Notas iniciais
Nos vemos lá embaixo!

*Cinco anos depois*

–Gente, eu realmente preciso ir. Hoje é meu aniversário de cinco anos de casamento, meus pés estão muito inchados por conta desse garotão aqui e eu ainda preciso me arrumar para o jantar que vamos.

–Tudo bem, Elena. – a representante do grupo de oniomaníacos anônimos de Nova York me tranquilizou. – Você está indo bem e tem comparecido a todas as reuniões. Perder o final de uma delas não vai te jogar de volta pro início. E meus parabéns ao casal.

–Obrigada, Terry. Damon é o principal motivo da minha melhora, do meu controle. Nossa filha, Emma, também é um porto seguro pra mim. Mas agora eu vou indo. Boa semana a todos.

–Obrigada, Elena.

Depois de algum tempo em meu relacionamento com Damon, eu percebi que estava pronta para enfrentar meu problema de compulsão. Quando fomos morar juntos, depois do casamento, passamos a conversar mais sobre o passado, nossos problemas da infância. E ele acabou me incentivando a procurar uma reunião do OA, que foi mais uma das partes fundamentais para a minha melhora.

Não faço ideia do que pode acontecer essa noite. Meu marido é uma caixinha de surpresas desde antes de nosso casamento. Isso me deixa com uma “pulga atrás da orelha”. Vamos jantar em um restaurante famoso, mas o que vai acontecer depois, só Deus sabe. A verdade é que eu quero muito celebrar com a Car e o Klaus e as nossas famílias, mas estou tão cansada!

Meu celular começa a tocar na bolsa. Pego o aparelho e verifico quem é. Apenas uma mensagem. Vamos ver quem desejou os parabéns dessa vez. Abro para ler o conteúdo e noto que foi o Damon quem mandou.

*E então, a esposa e mamãe do ano está pronta para o presente dela?*

Começo a ficar ansiosa. A cada ano Damon me dá um presente diferente. O primeiro foi uma viagem de uma semana para uma ilha incrível. O segundo, um anel magnífico de renovação de votos. Emma foi nossa daminha. No terceiro fomos viajar para Paris e conhecer a Torre Eiffel e no quarto, fizemos um cruzeiro pela costa sul-americana. Apesar de Damon não ter gostado muito do fato de que havia homens muito bonitos olhando meu corpo.

Continuei o caminho pelos dois quarteirões que distanciavam o local de reuniões do lugar onde estacionei. Meu telefone tocou novamente e era Damon perguntando se eu estava andando sozinha pela rua. Respondi que não e guardei o telefone novamente. Tive alguns problemas na primeira gestação e isso deixou meu marido ainda mais paranoico.

Sinto um par de mãos envolver minha cintura e começo a puxar o ar necessário para gritar quando reconheço tanto as mãos quanto a voz que sussurra em meu ouvido.

–Que feio, senhora Salvatore. Mentir para o marido assim?

–Sabia que você estaria por perto. Por isso respondi que não estava sozinha.

–E tem a coragem de continuar tentando me enganar?! Esposas más não merecem um presente tão bom quanto o que eu tenho para você. Já nem tenho tanta certeza de que o entregarei em suas mãos.

–Posso pensar em mil e uma maneiras de convencer você a entregar. – me aproximo de seu ouvido e sussurro a parte seguinte. – E nem todas elas são decentes para um lugar público como esse aqui. – dou um tapa em sua coxa.

–Espero que se contenha. Onde já se viu uma mulher casada e grávida se comportando dessa forma no meio da rua? Seu marido deveria ensinar-lhe boas maneiras. – ele repreende sorrindo.

–Ah, mas ele ensina. Pode ter certeza. – retribuo o sorriso e lhe dou um selinho. – Precisamos ir. Ainda vou ao salão me arrumar para o jantar de hoje à noite.

–Não, mocinha. Agora você vai ganhar seu presente. Acompanhe-me, por favor. E não se preocupe, está tudo pronto.

–Mas e meu carro?

–Você acha que vamos a pé?

–Como você chegou aqui?

–Táxi. O transporte com a cara da cidade. Imaginei que fosse precisar do seu carro hoje. E não é que eu estava certo?

