Um Amor Capaz De Libertar
13 Capítulo XI - Escapando
Notas iniciais
Bom, estamos concorrendo à mais outra votação, como Melhor Drama, neste blog: http://mundodasseries8.webnode.com/fanfics-awards/ Só clicar encima do nome, e ele é computado. Votem, ok?
É isso, boa leitura, beijos! ♥
Jacob
O aroma de couro novo se fazia inalar pelas narinas levemente dilatadas do homem de pele escurecida, mãos pouco calejadas e sobrancelhas espessas e de tonalidade negra, um pouco mais forte do que a cor que tingia os fios de cabelo, já certas vezes retocados para que não aparentasse a boa vivência que já adquirira ao longo de seus 45 anos.
O envelope de papel pardo segurado entre seus trêmulos, enquanto entregava pessoalmente o que lhe fora requisitado.
- A encomenda? – O moreno mais novo questionou, a voz rebarbando no carro blindado.
- Está aqui, Sr. Black. – Jenks ergueu o pacote na direção de Jacob, que o fez pegar nos dedos compridos e grossos.
- Pois bem... – Puxou uma longa golfada de ar, enquanto manuseava o lacre, retirando o conteúdo de dentro do papel.
Os olhos percorriam fotografia por fotografia, registrando em sua mente imagens de Edward e Bella juntos, senão abraçados ou sorrindo, então trocando olhares com direito a mãos entrelaçadas, ou literalmente aos beijos. Essa era a pior parte de todas! Ver os dois interligados daquela forma, bem em frente à casa deles, quando era ele a quem ela devia receber tais afagos. Aliás, não era legalmente correto mencionar que era o lar de ambos a casa em que residiam, pois Bella morava lá de favor; A casa era somente dele. Porém, de certa forma, isto não era ruim. Tê-la morando sob seu teto o fazia apto a agraciar seus olhos com a presença de um corpo como aquele à sua frente, saciando-o momentaneamente enquanto ele não a fodia como costumava ser característico dele, algum tempo atrás, para com outras garotas.
- Algum equívoco? – Jenks pronunciou temeroso, fitando Jacob por sobre as lentes que adornavam seu rosto de forma redonda, e arcada dentária de mesma geometria.
Jacob recuperou-se do seu devaneio de no máximo um segundo, para fitar o contratado a seu lado. – Não mesmo! De fato, o trabalho é mesmo muito bem feito... – Ele aplaudiu mentalmente, tendo a prova de adultério – por assim nomear a chantagem em que Jacob mantinha Bella, como ele mesmo pensava – em mãos.
- Então, se está tudo em ordem, creio que me deve minha recompensa pelos meus serviços, Sr. Black. – Jenks arqueou o supercílio esquerdo, insinuante.
- Claro, está aqui! – Jacob esticou outro envelope, igualmente lacrado e pardo, para o quarentão que agarrou e contou alguns maços de dinheiro, checando o recebimento.
Este, por sua vez, levantou o semblante e sorriu, expondo todos os dentes amarelados e levou a mão ao encontro de Jacob, que prontamente segurou em um aperto firme, denunciando a cumplicidade entre os dois, dali em diante.
- Foi um prazer fazer negócio com o Sr. – Jacob garantiu, fitando-o com olhos levemente oclusos.
- Estamos aí! – O mais velho adiantou-se em afirmar, já induzindo um novo contrato por mais adiante. Afinal de contas, Jacob o pagara uma boa quantia pelas suas míseras fotografias.
Despediram-se ambos então, e Jacob seguiu para sua casa, equipado com sua moto que não deixava nada a desejar perto do blindado de Jenks, ainda que o carro fosse de maior presença.
Bella
Ouviu o rangir da fechadura sendo destrancada, seguido dos ruídos que o molho de chaves produzira ao ser bruscamente chacoalhado.
Bella retesou o corpo e apoiou as costas eretas na guarda da cama em que estava deitada, sob almofadas e travesseiros macios, que evidentemente proporcionavam-na o conforto que há dias não tinha mais, visando o estado desprovido de liberdade em que ela permanecia.
Para sua surpresa, do vão aberto da porta, Jacob pisou adiante no quarto de Isabella, a porta esgarçando-se por completo atrás de si, devido a força utilizada no ato levemente rude do moreno.
