Um Amor Demoniaco
6 Capítulo 6
"Eu sou Deinku Arcanjo" -Aquele garoto era bem parecido com Kyte se tirasse alguns detalhes a mais poderiam ser gêmeos, ou quase... Deinku era praticamente albino e seus olhos tinham uma pigmentação estranha, heterocromia talvez, o olho direito era violeta e o esquerdo dourado e não que eu tenha reparado, mas o corpo dele era um pouco menos desenvolvido que o de Kyte que tinha um bração musculoso... Ai, ai... (PERVERTIDO)
Estava pensando justamente nisso quando me bati de frente com o aluno novo: -Olá?-Perguntou me segurando para que eu não caisse.- Estou com sorte.-Sorriu.- Era exatamente você que eu estava procurando. Eu queria te ver. -Me ver? -Minha voz afinou. Estranho,aquela era a primeira vez que um garoto não ria de minha voz aguda.- M-Mas por quê Deinku?
-Você foi tão bom comigo ontem que gostaria de te dar um presente, fecha os olhos e vira de costas.
-Tudo bem. — Me virei e senti que ele colocava algo em meu pescoço.
Quando pediu que eu abrisse, pude ver que era um crucifixo de prata com cheiro de mirra. O olhei agradecido e sorri, ele se despediu e foi naquele instante que quem eu menos queria ver apareceu:
-Precisamos conversar. -Disse me puxando pelo braço.
-K-Kyte, eu não quero falar com você! Vê se me deixa em paz.
-Jamais vou fazer o que você está me pedindo, nunca te deixarei em paz.
-Depois daquela noite eu senti que você não gosta de mim, que queria apenas zoar comigo.
-Não é verdade, vê se para de ficar dizendo coisas que não existem.
Que expressão era aquela naqueles olhos? Aparentavam dor e sofrimento. Senti uma enorme pena e não consegui desviar meus olhos dele, ficamos naquela troca de olhares, por um minuto esqueci de tudo, era só nós dois, nada mais importava. Então, tomei coragem e e lhe falei secamente:
-Me deixa passar.
Ele não disse nada, apenas abriu caminho para que eu passasse. Mas não me deixou sair, pelo contrário, me prendeu no armário e fez uma coisa que eu realmente não esperava.
Me beijou...
Kyte havia me beijado na boca!
No início, senti uma enorme vontade de socá-lo no rosto, mas não tive forças o suficiente para isso, ainda com medo, retribui o gesto. Depois com um estalo demorado e molhado, seu rosto se afastou do meu, a respiração ainda ofegante, desviei os olhos para os lados, por sorte não havia ninguém nos corredores, suspirei e o olhei profundamente.
Em silêncio, ele se afastou e saiu andando em passos largos como se nada tivesse acontecido. Como ele podia ser tão frio? Comecei a chorar de raiva e saí correndo rumo a biblioteca e me fechei lá dentro. Sentei em um dos bancos e continuei chorando por mais algum tempo, depois sequei as lágrimas, pois havia ouvido um barulho atrás das prateleiras de livros de ficção científica.
Apertei o crucifixo na mão e me levantei andando devagar em direção as prateleiras. Parei e coloquei o ouvido na parede para ver se ouvia algum ruído:
-O quê você está fazendo?
Dei um pulo de susto e joguei um livro na cabeça da pessoa atrás de mim:
-Qual é?! — Era Deinku.- Por que fez isso?
-Perái, por que você estava me seguindo?
-Eu vim ler, te vi e vim conversar.
-Me desculpa, acho que estou meio paranoico hoje. — Sorri colocando uma das mãos no pescoço.
-Mas por qual motivo?
-N-Nada não... -Corei.
Ele sorriu e pôs a mão em meu ombro:
-Não fica assim, pelo contrário sorria hoje, vai que amanhã você amanhece sem dente?
O modo irônico com que ele disse aquilo me fez rir, ficamos nos olhando por alguns minutos. Deinku olhou para frente e ficou estranho, perguntei se estava tudo bem, mas não respondeu, apenas de perto de mim e correu prateleiras adentro:
-EI! -Exclamei.- O quê houve? — Perguntei parado ao seu lado o vendo olhar para frente.
Por mais que eu tentasse lhe chamar a atenção, ele nem dava bola, me virei para ver o que era e o que vi foi normal, nada estranho ou sobrenatural:
-Um gato preto? — Questionei pasmado. — Toda essa correria por causa de um gato preto?
Deinku ainda olhava fixamente para o animal que de certa forma também o encarava, me aproximei do felino e o peguei no colo, chamei meu amigo para se aproximar, ele custou a vir e se negou a pegar no gato, parecia medo ou algo parecido. -"Nem todo mundo gosta de gatos". -Pensei abraçando o bichano contra o rosto. Eu pelo contrário amava gatos.
-É fofinho não acha? -Perguntei.
-Não. -Respondeu secamente.
(AURA NEGRA) Senti uma enorme aspereza na sua voz e fiquei o encarando por alguns minutos, quase não ouvi o sinal para entrarmos, por um minuto pensei em me trancar no quarto para não ter que suportar a certas pessoas, mas eu precisava estudar, me levantei e fui até a porta. Fiquei surpreso quando vi que Deinku ainda estava parado olhando para o gato:
-Você não vem?
-Depois, vai na frente. -Sorriu acenando com as mãos para que eu saísse. -Te encontro mais tarde.
-Tudo bem, nos vemos mais tarde então.
Saí da biblioteca com um enorme peso na consciência e principalmente no coração. (AURA NEGRA) Parei no corredor e ainda meio confuso resolvi voltar na biblioteca e ver se ele precisa de ajuda com alguma coisa, mas parei ao chegar na porta porque notei que Deinku não estava sozinho:
-Já estava na hora de nos vermos de novo. -Era Deinku.
-Cocordo, assim você me poupa a caçada.
Impossível era... A voz de Kyte-Kun.
Notas finais
Bom galera está ai. Me perdoem a demora mais o ENEM havia ocupado todo o meu tempo... Mais voltei e agora é pra ficar galera!!!!! :) Espero que gostem do capítulo e até o proximo... Beijinho tchau, tchau :)
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