Um Anjo no Inferno

6 Capítulo 6 - Tudo vai ficar bem


Notas iniciais
Fico feliz que tenham gostado do beijo meio bêbado do nosso Dixon com a Cristal.... Eu gosto bastante desse capítulo porque é um dos primeiros onde eu mostro um pouco da utilidade da Cristal antes dela começar a matar zumbies, porque eu acho que saber matá-los não é a única coisa que ela tem a oferecer ao grupo.Me diga o que acharam dessa intervenção dela que eu coloquei e que não tem (obviamente) na série.

Acordei sem saber exatamente que horas eram, Daryl ainda dormia. Procurei na minha mala um pouco de Advil e depois fui até o banheiro, enchi um copo com água e deixei na mesinha ao lado da cama de Daryl, pelo tanto que ele parece ter bebido acho que ele vai acordar com muita ressaca. Notei que ainda usava o vestido de ontem e fui me trocar, coloquei um short jeans, a blusa de treinos do espetáculo Alice no pais das maravilhas que é vermelha de manga ¾ com o desenho em dourado da coroa da rainha de copas nas costas e na frente o emblema do símbolo de copas só que em preto. Coloquei meu all star preto e penteei os cabelos os prendendo em duas maria chiquinhas baixas (estilo Jenny Humphey de Gossip Girl).

Fui até o refeitório e a maioria já estava lá tomando café da manhã, sorri para eles e me servi de suco de laranja e torradas com geleia, me sentei ao lado de Glenn deixando um lugar vago ao meu lado para Daryl, meu estomago está girando e quase não tenho fome com a grande duvida se ele se lembra ou não do beijo.

Glenn reclamava que nunca mais iria beber na vida e eu ri um pouco, acho que eu Carl e Sophia nos saímos na melhor nessa. Shane tinha marcas no pescoço que pareciam de unhas, as pessoas fazem mesmo loucuras quando estão bêbadas.

– Cristal você vai dançar mais para a gente hoje? – falou Carl me olhando animado.

– Acho que devíamos falar com o doutor Jenner... nós víamos aqui atrás de respostas certo? – pergunto tentando desviar o assunto da minha dança.

Por mais que eu ame dançar, porque eu realmente amo a dança sempre foi a minha vida. Não sei se ainda consigo dançar como antes, trouxe minhas sapatilhas de ponta e não tenho animo para usá-las. Ontem dançar me deu uma sensação ótima, mas não sei se será sempre assim e se a musica tiver uma melodia triste que me lembre de todas as mortes que vi, ou algo na musica me lembre que perdi tanto tempo dançando em vez de com a minha família. Queria me tornar uma dançaria, mas não poderia nem me tornar uma dançarina e nem aproveitei todo o tempo do mundo com a minha família.

T-dog falava para eu cuidar de Glenn que ele estava morrendo me senti constrangida porque o chinês gosta de mim e ele me viu beijando o Daryl. Oh god não tinha como a minha vida estar mais confusa. Acho que T-dog sabe o que Glenn sente ou suspeita, droga que confusão. Só que naquele instante Daryl chega, dessa vez ele usa uma blusa regata e preta colada e um colete de couro com asas de anjo nas costas.

Ele não fala com ninguém, apenas se senta ao meu lado. Droga o que isso significa? Ele se lembra e não liga a mínima para mim, me acha uma garota fácil e agora uma forte barreira se formou entre nós ou ele simplesmente não lembra e está de ressaca? Que confuso, ele toma um grande gole de suco.

– Bom dia – digo timidamente.

Ele me olha e franze as sobrancelhas e depois volta a tomar seu café da manhã. Droga o que isso significa? Minhas mãos estão suando frio e toda a minha fome sumiu. Não tenho coragem para encarar Daryl fico olhando o meu prato e enrolando para comer.

The Walking dead – POV Daryl



Cristal estava estranha comigo desde o café da manhã. Acordei com a cabeça quase explodindo graças a ressaca e por sorte ela havia pensado nisso e deixado comprimidos para mim. Não tenho ideia do quanto bebi, mas pela dor de cabeça que senti foi muito. Acho que comecei a beber mais quando aquele chinês começou com gracinhas para cima da Cristal. Não me lembro de nada da noite anterior depois da entrada da loira no refeitório.