- Você pode sair se quiser, agora. — A voz sem emoção e um tanto grave de Jacob anunciou.
Ela precisou de um minuto para se recompor do choque que ouvir tais palavras a remmeteu. Só podia estar brincando, pensou. Jacob não faria algo do tipo de tão bom grado. Certificou à si própria.
- Sério, pode ir. — Jacob assegurou.
Bella juntou os sobrolhos, ainda hesitante sobre fosse lá o que aquilo significava.
- Tem certeza disto? — Ela adquiriu um tom de voz ameno.
- Uhum, tenho. — Ele entoou inexpressível.
- Tudo bem, então. — Bella deu de ombros, por conseguinte, apanhando o celular e um pucado de dinheiro, mais por garantia do que por real necessidade. Rumou fora do cômodo o qual em tão pouco tempo de cárcere tornou-se claustrofóbico em demasia.
Ainda que a proposta de Jacob lhe soasse suja, não era de seu feitio renegar tal regalia. Liberdade é, senão a melhor e mais desejada coisa cobiçada no mundo, então uma das. Seria, no mínimo, de extrema estupidez recusar um “presente” de tamanha valia.
Passou em frente a um restaurante e fez seu almoço por lá mesmo, onde pediu um espaguete ao molho branco com cogumelos, e um suco de abacaxi e menta, como apreciava já de muito tempo, acompanhando como sobremesa uma torta de morangos com chantilly.
Feita sua refeição, seu inconsciente relembrou-a do passeio que marcara com Edward àquela noite, depois que se falaram por e-mail após o encontro, por assim dizer, que tiveram no dia passado. De modo quase instintivo, ao ouvir a pronúncia do nome dele lhe escapando pela boca, um sorriso fez-se brotar nos lábios, de fina espessura e tamanha delicadeza, que completavam a moldura quase artística da face dela.
Bella guiou-se a passos vagarosos rumo de volta à casa de Jacob, já que pela manhã tivera sua assaz cota de ar fresco – e de Edward – do dia. Além disto, sentia-se satisfeita por ter tirado proveito do momento em que ela estivera junto dele. Desse modo, não se fazia mais necessário que estivesse fora de casa, se não sentia-se à vontade com isto. Desse modo, não estava nos seus planos dar o prazer à Jacob de ficar em sua companhia. Queria mostrar que não fazia a mínima questão de ficar a seu lado, ou negar a opção de liberdade que ele lhe dera. Estava insana para correr logo dali, isso sim!
Mesmo que, Isabella não estivesse segura por completo quanto à proposta de Jacob, logicamente ela estava livre, e partindo deste conceito, significava que não era mais obrigada a ficar trancafiada por um dia inteiro, em seu próprio quarto. Na verdade, ela até estranhava aquela decisão tão repentina de Jacob, mas sua mente procurava considerar tal ato como um pedido – outro, melhor dizendo – de desculpas. Porém, uma parte muito pequena que ela tentava obstruir, sussurrava ao pé de seu ouvido que deveria tomar cuidado; que, no mínimo, deveria haver alguma outra intenção por detrás daquele ato cordial, se formos considerar a pessoa de Jacob Black como o benfeitor da vez.
Não demorara mais do que meia hora para executar todo o trajeto de volta para casa, e assim que Bella pôs seus pés sobre a calçada que costeava a moradia, sentiu-se estranhamente observada. Não como da outra vez em que estivera com Edward, mas sim um tanto sutil, agora. Vagueou os olhos à procura de algo suspeito, porém nada achou, para sua desilusão.
Pisou adiante até que estivesse dentro de casa, e novamente a sensação a invadiu.
- Jacob, cheg... – Iria dizer, embora não fizesse grande causa de que ele soubesse de sua chegada, quando ficou embasbacada com o pequeno objeto tecnológico voltado para ela, os lábios retorcidos em incredulidade.
Moveu suavemente a cabeça, observando a câmera movimentar-se de acordo consigo, acompanhando seu deslocamento conciso.
Um vulto se fez captar pela visão periférica de Bella, que virou o rosto e deu de cara com Jacob, apoiando o braço no limiar da porta. Ele abrira um sorriso vitorioso e deu de ombros por fim, adquirindo impulso para um pequeno empurrão que o afastara da soleira, seguindo caminho para alguns passos de distância dela.
