Um Amor Psicopata
3 Você Me Faz Sentir... Bem
Notas iniciais
O medo tomava conta de mim, não conseguia ver nada ao meu redor, estava muito escuro. Ouvia seus passos perto, olhava para os lados de acordo a onde ouvia os passos, mas não o via, sabia que ele estava ali, esperando um momento para atacar. Meu desespero ficava cada vez maior, não aguentava mais ficar ali no meio daquela sala escura amarrada esperando já pelo pior. Eu tinha que fazer algo, eu precisava. Logo em seguida o barulho de seus passos se acabaram escutei barulho de correntes sendo arrastada, mas nada de seus passos apenas o barulho das correntes tomavam conta daquele local.
Por que comigo? Por que logo eu? Não havia entendido ainda o motivo de estar ali.
Senti como se algo pingasse em minha face, olhei para cima e só vi a escuridão, mas tinha algo escorrendo ali eu sentia. Tinha medo de saber o que era, mas a curiosidade sempre falava mais alto. Tentei de varias formas ver o que era mas era impossível, o local estava muito escuro não via nem minha próprias pernas. Quando dei por mim não havia mais barulho nenhum naquela sala, isso me deixou mais desesperada pois assim não fazia a mínima ideia da onde ele estava. Sentia sua presença perto, porém não sabia a onde. Meu corpo ardia, queimava por inteiro, ao lembrar de seus toques em mim sentia meu corpo extasiado. Não sabia por que de estar lembrando daquele momento antes de ele me trancar aqui. Mesmo com medo e apavorada pelo estado em que estava, eu ainda queria sentir ele perto de mim. A louca aqui pelo visto sou Eu não ELE. Olhei para os lados loucamente tentando ver ele naquele escuridão eu precisava o enxergar.
De ante ao desespero, ouvi sua voz ecoar naquele sala vazia em que só nós dois estávamos presentes. Sua doce voz pode me acalmar e me levar á morte ao mesmo tempo. Senti sua respiração em meu pescoço logo em seguida ouvi sua linda voz num sussurro doce falando perto de meu ouvido:
–Me procurando?
Senti um frio em minha espinha, logo em seguida eu percebi o que havia acontecido eu...
Eu acordei...
Tudo não havia passado de um sonho.
Me sentei na cama, e percebi meu estado: Suada, descabelada, ofegante, e preste a chorar.
Eu havia sonhado com ele, um sonho totalmente maluco, um sonho que mexeu comigo. Eu precisava ver ele e por o meu trabalho em prática, eu precisava ajudá-lo.
Olhei no relógio e o mesmo marcava 6:49 da manhã. Resolvi me levantar já daqui a menos de dez minutos teria que fazer isso. Fui até o meu guarda-roupa e peguei uma roupa confortável, já que hoje passarei o dia todo no manicômio. Peguei uma roupa simples: uma calça social, uma blusa de botões branca e um sapato de salto confortável. Peguei uma toalha e fui ao banheiro. Tomei um banho relaxante, tentei esquecer aquele sonho maluco, mas não dava. Escovei meus dentes e fiz minha higiene matinal e fui para o quarto me vestir. Passei uma maquiagem básica, para não ficar com cara de defunto. Abri a janela do quarto e senti a neblina invadir o quarto, o tempo estava nublado e fresquinho.
–Acho melhor pegar um casaco. –Pensei.
Peguei um casaco quentinho e que combinasse com a roupa. Não que eu me importasse só na moda, pelo contrário, mas quem não gosta de andar arrumada e bonita.
Peguei minha bolsa e a chave do meu carro (que havia comprado), e abri a porta de casa sentido o ar bater em meu rosto, fazendo meus cabelos se liberarem. Era bom sentir aquilo logo de manhã, apesar do frio era bom. Fui para manicômio sem ao menos ter tomado café, tenho planos para tirar León lá de dentro hoje, acho difícil deixarem mas tentarei.
Não demorou muito e cheguei lá, estacionei meu carro peguei minha bolsa e sai para a sala do diretor Pablo. Hoje estava totalmente perdida em pensamentos apenas ficava concentrada naquele maldito sonho.