Ela mal me olhou no café da manhã e ficou absurdamente tímida. Nunca há vi desse modo, durante a explicação e o vídeo do doutor Jenner que só provou que ele não sabe de nada ela também ficou calada. Estava ao meu lado, mas em uma distancia maior que a normal e sempre olhava para baixo, mal me encarando. Isso é frustrante, nunca achei que o silencio fosse tão perturbador.

Quando ela chegou eu acreditei que ela se afastaria aos poucos mas ela não se afastou, se manteve ao meu lado o tempo todo. Então porque do nada ela parece tão distante, tão tímida e mal me olha. Isso é perturbador, de algum modo já me acostumei com a presença dela e o afastamento sem justificativa dói mais do que achei que doeria. Achei que não me incomodaria quando ela se afastasse, quando ela fosse virar uma baba ovo do Rick e do Shane, mas isso me incomodou. Talvez seja o fato de que faz tempo que ninguém se aproxima tanto ou que ela está tão longe e tão perto.

Jenner ficou com todo aquele suspense do que aconteceria em uma hora quando a contagem do relógio gerasse e o gerador ficassem sem energia. Eu queria ir com Rick, Shane, T-dog e Glenn até lá em baixo descobrir que merda ia acontecer mas tinha um assunto inacabado. Um assunto loiro, baixinho e que estava mais distante de mim do que eu gostaria.

Todos foram saindo e quando Cristal ia sair eu a segurei pela mão, ela estremeceu e seus olhos se arregalaram. O que diabos estava acontecendo com ela? Todos saíram de lá até o doutor Jenner, ela me encarava meio constrangida.

– O que houve – digo curto e grosso, ela me olha surpresa – não faça essa cara você está estranha e distante desde de manhã, ou desde ontem... Merda... eu fiz alguma merda ontem?

Eu não tinha ideia do que tinha feito ontem e ela ficou estranha do nada, não foi por acharmos um lugar seguro e ela não precisar mais de alguém que a proteja. Ela estava bem antes, ela se preocupou com a minha ressaca. Ontem ela se sentou ao meu lado e estava tão bonita com aquele vestido, merda ela estava de vestido e eu a achei gostosa. Merda eu não posso ter agarrado ela, ela tem 16 anos!

– Não! – ela falou assustada e foi ai que eu soube que fiz a olhei seria e isso a fez fraquejar e corar – nós só conversamos.... eu falei algo constrangedor, fico feliz que não lembre...

– Só isso? – perguntei não acreditando nem um pouco.

– E... – ela falou ficando cada vez mais vermelha – você beijou a minha testa, eu senti que era importante para você.

Naquele momento ela finalmente me encarou, aquela imensidão negra me encarava diretamente, suas bochechas estavam vermelhas. Então foi por isso que ela ficou estranha, então eu não a beijei ou fiz metade do que se passou na minha mente com ela com aquele vestido sendo assediada pelo chinês maldito. Isso é bom, não suportaria ver aquele idiota caindo como um gavião em cima dela. Mas espera ela me disse algo constrangedor, o que poderia ser constrangedor que a deixasse assim? Seria uma declaração? Que idiotice ela é uma criança e não existe tempo para o amor no inferno apocalíptico.

– O que você disse? – pergunto com a garganta seca.

– Que o meu sonho sempre foi me apaixonar e me casar de branco com um buque de flores – ela falou e mordeu o lábio inferior, que sabor será que... não posso pensar nisso, merda – e que por mais impossível que seja, acho que não desisti dele.

– Não existe tempo para o amor no mundo atual – digo e beijo sua testa, ela arregala os olhos.

Saimos dali, um beijo na testa a deixou assim. Interessante, nunca sei o que esperar dela, de algum modo ela é imprevisível ao seu próprio modo. Um beijo na testa a deixa constrangida e feliz, ela sonha com casamento. Não que eu nunca tenha pensado em me casar, ter alguém para me esperar em casa, mas sou um cara difícil e não sou bom em lidar com as pessoas. Esse sonho era impossível e no mundo atual não existe espaço para romance.

