Um Amor Sem Fronteiras

7 Vamos Fazer Um Baile


Notas iniciais
Então pessoal sei que demorei mais sabe como é a vida ... Mega feliz por ter ganhando mais uma leitora :) ... Lucy muito obrigada por ter recomendado e esta gostando da historia capitulo especial para você!!! :)

O restante da tarde passou de vagar, Samantha ficou com dor de cabeça, leu um pouco, tomou um banho quente e deitou para repousar um pouco. Abraçada ao travesseiro ficou observando o céu pela janela entreaberta, enquanto ficava pensando sobre o ocorrido no piquenique.

Na hora do jantar Olivia percebeu algo de errado no ar. Luna mal comentou sobre o passeio, Vivi se esforçou para parecer falante, comentou a respeito de um programa para gravar, e Samantha mal abriu a boca. Parecia fora da realidade.

– Ei, acorde! – Pediu Olivia estalando os dedos diante do rosto de Samantha. – será que o passeio da manhã foi tão decepcionante que não quer sequer conversar conosco?

– Oh, não, não é isso! – respondeu Samantha desapontada pelo flagrante. – eu estava pensando que... Bem, não entendo nada de videocassetes, gravações. Logo, é o tipo do assunto que não sei participar. Desculpe!

– Você tem ração – concordou Vinicius. – Deve sentir-se deslocada. Bem, Olivia, você que sempre tem ótimas ideias, por que não inventa uma para animar a Samantha?

– É mesmo! – e Olivia fincou o dedo na bochecha. –Escute, você gosta de baile, Samantha?

– Adoro!

– Bem, como ainda estamos em julho poderíamos fazer uma quadrilha com, mastro, doces pipoca, quentão... mas espere, estou tendo uma outra ideia pra lá de genial! E se invés de quadrilha fizéssemos... Um baile do império?

– Como assim, mamãe? Perguntou Vivi.

– Meu Deus, por que nuca tive essa ideia antes? – perguntou-se Olivia. –Um baile do império! Escutem, vocês poderiam convidar amigos da cidade, trariam um conjunto para animar a festa e faríamos um baile como se fazia no século passado. Eu explico: cada casal seria um casal de nobres, o barão disso, a condessa daquilo, a marquesa não-sei-do-quê... Seria como se, por um passe de mágica, tivéssemos voltado aos tempos em que os barões Almeida de Sá davam festanças por aqui!

– Ora que interessante! – falou Luna começando a gostar da ideia.

– E estaríamos vestidos de acordo com a época? – assanhou-se Vivi.

– Exatamente! – concordou Olivia. – Será um baile a rigor, com roupa a caráter, uma reconstituição histórica. Faremos roupas com tecidos baratos, para não ficar caro, acenderemos velas no candelabro de cristal... Ficará perfeito!

–Poxa, vai ser maravilhoso tia Olivia! – exclamou Samantha amimando-se também.

–Convidaremos só gente bacana – continuou Olivia. – Os primeiros serão seus pais, Samantha.

Samantha ficou muito feliz.

– Muito bem, agora que a ideia está lançada, ponham a cabeça para funcionar e, com isso não ficarão aí com essas caras de velório – insistiu Olivia. – Que tal no Sábado que vem?

Foi aprovado por unanimidade.

A partir daquele momento, Samantha e Luna se transformaram de novo, Vivi se esqueceu do mau humor e elas voltaram a trocar ideias como se nada houvesse acontecido. As três reviraram todos os livros históricos da biblioteca da fazenda, fizeram esboços de modelos, morreram de rir do exagero da moda de antigamente, escolheram chapéus e até sapatos. Depois as três começaram a fazer os convites por telefone. Volta e meia Olivia advertia:

– Olhem os impulsos! Telefone é para conversa rápida!

Os amigos de Bela Vista ficaram assanhadíssimos com a festa, também foram convidados alguns amigos de Acácia e Dianópolis.

– Só quero ver esta casa no dia seguinte! – resmungava Geralda preocupada com a desordem. – Isto aqui não é hotel! O pior é se inventarem de dormir!

–Ninguém vai dormir na fazenda porque, terminando o baile, cada um pega sua condução e vão para suas casas – respondia Luna. – Pare de implicar, tenenta Geralda!

Então ela ficava mais louca da vida.

Por mais que tivesse escolhido modelos, Samantha não havia encontrado nenhum que realmente gostasse. Foi por acaso que ela teve uma inexplicável ideia que, com a maior naturalidade, propôs para Vivi:

– E se eu me vestisse de... Ana Beatriz?

– A filha da baronesa? Estranhou Vivi.

– Ela mesma! Desde o dia em que você me contou a historia dela, ficou alguma coisa dentro de mim e sempre que fecho os olhos, de repente a vejo no vestido azul que iria usar ao completar 15 anos... e só foi usado para ela posar. Oh, eu gostaria tanto de ser Ana Beatriz! –falou Samantha. – Será que não existe essa tal pintura ou retrato dela para eu tirar o modelo?

