Um Amor Capaz De Libertar

14 Capítulo XII - Amor


Notas iniciais
Boa leitura!

Bella

O coturno amarronzado que cobria os pés de Bella craquelou as folhas secas, tingidas de um amarelo e laranja que se assemelhava ao do pôr-do-sol, assim que pisou no gramado bem cuidado da casa de Edward. Só então Bella elevou o olhar, para fitar a casa de dois andares logo à sua frente, pintada de um tom níveo, tal qual à neve que em poucos meses se acumularia na soleira da varanda. Aberturas de madeira, em cor natural, emoldurando vidros fumês que escondiam parcialmente os cômodos da casa. Ainda mantinha-se deslumbrada observando o lugar em que residiria pelos próximos dias, com uma mão apoiada no Volvo prata, estacionado abaixo de uma árvore — já com a copa coberta pela metade -, quando Edward surgiu em sua visão periférica, oferecendo a mão para que ela o acompanhasse.

Um tanto hesitante, ela não viu outra opção senão aceitar aquele gesto que tão cordialmente convidava-a à uma nova vida. Que outra escolha tinha ela, além de aceitar morar com ele? Morar na rua talvez, ou ainda que arrumasse um hotel, ficar presa sob as patas de Jacob novamente, no caso de ele encontrá-la desprotegida em algum hotel dos arredores. Não bastando fugir de seu passado e de si mesma, então teria também de fugir eternamente de um perseguidor que pouco se deixaria abater no longo caminho que ela teria de traçar.

Ambos seguiram até a porta principal, subindo os curtos degraus da varanda, com Edward apertando-lhe a mão suavemente, passando-a uma segurança e confiança que ela já não tinha mais, como se ele soubesse exatamente sua necessidade. Ele deslizou os dedos relativamente longos pela maçaneta e a abriu, revelando uma sala de estar meticulosamente decorada.

Uma mesa de centro quadrada, e de uma madeira mais escura que a do exterior da casa, cobria o porcelanato cor creme do cômodo, tendo uma poltrona reclinável em uma das pontas e dois pequenos sofás na outra extremidade, todos os dois de tonalidade parecida à do móvel entre eles, e com almofadas de tons pouco mais escuros que os do chão. Uma televisão jazia sobre uma parede branca, logo acima da lareira, em uma parte protuberante, mais para frente do que o restante da parede lisa. Um jardim de inverno, envolto por vidro temperado, estava à sua direita de modo que, por este lugar em especial, penetrava grande parte da iluminação da sala, pois ali não havia paredes, apenas o vidro onde jaziam plantas e algumas pedras que embelezavam o local. O jardim inteiro cobria uma das paredes dali, o que encantou Bella, tanto pela venustidade, quanto pelo fato de ela não saber que Edward gostava de jardinagem, o que era um fato incomum tratando-se de homens solteiros, bem-sucedidos e lindos, como era o caso dele.

Ainda deteve-se para prestar atenção na sala de jantar, dividida apenas por um balcão de mármore nero preto. Este cômodo continha alguns armários ébanos de aparência moderna, com acessórios de mesa dispostos em diferentes espaços.

– O que foi? – Edward pronunciou, exibindo um sorriso torto em seus lábios cuidadosamente delineados.

– Sua casa... É linda! – Ela entoou com ânimo, virando-se de frente para ele. Podia jurar que seus olhos brilhavam.

– Fico feliz que tenha gostado. – Ele disse, roçando o polegar na face dela, distribuindo faíscas na maçã do rosto de Bella, e um rubor pouco abrangente no local. – Quer conhecer seu quarto? – Prosseguiu.

Os olhos de Bella exibiram uma mistura de alívio e felicidade, ao mesmo passo em que, com um pensamento inoportuno, suas pálpebras se tornaram um pouco mais oclusas, e um vinco se formou em sua testa.

– Não tenho certeza se devo chamar aquele quarto de meu assim, Edward. É temporário, não tenho planos para ficar dependendo de você por muito tempo. – Garantiu, fitando os olhos esmeraldinos de seu anjo, agradecida e ao mesmo tempo culpada, não sabendo como administrar os dois sentimentos tão distintos.

– Depois conversamos sobre isso, Bella. Agora não é momento para discutirmos sobre tempo. Vamos pensar no agora, e agora você vai ficar comigo. – Por um instante, Isabella captou um sentido duplo na frase dele, mas ignorou-a, suspirando rendida às vontades – e à razão – dele.

– Certo. Me mostre o “meu quarto” então. – Ela revirou os olhos, mas acabou sorrindo diante da notória empolgação do homem à sua frente. Bom, pelo menos era o que os olhos dele diziam.

