Um Amor Psicopata
1 Manicômio.
Notas iniciais
Janeiro de 2013 –Pov’s León
Lá estava eu tendo mais uma de minhas alucinações. Sim, um Vargas com problemas mentais .
Desde pequeno tenho alucinações, de uma mulher toda de preto mandando eu fazer cada coisa que me parecia estranho. Nas primeiras vezes não fazia, apenas acreditava que era um sonho. Mas as alucinações aumentavam e as vezes ela até me ameaçava.
Porque um “sonho” faria isso?-Minha mente de um garoto de apenas 5 anos pensava.
Não fazia nada do que aquela mulher falava, não era coisa como jogar um balão da varanda e sim coisas pesadas digamos como atirar em uma pessoa. Como uma criança iria fazer isso. Mas bem continuando. Fiquei por um ano, tendo a seguinte alucinação:
–Ninguém ao seu redor se importa com você, não percebe que nem a sua mãe ou seu pai te dão “amor”. Se vingue garoto. Vingança. Se vingue...-Falava a mulher toda de preto em um lugar totalmente indescritível.
Isso começou a me atormentar, fiquei pensando sobre “seus pais não te dão amor”. Na escolinha não queria ninguém perto de mim, pois sempre que algum coleguinha chegava perto e voz daquela mulher dominava meus ouvidos e ecoava por meu cérebro. Falava a seguinte frase:
–Se afaste, mais um querendo apenas te usar. Vingança...-Mulher falava lentamente.
Não importa o que ela dizia sempre envolvia “vingança”, “se vingue”.
Chegou a um ponto que ela apareceu em meu quarto, o desespero para uma criança que acreditava ver seu “pesadelo” em sua frente.
–--------- Flash Back-----------
Mas uma vez estava eu em baixo das cobertas suando frio, não agüentando mais ouvir as mesmas provocações da mulher seu pior pesadelo. Aquela mulher começa a falar novamente mas bem mais brava que de costume.
–Garoto eu já cansei de você, não vê que eu o escolhi para realizar minha vingança. Vamos se mexa, cansei de esperar.-Falou a mulher aparecendo em um canto escuro do meu quarto.
Nessa mesma hora minha mãe entra no meu quarto. Eu como um garoto de 6 anos resolvi falar tudo a ela e mostrar a mulher que tanto me assombra.
–Filho trouxe seu jantar...-Falou minha mãe entrando no quarto com a bandeja em mãos.
–Mãe olhe.-Apontei para a mulher no canto do quarto.-A mulher que lhe falei.-Completei.
–Filho não vejo nada. Deve ter sido apenas um pesadelo meu querido.-Falou ela sentando na minha frente.
–Mas ela ta ali..-Apontei a mulher que eu ainda enxergava.
–Filho, não tem nada ali...-Falou ela com uma cara de assustada.
–---------Flash Back Off-------------
Desde então ela começou a aparecer em meu quarto e toda vez que falava a alguém dela, as pessoas me olhavam assustadas. Como se fosse um verdadeiro louco.
Anos se passaram e aos meus 10 anos de idade matei a minha primeira vitima. Sim, matei. Na verdade a primeira de muitas, mas claro ninguém nunca soube que era eu. A primeira pessoa que me vinguei foi assim, era um colega de aula, a gente estava na sala e a professora ainda não havia chegado. Como sempre sozinho e “burro” (burro porque não tirava notas boas por causa daquela voz desgraçada), eu era como um esquisito da turma. Um colega meu o Fabio se achava o galã e o popular e isso com apenas 10 anos, chegou ate mim e começou a me zoar, coisa de costume, e todos riam. Mas eu cansei, havia cansado de ser maltratado e feito de saco de pancadas. Naquele dia daria um fim nisso, foi da forma mais trágica por causa daquela voz que me influenciou sobre aquilo, e como já não estava respondendo por mim acabei fazendo o que ela mandou, empurrei o Fabio da escada, logo após fugi. Fiquei sabendo no outro dia que ele morreu e ninguém sabia quem o havia matado. Mas em vez de eu ficar mau por ter acabado com a vida de alguém, eu me senti superior me senti bem por ter feito aquilo. Então sempre que algo me irritava resolvia da pior maneira. Eu já estava virando um psicopata, sempre que me irritava por coisas bobas digamos com o volume da TV, já me comportava mal, ia para cima da pessoa, e isso começou a ocorrer com os meus pais. Isso foi por volta dos meus 14 anos, quando comecei a tentar “matar” eles. Mas isso durou até meus 16 anos, bem dentro daquela casa. Foi quando meu pai me pegou tentando enfiar uma faca em minha mãe. Porque fiz isso? Porque ela não havia me deixado ir numa festa por causa das minhas crises de bipolaridade. Eu sei não era para tentando tentar matar ela, mas eu era um psicopata, não pensava graças aquela voz. Aquilo foi a gota d’água para meus pais. Logo no outro dia cedo da manha meus pais falaram que não dava mais para me ter dentro daquela casa e que eu iria para um manicômio, surtei novamente. Fiz de tudo para não ir. Mas isso só aumentou mais a idéia deles me levarem para lá.