- Gostou do presentinho? – Ele disse, sua voz saindo odiosamente irônica.
Jacob levou o olhar até a câmera, ainda voltada para Bella, que era o ponto de foco mais próximo do objeto, e enunciou – Instalaram no período de seu passeio. Aproveitou para ver o viado? – Ele levantou os supercílios, os olhos um pouco esbugalhados, como se a incitasse a falar.
Bella, por sua vez, sentia lágrimas ameaçando se formarem em suas vistas. Já sabia exatamente o que estava para expelir dos lábios de Jacob.
- Porque bem... – Jacob prosseguiu – Você não vai mais ver ele a partir de agora! – Ele sorriu. Um sorriso simples, sem expor os dentes, mas tão maligno quanto. – Nem mesmo fugindo, nem mesmo de qualquer outra forma... – Ele garantiu, enquanto Isabella engolia em seco. – Ah sim! Eu sei o que você fez hoje mais cedo... – Jacob assentiu, como se esfregasse na cara dela que ela não poderia andar por entre as sombras com ele por perto.
Ele riu por dois segundos. Tempo suficiente para prender a atenção de Bella, que milésimos de segundos depois, sentiu uma dor forte atingir bem próximo de sua nuca. Jacob mantinha os dedos entrelaçados ao cabelo dela, rente à raiz, puxando com violência. – Eu vi com meus próprios olhos! – Ele riu escancaradamente e retirou uma foto, já meio amassada, do bolso da bermuda e literalmente esfregou no rosto dela. – Eu vi aqui... Sua merda! – Gritou e estapeou a bochecha direita de Bella, que grunhiu de dor. – Achou mesmo que eu não iria descobrir? Achou?! – Outro tapa.
Bella ofegou, sentindo algo quente e pegajoso logo abaixo de seu nariz. Droga, estava sangrando! Só de cogitar o pensamento, ela sentiu-se mais tonta e fraca, porém mantinha-se erguida sob seus pés, ainda que Jacob fizesse de tudo para que desistisse. Mas ela sabia, que aquele era apenas o começo e ela não iria se render para ele.
- Não tenho medo de você! – Balbuciou, esfregando a mão no nariz que sangrava, tentando estancar um pouco o ferimento causado pelo contato extremamente brusco da palma de Jacob contra a face dela.
- Você não tem medo, não é?! – Ele riu do desaforo dela.
Bella arrumou voz e força para balbuciar – Não. – Porém, convicta de que não se deixaria abater. Ele poderia a matar, mas ela não cederia. De qualquer forma, Jacob não a mataria. Ele gostava de a ver sofrer. Já que não podia fazê-la gemer de prazer, a faria gemer de dor e dessa vez, ele decidira: Ela não se safaria ilesa como das outras vezes, dessa vez ela ia pagar.
Toda a raiva contida dentro de Jacob, por ver ela escolher à Edward e não à si, seria despejada sobre aquela que ele um dia ousara tratar bem, acreditando que era isto que ela merecia. Mas na verdade, ela não passava de uma desgraçada, que não dera valor ao que ele tinha de melhor para oferecê-la, e agora ela pagaria por seu total desrespeito a ele.
- Vamos ver se você não vai ter medo, quando estiver desacordada. – Ele riu, sua risada ecoando no cômodo, enquanto Bella era socada no estômago.
Ela ofegou longamente, antes de reaprender como respirar, de forma que a golfada de ar que inspirou veio a parecer como se sua vida dependesse daquilo. Ela curvou seu corpo, retorcendo-se em dor com um braço sobre o local ferido, cuspindo um pouco do sangue que invadira sua boca. O pensamento disto quase a fez vomitar, mas aguentou. Não queria aparentar estar ainda pior do que já se encontrava.
Sucessivos tapas atingiram a face de tonalidade avermelhada de Bella, que já estava perdendo as forças, sentindo a cabeça girar com a pressão da mão de Jacob puxando seu cabelo a toda força, enquanto a outra não deixava seu rosto. Ela sequer conseguia gritar, devido aos choques ininterruptos da mão dele contra sua face. A visão já estava escurecida, ao passo de pensar que uma de suas pálpebras já deveria estar muito inchada, à ponto de não abrir por certo tempo, de forma que apenas o olho esquerdo se mantinha supervisionando o que acontecia, ou apenas flashes entre um golpe e outro.
