Um Anjo no Inferno
1 Capitulo 1 - A Garota Do Banheiro
Notas iniciais
– Me fale onde ele está para eu ir buscá-lo – disse irritado preparando a besta.
Merle era a minha única família, sei que ele não é perfeito mas eles não tinham o direito de deixá-lo para trás. Aquele tal de Rick o cara não faz nem parte do grupo, o idiota encontrou Andrea, T-dog e os outros, prendeu o meu irmão e age com a maior naturalidade. Queria ver se fosse a mulher dele, ou o filho dele. Meu irmão não é perfeito, mas quem é esse idiota para julgá-lo?
Ótimo agora ele vai dar uma de cavaleiro dourado montado em um cavalo branco e ir para a cidade me ajudar a buscar o meu irmão. Aparentemente T-dog e Glenn também vão querer ir para me ajudar a salvar o Merle e pegar as armas que o policial deixou no meio da rua. Bando de hipócritas eles só precisam das armas, não ligam para o meu irmão. Shane se considera o líder, mas é só um merda que aparentemente está comendo a mulher do melhor amigo. Quando eu encontrar o Merle nós vamos roubar esse grupo e nunca mais vê-lo, eles merecem isso.
Os ignorei e fui até a van onde vieram aqueles idiotas e comecei a arrumar as minhas coisas, vamos fazer tudo de modo rápido. Arrumei as flechas da minha besta, é bom o Merle estar vivo.
– Vamos logo, andem – berrei irritado.
Não falamos nada durante o caminho, apenas fomos andando e seguindo em frente. Não sou um cara de falar, não me dou bem com as pessoas e sempre foi assim, pessoas são complicas e eu não tenho motivos para fazer amigos nesse inferno, sentimentalismo só prejudica quando alguém morre e morrer é uma coisa normal neste inferno. Merle é a única pessoa com quem eu me importo, porque ele é da família, e onde estou agora? Dentro de uma cidade cheia de zumbis subindo as escadas esperando encontrá-lo. O mundo virou um inferno, estamos em um apocalipse e sei que estou agindo irracionalmente vindo atrás dele mas ele sempre foi a merda de tudo que eu tenho e se ele estiver morto eu mato o T-dog.
Meu irmão não estava lá, ele amputou a própria mão, acabou com dois zumbis e saiu dali. Não vou abandoná-lo ele estava com uma mão quebrada, ele matou dois zumbis e saiu dali. Meu irmão é durão, mas ele não iria muito longe, ele iria procurar comida e armas. Tem um prédio de três andares de frente para a saída, um posto de gasolina e uma escola de inglês, as chances dele estar nessa casa são enormes.
– Nós vamos encontrar o seu irmão, sei o que é procurar pela família, passei um inferno para achar a minha. Ele está ferido, podemos olhar alguns quarteirões – falou Rick.
Havia um palavrão na ponta da minha língua, mas eu não falei nada porque sabia que precisava da ajuda deles. Eles podem ser uns vadios que não sabem de nada, mas posso varrer as coisas mais rápidas com ele e sei que eles vão fazer isso direito porque querendo ou não Rick tem esse negocio de líder que convence os outros dois e ele sabe como é procurar a sua família, ou o que restou dela, isso tem lógica.
T-dog e Gleen iriam pegar as armas, e Rick os cobriria, eu iria para esse pequeno prédio da frente algo me diz que eu tenho que ir lá e meus instintos não costumam falhar. Segurando a minha besta eu entrei no prédio, ainda nenhum zumbi a vista. O prédio tinha um apartamento por andar, no primeiro andar não havia nada, abri todas as portas. Nem Merle, nem zumbis, o mesmo no segundo andar.
No terceiro andar havia um zumbi enorme e gordo no meio do caminho e uma garota magricela e de cabelo escuro desgrenhado, acertei os dois bem no meio da testa e retirei as minhas flechas. Entrei no apartamento, a cozinha estava vazia mas havia um pouco de sangue no chão. Não sabia se poderia ou não ser de Merle.
