Um Amor Sem Fronteiras

8 Uma Cena Estranha


Notas iniciais
Bem, sei que demorei um pouquinho, mais esta aqui mais um capitulo, quero muito agradecer a minha mais nova leitora Lucy pela recomendação da fic e por ter comentado em todos os capítulos postados até agora, fiquei muito feliz com isso me deu animo para escrever, também quero agradecer a Ávila, que já lia a fic antes mas que não desistiu de acompanha-lá, então é isso capitulo especial para essas duas, e quero pedir que por favor COMENTEM suas opiniões são importantes para mim!!! Boa Leitura a todos!!! :)

─ Não, não... Como sou boba! ─ Definitivamente fantasmas não existem, eu preciso parar é de ficar pensando em bobagens!

Samantha fez o maior esforço para acreditar em suas próprias palavras, mas, depois de algum tempo, lá estava elas novamente martelando lhe a consciência. Ela nada conhecia a respeito de parapsicologia, mas já tinha ouvido cientistas falando a respeito de certas “forças sobrenaturais” agindo por aí. Além disso, a pintura de Ana Beatriz estava impressionantemente viva para ser apenas o de uma garota morta havia quase sem anos. Mas... mesmo que houvesse tal “fantasma”, conseguiria mesmo dominar pessoas? Na verdade, Samantha havia ficado impressionadíssima. E por que não Luna?

– Isso não tem o menor propósito! –falou decidida. – estou agindo de modo ridículo, acreditando em fantasmas e contos da carochinha! – sabe de uma coisa, Samantha? Se existe algum fantasma apaixonado que mora naquele quadro, você é mais forte do que ele porque tem carne, ossos e sangue, enquanto um fantasma é apenas... uma ideia ou um espírito. E depois você esta caída pela Luna e uma mulher apaixonada faz tudo pelo seu amor. Não é assim que acontece nos grandes romances? Claro que no seu casso esse romance foge completamente dos tradicionais. Riu ela. Mas, vou descobrir se Luna também esta sentindo algo por mim e se estiver vou lutar por esse amor.

– Sim, estou apaixonadíssima, “pirada” por ela e hei de brigar com o mundo inteiro para que Luna seja só minha! Dona Ana Beatriz, limite-se ao espaço do seu quadro porque no dia do baile, vestida de você... vou conquistar Luna para mim. Gostou!

E assim pensando, adormeceu.

Tomada à decisão, Samantha resolveu que, a partir do dia seguinte começaria o “ataque” sem dar tréguas ao fantasma. “Tenho de ser mais esperta, mais charmosa, mais tudo do que ela! Afinal, fantasmas não passam de uma fumacinha, não têm a oportunidade de dançar, de contar piada, de... Ei esperem aí! Existem fantasmas que adoram meter medo nos outros. Ah, mas que bobagem, Ana beatriz não pode ser fantasma que arrasta corrente!”

O dia seguinte amanheceu com um lindo sol de verão nem parecia que estavam em pleno inverno. Samantha acordou com fome, a mesa estava posta para o café, mas Samantha não encontrou ninguém da casa.

–Bom dia! Jurema onde estão todos? Perguntou Samantha se sentando a mesa.

– Bom dia! Estão cuidando dos bezerros no estábulo. – avisou Geralda com um ar de reprovação. Até a Luna resolveu ir lá ver, eu só não sei o que ela foi cheirar lá se morre de medo de vacas!

– Obrigada, Geralda. Depois, eu vou lá.

– Não, não vai não – contestou Vivi entrando pela porta da sala.

Geralda deu uma olhada, franziu a testa e retirou-se. Vivi estava séria, encostou-se ao batente. Samantha ficou surpresa:

– Oi, Vivi. Nem tinha visto você...

– E nem podia mesmo, porque que acabo de entrar. Tudo bem?

– Tudo ótimo! Já tomou café?

–Já. Madruguei. Que noite horrível! Gravei um filme, não dormi direito.

