar... Era isso que me perguntavam e eu tentei responder.
– Bem Cristal bem vinda a bordo – falou o Shane, acho que é esse o nome dele – durma no trailer com o Carl, a Sophia e as outras crianças.
Fiz que sim, pelo que eu entendi eles iriam se dividir em turnos mas só nós 5 e a tal de Lori dormiríamos no trailer o resto dormiria nas barracas ou ao relento mesmo. Assim que entrei comecei a procurar os dois sacos de dormir que eu trouxe. A minha família inteira é escoteira por isso todos tínhamos sacos de dormir, trouxe 2 porque não sabia se o Daryl tinha um. Troquei de roupa colocando um short jeans e uma camisa azul clara de manga comprida que tinha o desenho de um floco de neve com brilho na frente, atrás estava escrito Lago dos Cisnes. Calcei o meu all star e fui procurar o Daryl segurando o saco de dormir.
O encontrei perto de um corpo, ele usava uma picareta para atingir a cabeça. Fechei os olhos com força para não ver aquilo, sentia o meu estomago embrulhar e a ânsia começar a subir. Depois de um tempo abri um olho e depois o outro, ele me encarava com uma sobrancelha arqueada.
– B... Boa noite, obrigada por hoje – falei com as bochechas muito vermelhas e estendi o saco de dormir pra ele – eu trouxe pra você.
– Não preciso disso, fique para você e volte para o trailer – ele falou.
Fiquei com medo que ele voltasse a massacrar cabeças, aquilo era demais para o meu estomago e eu ainda não havia terminado o que havia ido fazer ali. Dei mais alguns passos até chegar bem perto dele, peguei a sua mão e puxei para o saco de dormir. Sei que ele não é muito gentil, mas tenho certeza que ele passou por muitas coisas e o principal eu sei que ele não é mal porque ele me tirou daquele banheiro e sei que posso confiar nele.
– Eu trouxe dois da minha casa, um para você... não sabia se você tinha um – falei com as bochechas vermelhas – por favor aceite e... han boa noite... tenha bons sonhos.
Meu coração batia acelerado, minhas bochechas estavam muito vermelhas e sentia a minha mão formigar. Beijei a sua bochecha e a sua barba loira por fazer roçou nos meus lábios, mas isso não incomodou. Depois disso me virei para sair, meu coração ainda batia acelerado, mas algo que ele disse me fez estancar no lugar.
– Boa noite – ele falou baixo.
Me virei para ele e não consegui evitar que um sorriso se formasse em meus lábios, depois disso sai correndo para dentro do trailer. Meu coração batia acelerado com o pensamento que me surgiu, ele se importava comigo e ele estava se esforçando para ser simpático. Ele podia não se dar bem com as pessoas e ser distante, mas ele se importava comigo e isso era mais do que um dia eu poderia pedir.
The Walking dead – POV Daryl
Eu peguei um dos primeiros turnos para ficar de vigia e logo depois fui dormir no meu canto, o mais afastado dos outros. Tenho que admitir que o saco de dormir que a Cristal me emprestou me manteve quente a noite inteira. Acordei com a claridade, fui um dos primeiros do acampamento provavelmente. Temos que queimar os corpos, logo, só não fizemos isso ontem a noite porque a luz poderia atrair mais zumbis.
Cristal saiu de dentro do trailer carregando alguma coisa junto com Lori, Andrea ainda continuava com a irmã morta nos braços. Isso está ficando repetitivo, temos que dar um jeito nisso. Pelo canto do olho vi Cristal e Lori distribuindo o café da manhã, a maioria foi até lá mas eu não me dei ao trabalho de fazer isso.
Fiquei mais afastado e fui conversar com Shane e Rick, alguém tem que dar um jeito nisso. Eles querem fazer o que, esperar a garota acordar zumbi morder a Andrea e começar a ir atrás de todo o acampamento. É por isso que sentimentos só atrapalham, eles deviam ser mais individuais e parar de ficar com tanto sentimentalismo, a garota já morreu.
De repente a garota loira e magrela aparece na minha frente com um sorriso brilhante nos lábios segurando algumas frutas secas – lembro-me de pegá-las na casa da garota – e me passando um pacote. Ela me deu um bom dia animado e perguntou como foi a minha noite.
