Um Amor Psicopata
4 Camisa De Força...
Notas iniciais
Pov’s León
Acordei do pior jeito possível. Com aquela maldita voz, falando aquela típica palavra que me fazia surtar “Vingue-se”.
–Ah, mais que droga!!-Gritei naquela sala vazia e escura.
Olhei para a janela e a mesma indicava que ainda estava escuro, ou seja, madrugada. Maravilha!
Olhei mais alem do quarto e pude ver aquela sombra, que tanto me assombrava as noites. Esfreguei meus olhos tentando crer que era só mais um de meus pensamentos. Abri novamente os olhos e me encontrei na mesma situação, ainda sentado e a sombra a minha frente.
–Porque só aparece quando eu penso que poderei mudar?-Gritei com “ela”.
–Vingue-se!!!
– De quem? O que? Porque?-Gritei desesperado.
–De quem não te faz bem.
–Quem?-Perguntei controlando meus gritos.
–Quem está a sua volta, eles não acreditam em você Léon. Só pensam que você é um louco, mas eu acredito e acredito que você é capaz de fazer vingança, de se vingar.
Peguei um tipo de vaso de flor que tinha ali do lado da cama e toquei em direção a sombra. A mesma despareceu como fumaça.
Me joguei para trás na cama e fechei meus olhos com força.
“eles não acreditam em você” “você é um louco” eu acredito” “vingança”
(...)
Pov’s Violetta
Foi perfeita á manha com o León. Ele reagiu super bem, bem mais do que eu esperava, isso é bom. A tarde ele voltou para o seu quarto, e logo depois ele teve um tempo para ficar num tipo de praça, mas que só havia bancos, muito diferente de onde estávamos. E eu fiquei apenas observando seus comportamentos. Hoje ele estava bem diferente mesmo, estava até conversando com mais dois rapazes, que a Fran havia me dito se chamar Andrés e Marco.
Mas logo tive que ir embora. Já havia escurecido e o relógio marcava exatamente 20:00. Léon já havia ido para seu quarto a mais de uma hora atrás, mas eu fiquei um tempo a mais arrumando umas coisas em minha sala.
Cheguei em casa e me atirei na minha cama. Dei um sorriso bobo, ao me lembrar das ações do León hoje. Me levantei novamente e fui me arrumar para ir dormir. Me deitei em minha cama, me tapei com a coberta até a cabeça, pois o frio estava intenso hoje, e logo adormeci.
–Mais um dia... –Falei me levantando da cama quentinha, após me acordar.
Peguei uma roupa e uma toalha e rumei até o banheiro. Tomei um banho rápido, e fiz minha higiene matinal. Desci até a cozinha e tomei um café bem caprichado, pois hoje sairia só á noite de lá, novamente. Acabei, e fui para o meu carro. Não demorou muito e já havia chegado.
Fui na sala de Pablo, ele autorizou minha entrada, e deu um aviso:
–Ele não esta bem hoje, Cuidado!
Fiquei meio aflita com o seu comentário. Estava consciente de que algo dentro do quarto do León não me agradaria ao ver. Mas eu estou aqui para isso não?! Estou aqui para ajudar em seus problemas, e não posso pensar que irei sempre passar pela aquela porta e encontrar um León sorridente e alegre, ou esperando ansiosamente por minha visita, ou consulta. Essa não é a realidade e eu estou ciente de acordo á isso.
Rumei até a sala de León, aquele corredor ainda dava arrepios. Cheguei em sua porta e antes de abri-la pude ouvir um gemido, que representavam dor. Dei duas batidas na porta e a abri, me assustei um pouco com a cena, era um pouco, digamos: forte. Nunca passei por um momento como esse. Na verdade nunca ajudei alguém como ele ainda mais nesta situação.
León se encontrava com uma camisa de força, e estava rolando no chão e se debatendo na intenção de se soltar, mas era esforço em vão, pois nunca que conseguiria.
–León acalme-se... –Pedi tentando passar confiança e tranquilidade para ele.
Ele não parava, se jogava de um lado para o outro, batendo na cama e na cadeira que ali estavam. Ele parecia desesperado, não sei era pela camisa de força ou ele via algo.
