Um Amor Para Recordar
33 Capitulo 8 — Jantares medievais
Notas iniciais
Annabeth
Pensar debaixo do chuveiro é um verdadeiro sonho.
Sinto-me realmente privilegiada por poder desfrutar de alguns minutos em que sou totalmente racional.
Apesar de querer ficar pelo resto da minha vida debaixo de um chuveiro quentinho, sai logo do banho. A água do mundo esta acabando certo?
Sequei-me e coloquei uma roupa simples no corpo. Arrumei o cabelo e o prendi em um rabo de cavalo. Peguei a minha bolsa e desci até a portaria. Ao chegar encontrei a ultimo pessoa do mundo que gostaria de encontrar.
Devo ter sussurrado o nome porque ele se virou e me viu.
— Oh... Olá.
— Oi.
Ficamos nos encarando, até que ele riu.
— O que estamos fazendo agindo feito idiotas? Você era minha melhor amiga! — ele exclamou — Vamos lá, cadê meu abraço?
Sorri e corri para um abraço. Envolvi seu pescoço com meus braços e afundei minha cabeça em seu peito. Ele estava ainda mais alto e ainda mais cheiroso.
— Quanto tempo em? — falei.
— Sim... Muito tempo — Luke suspirou.
Desvencilhei-me do abraço e foquei-me em seu rosto. Luke estava ainda mais bonito.
— Luke! — ouvi alguém gritar atrás de mim.
Virei-me e encontrei a garota ruiva que vira no outro dia. A namorada de Luke.
— Amor, não vai me apresentar a sua amiga? — ela perguntou.
A garota tinha um sorriso amistoso. Não demonstrava ciúmes, apenas curiosidade. Gostara dela.
— Gabbe, essa é Annabeth Chase, uma amiga de infância — ele nos apresentou — E essa é Gabriela Salvatore, minha namorada.
— Por favor, me chame de Gabbe — ela implorou — Sério, abomino o meu nome.
— Eu gosto dele — Luke objetou.
— Você é meu namorado, é suspeito.
— É um prazer conhecê-la — falei — Gostaria de dizer que Luke me falou bem de você, mas nós só nos encontramos agora.
— Você pode falar isso na próxima — ela brincou e olhou no relógio — Annabeth, você me parece realmente interessante, mas eu tenho que ir.
Gabbe acenou e saiu correndo.
— Ela é medica oncologista, sempre é bipada — Luke disse e seu tom assumiu um ar sombrio — Normalmente é porque um paciente morreu.
— Ela parece ser legal demais pra ser médica.
— E ela é — Luke confirmou — Gabbe se apega aos pacientes: conforta a família, segura suas mãos durante a quimioterapia... Ela diz que tenta ser reclusa, mas é inevitável.
Pigarreei para tentar mudar de assunto.
— Sabe quem mais fez medicina? — perguntei. Luke negou com a cabeça. — A senhorita Grace.
— Thalia? Você esta brincando comigo?
— Não, eu não estou.
Ele estava realmente incrédulo.
— Isso nunca nem sequer foi uma segunda opção para ela — Luke disse e suspirou — Parece que não conhecemos Thalia.
— Ei, quer me acompanhar a caminho do trabalho? Compramos um café e vamos conversando. Que tal? — convidei-o.
— Aceito a proposta.
Saímos conversando e o deixei contar sua vida primeira e tudo o que acontecera nesses últimos 12 anos.
Depois que eu fui embora Luke terminou o colegial e tirou um ano inteiro para estudar para o vestibular, foi selecionado pela Princeton, o que o deixou muito feliz. Ele cursou engenharia de produção e foi La que conheceu Gabbe. Ela fizera um curativo nele e os dois começaram a sair.
Eles estavam juntos há 5 anos e Luke não tinha o que reclamar “Sensível, imprevisível, e espirituosa”.
— Eu a amo tanto — Luke murmurou.
— Parece que sim — respondi — E só pelo olhar, percebi que é mutuo.
— Annie, o que você acha de pedi-la em casamento? — ele me perguntou.
Fiquei desconcertada. Luke se casando? Isso era... Uau. Nem tenho palavras.
— Luke, você... Você seria um ótimo marido — falei e segurei a maçaneta, empurrei um pouco a porta — Eu... Eu cheguei.
— Aqui é a broadway? — ele questionou observando o beco em que nos encontrávamos. Era um lugar esquisito e com uma lixeira que com certeza continha chorume. Nada amistosa.
— Aqui é a entrada dos fundos.
Luke sorriu.
— Nos vemos... Bem... Até logo.
— Até.
Lhe abracei e entrei.
***
— Piper, cala a boca! — gritei e lhe joguei uma almofada.
Nós três estávamos sentadas no chão do nosso apartamento ouvindo Piper fazer uma imitação tenebrosa minha e de Percy.
— Garota, ainda bem que você não tentou ser atriz — Thalia hesitou — Não, espera ai...
Começamos a gargalhar quando a campainha tocou.
— Eu atendo! — me antecipei.
Corri até a porta e a abri.
— Nico?
Nico sorriu para mim.
— OI Annabeth — ele disse e olhou para o lado — Cara eu não vou fazer isso.
— Fala logo! — ouvi Percy sussurrar.
— Você me paga! — Nico resmungou com os dentes cerrados, olhou para mim e sorriu — Oi.
— Oi.
Ele pigarreou.