Lá no manicômio, muitos psiquiatras se demitiram por minha causa, eu era o pesadelo de qualquer pessoa que trabalhava lá. Ninguém conseguia entender minhas crises e nem mesmo meus pensamos atordoados por causa da voz irritante da mulher pesadelo. Não que eu falasse que matei todo mundo que matei, pois nisso nem tocava no assunto. Eles só sabiam que eu atacava meus pais por crises de nervosismo um tanto quanto estranha, e que havia vozes me atormentando. Só que sei lá, isso atordoava eles e eles cansavam de tentar me entender. Eu acho que o que eu falava (o que eu mentia bastante) não batia com a maneira que eu me comportava. Mas bem, hoje aos meus 21 anos de idade, estou pior. Pior de me controlar, eu simplesmente não tenho força para dizer não a voz, e sou mais forte o que me dá mais facilidade a conseguir fazer qualquer coisa. Vivo em uma sala isolada do manicômio, onde tudo é fosco, nada tem cor. O que fica mais fácil para a mulher da voz aparecer para mim, já que ela aparece apenas no escuro. As vezes em dia de crise passo o dia inteiro em uma camisa de força, para que os enfermeiros possam entrar aqui, para me dar remédios e tal, tem gente me cuidando até na hora de tomar banho, o que é um pouco constrangedor, pior menos é que sempre é uma mulher que fica de enfermeira quando eu vou tomar banho.
Devido esse meu problema nunca namorei. Nem sei lhe dizer o que é isso. Nunca tive relações sexuais nem mesmo já beijei alguém. Se já me masturbei? Óbvio, posso ser louco mesmo assim sou jovem, com desejos insanos , e isso piora pelo fato de nem mesmo ter sentido uma boca de uma mulher grudada na minha.
Hoje acordei, com o barulho de porta de ferro sendo aberta por uma enfermeira. A Francesca se não engano. Ela me olhava com cara de apavorada, é assim todas as manhas ainda mais que ela é uma das minhas enfermeiras. Mas hoje ela pode ficar tranqüila que estou de boa. Bem pelo menos até agora.
–Trouxe seu café e seus remédios.-Falou ela se aproximando ao ver que eu não iria a atacar.
Ela largou a bandeja na mesinha ao lado e me entregou vários comprimidos e um copo d’água. Tomei e a entreguei o copo vazio.
–Fico feliz pelo o senhor estar melhor hoje.-Falou ela sorrindo, e eu como sempre sem demonstrar expressão alguma.-Hoje você terá uma conversa com a psiquiatra nova.-Falou ela e se retirou.
Bom vou explicar, todos ficam feliz ao me ver na paz sem os atacar, eles pensam que eu possa estar me curando, mas isso geralmente acaba a tarde. Tipo se eu acordo de boa a tarde estou atacando ou ao contrario. E psiquiatra nova é que eu vou ter uma psiquiatra só para mim digamos, e conversa e tipo uma consulta só que aqui no “meu quarto”.
Comi o café dado pela enfermeira e esperei a hora do almoço, hora que tenho um tempo para pegar sol e depois a tal conversa com a psiquiatra nova.
Pov’s Violetta
É hoje, é hoje que eu vou para Buenos Aires para me dedicar mais ao meu trabalho. Nossa estou tão avoada que garanto que vocês não estão entendendo nada. Bem é o seguinte, Meu nome é Violetta Castillo sou uma psiquiatra famosa e recebi um convite do Manicômio Central De B.A para cuidar de um caso especial de um jovem de 21 anos. Vou cuidar de alguém mais velho que eu, (tenho 20 anos) uma nova meta para mim cumprir.Moro em Londres eu pelo menos morava né, estou no aeroporto esperando para embarcar no avião.