Será que algum momento ele poderá se torna realidade?
Chega de besteira Violetta, e se concentre em seu trabalho.
Assim o fiz. Tentei para de pensar nisso, o que foi meio difícil pois o meu trabalho é sobre o León é com ele e seus problemas e se ligam em meu sonho.
Cheguei na sala de Pablo e bati na porta e escutei um sonoro “Entre” . Abri a porta lentamente, e o vi dar um sorriso ao me ver.
–Violetta já está hora aqui?-Perguntou surpreso.
–Pois é. Acordei mais cedo hoje e resolvi já vir para cá.-Respondi sorrindo.
–Ah que maravilha. Me diga, não estas com medo de o ver hoje?-Perguntou mudando de humor.
–Na verdade não. Eu sinto que dentro daquele León, tenha um ser com sentimentos que esta arrependido de tudo.-Falei ainda sorrindo.
–Mas enquanto esse León não o domina, eu lhe digo: Cuidado.-Falou ele me alertando.-Ele é mais inteligente de nós, ele sabe nos enganar para conseguir o que quer.-Completou.
–Por que esta dizendo isso?-Perguntei confusa.
–Apesar de você ser uma excelente profissional, ainda e muito nova e lhe garanto que nunca viu algo parecido com o caso do León. Apenas estou lhe alertando, não deixe ele tocar seu coração.-Falou ele sério.
–Esta bem...-Falei já sem sorriso no rosto, a minha idéia de o tirar dali hoje foi por água abaixo.
–Mas o que a senhorita venho fazer aqui? Procura algo?-Perguntou voltando a ser simpático.
–Bem... eu...-Travei.
–A senhorita?-Perguntei.
–Eu queria levar o León para passear.-Falei rápido, mas ele entendeu e deu um alto gargalhada.
–Você só pode estar brincando né?-Ele perguntou rindo e eu neguei com a cabeça.-Não esta brincando!-Ele afirmou.-Você não escutou o que eu disse? Não deixe ele tocar seu coração. Menina no momento em que saírem daquele portão o garoto conseguirá o que quer á anos, fugir.-Completou meio alterado.
–Tudo bem.-Falei receosa.- Eu só queria lhe mostrar algo diferente.-Completei.
–Faça um piquenique no campo em que temos aqui. Ele geralmente não vai lá, será bom. Se quiser o fazer, fala com a enfermeira Francesca ela cuida dele.-Terminou ele.
–Esta bem, obrigada!-Falei, quando estava quase saindo ouvi ele me chamar.-Sim?-Perguntei.
–Eu vou lhe apoiar em tudo, também quero que o León melhore, e vejo o quanto você quer isso. Não veja essa conversa com uma forma deu estar te negando algo, pelo contrário, acho ótimo querer fazer algo diferente, mas vamos esperar termos total confiança em que ele não irá fugir.-Falou ele sorrindo.
–Claro, esta bem.-Falei voltando a me animar.
Saí dali e tentei achar a Francesca, acho que é a mesma em que vi aquele dia na sala de Pablo. Sim eu quero fazer esse piquenique, qualquer coisa diferente esta bom, só espero que ele goste.
Estava caminhando a procura de Francesca, mas acabei trombando com alguém. Era uma menina de cabelos loiros, pele clara, aparentava ter a mesma idade que eu e me parecia bem simpática.
–Oh, me desculpe.-Falei a ajudando a pegar suas coisas que havia caído.
–Não foi nada, eu que estava distraída.-Falou ela se levantando com suas coisas.-Eu sou a Ludmila e você?-Perguntou ela simpática.
–Prazer, sou a Violetta.-Falei também simpática.
–Você é a nova psiquiatra? A que vai cuidar do Vargas?-Falou ela me olhando atenta.
–Sim sou eu.-Falei meio tímida, o Vargas esta me fazendo ficar famosa.
–Eu também sou psiquiatra, e também psicóloga daqui.-Falou ela.-Você procura algo?