Não gosto de me apegar as pessoas, acho isso idiota e fraco em um mundo como esse onde zumbis nos atacam. Quase metade do nosso grupo está sendo enterrado e era ridículo esse luto que o grupo se impunha, eles estavam sendo fracos. Só que Cristal era doce demais, ela passou por um ataque de zumbis e mesmo assim parece a mesma garota que eu tirei daquele banheiro. Talvez menos assustada, mas tão inocente quanto antes. Além do que eu não sou um cara sem coração, ela é simpática e legal comigo o tempo todo e não parece estar sendo fraca. Ela podia ter encontrado outra pessoa para idolatrar e lançar esse olhar que ela me lança, mas ela continua aqui. Achei que ela ficaria como a maioria seguindo o Rick ou o Shane, mas ela continuou aqui. Não que eu queria vários idiotas no meu pé, não me dou bem com as pessoas.
– Bom dia – falei e depois coloquei algumas frutas secas na boca.
O sorriso dela pareceu se alargar ainda mais com isso, ela ficou ao meu lado comendo sem falar nada. Ela me olhava as vezes, suas bochechas ficavam vermelhas. Notei que seus cabelos estavam presos em duas trancinhas. Olhei para Andrea que ainda continuava do lado da garota morta.
A garota era uma bomba relógio prestes a explodir e nos atacar, porque todos estão deixando esse sentimentalismo os controlar? Andrea é só uma lunática com problemas com a irmã que vai nos levar todos a morte. O problema é que nenhum desses idiotas tem a cara de dar um tiro no meio da cabeça da garota morta, Amy, da distancia que eu estou eu acerto um peru bem no meio dos olhos.
– Não se aproxime daquelas duas – falei indicando com a cabeça Andrea e Amy – eles estão cometendo um erro...
Antes que eu pudesse completar a frase, Jenna gritou que o Jim havia sido mordido. Ele começou a se afastar e todos se aproximaram tomei a frente junto com T-dog. T-dog o imobilizou e eu ergui sua blusa lá estava a mordida, ele estava infectado, ele foi pego durante o ataque.
Eu e os outros estávamos decidindo o que fazer, quer dizer a maioria. Cristal e as outras 4 crianças estavam recolhendo as roupas que estavam no varal. Esse grupo é muito idealista, eles não querem fazer a coisa certa, o cara está condenado a virar um zumbi e tentar nos devorar e eles não querem matá-lo. Se eu tivesse sido mordido eu agradeceria que alguém acabasse comigo antes que eu virasse uma dessas coisas.
– O limite é claro. Tolerância zero com zumbis — falei curto e grosso essa conversa já está me dando nos nervosos – ou prestes a ser.
Só que é claro o policial novato que já age como o líder – isso é Rick – quer achar uma cura. Quer ir no CDD, se houvesse uma cura ela estaria circulando e não estaríamos neste inferno atual. Não existe cura nenhuma, eles estão prorrogando o inevitável. Jim vai virar uma dessas coisas e vir atrás de nós.
Além disso só porque o Glenn é todo sentimental não vamos queimar os nossos que morreram, vamos enterrar. Isso é ridículo, não temos certeza se não a chance de no meio da noite eles se levantarem e virem atrás de nós. Eles já estão mortos, deveriam todos ser queimados. Dirige a caminhonete irritado para onde iríamos enterrar os corpos, aquilo era ridículo. A maioria veio atrás de nós. Sai do carro e bati a porta com força.
– O chinês fica todo emotivo, diz que não é o certo a fazer e nós o seguimos?– falei e cuspi no chão – eles podem se levantar no meio da noite e nos comer, mais mortes. Deveríamos seguir o plano inicial e queimá-los.
– Eles morreram, eles eram parte do grupo. Eram quase a nossa família – falou a Lori – temos que enterrar os mortos e ficar de luto esse é o certo.
– A nossa família? A minha família era o Merle e vocês o deixaram naquele prédio para morrer! – falei irritado e olhei para todos, espera onde está Cristal? Onde largaram ela? Eu não posso tirar os olhos dela um minuto que ela some? – onde está Cristal?
A maior parte do grupo estava aqui para honrar os mortos no ataque e todas essas babaquices, mas Cristal não estava e isso era preocupante. Não que ela conhecesse algum dos mortos para eu sou bom em jurar caráter, sempre fui, e ela é boazinha demais a ponto de que me parecia obvio que ela estaria aqui com todos os outros. O que aconteceu com ela, olhei para eles que se encararam até que a Lori tomou a frente e falou.
– Ela ficou cuidando do Jim – ela disse.