Entrei no apartamento, a sala era grande e logo depois fui para o corredor dos quartos, um era de um garoto – provavelmente adolescente – e o outro era rosa com alguns bichinhos de pelúcia – de uma garotinha provavelmente – abri a porta do banheiro e ouvi algo vindo do boxe, preparei minha arme e o abri.
– Não me mate senhor zumbi – falou uma garota desesperada se encolhendo contra a parede.
Ela tinha a pele pálida como o leite, era magricela e tinha cabelos loiros e bem compridos descendo em cachos, os olhos eram de um tom escuro que contrastava com a sua pele. Seu corpo era magricelo e mesmo ela estando sentada dava para ver que era baixinha. Aos poucos ela foi se acalmando e me olhou, parecia em pânico, não sei o que houve com ela e não me importo.
– Você não é um zumbi? – ela perguntou.
– Claro que não, qual o seu problema? – falei irritado com a pergunta estupida dela.
Ela parecia uma adolescente, talvez tivesse uns 18 anos ou menos. Não passava dos 18 e tinha um ar infantil e inocente. Não sei se é verdadeiro, as pessoas são argilosas e não tem como se manter a inocência em um mundo apocalíptico.
De repente ela simplesmente me abraçou, seus braços magros e gelados contornaram meu corpo e ela chorou em mim. Pensei em afastá-la mas algo me impediu, provavelmente a minha terrível consciência, mas eu sabia que não podia ficar assim, tem zumbis lá fora. A afastei o mais lentamente possível e me virei para sair dali, ela começou a me seguir.
– Você sabe onde estão os meus pais? Eles me mandaram esperar ali, o banheiro tem tranca na porta... eles iam me buscar – ela falou enquanto eu entrava no ultimo cômodo da casa, nada do Merle.
Será que agora ela ainda vai grudar em mim? Não tenho tempo para agir como baba de uma criança assustada que estava dentro de um banheiro. Me virei para ela sério, o momento sentimental já passou e eu tenho sérias políticas contra me apegar a pessoas. Ainda mais pessoas estranhas e não confiáveis.
– Olha só seus pais devem estar mortos ou foram embora, eu estou procurando o meu irmão e não tenho tempo de ficar de babá de uma garota que não sabe de nada – falei grosso.
Então ela segurou a minha mão e eu virei para olhá-la ela parecia tão indefesa. Usava um vestido rosa claro de boneca que estava úmido, mas o modo como ela me olhava era desconcertante, parecia que eu era um super herói e ela precisava desesperadamente de mim. Ela deve ter problemas, não sou um herói e muito menos babá.
– Me deixa ir com você, eu não tenho ninguém... Desde que a TV falou da epidemia eu e a minha família não saímos do apartamento e eu não sei o que fazer lá fora. Por favor, você é um cara bom, não me deixe morrer – ela disse com a voz tremula – eu fui escoteira sei fazer fogueira, primeiros socorros e tenho uma barraca e sacos de dormir... Me leva com você, por favor...moço, prometo me comportar...
Sabia que devia ter expulsado-a, empurrado, feito algo. Mas ela se parecia com uma garota desesperada e assustada. Sabia que ia me arrepender disso, mas não podia sentimental demais que eu puxei a minha mãe, talvez ele esteja certo. Suspirei e fiz que sim com a cabeça.
– Certo, mas me obedeça e ande no meu ritmo não vou ficar esperando pro você – falei sério – ainda tenho que encontrar os outros.
– Tudo bem, vou pegar a barraca e as coisas. A propósito me chamo Cristal White – ela falou abrindo um sorriso doce e beijando a minha bochecha.
Merle não está aqui e ainda vou ser babá de uma garotinha, as coisas não podiam ficar piores. Fui até a cozinha, eles tinham um estoque razoável de comida, seria útil, comecei a separar as coisas quando ouvi um grito agudo e assustado. Era a garota, parecia a voz dela, ela me chamava. Ou melhor gritava moço e socorro, peguei a besta e fui correndo atrás dela, a casa não era muito grande.