Vivi cruzou os braços e olhou longamente para Samantha como se estivesse observando algo irreal. Era um olhar tão gelado que Samantha sentiu-se incomodada e também um certo arrepio. Vivi caiu em si, descruzou os braços, sacudiu a cabeça e sorriu:

–Você não pode ir ao curral ver os bezerrinhos, não...

– Por que não?

– Supressa priminha! Mamãe disse que a Laura a costureira telefonou e disse que vem agora de manhã, experimentar as roupas do baile.

– já??? – e Samantha ficou alvoroçadíssima.

– E, pelo que mamãe disse, ficaram uma beleza! – Agora, termine o café e enquanto Laura não chega você vem comigo. Preciso de sua ajuda para bolarmos a decoração do salão para o baile.

– Sou péssima decoradora, nuca tive ideias para isso!

– Pois eu tenho! Uma vez assisti a um filme muito antigo. Era a cena de um baile em uma mansão inglesa, e eles inventaram todas as colunas com guirlandas de verde e rosa. Ficou uma beleza! A gente podia fazer igual... mas não temos colunas no salão!

Vivi caiu na risada e, depois, agarrando a miga pela mão saíram correndo.

Vivi estava cheia de ideias, pegava folhas de papel, rabiscava, desenhava, pedia para Samantha sugerir cores, sonharam juntas até com a chegada de uma carruagem imperial em frente ao casarão. E dela desceriam os imperadores do Brasil.

La pelas 10 horas, Jurema disparando numa corrida gritou:

– A dona Laura chegou! A dona Laura chegou!

Laura era baixinha, gorda e risonha. Para sair do fusca foi upa pra lá, upa pra cá, o volante espremia a barriga. Ela fazia tudo dando risada e comentando:

– Ainda bem que consegui murchar a barriga o suficiente! – e saltou, fechando a porta. – se eu continuar engordando assim vou ser obrigada a comprar um caminhão.

Sempre fazendo piada de tudo, foram para o quarto, onde Laura revirou as sacolas. Ali estavam quatro vestidos: o de Olivia era em grená e branco, o de Vivi, um lustroso tecido de seda amarelo com babados, o de Luna um lindo cor- de-rosa bebe longo em estilo tomara-que-caia com decote coração e corselet com bordados de pedrarias e paetês. E uma linda saia corte princesa em tule em camadas e o azul de Samantha. Parada num canto e de um olhão arregalado, Jurema olhava, maravilhada, aquelas roupas lindíssimas.

– Podem experimentar– falou Laura entregando um vestido a cada uma. – Espero que não tenha muito o que consertar porque fazer esses modelos do tempo da bisavó foi uma loucura! ─ Mas onde esta Luna? ─ Perguntou Laura

─ Já está vindo. ─ Respondeu Olivia

Assim Olivia, Vivi e Samantha começaram a trocar-se. Era vestido voando daqui, calças dali, blusa mais adiante. Em questão de poucos minutos, como se um mágico houvesse passado por ali, elas se transformaram em três sinhás do tempo do império.

O queixo de Jurema quase caiu. Olivia estava lindíssima em seu modelo bem decotado e cintura fina; Vivi parecia uma boneca com os olhos verdes que mais pareciam duas esmeraldas, e Samantha...

– Jesus da minha guarda! Murmurou Jurema juntando as mãos. – Tá igualzinha a finada Ana Beatriz, do retrato do casarão! Até me arrepia!

Samantha olhou-se no espelho. Laura se pôs a ajeitar daqui e dali.

– Falta só dona Jovelina, a florista, aprontar as rosas para o chapeuzinho– disse– Vai ficar joia!

– E como se Ana Beatriz houvesse ressuscitado– comentou Olivia ajeitando o cabelo de Samantha. – Um perfeito retrato vivo!

– Eu não acho! – disse Vivi com uma olhada. – Ana Beatriz era ruiva e tinha olhos iguais aos meus. Os olhos de Samantha são avelas e, além disso, ela é morena.