Jacob a jogou contra o chão, e Bella tentou rastejar, levantar para correr logo dali, mas antes que pudesse conseguir fazê-lo, Jacob a içou contra si com um puxão, e ela notou que havia uma espécie de lâmina fina em sua mão. Provavelmente, nos instantes em que estivera inutilmente tentando fugir, ele fora até a cozinha, logo atrás deles, para pegar o objeto.
Ela empurrou Jacob com toda a força que ainda não se esvaíra de seu corpo, obrigando-o a soltar seu braço, e gritou a plenos pulmões, quando surpreendentemente ele a jogou novamente contra o chão, tampando sua boca, enquanto ela insistia em morder a mão dele, para que soltasse-a.
A respiração dela estava entrecortada, os pulmões implorando por ar, mas o sangue atrapalhava o ato de respirar. Sentia-se um tanto sufocada, quando algo frio e metálico passou a raspar sua pele, a rasgando e perfurando lentamente.
- Foi assim que o James fez com você? Ou será que foi você, quem fez isso com ele? – Ela o fitou nos olhos, sem conseguir desviar o olhar já de visão embaçada.
Ela ouviu o tilintar da faca caindo ao chão, e sentiu a pressão da mão de Jacob levantando-a pelos cabelos, arrastando-a até o cômodo que vagamente reconheceu como seu quarto.
- Se você fugir de novo, eu vou saber! – Ele apontou para as câmeras que a monitoravam no quarto dela, enquanto ela fitava tudo em completo pavor. Ele estava sendo ainda pior do que James fora consigo. – Se você sair com o viadinho de novo, eu irei saber. – Ele pontuou novamente – E bom, eu não preciso dizer o que vai acontecer com você, depois disso, certo? – Ele perguntou, calmo como um tigre pronto para abater sua caça. – Talvez aí, eu faça mesmo pior do que James fez com você. – Uma dor aguda atingiu a parte de trás da panturrilha dela, que ofegou e caiu ao chão, devido ao chute no local. – Você está sendo monitorada 24 horas. No trabalho ou não, eu vou saber sobre você. Se você sair, eu terei como te achar rapidinho, não duvide disso. Agora aproveita seu sono, vadia! – No minuto seguinte, a última coisa que Bella viu além das paredes brancas do quarto em que fora presa na noite passada, foi o pé de Jacob chocando-se contra seu corpo com uma força enorme, e então, tudo ficara escuro. Ela finalmente desmaiara.
-
Dores por todo o corpo arrebataram Bella naquela manhã. Ironicamente, fazia um lindo dia de sol lá fora. Mas, para ela, fazia o dia mais frio e mais nublado de todos; a noite mais sem estrelas que poderia existir.
Acordou soluçando, o choro quase a sufocando enquanto seu corpo era sacudido pela intensidade em que extravasava seus sentimentos, suas angústias. Meu Deus, o que eu vou fazer? Viu-se desesperada, sabendo que não poderia sair dali, pois desde que chegara estava sendo monitorada pelas câmeras que Jacob implantara na casa toda.
Sua cabeça latejava muito, mas de certa forma, ainda foi capaz de alertar à si mesma sobre não procurar como desativar as câmeras, ou algo do tipo. Certamente, ela se atrapalharia ao fazê-lo, e Jacob estaria lá antes mesmo que ela conseguisse descobrir algo. Era um belo primeiro pensamento para um dia como aquele, mas não melhor do que o segundo. Ele dissera “Se você fugir de novo, eu vou saber!” e não se alguém entrasse lá. Porém, para sua decepção, não havia a possibilidade de falar com Edward. Bem, pensou, ao menos não explicitamente.
Pegou o celular, que estava escondido por entre as cobertas estampadas de roxo e mandou uma mensagem para o número dele:
“Não vou poder sair. Não posso dizer o porquê, mas não vou poder sair tão cedo. Jacob não está.”
Edward entenderia. Tinha de entender. As últimas três palavras indicavam que ele precisava ir até lá, e ela sabia que podia contar com ele agora, depois que ele a salvara a primeira vez.