–Ah sim, a Francesca. Sabe onde ela esta?-Perguntei.
–A Fran sim, ela estava na minha sala. Vem eu te levo lá.-Falou ela começando a andar.
Andamos mais um pouquinho e entramos em uma sala (parecida com a minha), e vi a menina de cabelos pretos ali sentada.
–Olá Ludmi.-Falou ela sorrindo.
–Olá Fran.-Respondeu a Ludmila.
–A Senhorita Violetta, quer falar com você.-Falou a Ludmila largando suas coisas na mesa.
–Sim, Senhorita Violetta?-Falou ela se virando para mim.
–Pode me chamar só de Violetta, ou Vilu.-Falei mesmo tímida.
–Esta bem Vilu, o que gostaria?-Falou ela se levantando.
–Você poderia acompanhar eu e o León, em um piquenique que farei.-Falei e vi a Ludmila dar um sorrisinho malicioso para nós.
–Claro, mas que horas?-Perguntou a Fran sorrindo.
–As 08:00, pode ser?-Perguntei.
–Claro, vou acordar o paciente Vargas.-Falou ela saindo da sala.
–Você é bem atenciosa com o Vargas, espero que consiga algo melhor do que eu e qualquer outra pessoa conseguimos.-Falou a Ludmi.
–Tentarei.-Falei dando um meio sorriso.
–Conseguirá.-Falou ela me apoiando.
–Bem vou indo, até.-Falei saindo.
–Até.-Falou por fim.
Saí da sala e comecei a arrumar tudo para o tal piquenique, só espero que de tudo certo.
Estava na minha sala com tudo pronto, só esperava a Fran chegar e dizer que estava tudo certo.
Pov’S León
Acordei com o barulho da porta sendo aberta. Mesma rotina de sempre. Passos cuidadosos e com medo se aproximavam da janela. Essas pessoas não tem medo da morte? Vão direto abrir a cortina. Erro, grande erro.
–Bom Dia Sr. Vargas, sei que esta acordado.-Falou a voz fina de Francesca.
–Acordou sem medo da morte hoje?-Perguntei divertido ainda com os olhos fechados. Senti o olhar dela em mim.
–A Senhorita Violetta, esta lhe esperando para um piquenique.-Falou ela abrindo a cortina.
–Mas que merda é essa?-Perguntei me virando na cama.
–Apenas se vista.-Falou ela me entregando um roupa.
Me levantei ainda sonolento e cheguei perto dela para pegar a roupa de sua mão. Wow, esqueci de um detalhe estava apenas de roupa intima, vi ela estremecer com a minha proximidade, aproveitei um pouco disso. Já disse que sou safado? Pois bem.
Tomei meu banho, sempre com ela me olhando. Cara isso é constrangedor, só quero tomar um banho sem ser observado. Acabei o banho me vesti fiz minhas necessidades e me sentei na cama para escrever no meu caderno, antes que pensem que sou menininha que fica escrevendo sobre o que sente vou lhe explicar, eu tenho que escrever como estou me sentindo no caderno assim depois a psiquiatra lê e faz o que tem que fazer, tenho que fazer isso todo o santo dia.
Não estou me sentindo tão pilhado hoje, aquela assombração não aparece já faz uma semana, tenho medo do que acontecerá quando ela aparecer. Hoje é o terceiro dia em que não acordo surtando, me sinto como uma pessoa normal ou como eu acho que uma pessoa normal se sente. Bom é isso, agora vou ao um tal de piquenique com a Psiquiatra Violetta.
É eu me abro com um caderno, eu acho que ele é único que realmente me ouvi, e não me julga pelas minhas idiotices de um louco.
–Pronto?-Perguntou a Francesca.
–Sim.-Me levantando sem vontade.
Passamos pelo corredor escuro, que já não me incomodava mais, passamos por um corredor que eu nunca havia passado, o corredor era mais claro e havia várias salas com números, deve ser a sala dos psicólogos e tal.
–Pronto.-Falou a Francesca batendo na porta da uma das salas.
