Um Anjo no Inferno

2 Capitulo 2 - Voltando ao acampamento


Notas iniciais
Gente admito que fiquei surpresa com todo o carinho que demonstraram com a fanfic, estava morrendo de medo de ninguém dar a minima para ela. Obrigada as antigas leitoras que vieram dar uma força e as novas leitora espero que gostem desta fanfic que significa tanto para mim

Cristal me acompanhou silenciosamente até o ponto de encontro onde estariam Rick, Glenn e T-dog, fomos os primeiros a chegar, vou esperar mais algumas horas e se eles não chegarem eu dou o fora daqui com a garota. Me sentei no chão segurando a besta, Cristal se sentou ao meu lado e tirou o casaco.

– De onde você é? – ela perguntou em tom baixo, acho que ela está levando bem a sério as minhas instruções, talvez não seja tão burra.

Não respondi sua pergunta, não vou ficar jogando papo fora e socializando com a garota. Vou levá-la em segurança para o acampamento, do jeito que ela é toda fofa com esse jeito de garota delicada ela vai acabar se socializando com o resto do grupo e virando um deles. Sou um cara bruto, não preciso de pessoas perto de mim. Logo ela vai esquecer que eu a salvei e vai ficar obedecendo o Shane e o Rick feito uma idiota como o resto do grupo.

– Tudo bem se não quiser falar sobre isso, eu moro aqui mas passo a maior parte do ano em NY porque o meu colégio é lá – ela falou sorrindo – eu estava de férias quando tudo começou... Como é o resto do grupo? São muitas pessoas?

E então ela começou a fazer uma série de perguntas que eu não me dei o trabalho de responder, continuei encarando a porta. Estava de guarda para o caso de algum zumbi aparecer e ela continuava me fazendo perguntas, coloquei a besta no chão e a puxei pelos ombros para me encarar de frente, ela arregalou os olhos parecendo surpresa com o que eu fiz.

– Olha só, eu não estou afim de conversar não me dou bem com as pessoas e elas não se dão bem comigo. Simples. – falei em tom duro.

Esperava ver alguma magoa em seus olhos, ou que ela ficasse irritada, mas eu não vi nada disso. Ela pareceu não se importar com as palavras ásperas que eu dizia, ela parecia indiferente a tudo isso. Talvez porque não tivesse outra opção, porque eu a salvei. Não sei, mas ela não precisava ser tão gentil comigo.

– Tudo bem então Daryl, mas saiba que não está sozinho. Do mesmo modo que você não me deixou lá sozinha, eu nunca vou te deixar. Vou estar sempre com você dando o meu melhor para não atrapalhar – ela sorriu e segurou a minha mão.

Seus dedos eram pequenos, ela não tinha unhas compridas. Continuei olhando a porta e ela ficou quieta não disse mais nada. Apenas ficou ali quieta e calma segurando a minha mão e as vezes mexia no cabelo com a mão livre. Eu já estava quase indo embora antes que fossemos atacados quando a porta se abriu.


The Walking Dead – POV Cristal

Daryl era um cara legal, tenho sorte que tenha sido ele a me encontrar, eu já estava a uma semana naquele banheiro e o meu mini estoque de barras de cereal havia acabado a quase um dia. Lembro que tudo começou quando algumas pessoas vieram até a nossa rua – provavelmente outros sobreviventes procurando comida – o numero de zumbis na rua aumentou e meu achou melhor que eu ficasse no banheiro até tudo ficar seguro.

Meu irmão havia saído a duas semanas e não voltado, ele conseguiu falar por alguns segundos com a namorada e foi atrás dela. Ele deve ter tido algum contra tempo, mas agora estávamos mais fracos. Ele era bom com espadas já que fez esgrima e era a arma que mais utilizávamos por não atrair zumbis. Fiquei encolhida no banheiro esperando por algo, quando ouvi tiros tive que me segurar para não chorar, mais zumbis viriam, estávamos fritos. Tranquei a porta e fiquei esperando que meus pais me chamassem e quanto mais o tempo passava, mais desesperada eu ficava.

Quando a porta abriu com um chute eu pensei que era o meu fim, que tudo realmente tinha terminado para mim. Só que me surpreendi ao ver aquele homem ali, ele não era um zumbi e por mais ásperas que fossem as suas palavras eu me senti verdadeiramente aliviada. Não pude controlar o ímpeto de abraçá-lo, mas já descobri que ele não gosta disso e vou tentar me controlar. Até agora não tive muito sucesso.

Daryl Dixon era um homem muito bonito, era mais velho do que eu mas não sei exatamente o quanto algo entre 20 e 30 eu acho. Ele era muito bonito como os heróis dos filmes, e isso me deixou corada. A minha sorte é que está meio escura nessa sala onde esperamos os amigos dele então ele não deve ter visto. Ainda segurava a sua mão enquanto divagava em meus pensamentos, não posso falar para não atrapalhá-lo. Bem, voltando a discrição do meu herói

Ele tem os olhos azuis mais bonitos que eu já vi, seus cabelos são loiros e a sua pele é clara, sua barba está por fazer e ele é musculoso além de bem alto. Eu não chego nem nos ombros dele, ouvi passos e fiquei assustada, muito assustada. Podiam ser zumbis, apertei com força a mão de Daryl e ele preparou aquela arma dele que atira flechas.