Ela estava deitada no chão com uma mulher de cabelos desgrenhados em cima dela, ela gritava e segurava a mulher pelo pescoço parecendo assustada. Dei um tiro certeiro na cabeça da mulher que caiu no chão. A garota estava agora com o vestido sujo, mas ela me abraçou forte. Emotiva demais.
– Você foi mordida? – perguntei seco.
– Não eu juro – ela falou estendendo o dedinho, ergui uma sobrancelha – você nunca jurou de dedinho?
Suspirei, estou lidando com uma criança. Parece que ela ainda vive em um conto de fadas no meio do apocalipse zumbi. Se bem que ela falou que não saiu daqui desde que o apocalipse começou, talvez seja por isso. O corpo da garota era quente, ela batia um pouco abaixo do meu ombro, sua cabeça estava encostada em meu peito, suas mãos miúdas segurava a parte de trás da minha camisa.
– Ela era a minha mãe... Ela me atacou... Eu estava... Tão assustada – ela falou entre soluços.
Afaguei os seus cabelos até que ela se acalmasse, aos poucos ela parou de chorar e a sua respiração se tranquilizou. Ela me encarou com aqueles olhos negros e parecia que ela lia a minha alma, o modo como ela me olhava era desconcertante, era intenso e ela parecia me ver como mais do que eu realmente sou. Não sou um herói, sou apenas fraco demais para deixar a garota morrer porque é obvio que ela não sobreviveria e eu ficaria com isso na minha consciência.
– Qual o seu nome? – ela perguntou me encarando.
– Daryl Dixton e vamos logo, seus gritos devem ter atraído milhares de zumbis – falei seco.
Ela fez que sim com a cabeça e correu para pegar algo que estava no chão, era um mochila com uma barraca e dois sacos de dormir. Ainda segurando a minha mala a segui e a vi entrar no quarto todo rosa, é ela é realmente uma garotinha no corpo de uma jovem adulta. O quarto estava limpo, achei melhor deixar ela se trocar e ir ver se o resto da casa estava realmente limpo. Antes de ir fazer isso apenas murmurei um nada de vestidos, vestidos só atrapalham.
Andei o apartamento inteiro e o corredor e não havia nenhum zumbi novo, olhei pela janela e na rua havia apenas um zumbi. Voltei a separar as comidas, acho que caberá na mala da garota, espero que ela não pense que está indo para um hotel ou para um desfile de moda. Abri a porta do quarto e ela estava se trocando, suas bochechas ficaram de um vermelho vivo e ela puxou a blusa para proteger o corpo, a mala estava feita ao lado da cama.
– Desculpe – falei saindo.
Antes de sair eu reparei em seu corpo – sou homem horas – ela tem seios pequenos e delicados que combinam com sua aparência magra, por baixo do jeans dava para notar que suas pernas eram definidas – não musculosas, apenas não eram dos gravetos. Então ela abriu a porta, suas bochechas ainda estavam coradas, mas ela sorria para mim.
Sua blusa era branca e regata com algumas pedras prateadas, usava uma calça jeans escura, all star e uma jaqueta jeans, os cabelos estavam penteados. Fomos até a cozinha sem falar nada, ela rapidamente pegou todas as comidas e colocou na mala, talvez ela realmente fosse escoteira. Ela sorria para mim de um modo tão doce que eu tive que me segurar para não sorrir de volto. Me pergunto quanto tempo vai demorar para ela deixar esse mundo de fantasia.
– Vamos logo e não faça barulho, não vou te esperar então acompanhe o meu ritmo – falei sério.
– Certo, Daryl espero que nós nos demos bem, prometo que darei o meu melhor e não vou te atrapalhar – ela falou em tom baixo e doce.
Cristal White

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