Tentei ser mais profissional possível, e esqueci o certo medo que em mim estava, e fui até ele e me agachei em seu lado e segurei seus ombros o fazendo olhar para mim. Ele gritava e debatia as pernas e olhava para todo o canto menos os meus olhos.
–León... Olha para mim... Para mim... –Falava segurando seu rosto, mas não adiantava.
–Sai de perto de mim me larga... ME LARGA...!! –Ele gritava desesperado.
–Vamos León... Olhe para mim. –Consegui ter um pouco de sua atenção. –Não tem ninguém aqui, só eu... Mais ninguém...
–Ela esta ali, eu á estou vendo... SAI DAQUI...! –Ele insistia ainda gritando.
–Não á ninguém... ninguém... –Ainda segurava seu rosto.
–ME DEIXE EM PAZ...! –Mais um vez ele gritou, e lágrimas brotavam em seus olhos.
–Já chega... –Sussurrei para mim mesma.
Me levantei e rumei atrás da Francesca, já que ela era enfermeira dele. Caminhei rapidamente pelos corredores, não poderia deixar ele muito tempo sozinho naquele estado.
–Francesca graças a Deus... –Falei quando a achei.
–O que aconteceu? –Perguntou ela preocupada.
–Você precisa sedar o León. –Falei rápido.
–Esta bem, esta bem... Volta para lá, não o deixe sozinho, já estou indo. –Falou Francesca as pressas.
Voltei para o quarto do León e o mesmo se encontrava da mesma forma, se debatendo no chão e sussurrando: sai, sai, sai...
Era uma cena triste de se ver. Admito que lágrimas brotaram em meu rosto, mas as engoli, meu trabalho não permite que eu seja fraca. Fiquei ali cuidando para ele não se machucar, porém não podia fazer nada a mais que isso. Logo em seguida Francesca chega com uma seringa na mão, provavelmente que continha tranquilizante, a mais dois homens grandes e fortes, que tiraram a camisa de força de León e o seguravam para ele não se debater enquanto Fran injetava a agulha com o remédio na veia do garoto, que aos poucos foi perdendo as forças. Os homens grandões colocaram novamente a camisa de força no rapaz e se retiraram do local, deixando ali só eu e a Fran.
–O que aconteceu com ele? –Perguntei fitando o rapaz que agora, estava em sua cama fitando o teto.
–Eu não sei, de manha ele já estava assim só que mais calmo, então colocamos a camisa de força, mas ele piorou a pouco... pois antes mesma da senhorita entrar, sei lá uns dez minutos atrás, eu vim aqui e estava tudo bem. –Explicou Francesca.
–Esta bem, tentarei conversar com ele. –Confirmei a Fran.
–Esta bem, qualquer coisa me chame... –Ela falou e eu apenas concordei e ela se retirou do quarto.
–León... –O chamei me aproximando dele. –León...
Ele não me olhava, só encarava o teto, e ficava sem expressão alguma.
–Ela estava aqui... –Ele falou baixinho, quase num sussurro.
–Ela quem meu amor? –Perguntei docemente.
–A sombra... Ela voltou... Ela quer vingança... E eu só quero ser normal... Mas ela disse que eu sou um louco, eu vocês me acham louco, e que eu deveria me vingar de todos... –Ele falou olhando o teto sem piscar.
–Você quer ser normal León, isso já é um começo... –Falei baixinho.
–Mas eu não sou... Nunca serei... Não enquanto ela não parar de me atormentar. –Ele disse fechando os olhos..
–Vamos fazer assim, você esta cansado, descanse um pouco e depois conversaremos esta bem? –Perguntei e ele concordou com a cabeça. –Ok, assim que você se acordar eu voltarei. –Falei indo até aporta.
–Espera... –Ele disse com a voz fraca.
–Que foi? –Perguntei me virando para ele.
–Fique aqui... –Ele suspirou –Ela pode voltar...
–León eu... –Ele me interrompeu.
–Por favor!?! –Completou.
–Esta bem eu fico. –Falei me sentando na cadeira ao lado da sua cama.
–Ob-bri-gado... –Ele falou sonolento.
–De nada. –Falei sorrindo.
Agora com mais certeza do que nunca, eu irei fazer o possível e o impossível para ajudar esse garoto. Ele precisa de ajuda e ele quer ajuda, e eu o ajudarei.
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