Dirigiram-se os dois para o andar de cima, passando pelo quarto de Edward, decorado em branco, marrom claro e um cinza quase azulado, em grande maioria com prateleiras de livros, CDs e filmes variados, além de um estofado ao lado da janela. Seguiram então para um cômodo de porta alva, porém, antes de abri-la, Edward advertiu-a:

– Ainda tenho de fazer algumas reformas pra você... Não estava esper... – Ela pôs o dedo indicador sob os lábios dele, impedindo-o de prosseguir com suas desculpas, e abriu a porta, reconhecendo estofados brancos, prateleiras vazias de mesma tonalidade e um laminado acinzentado revestindo o chão frio, dando um ar acolhedor ao conjunto. A cama era revestida por lençóis igualmente cinzentos e brancos, porém haviam algumas almofadas de um vermelho rosado, e um filete de espelho acima da guarda da cama, indo do meio da parede até pouco antes das extremidades desta. A televisão pregada na parede estava voltada para a cama, e criados-mudos de madeira, pincelados de branco, traziam respectivamente um abajur delicado, também de cor fria, e alguns livros dispostos de maneira organizada. O closet no extremo direito do quarto estava vazio, e ao lado oposto havia uma enorme janela, dando para uma sacada compartilhada com o cômodo do lado, que por sinal era o quarto de Edward. Ela suspirou, satisfeita por sentir-se segura naquele lugar, não somente por estar longe de Jacob, mas tudo naquela casa era parte de Edward, seu protetor, seu anjo guardião.

– Obrigada por fazer isto por mim. – Entoou baixo, com o olhar vago para o horizonte, enquanto aguardava obviamente uma oposição da parte dele.

– Isso não se deve a você, Bella. Digo... Eu não me sentiria bem deixando-a lá, da forma que estava, à mercê das crueldades dele. – Ele aproximou-se dela, que já podia sentir a respiração calma dele movimentando alguns fios de seu cabelo. – Sei que não era de sua vontade ficar aqui, mas não tínhamos outra escolha. — Sua voz soou levemente rouca, enviando sinais de eletricidade pela nuca dela.

– Eu poderia ter ficado em um hotel. – Protestou ela. – Eu só queria ser tirada de lá, não que você me trouxesse... para sua casa. – Fechou levemente o semblante, enquanto ouvia Edward bufar ironicamente atrás de si.

– E deixar que ele pusesse as mãos em você novamente? – Ouviu ele rir com sarcasmo. – Você é louca, ou o quê, Bella? – Sentiu a mão de Edward agarrando-lhe o braço e virando-a para si, com uma delicadeza que Jacob, por exemplo, jamais seria capaz. Fitou o peito de Edward, exposto por alguns botões deixados abertos, antes de voltar sua face até a dele. – Ele poderia te pegar em qualquer lugar! Ele só não vai vir onde eu estiver com você.

– Como sabe disso? – Replicou, incerta.

– Porque temos as filmagens. Se você ficasse em um hotel, como você disse, ele não precisaria sequer fazer esforço para aprisioná-la de novo. – Observou enquanto a expressão dele mudava de serena para incomodada — E bom, não sei por que não quer ficar com seus pais...

– Eles não são lá muito receptivos. – Tratou de adiantar-se, antes que mais questões viessem à tona.

– Entendo. – Ele assentiu brevemente, fitando os pés antes de em um súbito, anunciar. – Bem, vou deixá-la um pouco sozinha agora. Sinta-se à vontade para tomar um banho, dormir... A casa é sua, ok? Vou trazer seus pertences, do carro para cá enquanto isso.

Bella assentiu, enquanto Edward inclinava-se para beijar-lhe a testa demoradamente, causando um formigamento leve no local, antes que ele deixasse o cômodo.

Aprontou-se então para um banho, e dirigiu-se para o banheiro ao final do corredor. Deixou que o vapor exalasse o aroma de chá verde e jasmim, e então infiltrou-se na água morna. Deixou-se esquecer dos problemas. Quando terminou, escovou os cabelos e os deixou caírem cascateando pelas costas, e foi até a sala, onde Edward estava preparando algo para o jantar.

– O cheiro parece bom! – Comentou, referindo-se ao que Edward retirava em uma forma do forno.

– Querer morar sozinho dá nisso! – Ele gracejou, convidando Bella a vir até a mesa, antecipando-se em puxar sua cadeira para que sentasse, recebendo um sorriso como agradecimento. – Espero que esteja do seu agrado.