Damon me levou por ruas muito movimentadas e outras nem tanto. Tive a sensação de que atravessávamos a cidade. A cada segundo eu ficava mais e mais curiosa. Liguei o rápido a fim de me distrair, já que tinha a certeza de que ele não diria nada a respeito do nosso destino. Estava tocando Clarity, do Zedd com a Foxes. Comecei a cantarolar e lembrei de um passeio de carro, há cinco anos, quando eu mal conhecia o homem ao meu lado.

*Flashback ON*

Durante o caminho estávamos em silêncio, tomei a iniciativa de ligar o rádio, mas recuei a mão e ele me olhou e então assentiu sem que eu precisasse perguntar... Sabe quando você liga o som e sua música favorita está tocando? Foi isso que me aconteceu, não que eu seja completamente louca pela Demi Lovato, está bem, eu sou... Really Don't Care era uma música que eu amava...

–Ah meu Deus eu amo essa música – praticamente gritei.

You wanna play, you wanna stay, you wanna have it all

You started messing with my head

Until I hit a wall

Maybe I shoulda known, maybe I shoulda known

That you would walk, you would walk out the door, hey!

–Canta comigo Damon...

–Não, eu não canto... – sorriu sem graça.

Said we were done, and met someone

And rubbed it in my face

Cut to the punch, she broke your heart

And then she ran away

I guess you shoulda known, I guess you shoulda known

That I would talk, I would talk

Me empolguei e ele me encarou. – Desculpe, eu amo essa música!

–Tudo bem, fico feliz que ela tenha tocado aqui, dentro do carro e não no café. – o olhei e apenas sorri.

–Está bem, eu paro... – disse me ajeitando no banco sem graça.

–Continue... Você canta bem! – sorri convencida e voltei com a música.

*Flashback OFF*

–No que você está pensando assim, tão concentrada? E pelo visto é bom o pensamento, já que você está sorrindo. – noto que o carro está parado em um semáforo e Damon virou para me encarar.

–Estava lembrando da noite em que nos conhecemos. Eu estava bêbada, a Car me deixou na boate sozinha, meu sapato preferido precisou ir pro lixo, você cuidou de mim e eu cantei Demi Lovato no seu carro. Sempre tivemos uma ligação. Não é qualquer pessoa que faz o que você fez.

–Talvez tenha sido amor à primeira vista... – ele pareceu falar consigo enquanto punha o carro em movimento novamente.

Esses anos com Damon têm sido muito bons para nós dois. Tirando uma briga ou outra, as manias de Damon, minhas crises, tanto emocionais quanto compulsivas, a criação de Emma, e agora a de Trevor. Sempre que cada desentendimento acontece, fazemos uma retrospectiva de nosso tempo juntos, assim enxergamos o quão melhor somos quando estamos de bem um com o outro.

Pensar nisso me faz lembrar da cerimônia do nosso casamento. Eu e Car éramos as noivas mais lindas do mundo e Damon e Klaus, os noivos babões. Precisamos adiantar o casamento em dois meses, para que eu conseguisse usar o vestido que já havia escolhido. No fim, tudo deu certo. E foi ainda mais perfeito do que havíamos imaginado.

–Chegamos! – meu marido desperta-me dos meus devaneios.

Noto, pela janela do carro, que paramos em frente a um prédio muito simples, porém muito bonito e elegante. Há letras grandes sobre a marquise informando que ali funciona um SPA. Viro para Damon com uma pergunta na ponta da língua, que é calada por um beijo.

–Feliz aniversário, meu amor. – ele deseja assim que nos separamos. – Preparei essa surpresa porque sei que você tem estado cansada com a gravidez, o trabalho, a Emma, nosso aniversário e tudo mais. Então quero que você entre aí e aproveite. Volto para buscá-la na hora certa. Cuide-se e deixe o restante comigo.

Damon beija minha testa antes de voltar para o carro e ir na direção de onde viemos. Fico observando até meu carro sumir de vista e então entro. Quando me aproximo do balcão, percebo que está faltando algo fundamental: minha bolsa. Droga! Deixei no banco e Damon sabe disso. Das duas, uma: ou ele vai trazê-la para mim ou isso foi proposital.