–Ultima chamada para o voo 244 com destino a Buenos Aires.-Ecoou a voz pelos autos falantes do aeroporto.
Fui para a vila de embarque e logo em seguida já entrei no avião. Procurei a poltrona 65, depois de um tempinho achei. Me aconcheguei na mesma peguei meus fones, agora só esperar chegar lá. Depois de umas 3, 4 horas por ai cheguei. Peguei minhas malas, peguei um taxi e rumei para o hotel em que ficaria. Era por volta de 9:00 da manhã e a tarde já teria uma conversa com o meu “paciente”. Cheguei ao hotel larguei minhas malas e fui no restaurante que tem lá dentro mesmo e comi algumas coisas e fui para o manicômio.
Chegando lá me deparo com um lugar totalmente sem cor, sem graça, sem vida. Isso me intriga pois isso ajuda as pessoas a ficarem mais deprimidas e angustiadas, coisas sem cor só estimula mais eles ficar na depressão. Então se o quarto o meu paciente for tão, como posso dizer, sem animo, a primeira coisa que eu vou fazer vai ser pintar aquela sala bem colorida.
Depois de um tempo avaliando o lugar, rumei até a sala do “diretor” do manicômio. Parei em frente a sala 12, onde me disseram que era a sala do diretor Pablo, a porta estava aberta e o vi conversando com uma enfermeira mas logo que me viu parou e se levantou para me cumprimentar.
–Você é a Violetta Castillo, a nova psiquiatra certo?-Perguntou ele.
–Sim, sou eu prazer..-Falei apertando a mão dele.
–Prazer é todo meu, eu sou o Pablo o diretor do manicômio.-Falou ela apertando minha mão.
–Bem eu sou a Francesca a enfermeira. Prazer-Falou ela toda simpática.
–Prazer.-Falei apertando a mão dela.
–Violetta eu lhe contarei um pouco sobre o seu paciente. Sente-se.-Falou ele me indicando a cadeira.
–Bem eu vou me retirando. E Violetta, chegou no dia certo, hoje o León esta mais calmo..-Falou a Francesca e o Pablo o lançou um olhar mortal. Não entendi muito bem isso tudo.
–Bem, você teve estar tentando entender o que a Fran a disse. É o seguinte: Seu paciente León Vargas, tem certas ilusões. E ele age de acordo com o que elas lhe falam, mas o que ele contou aos sues antigos psiquiatras, não batia com a forma que ele agia. É como se tivesse mais coisa além do que ele conta, como se faltasse algo para ele falar que poderia resolver tudo. Por isso pedimos sua ajuda, uma psiquiatra delicada e esforçada, de repente com você ele se abre e fale tudo que devera ser dito. Mas eu peço que tenha cuidado, pois as vezes ele tem umas crises e ataca as pessoas, isso é digamos um ponto fraco nele. Peço também que não se assuste e muito menos desista logo após a primeira conversa...-Falou ele me entregando umas fichas em quanto eu prestava atenção no que ele me dizia.
–Pode deixar, darei meu melhor. E não desistirei.-Falei pegando os papeis.
–Sei disso.. Então boa sorte e a conversa é as 15:00.-Falou ele e eu me retirei da sala.
Fui até uma salinha pequenininha que agora seria minha sala, como a gente geralmente vai até o quarto dos pacientes não precisamos de uma sala grande, só uma sala para manter nossas fichas e poder pensar.
Voltando ao León, não posso ainda ter nenhuma atividade com ele ainda porque ainda não falei com ele, e isso é fundamental para a gente começar a ajuda, então só após a conversa saberei o que fazer. Confesso que estou com medo e nervosa, pois dizem que não é fácil ficar nem 1 segundo ao lado do León.
Olhei no relógio e marcava 14:00, mas uma hora esperando. Fiquei lendo a ficha do Vargas e vi que ele já tentou matar os próprios pais. Ok, meu medo aumentou. Olha novamente ao relógio e marcava 15:00, tarde demais para desistir, então lá vou eu...
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