Ela riu em um tom baixo – Que isso, Edward. Já te dei trabalho demais por hoje! Não se preocupe. – Trocaram sorrisos então e serviram-se da macarronada que ele fizera.

Falaram sobre amenidades, desconsiderando os fatos demasiados preocupantes que ocorreram mais cedo, e Bella obrigou-se à apenas enxugar a louça, enquanto Edward a lavava, teimoso como sempre sobre deixa-la assumir alguma tarefa sozinha.

Era como se morassem juntos há anos, mas Bella ainda sentia-se um pouco incomodada, como uma invasora na casa de Edward, como se ele a houvesse trazido até lá apenas por educação. Porém, algo nos olhos dele contradizia esse pensamento.

Despediram-se então com um abraço apertado, enquanto Edward sussurrava em meio aos cabelos de Bella um singelo “Boa noite. Estarei no quarto ao lado se precisar.” E roçava os lábios em seus cabelos para depositar ali um beijo. Bella afagava delicadamente seus braços, agradecendo com o olhar e desejando-o boa noite em resposta aos votos dele.

Naquela noite, deitada em sua cama, Bella não só pensou em Edward, enquanto admirava estrelas no céu pela janela de seu mais novo quarto, como também sonhou com ele salvando-a da escuridão e trazendo-a de volta à luz... À luz dos olhos dele.

Raios de sol, consequência de uma manhã ensolarada, transpassavam o vidro temperado, rumo aos olhos de Isabella. Apertando os olhos algumas vezes para se acostumar com a claridade, inspirou fundo antes de — ainda que relutante — abrir os olhos e finalmente, sentir-se descansada, depois de muitas noites consecutivamente mal dormidas.

Alongando os braços preguiçosamente sobre o colchão macio, fitou o teto engessado e afastou o cobertor com as mãos, saltando da cama.

Fez sua higiene matinal, e teve o desgosto de observar no espelho, sua face coberta pelas marcas que Jacob deixara em sua pele, ainda avermelhada e com alguns cortes por sarar.

Retornou ao quarto para deparar-se com suas “malas” postas no closet, e lembrou-se que Edward havia se comprometido de transportá-las até o quarto na noite passada, fazendo este pequeno favor para ela.

Deslizou os dedos pelo fecho e o abriu, torcendo os lábios para a pequena variedade de roupas contidas ali. Melhor isto do que nada, pensou, seria uma droga ter todas as minhas roupas e uma companhia como a de Jacob. Decidiu por fim, vestir uma calça jeans qualquer, uma T-shirt cor creme e um cardigan vermelho, o qual dobrou até os cotovelos. Teria que fazer compras em breve, e para tal deveria arranjar um emprego tão logo quanto, assim como tinha extrema necessidade de deixar Edward com sua própria privacidade, ou ainda ao menos ajudar com as despesas. Não fazia nem mesmo um dia que estava ali, e embora o conforto e acolhida do lugar fizessem-na sentir-se protegida, sentia que deveria fazer algo além de viver às custas de Edward, o que a incomodava imensamente.

Quando saiu no corredor, percebeu que a casa estava silenciosa demais, calma demais. Chamou por Edward uma vez, não obtendo resposta; sendo assim, observou por alguns instantes o quarto de Edward, vazio, incompleto, mas ainda podia senti-lo presente naquele local de alguma forma. O cheiro doce e exótico dele era deliciosamente mais forte ali, talvez por ser o lugar em que ficava por mais tempo, não sabia dizer ainda.

Algo em seu peito protestou com a falta dele. Teve esperanças de que acordaria para ver o sorriso dele naquela manhã, mas por algum motivo ele não estava em casa, o que a decepcionou. Sendo incapaz de fazer algo quanto a isso senão esperar, desceu para o andar de baixo e preparou um café, sentando-se à mesa e pegando um jornal que estava por ali, buscando com maior interesse pelos classificados de empregos. Normalmente, se sentaria em frente a um notebook e digitaria algo no Google, tanto por ser mais prático, quanto por haver mais opções, mas não sentia-se à vontade o bastante para usar o computador de Edward e invadir sua privacidade, mesmo que ansiasse por conhecê-lo mais. Apesar de seu desejo, ela não o faria dessa forma invasiva, preferia bem mais que ele lhe revelasse sobre sua vida, do que ela própria descobrir por suas mãos. Parecia sujo demais à seu ver.

Nada que a agradasse de fato, ou pagasse relativamente bem para suas necessidades, apareceu nas letras miúdas das oportunidades de trabalho. Abandonou o jornal, dizendo a si mesma que não desanimaria e faria algo sobre isso, investigando mais a fundo, quando ouviu a porta da sala abrir-se. Virou o rosto para poder ver Edward, surpreso, vir em sua direção, contendo algumas sacolas em mãos, aparentemente desconhecidas para ela.

