Eram quase 06:00 da manhã e Samantha ainda não havia dormido. Tudo que conseguia fazer era olhar para as caixas enfileiradas no canto de seu quarto vazio. Em poucas horas, seus pais iriam acordar e levá-las para o caminhão de mudança.

Contra sua vontade, Samantha irá se mudar. Não de bairro, não de rua, não de cidade. Mas sim de estado.

Quando seus pais acordaram, mentiu ter acordado a pouco tempo. Levantou sem ânimo e foi direto para o banheiro, escovou seus dentes e penteou seus longos cabelos. Logo depois se vestiu com a única roupa que não estava dentro de uma mala e saiu do seu quarto, era a ultima vez que estaria ali.

Assim que seus pais terminaram de colocar as malas com roupas no carro de seu pai, chamaram os homens que fazem mudança para colocarem o restante em seus caminhões.

Entraram no carro. Samantha não conseguia tirar seus lindos olhos esverdeados da janela. Quando seu pai ligou o carro, Samantha sussurrou olhando para a sua antiga casa, tendo a certeza de que ninguém a escutaria:

– Acho que isso é um adeus. — E então desviou o olhar, deitou no banco de trás do carro e dormiu.

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Chegando em sua casa nova, a mãe de Samantha, Mellanie, acordou-a. Depois de se espreguiçar, Samantha se levantou, ouvindo sua mãe falar:

– Bem que eu desconfiava que você não havia dormido.

Mellanie abriu a porta para sua filha descer do carro enquanto seu pai testava as chaves na fechadura da porta da casa nova da família para ver qual era a certa. Samantha parou em frente a casa e então entrou.

– Por aqui filha — disse enquanto guiava-a a segunda porta a esquerda em um corredor com paredes brancas descascadas. — Vou te mostrar seu quarto.

Quando sua mãe abriu a porta do quarto de sua filha, Samantha não falou nada e foi conhecer o resto da casa. Sua mãe, preocupada, falou:

– Não gostou filha? Pode ficar com o meu se quiser, mas vamos ter que trocar as camas de lugar.

– Tanto faz — respondeu Samantha.

– Olha Sam, eu sei que você não queria se mudar, mas não podíamos mais ficar lá, você sabe. Logo logo você faz novos amigos aqui. Vou te matricular na escola que tem atrás de casa.

– Tanto faz — repetiu e sua mãe não tentou mais puxar assunto.

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Samantha tirou suas coisas de sua mala e as guardou. Depois saiu da casa, que se recusava a chamar de "sua" sem dar satisfação para os seus pais e começou a caminhar pelo bairro. Precisava esfriar sua cabeça. Andando mais a frente Samantha avistou um banco, nele sentou-se, colocou seus fones de ouvido e acendeu um cigarro enquanto olhava o nascer do sol.

Duas horas se passaram e Sam continuou sentada naquele banco. Quando pensou em ir para casa, uma garota se aproximou de Samantha. Como ela estava entretida, não notou sua presença, então a garota, sorrindo, perguntou:

– Posso me sentar?

Samantha tirou os fones de ouvido e ficou olhando para a garota sem saber o que dizer.

– Oh, me desculpe. É claro — respondeu Sam, finalmente.

A garota tinha olhos e cabelos escuros, usava uma camiseta provavelmente maior que seu número de roupa da banda The Strokes, uma calça preta aparentemente rasgada por ela mesma e um all star rabiscado com caneta azul.

– Qual seu nome? — Perguntou a garota.

– Samantha, mas meus amigos me chamavam de Sam. Pode me chamar assim se você quiser.

– Chamavam?

– Sim, meus pais me obrigaram a me mudar para cá hoje de manhã junto com eles, então eu tive que deixar meus amigos no meu antigo estado.

– Ah, eu te entendo. Espero que faça novos amigos aqui, Sam — respondeu a garota enquanto tirava um cigarro de seu maço. — Tem fogo?

Samantha tirou um isqueiro de seu bolso e entregou para a garota, que logo acendeu seu cigarro e o devolveu a ela.

– E você? Como se chama? — Perguntou.

– Me chamo Emilly. Pode me chamar como quiser.

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Depois de passar horas conversando com Emilly, voltou para casa para almoçar. Ambas pegaram seu número de telefone e marcaram de se encontrar mais tarde.

Chegando em casa, Samantha ouviu gemidos vindo do quarto de seus pais.

– Estou em casa! — Gritou. Logo o barulho parou e depois de alguns minutos seus pais saíram de seu quarto juntos.

– Oh, aonde você estava Sam? Estávamos preocupados.

– Deu pra perceber — falou Sam, ironicamente. Pegou seu prato com comida e entrou no seu quarto, trancando a porta.

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Depois de almoçar, Sam decidiu cochilar. Estava quase dormindo, quando de repente seu celular faz um barulho. Emilly havia mandado uma mensagem. Nela dizia: "Estou te esperando no nosso banco". Sam sorriu ao terminar de ler a mensagem e leu a palavra "nosso" diversas vezes. Então se levantou e foi se arrumar.

Saiu de seu quarto e gritou para seus pais que estavam no quarto:

– Tô saindo! Mais tarde eu volto!

Antes que seus pais pudessem responde-la, Sam saiu e bateu a porta de casa com força. Caminhou o mais rápido que pode para Emilly não pensar que ela não iria se encontrar com ele e fosse embora.

Quando chegou no banco onde Emilly estava esperando-a, parou em sua frente e sorrindo, falou:

– Posso sentar?

Emilly sorriu e imitou Samantha:

– Oh, me desculpe. É claro. — Ambas riram.

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Emilly chegou em sua casa, entrou no seu quarto e se atirou em sua cama com um sorriso bobo no rosto. Estava pensando na garota dos olhos esverdeados