Ela odiara a ideia de usar Edward como um alguém para salvá-la sempre, e apenas isso, pois querendo ou não, algum tipo de sentimento se manifestava toda vez que ele estava perto dela, e este não tratava-se apenas de sentir-se protegida. Era estranho, mas além de saber que ele era, a partir daquele trágico dia, o seu protetor e seu anjo da guarda, sabia que ele era um algo mais, embora ainda não soubesse exatamente o quê. Alguns beijos não definiram o que eles eram, até então, mas fora o bastante para que ela desejasse não ficar mais longe dele, longe de seus cuidados, de seu carinho para com ela ou de seus toques e beijos.
Deixou o aparelho celular no chão, rumando para o banheiro, tentando reparar os ferimentos mais feios, pois sentia que ele viria, e ele não precisara ao menos responder a sms. Sabendo disto, não queria que ele a visse daquele estado, não podia preocupá-lo assim.
Nesse instante, deu-se por si, de que ao mesmo tempo em que desejava não envolvê-lo em sua vida, ansiava por tê-lo ao seu lado. Ela percebera então, que a parte que acalentava seu coração, que trazia um pouco de felicidade ao que já fora tão machucado dentro de si. A parte feliz, vencera aquela batalha entre desistir de ficar com ele para viver uma vida segura, ou lutar para ficar com ele e enfrentar os problemas de frente, junto dele, fosse da forma que fosse.
Isabella aninhou-se em meio aos lençóis de sua cama, suspirando profundamente, ao instante em que ouviu passos sob as escadas, e assim que levantou a cabeça por um momento, apavorada com a possibilidade de Jacob ter descoberto seu plano e ter vindo atrás dela, talvez para terminar sua tortura, — tanto somente para ela, tanto quanto para Edward também -, quando a porta abriu-se ruidosamente.
Um Edward aflito adentrou o quarto, com uma expressão preocupada que passou para incrédula, adquirindo tons de pavor ao notar sua Bella repleta de marcas arroxeadas nos braços, e o rosto continha cortes pequenos, mas suficientes para terem feito certo estrago na pele de porcelana de sua garota. Sem contar o corte mais profundo, certamente feito por uma lâmina, no braço dela.
Bella o ouviu gemer em agonia, encontrando os olhos esverdeados dele um segundo depois. Ela não sabia o que dizer, e acreditava nem precisar proferir algo, já que todas as marcas – cuidadosamente cuidadas por ela, antes mesmo que ele chegasse – explicavam o que havia acontecido ali. Os lábios entreabertos de Edward indicavam que ele gostaria de falar algo, mas nada conseguia também.
Ela o viu aproximar-se de si, e sentar ao seu lado na cama, abraçando-a em um aperto tão confortável, que fez com que ela se sentisse protegida, segura. As mãos dele lhe acariciavam as costas, porém de forma tão gentil que nunca poderiam feri-la, ou ainda fazê-la retrair por causa dos machucados já causados. Ele era gentil demais, delicado e solícito, para que lhe causasse dor novamente, mesmo que no mais singelo toque sob os ferimentos que Jacob causara.
Pela primeira vez naquele dia, Isabella tentou não ligar para o sentimento que tanto lhe apertava o peito, e decidiu agir com a razão. Sua força voltara, seu anjo estava ali para cuidar dela, e agora ambos tinham de fazer algo logo, portanto, Bella conteve as lágrimas, e afastou-se um pouco de Edward para fitar o olhar penetrante e revigorante dele.
- Temos que ser rápidos agora. Jacob deve estar vindo para cá, neste segundo. – Levou os dedos até os de Edward, entrelaçando-os ali pelo breve momento em que conversaram. – Você tem que me ajudar a achar a filmagem das câmeras. – Apontou para uma lente que a mirava.
- Certo. Pegue o que for mais importante agora. Vou tentar descobrir onde estão as gravações de vídeo! Ele tem algum computador? – Edward agraciou-a com sua voz levemente rouca, indagando-a.
- Sim. No escritório dele... Que eu não tenho a chave, muito menos sei como abrir. – Ela disse, já levantando-se apressadamente e pegando uma grande bolsa de dentro do armário. Nunca pensou precisar dela, mas por sorte a havia guardado.
- Darei um jeito nisso, não se preocupe. – Ele assentiu uma única vez, antes de sair porta afora.