Fui tomar um banho e ela organizava suas coisas ela disse odiar deixar as coisas bagunçadas, de repente a água quente ficou gelada, saio do banheiro e ela fica corada mas não deixa de me olhar. Tenho que aprender a entrar com uma camisa o modo como ela me olha me deixa duro, será que ela tem noção do efeito que causa em mim?

Foi quando reparei que as luzes se apagaram e o ar-condicionado para de funcionar, que merda está acontecendo. Pego minha arma e minhas coisas, Cristal me segue com sua mochila. O corredor está lotado pelo resto do grupo que parecia tão confuso quanto nós. O que está havendo aqui. Encontramos ele no labotatorio com uma garrafa de vodka na mão

– A energia está sendo priorizada – ele fala, que merda e por acaso ar e luz não são prioridade? – a zona 5 está se fechando, não sou eu. O sistema está desligando o uso desnecessário de energia para que os computadores não parem de funcionar.

O sigo o mais de perto possível e extremamente confuso, o que está acontecendo? Como um prédio pode simplesmente se fechar? Isso não tem lógica nenhuma. O que diabos está acontecendo e porque ele simplesmente não fala. Olho o relógio grande, falta meia hora para ele zerar. O que vai acontecer quando os números acabarem?

Esse cara já praticamente desistiu da busca, não tem o porque dos computadores serem a prioridade. A prioridade deveriam ser manter as pessoas vivas não as maquinas que nem estão sendo utilizadas. Arranco a garrafa do doutor e a jogo longe, ouço Cristal estremecer com o gesto. Esse cara é um bêbado idiota.

O computador começou a fazer barulho de que em 30 minutos a energia iria acabar, que merda vai ocorrer? Não acontecem barulhos de alarmes quando a energia simplesmente acaba?Esse cara vai nos mandar pelos ares? Rick começa a gritar para irmos pegar as nossas coisas quando as portas se fecham do nada. Esse doutor engomadinho não acha mesmo que vai nos deixar presos aqui, acha?

– Eu falei que se as portas da frente fechassem elas não abririam mais, vocês lembram disso – ele falou serio, como se estivesse certo – é melhor assim...

Melhor assim?Estamos trancados aqui e alguma coisa perigosa vai acontecer em 28 minutos, tenho vontade de estourar os miolos desse cara. Uma flecha atravessando seu rosto, ele não tem o direito de nos deixar aqui. Ele não iria abrir as portas, ele nunca disse que a energia ia acabar e que ficaríamos trancados em uma sala minúscula.

– O que acontece em 28 minutos? – pergunto Rick sério.

– No caso de uma falha de energia catastrófica, num ataque terrorista por exemplo, o explosivo termo-barico de alto impulso é ativado. O efeito de pressão pós vácuo explode o oxigênio entre 5 e 6 mil graus e é usado quando se deseja uma grande perda de vida e danos estruturais... Em resumo põe fogo no ar – ele disse como se falasse que o céu é azul – sem dor, um fim ao sofrimento.

Pulei para cima daquele cara lhe dando um soco direto no nariz, eu não sobrevi a zumbis por dois meses e meio para acabar morto em um prédio em chamas. É ridículo morrer assim. Comecei a socá-lo eu estava tão revoltado, aquilo era impossível.

– Abra a maldita porta – berro irritado.

Sou afastado por T-dog, merda tempos que sair daqui. Começamos a bater na porta e lançar coisa lá. Olha para Cristal que parecia completamente me choque, Carl e Sophia choravam e as mulheres pareciam não saber o que fazer. O tempo passava e eu só ficava mais nervoso, não vou morrer aqui, me recuso a morrer aqui.

– Deviam me agradecer lá fora vocês teriam uma vida curta e brutal, com uma morte agonizante – ele diz e eu sinto vontade de matá-lo.

Shane quase foi para cima dele com uma arma e começou a explodir os computadores, o barulho era forte. Cristal estava no chão tapando os ouvidos encolhida. Rick o para e o barulho termina, Cristal ergue os olhos e limpa as lagrimas, ela anda em passos lentos até o doutor Jenner e limpa o seu rosto machucado, machucados que eu fiz. O que ela pensa que está fazendo?

