Um Amor Nº V

20 Uma Nova Crise - Parte 2


Notas iniciais
Oi gente! Então, esse é o último capítulo da fic antes do prólogo... Vai acabar, gente. É triste, né? Mas em compensação é gratificante receber todo esse carinho de vocês. Mais uma vez obrigada! Nos vemos lá em baixo.

Caroline levou mais tempo do que o necessário para chegar ao apartamento. Fiquei tão impaciente com sua demora que tive uma crise de ansiedade. Comecei a tirar pó de lugares irritantemente limpos, roer minhas unhas que até então estavam impecáveis, arrumar obsessivamente as almofadas do sofá.

Foi então que ouvi o som das chaves. Sentei-me apressadamente no sofá e fingi que estivera ali por algum tempo antes de sua chegada. Tentei parecer tão natural quanto possível, mas é bem difícil quando você mora com uma pessoa por tanto tempo.

–Lena, você roeu as unhas. Aposto que fez muito mais que isso, mas não importa. Pelo menos, não agora. Conte-me o que foi que sua mãe disse que a deixou tão ansiosa, tão nervosa e apavorada.

–Ela disse que... – fiz uma pausa.

Simplesmente não conseguia completar a frase. Abaixo o rosto e encaro minhas mãos sobre minhas pernas. Começo a morder a bochecha e sinto meus olhos transbordarem lágrimas. Quando Car põe o dedo sob meu queixo e levanta meu rosto para que possa olhar em meus olhos, sinto como se uma barreira rompesse em mim. Começo a chorar copiosamente.

Minha amiga, compreensiva como ninguém, puxa meus ombros até que eu esteja deitada em seu colo. Começa a fazer carinho em meus cabelos e fica sussurrando repetidamente que, não importa o que tenha acontecido, tudo vai ficar bem.

–Lena. Acalme-se, respire, pare de chorar e tente me contar o que foi. Só assim vou poder ajudá-la. Se você não me contar, serei obrigada a ligar para a tia Miranda. E, acredito eu, você não quer que seja a sua mãe a me contar o que te aflige, não é?

Assinto, endireito-me no sofá, respiro fundo algumas vezes e tento novamente.

–Mamãe disse que eu estou... que eu posso estar... – como não consigo dizer a palavra grávida, apenas encaro minha amiga e faço alguns gestos sugestivos indicando a barriga. Ela parece ficar paralisada por um momento antes de abrir a boca e começar a falar sem parar.

–Lena... Ai meu Deus. Você já foi ao médico? Que estupidez a minha. É claro que na. Sua mãe ligou há pouco. Então é por isso que você me chamou, não é? Está com medo de ir ao hospital e confirmar. Mas... Por que você não ligou para o Damon?

–Car... Shhhh. – fiz sinal para que ela parasse de falar. Estava me deixando com dor de cabeça. – Eu simplesmente não sabia o que fazer. Não sei se estou preparada para estar grávida. Nem faço ideia de quando isso possa ter acontecido. Damon e eu sempre nos protegemos! E sim, só você poderia estar comigo agora. Preciso ir ao hospital, mesmo que isso me dê calafrios.

–Pois então o que estamos esperando? Vamos logo!

–Não sei se... Talvez seja melhor...

–Você levantar desse sofá agora e vir comigo. Nós duas sabemos muito bem que eu sou perfeitamente capaz de arrastar você até lá. E, caso não consiga, Klaus adoraria me ajudar. Apesar dele ser um homem de bom coração, nem o mais perfeito dos cavalheiros perderia essa oportunidade de humilhar você um pouquinho ao carregá-la sobre os ombros.

–NÃO SE ATREVA! Já levantei. Só preciso pegar minha bolsa.

–Você tem um minuto. – respondeu ao pegar o celular. – Estarei esperando no corredor. Se você não aparecer, Klaus virá te arrancar a força daquele quarto.

Com a ameaça da minha melhor amiga em mente, corri cautelosamente até o quarto. Estava com medo de escorregar, já que posso estar grávida. Voltei antes mesmo que ela apertasse o botão para chamar o elevador. Pude notar seu sorriso perverso antes de virar para fechar a porta.

–Posso ver como você está amando essa situação. É agradável a desgraça alheia? – pergunto, visivelmente irritada.

–Saiba que estou fazendo isso para o seu bem e do meu sobrinho ou sobrinha. – rebate e passa a mão sobre minha barriga.

–Não é certo que tenha um bebê aqui dentro. Apesar da minha mãe estar certa quanto ao atraso da minha menstruação e aos sintomas que eu venho tendo ao longo do último mês.