–Oii.-Falou a Violetta abrindo a porta.
–Estamos prontos.-Falou a Francesca.
–Ata.-Falou a Violetta entrando na sala e voltando com uma cesta na mão.-Bom Dia León.-Falou ela simpática.
Me livro ou não dela? Sua simpatia me incomoda. Mas eu não consigo ficar com raiva a ponto de acabar com ela. O que eu faço.-Falava em pensamento.
–Se ving...
–Estou bem e você?-Falei antes que aquela voz começasse a me encher de novo.
–Bem.-Falou ela em um sorriso.
Francesca sussurrou algo no ouvido da Violetta, e ela me encarou por um tempo e depois apenas negou com a cabeça para a Francesca.
–Ok, León você ficar sozinha com a Doutora.-Falou a Francesca saindo dali.
–Sem problema né?-Perguntou a lind... Violetta .
–Aham.-Apenas confirmei.
Fomos em silêncio até uma parte do manicômio em que eu nunca havia ido, era um tipo de campo bem belo para um piquenique, o que mais tinha ali era garotas com seus médicos havia poucos garotos. Fiquei meio incomodado com isso, mas iria tentar não surtar não hoje, e se aquela voz tentar me incomodar de novo não deixarei ela comandar.
Desde á conversa que tive com a Violetta ontem, algo me disse para deixar ela tentar fazer o bem a mim, algo que eu não deixava. Mas bem ela é diferente, me faz me sentir diferente.
Ajudei ela a arrumar as coisas para sentarmos e tomamos nosso café, um tanto quanto diferente.
–Como se sente hoje?-Perguntou ela servindo suco para nós.
–Melhor do que de costume.-Falei sincero.
–Bom saber.-Falou ela sorrindo sincera.
–O que iremos fazer hoje?-Perguntei curioso.
–Conversaremos ao ar livre.-Falou ela animada, ri.-Nunca te vi rindo.-Falou ela me olhando encantada.
–Você me conheceu ontem.-Falei meio debochado.
–Então é um bom começo.-Falou ela rindo.
Ficamos conversando e rindo, nada de falarmos sobre o meu “problema” e olha que eu estava conseguindo me esquecer disso, o que era bom, bom para mim.
–Olha se você quiser me contar algo a mais sobre, você. Pode falar, pode confiar em mim.-Falou ela me olhando.
–Posso aproveitar que não estou em crise hoje, e podemos agir como se eu você uma pessoa normal? Sem falar sobre isso?-Perguntei a olhando, quase que suplicando para isso.
–Você é uma pessoa normal León.-Falou ela perto, Como ficamos tão perto?
–Não sou, e todos sabem, no mesmo tempo que estou bem, estou me matando por dentro.-Falei e a vi me olhar com dó.-Não me olha assim.-Pedi desviando meu olhar do dela.
–Esta bem. Hoje seremos normal.-Falou ela esticando as pernas e botando as mãos na mesma, em um gesto envergonhado.
–Eu serei normal hoje.-Falei a corrigindo.
–Meu querido eu também não sou normal.-Falou ela me olhando.
–Como não? Você é uma psiquiatra toda certinha. Claro que é.-Falei olhando o horizonte.
–Se você acha normal uma menina de dez anos se jogar da escada porque queria saber se caminhar ou se jogar, qual faria ela chegar lá em baixa mais rápido. Então tudo bem.-Falou ela fazendo cara sapeca.
–Você é louca.-Falei rindo.
–Eu disse.-Falou ela me olhando tipo “ninguém é normal”.
–Você me faz bem.-Falei e a vi abrir um sorriso enorme.
–Bom saber.-Falou ela se comportando com uma pessoa seria, mas sem deixar aquele sorriso sair de seus lábios.
Não me aguentei e tive que dar um abraço nela, ela tava me fazendo viver novamente, me fazendo sentir humano novamente, fazendo com que eu acredite que ainda tem chances de voltar a ser aquele León de anos atrás, que não vivia nessa loucura.
Me fazia sentir-me Bem.
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