Cuidando do Jim? O cara está infectado pode tentar atacá-la a qualquer instante! Ele já vai morrer de qualquer jeito, ele não precisa de cuidados. O certo seria enfiar uma picareta no cérebro dele, porque essa vadia que estava dormindo com o melhor amigo do marido tem que mandar a Cristal tomar conta dele? Ela é completamente indefesa, se ele decidir atacá-la ela não vai ter como se defender porque ela não gosta de machucar humanos. Ela deve ser tão indefesa quando as crianças daqui!
Só não avancei contra aquela idiota que acha que é a líder do grupo porque não bato em mulheres, bati a porta do carro com força, peguei a minha besta e fui andando até o trailer, não era longe eu só tive que ir na caminhonete para levar os corpos. O babaca do Dale vinha atrás de mim falando um monte de coisas que eu não me dei ao trabalho de prestar atenção, se aquele infectado tiver mordido a Cristal eu vou contra a minha política de não bater em mulher e enfio uma flecha entre os olhos da Lori.
Abri a porta do trailer com força fazendo barulho, suspirei aliviado ao ver que ela estava bem. Jim estava deitado em um sofá do trailer, havia uma sacola com gelo na sua testa. Cristal estava sentada ao seu lado e parecia conversar com Jim, ela estava bem, mas isso não significava que ele não podia atacá-la do nada. Chego perto dela e a puxo pelo pulso para se levantar e sair dali.
– O que você pensa que está fazendo? – perguntei irritado com ela já fora do trailer.
Ela arregalou os olhos e piscou algumas vezes, sua boca estava levemente aberta. Ela não parecia entender o que eu falava, o pior foi o circo que se formou ao meu lado. Estamos em um apocalipse zumbi e eles não conseguem cuidar da própria vida, porque é muito mais interessante cuidar da dos outros. Eles não queriam enterrar a porcaria dos mortos? Então vão lá e enterrem os mortos e me deixem em paz!
– Ele está delirando pela febre, estava tentando diminui-la... Ele ainda acredita que está sendo atacado por zumbis – ela falou me encarando.
Senti um frio percorrer meu corpo, seus olhos eram tão escuros e grandes que pareciam ver dentro de mim. Sempre achei a maior idiotice essa história que os olhos são a janela da alma, mas naquele momento eles nunca pareceram tão verdadeiros. Ela tinha que erguer o rosto para me encarar nos olhos, mas não desviava, ela podia ser indefesa e inocente mas não era fraca. Foi essa a constatação que eu cheguei.
– Não quero você lá dentro, ouviu? Você tem noção de que ele poderia te atacar? Que ele está infectado? – falei segurando o seu braço com mais força.
Eu só percebi que a estava machucando quando Shane me empurrou no chão e eu soltei o braço de Cristal ela também caiu no chão e soltou um gemido alto. Rick me imobilizou no chão e os dois começaram a falar ao mesmo tempo comigo varias merdas. Falando que eu não tinha o direito de fazer isso com a Cristal, que eu estava machucando ela, que eu tenho que parar de ser irracional, que o Jim não ia atacar ela do nada, que eu não tenho o direito de mandar nela e que eu tenho que me controlar. Não preciso ficar ouvindo sermão dos dois e eu não queria machucá-la, só que aquele cara é uma bomba relógio, ele pode matá-la a qualquer instante. Eu só estava preocupado com ela, Cristal é uma garota legal e boazinha demais. Se eu não protegê-la dos zumbis ela vai morrer, ela não tem ninguém que a proteja.
– Rick, Shane, obrigada pelo que estão fazendo mas podem soltar o Daryl está tudo bem – falou Cristal com a voz doce chamando a atenção de todos – ele não fez por mal, tenho certeza que ele não sabia que estava me machucando.
– Cristal sabendo ou não, Daryl não tem o direito de tocar em você assim ou te dar ordens – falou o Rick lentamente como se estivesse falando com uma criança, mas ao menos ele me soltou – entendo que você se sinta grata porque ele te salvou, mas você não é obrigada a aceitar ele tratando-a assim.
– Não é nada disso – ela falou colocando uma mecha rebelde atrás da orelha e fazendo que não com a cabeça – eu não me importo porque sei que ele só fez isso porque se preocupa comigo, porque eu tenho alguma importância para Daryl e isso me deixa feliz. Não estou aceitando nada por gratidão por ele ter me salvado, eu sou sim muito grata ao Daryl, mas eu gosto dele porque ele é incrível. Ele é muito importante para mim.