– Você está errado sobre não haver mais esperança, nem você acredita nisso, você teve um motivo para ficar aqui não teve? Um motivo para não ter escolhido o caminho mais fácil como os outros – ela falou com a voz doce terminando de limpar os machucados dele – você escolheu o caminho difícil por algum motivo, qual?

Ela o encarava nos olhos, sua voz era doce e delicada. Ele parou e a encarou, fez um carinho em seu rosto e eu senti vontade de socá-lo por tocá-la, ele não tem o direito de estar assim tão próximo dela. Esse rato sujo, nojento e covarde que vai nos matar.

– O sujeito teste 19 era a minha esposa – falou o doutor Jenner com lagrimas escorrendo pelos olhos – ela me fez prometer que ficaria até o fim. Ela era brilhante, ela teria achado a cura. Eu, não.

– Eu sei como dói perder alguém, meus pais foram transformados e eu nem sei como, mas a minha mãe me atacou... aquilo doeu, senti meu mundo ruir – falou Cristal acariciando a face do doutor – mas eu não quero morrer, quero lutar por eles. Sei que eles não iam me querer desistindo, sua mulher não quis que você desistisse. Por favor nos deixe ter esperança de sobreviver lá fora, nos deixe tentar lutar. É da natureza humana lutar, o que nos torna humanos é a vontade de não desistir e de lutar... Nos deixe ter uma chance, sei que não sou muito útil para o grupo, mas nos deixe tentar.

– Não consigo destravar o andar superior, posso os tirar daqui, mas lá em cima é o computador – ele falou se levantando.

Não acredito, ela conseguiu. Cristal White realmente conseguiu convencer esse doutor idiota e metido a nos deixar sair daqui, Cristal que não sabe segurar uma arma e não quer tirar vida dos zumbis por parecerem humanos conseguiu. De algum modo ela tocou em algum ponto desse cara que o fez recuar e nos deixar sair. As portas se abriram e fui até Cristal que ainda estava ali ao lado do homem que quase nos matou, temos menos de 5 minutos o tempo está contra nós.

– Aqui está a sua chance aproveite, Cristal – ele falou sorrindo para ela – não perca a sua humanidade, a sua fé é algo que eu não esperava encontrar no mundo atual.

Ela beijou a bochecha dele e depois eu a puxei para longe dali, as escadas estavam escuras e tínhamos que usar lanternas. Temos pouco tempo, Jenna fala que quer ficar. Não vou ficar aqui discutindo com ela não temos tempo de sair daqui e convencê-la a ir conosco. Uso um machado para tentar quebrar esse vidro, começamos a atirar e a ficar nervosos.

Foi quando Carol tirou uma granada do bolso explicando que encontrou nas coisas de Rick, ele a prepara a colocando encostada no vidro, nos afastamos. Abraço Cristal com força, ela tremia e lagrimas escorriam pela sua face. Nunca havia visto-a tão assustada, a abraço com mais força e fecho os olhos na hora da explosão. O vidro quebra, todos se levantam. Saio correndo dali segurando a mão de Cristal para ela não ficar para trás, alguns zumbis apareciam e eu usava o machado que ainda segurava para acabar com eles. Não vou usar minhas flechas agora, não vale a pena desperdiçá-las, entramos no carro e Cristal suspira aliviada me abraçando.

– Esperem olhem – grita Lori apontando para Dale e Andrea que vinham correndo.

Olho no relógio, merda não vai dar tempo. Alguns zumbis apareciam e eu vejo que Cristal ainda me abraçava com força, ainda chorava e suas lagrimas molhavam minha blusa, suas unhas estavam grudadas em minha blusa e ela se encolhia no banco se aninhando nos meus braços. A abraço forte quando a explosão do prédio ocorre, o cheiro doce dela invade minhas narinas, como é bom e errado ao mesmo tempo.

Dale e Andrea entram no trailer e logo Glenn que estava na direção da partida, a respiração de Cristal ainda é acelerada e ela não me largou, a abraço com força e beijo sua testa ela vai se acalmando aos poucos, mas não me solta e tão pouco eu a solto.

– Tudo vai ficar bem – digo afagando seus cabelos.