– Nossa você falou num tom que parece não ter gostado da observação que sua mãe fez – falou Laura.

– Não é que não gostei Laura. É que a Samantha ficou muito impressionada quando eu contei sobre a morte de Ana Beatriz e, se vocês ficarem aí dizendo que ela está igualzinha à morta, é capaz de ficar muito mais assustada. Não é, Samantha?

– Bem, é verdade que eu fiquei impressionada, sim...

–É... – e Olivia suspirou. – Ana beatriz teve uma historia muito triste. Além de morrer na flor da idade, e tudo por causa de um amor que não lhe foi permitido viver, afinal se hoje em dia essa historia de homossexualidade já causa tanta polemica imagina naquela época, mas em fim esse negócio também de a família mandar embalsamar o corpo ficou muito gravado na mente das pessoas mesmo depois de tantos anos.

─ Pois é ─ respondeu Laura também com um suspiro. ─ Criaram até um mito em torno da garota. Pois não houve um tempo em que até começaram a falar que Ana Beatriz estava fazendo milagres? Por isso que antes de vender a fazenda, a família acabou proibindo a entrada de pessoas na fazenda ou, do contrário, nessa altura dos acontecimentos, este lugar já se teria transformado em ponto de romaria...

– O corpo dela estava perfeito quando abriram o caixão, não estava? – perguntou Samantha, como se estivesse magnetizada. – Dizem que ela estava tão bem que parecia viva... capaz de levantar a qualquer momento...

– Ai, gente credo, vamos mudar de assunto, por favor, que já estou toda arrepiada! – falou Olivia mostrando o braço. – Já vi que esse assunto dá pra impressionar sim...

Nisso, bateram à porta.

– Entre – ordenou Olivia.

A porta foi aberta. Era Luna. Ela já ia entrando quando percorreu, passando por Olivia e Vivi. Quando Bateu os olhos em Samantha, a garota empalideceu. Samantha sentiu que ela havia levado um choque e tanto. Luna ficou abalada que, por alguns momentos, permaneceu imóvel. Até que deu meia-volta e desapareceu numa corrida.

Olivia correu até a porta e chamou a filha. Luna, porém, já havia desaparecido.

– Coisa mais estranha! – comentou, vagarosamente desabotoando a roupa. – Nunca vi a Luna desse jeito, e ela nem ficou para experimentar o vestido dela!

– Não se preocupe quanto a isso, eu deixo o vestido dela aqui e ela experimenta depois, casso precise de algum ajuste é só me avisar, agora sobre o que aconteceu não se preocupe, vai ver que é “onda” dela – falou Laura ajudando-a a tirar o vestido de Olivia. – isso se não for alguma brincadeira, só pode ser coisa de adolescentes. Os jovens fazem coisas incríveis; nesta idade. Eu também tenho filhos e...

Enquanto Laura contava o caso, Vivi silenciosa, tirou a roupa e esgueirou-se do quarto sem que ninguém percebesse... Numa corrida foi até a estrebaria onde encontrou Laura.

Samantha também resolveu ir atrás de Luna para entender o que havia ocorrido. Então saiu a procura dela. Depois de muito perguntar daqui, perguntar de lá soube que ela tinha ido em direção à estrebaria.

Samantha seguiu naquela direção. A cada passo, o coração batia mais forte. Era como se fosse fazer algo proibido, incontrolável.

A estrebaria era comprida, tinha um largo portão à frente e, ao se aproximar, Samantha já sentiu o adocicado cheiro do feno. Havia muitas baias, poucas ocupadas com belíssimos cavalos de raça. Silenciosa, Samantha entrou à procura de Luna. O piso estava recoberto com palha, por isso, ao pisar, ela não fazia ruído.

Quando se aproximou da ultima baia e olhou para dentro o que viu, seus olhos não quiseram acreditar: Luna estava abraçada a Vivi!

Notas finais
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