–ÚLTIMO MÊS, Elena? Você está tendo sintomas há um mês e ainda não havia passado pela sua cabeça oca que você pode estar grávida? Realmente precisou a sua mãe te ligar pra você suspeitar?! Não acredito em algo assim. Em que mundo você vive, mulher?

Ela parecia irritada. Um dos vizinhos veio até o corredor para verificar o que estava acontecendo, mas logo voltou ao notar que minha amiga estava furiosa comigo por conta de um assunto tão sério como uma possível gravidez.

–Desculpa, Car, mas eu pensei que fosse só um mal-estar. Não me senti assim todos os dias. Damon é testemunha disso.

–Ah, ainda tem o Damon. Como ele pôde presenciar seu mal-estar todo esse tempo e não fazer nada? – agora já estávamos no elevador e Car diminuiu a voz.

–Não é como se ele não quisesse. Ele faltou o trabalho uma vez ou duas para ficar comigo e insistiu em me levar ao médico, mas eu fui mais insistente ainda ao dizer que ficaria bem. Você é a única que consegue me arrastar para o hospital sem fazer com que isso pareça uma agressão ou um sequestro. Até porque, seus métodos para me convencer são os únicos que surtem efeito.

–Bom saber disso para futuras ocasiões.

Agora chegávamos ao carro. Durante o caminho até o hospital, Car gentilmente tentou me distrair de todas as maneiras que podia. Mas era inevitável que eu chegasse trêmula à recepção. Nunca gostei de hospitais, consultórios, médicos nem de suas agulhas e instrumentos pontiagudos. Mas nesse caso, era muito necessário. Sem contar importante.

Car se encarregou de ir até a recepção e explicar a situação. Logo fui encaminhada a uma sala de coleta, onde uma enfermeira iria coletar um pouco do meu sangue para fazer o referido exame. Minha amiga manteve minha mão livre envolta pela sua durante o tempo em que a agulha esteve em meu braço. Não notei muito além da picada quando a agulha entrou em minha pele.

Pude ver o sorriso que a loirinha mais inteligente do mundo abriu ao constatar que tirar sangue não foi tão pavoroso e que eu não havia feito um escândalo. A hora seguinte à coleta foi a mais longa da minha vida. Cada vez que uma enfermeira ou médico passava por nós, eu erguia a cabeça, ávida por uma informação crucial. E quando ela finalmente veio, na forma de um envelope lacrado, não tive coragem de abrir.

–Passe para mim, Lena. Deixe que eu abra e lhe dê a notícia.

Fechei os olhos com força enquanto Caroline abria o envelope e lia as informações contidas no papel que indicava o resultado do exame. Meus olhos ardiam sob as pálpebras e meu coração batia tão rápido que parecia prestes a saltar e sair correndo dali. E, quando finalmente ouvi a voz da minha amiga, minha tensão pareceu duplicar.

–Então, Lena...

–Car apenas diz o que foi. Não enrola, por favor.

–Positivo.

Arfei. Tudo o que eu fiz no momento foi arfar. Uma única palavra que mudaria minha vida dali em diante. Precisaria contar aos meus pais. Mas principalmente, precisaria contar ao Damon. E foi pensar nessa conversa que me fez paralisar na cadeira da sala de espera do hospital.

–O que foi, Lena? Está se sentindo bem?

–O Damon. Ele vai me deixar. Vai terminar o noivado e me abandonar com uma criança melequenta. – e, mais uma vez, comecei a chorar. Car, por outro lado, começou a rir.

–É isso que está te amedrontando? Lena, o Damon não vai fazer isso. Ele ama você e vai amar esse pequeno ou essa pequena você. Essa criança vai ser um presente pra vocês dois. E, garanto a você, se o Damon deixá-la, faço com que Klaus o encontre e torture. Nunca mais ele encontrará uma mulher como você. Agora vamos. Temos muito a fazer.

–Preciso ficar um pouco sozinha. – pedi. Apesar das palavras de conforto da minha amiga, eu estava confusa demais. Precisava pensar.

–Lena...

–Por favor. Eu preciso.

Observei enquanto Car levantava e saía do hospital. Demorei mais uns dez minutos, tendo em mãos o exame, que ela me devolveu antes de ir, e levantei também. Saí do hospital e comecei a andar, sem rumo. Mal me lembro em que estado estava quando entrei na primeira loja. Àquela altura, já havia terminado de pagar pelos cartões e papai já os havia liberado, mas com a condição de que eu não extrapolasse. Não lembro exatamente o que peguei, mas meu sorriso voltou quando entreguei o cartão à vendedora.

Continuei andando e comprando. Até que, enquanto saía de uma loja e caminhava mais um pouco em direção à outra, passei por uma loja de bebês. E foi ali, observando berços, carrinhos e roupinhas, que me apaixonei pela ideia de ser mãe. Poder ensinar a moda para outro ser, desde antes de seus primeiros passos, pareceu uma coisa emocionante.

