Um Amor Para Recordar
32 Capítulo 7 — A futura mamãe
Notas iniciais
Perseu
Estava sentado na sala de espera do hospital junto com o resto da banda, e Silena.
Fui acordado no meio da noite graças a Chris que me ligara desesperado.
— O que foi cara? — perguntei ainda meio grogue.
— É a Clarisse Percy.
A pronuncia do nome me levantou. Se Chris me ligara por culpa de Clarisse a coisa era feia.
— O que aconteceu? — indaguei já preocupado.
— Por favor, vem pro hospital, aqui a gente te explica.
— Ok, estou indo.
Desliguei e coloquei uma roupa, peguei as chaves do carro e dirigi correndo para lá, graças a Deus o trafego da madrugada estava mais calmo. Quando cheguei ao hospital encontrei todos sonolentos e abatidos.
— O que aconteceu? — repeti a pergunta já feita no telefone. Charles levantou-se e suspirou.
— Clarisse estava voltando de carro da visita que ela sempre faz a sua mãe quando bateu num caminhão de entregas que estava com os faróis quebrados. — ele explicou.
Ouvir a noticia novamente fez Silena desatar a chorar. Não a julgo porque Clarisse era sua melhor amiga e melhores amigos é algo sério.
Depois disso o silencio foi total durante as duas horas seguinte em que Clarisse ficou numa cirurgia. Todos estavam preocupados porque a chance dela ficar paraplégica era grande. Não ficamos surpresos já que, segundo os policiais, o carro dela rolara morro abaixo.
Estava quase pegando no sono quando um homem pigarreou ao nosso lado. Abri os olhos e encontrei um homem de terno, com expressão lívida.
— Sim? — Chris disse.
— Com licença, eu sou Albert Watson, da companhia de seguro — ele apresentou-se — Vim tratar sobre o seguro do carro.
O rosto de Chris ficou tão vermelho que pensei que fosse pular em cima do homem e cravar os dentes em sua garganta. Mas ele só falou.
— A minha esposa está numa cirurgia nesse momento, correndo risco de morte por culpa do carro que vocês asseguraram que estava em ótimas condições e você quer tratar sobre o seguro?
Levantei-me e afastei Chris do homem.
— Ei, fique calmo — repreendi — Deixa que eu converse com ele.
Chris lançou um ultimo olhar fuzilante ao homem e voltou a se sentar. Puxei o homem para um canto para que pudéssemos conversar a sós.
— Senhor Watson — comecei — Não é um bom momento para conversar sobre o seguro do carro. Não acha melhor voltar de manhã cedo?
— Já é de manhã cedo — ele indicou o relógio.
Virei-me e vi que já era 7h30min da manhã.
— Uau, o tempo passou rápido — murmurei — Enfim, poderia voltar outro dia?
O homem suspirou.
— Certo, eu resolvo isso outro dia. Mas acho melhor avisar ao seu amigo agora que teremos uma conversa série sobre o atraso dos pagamentos.
— Atraso? — indaguei.
— Sim, o senhor e a senhora Rodriguez não pagam a nossa empresa há mais de um ano.
Assenti apesar de estar um pouco confuso e voltei para a sala de espera.
— E então? — Nico perguntou.
— Ele vai voltar outro dia — respondi.
Mal me sentara e o médico entrou na sala, com seus olhos cheios de olheiras e sua roupa de cirurgia suja.
— Quem é o marido?
— Eu! — Chris levantou a mão — Mas doutor, caso queira falar algo pode falar aqui, todos nós somos muito próximos.
— Certo — ele hesitou — Tenho más e boas noticias. Quais vocês querem primeiro?
— Acho melhor ouviu a ruim primeiro — Silena sugeriu — Pelo menos depois que ouvirmos a boa o clima melhora.
— A má então — O médico suspirou — A noticia ruim é que o acidente vai deixar sequelas em Clarisse e ela terá uma vida limitada daqui para frente. A noticia boa é que a paciente se encontra bem e já pode receber visitas. Mas peço que vá de dois em dois porque ela ainda está cansada.
Meu celular começou a tocar o que me deixou surpreso, somente Clarisse me ligaria àquela hora da manhã. Olhei no visor e vi o nome de Annabeth. Porque ela me ligaria agora?
— Alo? — atendi.
— Quem fala? — ouvi sua voz cansada perguntando.
— Percy oras — resmunguei — Você que me ligou Annabeth.
— Ai Percy, desculpa. É que devo ter deitado em cima do celular e te liguei sem querer.
— Esta tudo ok.
— Sua voz parece preocupada, o que aconteceu? — Annie indagou.
Respirei fundo e lhe contei o que acontecerá. Annabeth ouviu atentamente.
— Eu vou ir para ai. De qualquer maneira, conheço Clarisse.
Ela desligou o celular e fiquei sentado esperando.
— Quem era? — Silena perguntou do meu lado.
— Annabeth esta vindo para cá, ela vai visitar Clarisse.
Vi um brilho em seus olhos que dizia "Tenho uma missão amorosa". Ela não deixava nada escapar.
— Sério? E como anda o romance de vocês? — ela indagou.
— Não temos um romance.