— Bem... Senhorita Annabeth Chase, duquesa do apartamento 23, o rei do rock Perseus Jackson III lhe convida para um jantar medieval como o 3° encontro da lista — ele fez uma pausa dramática, enrolou o “pergaminho” e se virou para o lado, Segurou o papel mais firme e começou a bater em Percy.
— Ai cara! Para com isso!
— Você é um imbecil!
Nico jogou o papel no chão e saiu batendo os pés. Percy começou a rir e antes que Nico virasse o corredor, ele gritou:
— Eu amo você!
— Vai se f***r — Nico gritou de volta.
Percy se virou para mim.
— Rei do rock?
— Foi a única coisa que eu pensei — ele se explicou — E então, aceita?
Revirei os olhos.
— Somente se você não fizer mais... Isso.
— Mas... Foi tão criativo. — Percy objetou.
— Nada de “mas”.
— Certo.
Sorri para ele e Percy sorriu de volta.
— ‘Tá, mas fala sério: Quem mais poderia pensar em jantares medievais? — ele falou e olhou para trás de mim — Olá Piper e... Thalia?
— Olá Percy. Como vai? — Thalia levantou-se e caminhou até nós.
— Eu estou bem e você? — Percy esticou-se para cumprimentá-la com um beijo no rosto.
— Vou indo. Então... Você e Annabeth saindo...
— Calada! — repreendi.
— O que? Eu só estou comentando. Sabe... É realmente legal vocês serem amigos, ou quem sabe...
— Certo, já chega — resmunguei e fechei a porta atrás de mim — E ai?
— Ahn... Ok. Quarta ás 20:30. Um carro vai passar para te pegar.
— Ótimo.
— Ótimo.
Percy me deu um pequeno beijo no rosto e saiu.
— Ótimo — murmurei para mim mesma.
***
Quando o carro de Percy estacionou na porta do prédio, tentei me lembrar como um ser humano normal respirava.
Totalmente em vão.
Alisei o vestido rosa alaranjado que encontrara na porta aquela manhã, com um bilhete que dizia “Acho que salmão combina com seu tom de pele”. Tenho absoluta certeza que Percy tentara me fazer um elogio.
O vestido era digno da princesa Diana ou Grace Kelly.
Ele era o que Piper chamava de “tomara-que-caia”, sem mangas. Acinturado. Com um laço preto. 3 saiotes para dar o volume.
Virei-me para a médica punk impaciente chamada Thalia.
— Você sabe que eu não sou de gostar de vestidos, mas esse... — a interrompi.
— Esse você adorou! — completei — Eu sei! Ele é divino!
— Na verdade, esse eu odiei arduamente! Salmão? Você por algum acaso é um peixe? Acho que isso é algum eufemismo do gueto para “eu quero te comer”.
Peguei uma almofada e joguei nela.
— Thalia! — gritei — Em primeiro lugar: eufemismo do gueto? Faça-me o favor! E em segundo: Percy é um verdadeiro cavalheiro. Ele não diria isso.
— Annabeth, você realmente não le revistas de fofoca. Vou pegar algumas “Seventeen” da Piper para você ler. — ela disse e abriu a porta — É uma verdadeira pena que eu esteja de plantão essa noite, senão iria seguir os dois e tirar fotos do encontro.
— Você tem certeza que eles não vão se incomodar com a sua camiseta do ACDC?—perguntei ignorando seu comentário.
— Eles disseram que tudo bem, desde que eu use um jaleco — ela hesitou — Você não tem que ir?
— Verdade...
Levantei a saia e andei o mais rápido possível até o elevador. Torci intensamente para que ningupem entrasse, ser vistas com aquelas roupas não seria nada legal. Quando cheguei ao saguão, corri até o carro e entrei.
— Não quer passar vergonha? — o motorista brincou.
— Pois é... — levantei os olhos e Chris sorria para mim. — Chris?
— Sou eu.
— Uau! — exclamei — Parece que Percy adora envolver os amigos.
— Ele adora mesmo — Chris concordou — É que somos amigos e não precisamos ser pagos.
— Percy sempre foi meio mão de vaca — comentei.
— Meio?
— Certo, ele era bem mão de vaca.
Chris deu a partida no carro.
— Annabeth, terei que fechar as janelas. É que Percy quer que tudo seja secreto.
Ele levantou os vidros e eu pude me esticar no bando. Aqueles saiotes estavam me matando.
Alias tudo ali estava me matando.
Jantares medievais? Um vestido que deveria ser caríssimo? Carros? O que Percy estava pensando?
Quando eu aceitara aquela lista, tudo o que eu queria era fugir de extravagâncias. E Percy estava fazendo o contrario. Mas eu não podia culpá-lo. Ele fazia parte de uma das maiores bandas de rock atualmente, sua vida era de extravagâncias, e eu sou uma mera atriz da Broadway. O. K. é “A” Broadway, mas de qualquer jeito, não era muito coisa.
Ele com certeza deveria ter planejado tudo. Não ficaria nem um pouco surpresa se ele tivesse alugado alguma construção histórica para o jantar. Mas qual construção?
Elas eram raras em Nova York. Era meio difícil prestar atenção em algo medieval quando você mora na selva de pedra.
Quando Chris estacionou o carro, eu estava novamente nervosa. Pensar e apenas pensar me acalmava.
— Chegamos.
— E onde estamos?
— Você ainda não adivinhou? — ele disse surpreso.
Odiei a ênfase no “você”. Porque eu deveria adivinhar?
E então eu percebi porque fui tão burra. Pensando agora soava tão obvio. Qual outro lugar em nova York era disponibilizado para o publico?
A biblioteca municipal.
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