Um Amor Nº V
19 Uma Nova Crise - Parte 1
Notas iniciais
POV Damon
Faltam três semanas para o casamento. Não consigo imaginar maneira alguma de estar me sentindo mais feliz e completo. Tenho a noiva mais incrível do mundo. Não sei como posso ter perdido tanto tempo com a April tendo Elena tão próxima.
Klaus tem estado tão animado quanto eu. Casaremo-nos no mesmo dia, no mesmo lugar. Será uma cerimônia simples, mas elegante. Sem contar que será bem grande e animada com os Salvatore, os Gilbert, os Forbes e os Mikaelson.
Nossas noivas não nos deixaram em paz por muito tempo. Estamos sempre fazendo algum programa para casais. Elena influenciou Caroline a deixar Klaus ir a uma despedida de solteiro realizada por nossos colegas de trabalho. Ela deu a desculpa de que elas também teriam a dela. Mas na mesma noite, minha noiva me entregou uma lista de restrições: o que não podia, de forma alguma, ter na despedida.
A maioria dos itens desta lista eram coisas como: strippers, muito álcool, carona feminina, e qualquer outra atividade que envolvesse mulheres ousadas e atiradas. Não que eu ou Klaus estivéssemos realmente considerando isso, já que para cada um de nós, o pensamento era o mesmo: nossas noivas eram mais importantes.
Elena, apesar de muito empolgada com a aproximação da cerimônia, tem estado bem estranha ultimamente. Perguntei a ela o que era e as únicas respostas que eu obtinha eram: “não precisa ficar preocupado”, “eu estou bem, é só um mal-estar passageiro”, “estou com TPM”. E quando eu dizia a ela para procurar um médico, tudo o que ela respondia era que não precisava. Ou ela jogava alguma coisa em mim. Elena tem pavor de médicos e hospitais.
Quanto à oniomania, parecia estar controlada. Ela não teve nenhum surto depois do episódio no hotel, quando viajamos para o casamento da April, para o qual nós acabamos não indo. Isso deixava tanto a mim quanto a Caroline bastante aliviados, e melhorava o humor da Elena.
Decidi sair mais cedo e fazer uma surpresa para minha noiva hoje, que não tem trabalhado desde o começo do mês para ter tempo de resolver tudo sobre o casamento com a melhor amiga. Encerrei as atividades no escritório por volta das duas da tarde. Klaus não estava na mesa dele, já que decidiu passar o dia com a noiva. Mais um motivo para ficar com a minha garota.
Levo pouco mais de meia hora para dirigir do trabalho até o apartamento em que Elena mora. Tenho passado as noites lá. Caroline está sempre com Klaus e no meu apartamento tem Alaric. Estamos pensando em morar na cabana depois do casamento. É mais tranquilo e relaxante sem todos os sons da cidade.
Chego ao andar do apartamento e procuro a chave que Elena me deu dentro da minha pasta. Encaixo a chave na fechadura e abro a porta. A cena que encontro é um tanto quanto assustadora: a sala está uma bagunça. Há bolsas de lojas por todos os lados, vidro quebrado no chão perto da porta, e o que me preocupa mais: Elena sentada num canto, os joelhos colados no peito, a cabeça baixa. Posso ouvir que ela está chorando.
–Lena, meu amor, o que aconteceu? – pergunto, enquanto me aproximo dela, abaixando-me ao seu lado.
POV Elena
Acordei sozinha novamente. Damon já havia saído para o escritório. Provavelmente me deu um beijo pra não me acordar. Outro dia se inicia e sinto as mesmas coisas de ontem: uma dor de cabeça insuportável e um leve enjoo, mas não é nada que eu precise alertar alguém. No geral, estou bem.
Vou até a cozinha e tomo meu café. Não satisfeita, corro pro quarto, troco de roupa, escovo os dentes e pego minha bolsa. Vou até a padaria que fica no fim do quarteirão e peço um sonho de creme e um café com chantili. Sento-me em uma das mesas enquanto espero meu pedido.
De repente sinto meu telefone vibrar dentro da bolsa. Pego o aparelho e verifico a tela para saber quem está ligando. É minha mãe. Sorrio e atendo a chamada. A atendente aparece com meu pedido logo que encosto o telefone à orelha.
–Mãe! Que saudades. Como estão as coisas em casa?
–Oi filha. Também estamos sentindo sua falta. Está tudo bem por aqui sim, só seu pai que é um teimoso e não quer ficar parado de forma alguma. – meu pai tinha torcido o pé há uma semana e, como foi uma torção muito grave, precisava ficar parado e com o pé para o alto, se quisesse melhorar por completo. Pelo visto, estava bem difícil para a minha mãe. – E você, filha, como está?
–Estranha. – digo sem pestanejar.
–O que houve, meu bem? – sua voz tem um tom acentuado de preocupação.
–Não sei, mamãe. Quase todas as manhãs têm sido bem incomuns no último mês. Nunca acordo antes das dez, quando acordo, estou sempre enjoada, com uma dor de cabeça insuportável. Hoje, por exemplo, estou numa cafeteria bebendo café com chantili e comendo sonho de creme.
–Filha, você odeia chantili. Elena, você já foi ao médico?
–Não. Damon já pediu várias vezes que eu fosse, mas a senhora sabe que eu tenho medo, mamãe.
–Querida, acho que você pode estar grávida.
Fiquei em silêncio. Não havia nada para ser dito. Ou talvez sim.
–Isso é ridículo, mãe. É claro que eu não estou. Só porque tenho me sentido mal ao acordar por algum tempo, não quer dizer que eu esteja esperando um bebê. Eu seria a primeira a notar.
–Filha, quando foi a última vez que você menstruou?
–Mãe! Estou tomando café-da-manhã. Depois falo com a senhora. Amo você. Dê um beijo no papai por mim.
Desliguei o telefone e joguei-o no fundo da bolsa. Não queria pensar no que minha mãe havia dito, então simplesmente comecei a comer. Minutos depois, paguei pelo que havia consumido e caminhei de volta para o apartamento. Ao chegar, tomo um longo banho. É inevitável pensar sobre o que minha mãe disse.
Assim que saio do banho, visto uma roupa suficientemente decente para ir a um hospital e ligo para minha melhor amiga. Ela é a única que pode me ajudar agora.
*Ligação ON*
–Car, sei que você e Klaus estavam marcando de passar o dia de hoje juntos, mas eu realmente preciso de você. Acho que aconteceu uma coisa.
–Oi, amiga. Calma. Primeiro o que você acha que aconteceu?
–Não quero falar sobre isso no telefone. Mas é algo importante que surgiu hoje mais cedo, quando eu conversei com a minha mãe. Preciso da sua companhia pra resolver um assunto.
–Tudo bem, Lena. Acho que posso ficar com você por algumas horas. Não saia daí. Logo vou chegar e conversaremos. O Damon sabe que você falou com a sua mãe?
–Não. Por favor, não ligue para ele. Deixa que na hora certa, se for necessário, eu ligo. Só... Vem logo.
*Ligação OFF*
Agora é só uma questão de paciência até minha amiga chegar. Contarei a ela o que vem acontecendo no último mês. Provavelmente ela vai tentar me passar um sermão por eu ter ignorado tudo o que venho sentido por tanto tempo, mas vai me levar ao hospital. Mesmo que ela precise me amarrar pra isso.
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