— Não tem?
— Não temos um romance — repeti.
— Está bem. Então como anda a amizade de vocês?
— A nossa amizade está ótima — assegurei.
Silena continuou me encarando com aqueles olhos brilhantes o que tornou tudo desconfortável. Fiquei com um desejo imenso de sair dali correndo. Ela sorriu.
— Quer uma dica pra fazer essa amizade virar romance? — ela ofereceu — Sou muito boa nisso, você sabe né? Ajudei Clarisse e Chris e agora eles estão casados, estou ajudando Nico a achar a pessoa certa, e ajudei a mim e Charlie.
— Silena — falei calmamente separando cada silaba — Não vai virar romance. Você sabe.
— Por favor né — ela resmungou e apoiou a cabeça nas mãos — É obvio que vai. Porque diabos você perdoaria ela então? Pelo amor da deusa Afrodite!
— Eu a perdoei pelo bem geral. — expliquei — Ela dormiu na minha casa e não seria legal expulsa-la dali, então a perdoei e isso deu certo.
Ela comprimiu os lábios.
— Vocês já tiveram dois encontros — lembrou.
— Silena — Charles advertiu — Deixe Percy e vá visitar Clarisse.
Olhei para Charles falando Obrigado cara, eu te amo! Com os olhos, ele sorriu e acompanhou Silena até a entrada do quarto. Fiquei sozinho na sala esperando por Annabeth. Passaram-se alguns minutos e ela chegou correndo, assim que me encontrou me deu um longo abraço.
— Ah Percy! — ela exclamou — Desculpe a demora, mas sabe como é difícil conseguir um taxi no horário de pique de Nova York?
— Porque não veio de carro? — indaguei.
— Bem... É estranho e imbecil, mas... Bem, eu nunca tirei a minha carteira de motorista — ela gaguejou.
— Oh, isso é... Realmente inesperado.
— Eu sei. É que minha vida é simples: casa perto do trabalho, lugares que frequenta perto de casa, e do trabalho. Não precisava de um carro e já tem carros demais em Nova York e no mundo, e também andar a pé é mais saudável — ela explicou num sussurro.
— Ok.
— Ok.
Ficamos nos estudando até que ela riu.
— Certo, não deve ser legal rir nesse momento — Annabeth disse — E como ela esta agora?
— Ela esta bem. Vai ter algumas sequelas e vida limitada, mas esta bem. E... Já pode ate receber visitas. — contei — Com certeza ficara feliz em te ver.
— Vou ficar feliz em vê-la também — Annabeth soltou um longo suspiro — Nunca tive uma amizade com Clarissa entende? Mas... Gosto dela.
— Ela também gosta de você.
Ouvi o barulho da porta se abrindo e Nico saiu.
— Oh, olá Annabeth — ele hesitou — Er... O médico quer dar uma noticia e Chris quer todos lá.
Olhei para Annabeth e decidi que não seria nenhum problema ela ir com a gente.
— Vamos — chamei-a e levantei-me. Entramos na sala e encontrei uma Clarisse extremamente bem. O que me deixou confuso. Seu cabelo estava mais arrumado depois que ela saia de uma cirurgia do que normalmente. Talvez ela ficasse mais sossegada depois um acidente do que enquanto ela tinha que cuidar de quatro caras de 28 anos que se esqueceram de amadurecer. Sua expressão estava suavizada e ela sorria. Mesmo com todos os cortes no rosto ela estava bonita. Ai cara, soa tão estranho falar isso. Ainda bem que ela nunca saberá disso.
Clarisse viu Annabeth e sorriu ainda mais.
— Anna! — ela exclamou — Percy andou falando tanto de você. Annabeth pra lá, Annabeth pra cá.
— Clarisse, não é o momento — repreendi.
Annabeth riu.
— É bom te ver Clarisse.
O médico pigarreou.
— A noticia — ele lembrou e fizemos silencio para ouvir — Clarisse, você não quer falar?
— Não, você pode falar.
— Certo — ele pigarreou mais duas vezes (aquele cara gostava de pigarrear) — Bem... Presumo que Clarisse terá que se afastar do trabalho porque ela terá um bebe.
Eu já imaginava o momento em que uma criança entraria em nossas vidas e nem de longe ele era tão dramático quanto aquele. Tudo se limitava a uma noite da pizza e uma garota se levantando e falando, alguns abraços, parabenizo-os e depois todos iriam embora para deixar o casal curtir. Um acidente de carro fatal não estava no roteiro.
Clarisse como mãe?
Aquilo ia ser algo divertido.
Chris correu para abraça-la e depois de longos minutos de bajulação sobre como àquilo era perfeito, Annabeth me chamou, puxando-me para o canto da sala.
— Percy, isso tudo este ótimo — ela começou — mas eu preciso ir.
— Oh, tudo bem. De qualquer jeito, muito obrigado por ter vindo — agradeci.
Annabeth beijou-me no rosto.
— Então tchau — ela murmurou — Amo você.
— Er... Eu também.
Com certeza ela falara aquilo por falar, mas eu fiquei o resto do dia com aquelas palavras na cabeça "amo você, amo você, amo você...".
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