Pôs algumas peças de roupa ali, — o máximo que pôde, na verdade -, enquanto Edward descia as escadas apressadamente. Tinham de sair logo dali antes que Jacob arruinasse tudo. Desde que deixassem aquele lugar, com as gravações das câmeras, nada poderia ser feito da parte de Jacob Black. Como ele iria saber onde ela estava, ou até mesmo acusá-la, se ele não tinha provas de nada, para sequer procurar por ela?
Todos os vestígios de que saíra com Edward, seriam apagados no instante em que retirassem as fitas de vídeo daquela casa. Talvez, em uma porcentagem bem pequena de possibilidades, ele nem sequer houvesse visto sua sms ou a chegada de Edward lá, enquanto estava no restaurante trabalhando. Porém, ainda que existisse essa possibilidade – muito remota, por sinal -, ela e Edward deveriam apressar-se, pois a última coisa que desejavam naquele momento, era que Jacob aparecesse lá e arruinasse a única e última chance que Bella teria de sair dali, afinal, por quanto tempo mais Edward aguentaria viver em função dos problemas dela? Viver em prol da proteção e salvação dela? Bem, não fazia a menor ideia. Porém, não tinha a intenção de permanecer daquela forma por mais do que aquele dia. Isabella devia à Edward alguns bons favores, por tudo o que ele a fizera – e continuava a fazer – naquele mês aterrorizante e sombrio.
Enquanto isto, no andar de baixo, Edward havia arrombado a porta do escritório de Jacob, com certa dificuldade, devemos admitir, já que não era lá muito comum para ele tomar tal atitude, mas de qualquer modo, ele estava dentro do cômodo, certo?! Valera o esforço, afinal de contas.
Demorou certo tempo até em meio à vários papéis, que ele julgou serem referentes à administração do restaurante em que trabalhava, exceto por alguns outros, parecendo mais como contratos, visivelmente escondidos em meio aos outros documentos, porém, não havia tempo para investigações amadoras, naquele momento. Sendo assim, ele acessou as informações – nada seguras, deve-se ressaltar – de um sistema no computador pessoal de Jacob. Feito! Ele exclamou em sua mente, ao encontrar todas as imagens das câmeras da casa. Nem mesmo ele sabia como fizera aquilo, mas descobriu que era muito bom naquilo, talvez por pura esperteza ou simplesmente pela ausência de senhas e alguma proteção mais segura naqueles arquivos de vídeo, além de um código de confirmação. Ainda assim, Edward preferia a primeira opção.
Com destreza, retirou todos os discos de vídeo de seus respectivos aparelhos, aguardando os vídeos já salvos no computador serem excluídos enquanto o fazia. Sua familiaridade com o computador, por causa do trabalho como arquiteto, garantira que momentos como aquele se fizessem com mais rapidez.
Isabella, de outro lado, descia a escada agilmente, desejosa de que seus pés não a traíssem e guiassem-na para um tombo feio, como normalmente aconteceria, considerando sua falta de coordenação.
Edward saía do escritório quando Bella chegou ao primeiro andar, um pouco resfolegante, e observou enquanto Edward balançava sutilmente no ar os DVDs, que certamente tinham como conteúdo as gravações que ela pedira que ele encontrasse.
- Pegou tudo o que precisava? – Ele questionou, os olhos verde esmeralda fitando-a com uma intensidade eletrizante, capaz de arrepiar Isabella.
- Sim. – Foi apenas o que ela conseguiu pronunciar.
- Vem, vou te levar para um lugar seguro agora. E bem longe daqui. – Ela assentiu, seguindo na direção dele que envolveu sua cintura protetoramente no caminho até o volvo prata, que guiaria ambos tardiamente, até a casa do Cullen.
Enquanto Isabella via borrões verde-musgo das árvores, passarem em alta velocidade pelas janelas, ela soube que, no instante em que pôs os pés naquele carro, não teria de voltar nunca mais a morar com Jacob. E então, ela soube, que ele cumprira sua promessa. Seu anjo nunca mais a abandonaria, ou deixaria que ela caísse nas mãos de Jacob novamente. Ela podia sentir a promessa sendo feita realidade, e, acima de tudo, ela via isso nas belas íris verde-líquido de Edward. Ela confiava nele.
Fale com o autor