Foi quando três pessoas apareceram, ou zumbis, não sou boa em diferenciá-los ainda. Mas como Daryl encostou a arma dele no chão, acho que devem ser os amigos dele. Confio no loiro, ele é o meu herói e jamais faria algo que nos colocaria em perigo.

– Fique aqui vou falar com eles, qualquer movimento me chame – ele falou soltando a minha mão.

Sorri e concordei com a cabeça. O loiro se levantou e foi falar com o cara vestido de policial. O garoto japonês e o outro de tom de pele mais escura ficaram ali me encarando, sorri para eles mas apenas o primeiro sorriu de volta. Notei que o mesmo tinha um machucado no braço, um corte profundo. Abri minha mala com as coisas de primeiro socorros e separei o que iria precisar, me levantei e fui até eles. O moreno apontou a arma para mim.

– O que pensa que está fazendo? – ele falou serio, ele não me conhece e talvez por isso não confie em mim.

– Você está machucado, só ia fazer um curativo... Sou boa nisso, já fui escoteira – falei me aproximando um pouco – não queremos que infeccione certo? Morrer por um corte não cuidado não é algo legal. Posso?

Me aproximei mais um pouco e peguei um pouco de algodão para cuidar dos machucados, fiz isso lentamente para não machucar ou arder ainda mais a ferida, quando pus o remédio o garoto soltou um gemido de dor eu sabia que ardia, mas era necessário. Terminei de fazer o curativo e beijei sua testa, minha mãe sempre falou que um beijo ajuda a curar todos os machucados.

– Me chamo Cristal, prazer – falei sorrindo e me sentando de frente para eles.

– Sou o Glenn e esse é o T-dog, onde você encontrou o Daryl?

Antes que eu pudesse responder ouvi o barulho de um soco na parede e a discussão entre o policial e o Daryl parecia séria. Estremeci e abracei os meus joelhos, estou causando problemas para uma pessoa legal e importante para mim. Sou uma idiota que só trás problemas, senti algumas lagrimas se acumulando nos meus olhos e tentei segurar a vontade de chorar.

A discussão ia ficando cada vez mais feia e a vontade de chorar aumentava, abracei minhas pernas com mais força e fechei os olhos e mordi o lábio inferior. Eu não posso chorar, não vou chorar,vai dar tudo certo. Quando o Daryl chegar vou falar que não tem problema me deixar aqui, ele já fez demais por mim. Ele é um cara legal, o cara mais legal que eu poderia encontrar.

Foi quando senti alguém tocar o meu ombro, era o policial, engoli em seco e quando percebi já tinha derramado varias lagrimas. Respirei fundo e limpei as lagrimas tentando controlá-las. Tenho que ser forte, eu preciso ser forte. Olhei para o policial, tentei falar algo, mas a minha garganta estava seca.

– Cristal, certo? – ele perguntou e eu assenti com a cabeça – quantos anos você tem? Tinha mais algum sobrevivente por perto de onde o Daryl te encontrou? Algum amigo?

Sobrevivente? Meu irmão eu tenho certeza que ele não morreu, ele é inteligente e forte. Tenho certeza que ele está por ai, provavelmente com a namorada porque se alguém pode sobreviver a isto é o meu irmão. Ele é bom com a espada, é rápido e esperto ele vai sair dessa, tenho certeza.

– 16... faço 17 em fevereiro – falei sem desviar o olhar, eu tenho que ser forte – eu estava naquela casa com os meus pais... mas a minha mãe me atacou, o Daryl me salvou, o meu pai estava morto no corredor e o meu irmão mais velho sumiu a algumas semanas... Ele foi buscar a namorada e suprimentos... Não quero te atrapalhar, pode me deixar aqui, não quero te ver brigando com os seus amigos.

A ultima parte eu falei olhando para o meu salvador, olhei diretamente naqueles olhos azuis. Ele foi até a minha mala e a levou até onde eu estava, então ele me puxou pelo braço e me fez olhá-lo diretamente. Não desviei o olhar, me senti completamente envolvida por aquele olhar.

– Você vem comigo, não vou deixá-la aqui – ele falou me passando a minha mochila.

– Obrigada – falei sorrindo novamente.

O policial se chama Rick e no fim ele disse que eu poderia ir com eles, então acho que está tudo certo. Andamos um tempo de carro e depois começamos a andar por uma trilha, ela era íngreme e a mochila dificultava um pouco as coisas, mas eu fui escoteira por boa parte de minha vida. Me mantive o tempo todo atrás de Daryl até que ouvimos gritos, muitos gritos.

Eles trocaram algumas palavras, pelo visto o grupo deles estava sendo atacado um pânico me invadiu, zumbis. Zumbis estavam ali e estavam matando sobreviventes. Matando humanos e eu tinha medo por esses humanos e quando o meu herói me puxou pelo pulso para segui-lo eu tive medo. Não por mim, mas por Daryl, tive medo de perdê-lo.

Chegamos perto do acampamento, os outros três entraram atirando mas o meu salvador parou. Ele me olhou sério e me passou uma arma, arregalei os olhos eu não sei atirar, eu realmente não sei.

– Largue sua mochila aqui e fique atrás de mim o tempo todo, não se afasta, se algum zumbi chegar muito perto de você atire. Se não conseguir me avise e não morra – ele falou sério.

Notas finais
E então o que acharam?Esse é um dos capítulos pelo qual eu tenho mais carinho. O modo como ela segura a mão dele e diz que não vai abandoná-lo é o primeiro marco para a futura relação deles. Obrigada a todos que leram o último capítulo, espero vê-los aqui de novo.