Samantha acordou assustada de um longo pesadelo. Pegou seu celular e verificou se Emilly não havia enviado uma mensagem. Ao perceber que não havia nada, além da mensagem de sua operadora, entristeceu e se deitou novamente. Quando Sam estava finalmente conseguindo dormir, despertou com sua mãe gritando:

– Acorda Sam! Você vai se atrasar para o seu primeiro dia de aula!

Primeiro dia de aula?, pensou Sam.

Ela quase tinha esquecido. Ou melhor, ela tinha esquecido. Sam levantou sem ânimo algum e colocou a blusa do uniforme e uma calça justa. Ir para a escola e ter que aguentar aquelas pessoas chatas era a ultima coisa que ela queria, depois de chegar atrasada no seu primeiro dia de aula.

Pegou sua bolsa, foi até a cozinha e preparou um sanduíche antes de sair de casa. Sua nova escola ficava atrás de sua casa. Bateu a porta e saiu em direção a sua escola. Chegou lá em menos de cinco minutos.

Sua nova escola era completamente diferente de sua escola antiga. Tinha dois prédios; cada um deles com quatro andares e quatro salas de aula.

Samantha parou em frente a escola e ficou olhando-a por menos de dois minutos. Suspirou e então resolveu entrar. Quando entrou portão a dentro, o sinal havia acabado de bater para os alunos e professores entrarem em suas salas de aula. Sam não fazia ideia de qual era sua sala. Tirou um pequeno papel que mostrava todas as salas de aula que havia nos prédios, se encostou na parede e começou a procurar qual sala era a sua.

Quando finalmente achou sua sala, foi em direção dela com o papel na mão. Bateu duas vezes na porta e a seu professor de português, Sr. Robert, a atendeu.

– Vejo que temos uma aluna nova! — Falou o professor com um sorriso forçado no rosto.

Samantha sorriu e entrou na sala.

– Qual seu nome? — Perguntou.

– Samantha — falou meio sem graça. Não conseguia tirar os olhos de Emilly e logo percebeu que ela também não conseguia tirar os olhos de Sam.

– Bem vinda, Samantha! Eu sou o Sr. Robert, seu professor de português de agora em diante — respondeu. — Peter, pegue uma classe que está sobrando na sala da turma 72 para nossa aluna nova, por favor.

Peter revirou os olhos e, sem responder, foi até a sala do lado atender o pedido do professor. Enquanto esperava, Samantha permanecera ao lado do Sr. Robert, sem falar nada. Estava começando a suar. Odiava o fato de todos os alunos ficarem olhando fixamente para ela. Por que esse tal de Peter estava demorando tanto?, se perguntou. Então, finalmente, o garoto chegou com sua classe e colocou-a na terceira fileira, de cinco. Samantha caminhou até o local e sentou-se.

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A aula mal havia começado e Sam já queria ir embora.

Sam não estava realmente prestando atenção no professor sério, de bigode. Não estava nem mesmo anotando o que ele escrevia no quadro em seu caderno. Olhou para trás e viu Peter e seu melhor amigo, Josh, trocando bilhetinhos, um garoto chamado Carl dormindo e uma garota chamada Anna com fones de ouvido. Ninguém estava realmente prestando atenção na aula.

Checou novamente seu celular para ver se não havia uma mensagem de Emilly. Fazia o mesmo de cinco em cinco minutos sem saber o por que, mas não havia nada.

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Emilly acordou mais tarde do que costumava acordar. Desceu as escadas e foi preparar o almoço para seu pai. Era sua mãe quem costumava fazer isso, mas desde que ela falecera, Emilly passara a fazer tudo dentro de casa.

Seu pai era um homem de 54 anos, altista, chamado Anthony. Sua mãe, Madison, falecera na véspera de seu aniversário de 40 anos de idade em um acidente de carro. Seu pai estava junto, porém sobreviveu. Emilly queria que sua mãe tivesse sobrevivido ao invés de seu pai. Nunca fora muito apegada a ele.

Quando Emilly terminou de fazer suas tarefas, pegou seu celular e verificou a caixa de mensagem com a esperança de que tivesse alguma coisa de Samantha. Nem imaginava que Samantha estava fazendo o mesmo naquele exato momento.

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Faltavam 15 minutos para o sinal tocar, liberando os alunos para irem para suas casas. Sam não aguentava mais ficar presa naquela sala de aula, com aquela professora tagarelando em seu ouvido.

Estava tão entediada, quando de repente, seu celular, que estava no seu bolso, vibrou e fez um barulho. Sam verificou que sua professora de matemática não estava olhando, pegou seu celular e leu a mensagem. Nela dizia: "Oi Sam, como você está? Meu amigo vai dar uma festa na casa dele hoje e eu estava pensando se você poderia ir comigo, o que você me diz?"

Sam sorriu, e com aquele sorriso em seu rosto continuou. Decidiu esperar pra responder quando o sinal tocasse, não queria receber uma ocorrência no primeiro dia de aula.

Quando, finalmente, o sinal tocou, todos os alunos levantaram correndo de suas classes e a gritaria começou. Samantha permaneceu quieta, pelo fato de ser muito tímida, não fez amizade com ninguém. Pegou seu celular e respondeu a mensagem de Emilly, ainda com o sorriso no rosto: "Eu adoraria, passe na minha casa antes de ir, estarei pronta."

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A campainha toca.

Samantha se arrepia e seu estomago enche de borboletas. Não entendia o que estava acontecendo. Se questionava porque estava sentindo aquilo. Conhecia a garota a menos de uma semana, não podia estar apaixonada por ela. E, além do mais, Samantha era hétero — pelo menos, até conhecer Emilly.