Ela sorria e me olhava nos olhos, suas bochechas estavam rosadas e seus olhos negros brilhavam intensamente. Parecia que uma paz havia se instalado no meu corpo. Sim de algum modo eu me importava com ela, com a segurança dela. Não sei o quanto ou o porque, talvez por ela ser indefesa demais, talvez porque mesmo com o meu jeito rude ela não se afastou ou talvez seja porque desde que essa praga de zumbis começou ela foi a primeira pessoa além do Merle que realmente se preocupou comigo. Acho que foi por isso que eu deixei que um sorriso de canto de lábios surgisse em meu rosto, mesmo que por poucos segundos, eu queria que ela soubesse que ela estava certa. Ninguém além dela percebeu, e seus olhos parecem brilhar ainda mais depois disso.
The Walking Dead – POV Cristal
Depois que Daryl mostrou a sua preocupação comigo eu não voltei a entrar no trailer para cuidar do Jim. Deixei varias instruções para Jenna e falei que qualquer coisa ela poderia me chamar, mas eu não voltei a entrar lá. Fiquei junto com Carl e as outras crianças conversando e brincando de adoleta e rindo. Eles não queriam ficar sozinhos e me chamaram para ficar com eles, sempre gostei de crianças e isso me deixou bem feliz.
Meu braço ainda estava dolorido e vermelho, mas a manga da blusa do lago dos cisnes escondia isso. Não ligo para a dor ,sei que Daryl não fez por mal e que esse foi o modo dele demonstrar preocupação e saber que eu sou importante para ele já me deixou muito feliz. Porque ele também é importante para mim, muito importante mesmo.
Os mortos já haviam sido enterrados, fico triste ao pensar nessas pessoas, foi um ataque surpresa e a maioria não teve como se defender. Gostaria de tê-los conhecido, tenho certeza que deviam ser pessoas incríveis, a dor da morte é avassaladora e consome a todos, eu não os conheci e mesmo assim sinto o peso, imagino como seria se os conhecesse. Espero que ninguém mais do nosso grupo morra.
– Cristal venha aqui, o que vamos falar é serio e você deve opinar – me chamou T-dog.
Me despedi das 4 crianças e fui até onde todos os outros estavam, eles estavam sentados em um circulo ao redor de uma fogueira apagada, me sentei ao lado de Daryl, sempre me sinto melhor quando estou perto dele. Todos ficaram quietos por alguns segundos me encarando, aquilo era meio constrangedor então eu olhei para baixo, tantas pessoas me olhando e eu sem saber o que fazer.
– O mais importante é nos mantermos unidos – falou Shane encarando cada um – eu conheço Rick a muito tempo e sei que seus instintos são bons. Então, para os que estiverem de acordo, partiremos logo pela manhã para o CCD. Certo?
E então ele foi perguntando para cada um na ordem do circulo se iria seguir com eles ou se tinha algo para dizer. O casal que tinha duas crianças – um garoto e uma garota – não iriam conosco, eles tem família em outro lugar. Os dois policiais deram uma arma e algumas balas para eles, notei que Daryl ficou indignado com isso. Não entendo o porque da indignação dele, mas não vou perguntar talvez seja algo acima da minha compreensão. Se for algo que eu deva me preocupar acho que ele me falaria.
O resto das pessoas parecia estar de acordo com o que Shane e Rick haviam proposto. A maioria ou falava que sim ou balançava a cabeça, pela ordem eu teria que falar antes de Daryl mas eu não sabia o que ele planejava, ele não chegou a comentar nada comigo. Tenho medo de responder que vou ir com eles e Daryl não ir, eu quero ir para onde ele for. Chegou a minha vez e todos me encaravam, inclusive Daryl.
– E você Cristal? Você acabou de chegar aqui e não nos conhece direito, vamos entender qualquer resposta que você der – falou Rick sorrindo para mim.
– Obrigada – falei e sorri de volta – bem eu vou aonde o Daryl for, então podem perguntar para ele. A resposta que ele der vale para mim.
Senti todos me encarnado e fiquei incrivelmente tímida, parece que ninguém aqui entende o meu modo de pensar, o modo como eu vejo Daryl. Eu confio nele, mas queria mais apoio. Por exemplo ninguém perguntou as crianças para onde elas queriam ir e a Lori vai onde o marido for. Porque eu não posso simplesmente ir para onde Daryl for?
– Cristal essa é uma decisão importante, você nem sabe o que Daryl pretende – falou Rick cauteloso – a chamamos aqui porque a sua opinião é importante, você pode decidir por si mesma.