– Existe sim – respondeu Jurema que, por acaso, atravessava a sala. – Está lá, pendurado na parede, do casarão aí do lado

–Ótimo! – assanhou-se Samantha – Então, vamos vê-lo, Vivi? Posso tirar o modelo da minha roupa de lá!

Vivi estava com a testa franzida.

– Eu não sei se seria certo fazer uma coisa dessas– respondeu Vivi, pensativa. – Afinal Ana Beatriz já morreu e...

– E daí? Todo mundo vai representar mesmo alguém que já morreu? O que tem de mais? Não é nenhum desrespeito!

– Também acho que não é – declarou Jurema com o nariz bem erguido. – Deixe de ser chata, Vivi, que é que tem? Eu aposto que Samantha vai ficar uma gracinha fantasiada de Ana Beatriz.

– Jurema quer fazer o favor de ir divertir-se com suas panelas? – pediu Vivi com os olhos espremidos, quase devorando a empregada.

Jurema saiu resmungando e Samantha tanto voltou a insistir no pedido que, afinal, Vivi pegou a chave, e as duas saíram para o alpendre comprido. Quando Vivi empurrou a porta alta e pesada da outra metade do casarão, Samantha arrepiou- se. O ar frio cheirando a coisas velhas e esquecidas ativou-lhe a imaginação e, sonhando mergulhar no passado, ela entrou atrás de Vivi.

Vivi abriu a janela e a claridade desenhou o interior daquela sala. Que impressionante! Ali estava escondido um pedaço do passado, protegido contra o mundo moderno. Quase um museu. As janelas tinham cortinas de veludo verde, desbotadas, com argolas douradas e encardidas nas pontas. Entre uma janela e outra havia pinturas de medalhões com rosas, cujos motivos se repetiam no teto. Piso de tabuas largas, lustres no teto, moveis em estilo pesado, cadeira de espaldar alto, retratos a óleo de alguns membros da família.

Silenciosas, elas observaram aqueles rostos que, agora, pertenciam aos mortos. A baronesa era uma mulher alta, imponente e usava um vestido grená. Segurando um pequeno leque olhava para um vaso de rosas botão. Já o barão, alto, magro de meia- idade tinha uma expressão austera, elegantíssimo em sua casaca negra. E no outro lado, na parede da frente, o retrato de Ana Beatriz. Samantha segurou a respiração. Era uma linda garota de olhos azuis, cabelos ruivos e o rosto tão corado como maçã. Os lábios, de um encarnado vivo, pareciam prestes a se abrir em um sorriso. Ela estava com o vestido azul que trazia um laço cor-de-rosa na cintura, botinhas pretas, meias brancas e caminhava por um campo florido , tendo, na cabeça, um chapeuzinho com um maço de rosas brancas.

–Poxa, como ela era bonita! – exclamou, por fim, a garota.

Vivi não desviava os olhos da pintura.

–Sim, ela era muito bonita...

–Não posso acreditar que essa garota tenha vivido no século passado e que já tenha morrido– continuou Samantha.

– Será que ela foi enterrada com esse vestido?

– Sim, esse – concordou Vivi. –E depois de saber isso você ainda quer fazer um vestido igual?

Samantha notou que os olhos da Vivi brilhavam como se ela acabasse de lançar um desafio. Por isso, aceitou-o prontamente.

– Sim, eu quero!

Vivi não disse mais nenhuma outra palavra. Samantha enfiou a mão no bolso, pegou papel, caneta e, rapidamente, se pôs a tirar o modelo.

Alguma coisa havia acontecido Luna depois do piquenique, e Samantha não conseguia descobrir o que era. Que ela estava diferente estava. De repente havia-se tornado alheia, reservada, às vezes ficava fora do assunto e, então, se ela perguntava, ela respondia meio espantada:

– O que foi mesmo que você disse?

– Luna deve estar com a cabeça na lua – brincou Vinicius, no jantar.

Luna sorriu, mas Samantha seria capaz de apostar que ela nem tinha escutado o que o pai havia dito.

À noite, deitada e abraçada ao travesseiro, ela fez uma série de suposições. Teria, por acaso, sido a menção do nome de Ana beatriz que a havia deixado assim? Afinal, quando ela soube da triste historia da garota e mais o fato de ela estar mumificada na capela, também não conseguiu afastá-la do pensamento. Talvez o fascínio tivesse nascido daquela aura de mistério que em volvia a infeliz filha da baronesa.

Mas de repente, deu um salto e arregalou os olhos:

– E se for... um feitiço?

O coração disparou e Samantha mordeu o dedo. De repente, a hipótese na qual não havia pensado começou a atormentá-la. Mistério, morte, romance, alma penada... E se o espírito de Ana Beatriz estivesse vagando pela fazenda...

–... À procura da antiga namorada? – perguntou-se tão assustada com a tal possibilidade que até empalideceu.

– Meu Deus, não é possível uma coisa dessas! Fantasmas não existem! Ou será que...

Notas finais
Então fantasminhas que tal comentarem hem!? suas opiniões são importante, podem dizer o que quiserem ... deixem uma autora inspirada e com muita vontade de escrever!!! :)