–Boa tarde, senhora Salvatore. Meu nome é Tyra e vou acompanhá-la esta tarde. Seu marido já arrumou tudo conosco. E ele pediu que não nos desviássemos muito do cronograma para que a senhora esteja pronta na hora certa. Vamos lá?

Como não tinha outra opção, e realmente estava precisando relaxar, deixei que a menina de feições suaves e bem miúdas me puxasse corredor adentro naquele espaço que logo depois descobri ser bem maior do que aparentava.

POV Damon

Já havia pedido a Caroline que levasse Emma para a casa dela e a ajudasse a se aprontar. Elas sabem que sou uma negação com a moda. A feminina então... Passo longe. Essa ideia não me agrada muito, já que significa que minha filha vai estar com o malandrinho do Evan, filho da Car com Klaus. Ele é quase um ano mais novo que a Emma, que está com quatro anos agora.

Vou para casa ajeitar tudo. Organizo a bagunça que temos feito, deixo tudo perfeito para que Lena não tenha trabalho algum com as tarefas domésticas. Depois de casar, aprendi que tenho que dividi-las irmãmente, o que não acontecia com Alaric. Aliás, meu amigo se deu bem depois do meu casamento. Conheceu uma tia da Elena, Jenna, e começou a sair com ela. Parece que alguém finalmente o está pondo na linha.

Quando termino de arrumar tudo, verifico o relógio. Tenho mais uma hora e quarenta e cinco minutos até precisar buscar Lena no SPA. Vou tomar banho e me vestir rapidamente, assim posso dirigir mais tranquilo até lá.

POV Elena

Estou pronta, Damon acabou de chegar e nunca me senti tão relaxada e feliz como estou agora. Tenho uma família enorme, que continua crescendo, um casamento completo e feliz, muito amor ao meu redor. Não acredito que tenha mais alguma coisa que eu queira.

Vamos do SPA direto ao restaurante. Há uma mesa posta para seis pessoas e quatro lugares já estão ocupados. Minha melhor amiga sorri ao me ver e levanta para me abraçar.

Trocamos cumprimentos, sentamo-nos à mesa e comemos. Ficamos horas conversando. Minha amiga e o marido pediram licença, pois iriam a uma festa depois dali e ainda levariam Evan para a casa dos pais de Klaus. Despedimo-nos e não demorou muito, também fomos embora. Damon resolveu me levar para casa a fim de manter a “esfera” de tranquilidade e serenidade que eu adquiri durante a tarde.

Fomos dormir relativamente cedo. Pedi a Emma que trocasse de roupa e viesse deitar com o papai e a mamãe. Queria minha família perto de mim naquela noite. Não demorei muito a pegar no sono. Acordei na manhã seguinte com café-da-manhã na cama e um beijo muito gostoso da minha filha.

–Papai, o senhor pode me dar dinheiro? – era costume Emma pedir dinheiro para o lanche, apesar de nem sempre concordarmos em dar, afinal, ela não pode comer porcarias todos os dias e hoje teria aula.

–Você lanchou na escola ontem, filha. Hoje é dia de levar de casa. – Damon explicou, pacientemente.

–Não, papai, o senhor não sabe pra que é. Eu quero ir no shopping comprar uma roupa muito bonita que eu vi outro dia quando fui lá com a mamãe.

A cena seguinte foi extremamente cômica: o rosto do meu marido ficou sem cor. Seus olhos, arregalados. Tudo o que eu queria era rir, afinal, filha de peixe, peixinho é. Com toda certeza, eu tinha a família perfeita. Pelo menos para mim.

Notas finais
Tudo na vida tem um fim. Na verdade, a própria vida tem um fim. Gostei muito de fazer parte dessa história. Antes de escrevê-la, eu a amava de paixão. Fiz o melhor que pude para trazer bons capítulos a vocês. Peço que me desculpem qualquer erro meu com vocês e os meus (infinitos) atrasos. Quem quiser ler outras fics minhas, tem lá no meu perfil. Bom, é isso pessoal! Últimos reviews? Recomendações? Ameaças de morte?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!