– Eu vou onde Daryl for, jamais vou abandoná-lo – disse sorrindo e me virei para encarar Daryl que me encarava – sei que ele vai escolher o caminho certo, então eu apenas confio nele. Agradeço o fato de me deixarem escolher, bem a minha escolha é o Daryl
– Você não pode simplesmente deixar que ele decida as coisas por você! Estamos em um mundo perigoso e você deve decidir por si mesma. E sem ofensas Daryl, você não é a pessoa mais calma e sensata do mundo, então eu acho que você, Cristal, deve decidir sozinha – falou Shane me encarando.
– Eu escolhi o Daryl – mantive minha escolha fixa.
– Nós vamos para o CCD – falou Daryl certo e passou os braços pelos meus ombros. Encostei minha cabeça em seu peito e respirei fundo, ele tinha um cheiro bom e todo o meu corpo pareceu relaxar. Achei que eles iriam falar algo, tentar me convencer de algo, mas eles apenas continuaram perguntando para o resto do grupo.
Depois disso Daryl falou para eu não sair do acampamento que ele ia ver se encontrava esquilos para a janta. Sorri e beijei sua bochecha pedindo para ele tomar cuidado, tenho medo dele não voltar ou se machucar. Ele é a pessoa mais importante para mim. Fiquei parada no lugar vendo ele se afastar aos poucos, fiquei ali até ele sumir completamente do meu campo de visão. Me sentia apreensiva, o medo ainda dentro de mim. Não acho que ele me deixaria para trás, ou não quero acreditar nisso, mas e se zumbis o atacarem ou ele me machucar?
Me virei para voltar ao acampamento e procurar algo para fazer, andei em passos lentos e volta e meia olhava para trás para olhar com a esperança de ver Daryl chegando são e salvo. Até agora nada, os minutos se arrastavam lentamente e isso era torturante.
– Cristal eu posso conversar com você em particular? – perguntou Lori se aproximando.
– Claro – falei sorrindo.
Andamos caladas e lado a lada até um ponto mais afastado do acampamento. Eu não sabia o que falar, tinha medo de falar alguma besteira algo de errado, não tinha ideia sobre o que ela poderia querer falar comigo. Não a conhecia muito bem e as possibilidades eram grandes. Quando já estávamos bem afastadas ela parou e me encarou, a encarei de volta.
Mordi o lábio inferior nervosa com aquele silencioso, com o canto dos olhos olhei para a direção de onde Daryl havia sumido, nada dele , voltei a encarar Lori. Ela me olhava séria então acho que ela viu para onde eu olhei, não que aja algo de errado nisso.
– Cristal, qual é a sua relação com o Daryl? – ela perguntou na lata.
– Nunca falamos nisso, mas eu o considero meu amigo ele é a pessoa mais importante e especial para mim – falei sorrindo.
Eu não havia entendido se era sobre aquilo que ela queria falar ou se era apenas para quebrar o clima antes de falar sobre o que quer que fosse. Achei que a minha relação com o Daryl fosse visível a todos, eu me importo com ele e ele comigo, simples assim. Ela continuava me encarando e eu encarei de volta sem saber o que falar ou como agir, aquilo era realmente confuso para mim.
– Não foi sobre isso que eu falei. Vocês estão tendo algum tipo de relação mais intima? – ela perguntou e eu fiquei absurdamente vermelha com a pergunta – vocês já chegaram a ter algum contato mais intimo?
– Não! – falei assustada e de olhos arregalados.
Quer dizer não que fosse ruim, ou que eu iria berrar e ter um treco se ele tentasse. É que eu acabei de conhecê-lo e não acho que ele me veja assim, eu sou apenas uma garota, só isso, não tem nada demais. Quer dizer não acho que ele me veja assim, sei que ele se importa, mas ele deve me ver só como uma garotinha, ele deve gostar de mulheres de verdade. Com corpo e que tenham alguma experiência no quesito sexo, porque eu sou virgem e não tenho nenhuma. A Andrea deve fazer mais o tipo dele do que eu, tenho certeza.
– Você não precisa ter vergonha de falar sobre isso comigo, vocês já se beijaram? Ou ele te tocou em algum lugar mais intimo? Talvez tenham chegado as preliminares ou ido mais longe...– ela perguntou baixo e cauteloso – talvez quando ele te encontrou ou até aqui no acampamento.
– Não... ele só cuida de mim, e eu dele! Só isso, nós não temos nada... é sério – falei ainda muito vermelha e ainda acrescentei — eu sou virgem, não está acontecendo nada... e ele não tentou... quer dizer eu sou muito menina para ele... e... há você entendeu!
– Certo – ela falou suspirando e mexendo nos meus cabelos – vou acreditar em você, mas qualquer coisa pode falar comigo.
Fale com o autor