Passei pelo menos três horas ali. Comprei berço, carrinho e tantas roupinhas! Tudo unissex, claro. Não fazia ideia do sexo do bebê, apesar de preferir uma menina, para entregar a ela o legado de todos os meus Channel, Jimmy Choo e Prada. Sorria feito uma idiota enquanto voltava para casa, mergulhada em bolsas, dentro do táxi.

Quando cheguei ao meu prédio, o porteiro precisou me ajudar a subir com tantas bolsas. Agradeci e entrei no apartamento. E foi então que o peso de tudo caiu em mim. Um: eu estou grávida. Dois: eu acabei de gastar muito. Três: meu pai vai me matar quando souber. E finalmente quatro: Damon provavelmente vai me largar quando eu contar a ele.

Larguei as bolsas de qualquer jeito no chão. E comecei a jogar coisas. Estava apavorada com o que podia acontecer. Com raiva de mim e de Damon por não termos tomado mais cuidado. Eufórica por ter um bebê que logo vai ser o mais estiloso ou estilosa por onde passar.

Cansada por ter andando, pensado em tantas coisas, recebido uma notícia tão grandiosa e por ter jogado coisas, sento no chão, num canto bem recluso da sala de estar e me ponho a chorar novamente. E é assim, em meio ao caos, destroços e lágrimas que Damon me encontra ao entrar no apartamento usando a chave que dei a ele há algumas semanas.

–Lena, meu amor, o que aconteceu? – ele pergunta, assustado, enquanto se aproxima.

Faço sinal indicando minha bolsa, onde está o resultado do exame. Ele demora alguns segundos para entender, aturdido com meu choro. Pega a bolsa e a passa para mim. Estico as pernas para frente e pouso a bolsa em meu colo. Vasculho entre os objetos até achar o envelope, agora amassado. Entrego a ele, que fica confuso, mas abre.

–Elena o que... – assim que começa a ler o conteúdo do papel, ele se cala. Sua expressão torna-se ilegível. Começo a sentir ainda mais medo e mais lágrimas escorrem por meu rosto. – Ora, meu amor, você está assim por isso? – agora ele sorri, e sinto meu corpo relaxar. – Teremos um bebê! Isso é motivo para comemorar, não para deixar alguém triste e encolhido em um canto.

–Eu... Confesso que estava muito preocupada com sua reação. Pensei que você fosse me deixar. Fiquei tão chateada que estive em suspenso pelas últimas horas. E acabei me descontrolando. – indico a confusão de bolsas de lojas de grife e cacos de vidro pelo chão. – Mas agora me sinto um pouco melhor. Ainda estou com medo do meu pai.

–Ele vai entender. Agora venham aqui, vocês dois. – ele me puxa para um abraço e passa a mão em minha barriga, sob a blusa. – Teremos um bebê! Já foi ao médico? – fiz que não com a cabeça. – Então temos que marcar logo uma consulta. Quanto tempo você acha que tem a gravidez?

–Não faço ideia. Comecei a apresentar sintomas no último mês, mas só me lembro de uma ocasião em que não nos protegemos...

–A reconciliação. – dizemos ao mesmo tempo.

–Então já tem três meses. Você já deveria ter ido ao médico. Da próxima vez, só descanso quando você estiver no consultório. E lembre-se que não é só por você. É pelo pequeno também.

–Ai meu Deus! – exclamo, de repente.

–O que foi? O que você está sentindo? – Damon se exalta.

–Calma. Não estou sentindo nada. Ainda. Vou sentir quando experimentar meu vestido de noiva. Sabe o que eu vou sentir? Frustração. Por não caber mais nele. É isso que vou sentir.

–Lena, não seja boba. Garanto que você e Car darão um jeito e você vai estar magnífica.

–Damon, eu amo você.

–Também amo você, Lena. Você e o nosso bebê.

Passado o susto e a apreensão em relação à reação de Damon, consegui relaxar cada vez mais. Depois dele me obrigar a ir tomar um banho relaxante de banheira enquanto arrumava a sala, passamos horas imaginando nomes, como seria o rostinho do bebê, olhando as roupinhas, imaginando ele ou ela ali, conosco.

Damon será um excelente pai, tenho certeza disso. E espero, de coração, ser uma mãe tão boa quanto. Não quero nunca desapontar esse serzinho que está crescendo em mim. E, meu Deus! Como já o amo. São duas das pessoas mais importantes da minha vida: Damon e nosso bebê.

Notas finais
Até quarta com o epílogo de UANV! Que tal mais três recomendações pra encerrar a história com quinze? Bye!