– Já acordada? – Engraçou, depositando as sacolas sobre a mesa.
– Pois é... – Sorriu e olhou para seu café. – Não faz muito tempo que acordei. – Sorriu sem jeito ao fitá-lo novamente. – Eu tomei a liberdade de usar a sua cozinha um pouquinho.

Ele riu por curtos segundos, antes de despreocupado, entoar – Sem problemas, a casa é sua. – Ela o observou enquanto ele puxava uma cadeira, para sentar-se junto dela à mesa e punha o que trazia nas mãos sobre a mesa.

Ele apontou para seja lá o quê ele vinha trazendo ali, e a olhou – Trouxe algumas coisas para você. – Ele sorriu fraco – Não são exatamente presentes, mas acho que vão te adiantar de muito. – Ele empurrou a sacola em sua direção.

Bella esticou as mãos para abri-la e observar dentro. Havia alguns tipos de remédios, e o que ela chamaria de um kit de primeiros socorros.

– Edward... Realmente, não... Precisava ter gastado comigo, por remédios. Sério, eu já estou bem, não tem porque se preocupar! – Reclamou, fitando-o em negativa.

– Na verdade, eu não gastei nada. Meu pai é médico, se lembra? – Ele sorriu, um sorriso que era impossível ignorar, e não ceder. – E outra, pode infeccionar caso você não dê um jeito nisso. São cortes pequenos agora, mas tem que fazer alguma coisa quanto a isso!

Ela sentiu-se derreter, quando aqueles olhos encontraram-se nos dela com uma preocupação que jamais notara alguém ter por si.

– Vem, vamos cuidar disso?! – Sem conseguir negar um pedido daqueles, segurou na mão dele, enquanto iam para o banheiro.

Edward pediu que ela se sentasse, enquanto ele trabalharia em seus machucados, e assim o fez, observando-o pegar gaze e umedecê-la com água oxigenada.

Bella estremeceu quando a substância entrou em contato com sua pele, onde Jacob havia cortado.

– Desculpa... – Edward proferiu. – Sabe, tenho a impressão de que isso estava bem pior. – Ele continuava limpando seu ferimento. – O que ele fez com você, Bella? – Ele passou os dedos compridos pelas marcas ainda bem visíveis da pele dela, que arfou baixinho com o contato, como se o toque dele acalentasse a dor.

Os olhos esmeraldinos dele voltaram a fita-la, enquanto seus dedos macios percorriam sua face, tanto em um carinho, como examinando seus ferimentos. Ele pousou o dedo sobre o canto do lábio dela, roçando-o ali de leve, para então substituí-lo por seus lábios, beijando sobre um corte pequeno, e só quando ele afastou-se novamente, ela pôde lembrar como respirar.

– Por que ele fez isso? E por que ficou tanto tempo com ele? – Ela sentia os olhos dele buscando por respostas nos dela, e então sentiu que era o momento de contar. Já havia enganado Jacob — ainda que ele fosse um idiota e merecesse isso — mas enganar Edward era ainda pior.

– Podemos conversar lá em baixo sobre isso? – A voz dela saiu baixa, frágil.

Estava prestes a destruir os muros conta o passado que construíra para manter-se junto de Edward. Estava a um fio de revelar segredos que nem sua família sabia, segredos que a incriminariam para sempre, e na pior – e mais provável das hipóteses – levaria Edward para longe dela. Estivera tão pouco ao lado dele, e então já era o “adeus”. Ao menos, se ele a denunciasse, ela não lutaria contra isso.

Antes, não sabia por que estava amedrontada por enfrentar a justiça pelo o que cometeu. Era porque ainda não havia encontrado algo pelo o que lutar, algo pelo o qual a faria não desistir. E então seu destino cruzou com o de Edward.

Anteriormente, havia uma busca por esperança, a qual depositou em Edward, quando seus olhos se encontraram aquela noite. Agora que já tinha sua esperança, perder Edward seria perder tudo e ir para a cadeia seria insignificante, perto da ausência dele. De nada importaria se fosse presa. Contanto que tivesse ele ao seu lado, ela lutaria por algo, lutaria para salvar quem era, mas onde perdesse Edward, suas forças para lutar contra o passado se tornariam fracas, inúteis. Ele era sua força, ela descobrira, e por isso não lutaria mais caso ele se fosse. Ela se renderia, enfim.

Edward assentiu, e após terminar o curativo, deixou-a sozinha por alguns instantes, notando seu devaneio e entendendo que talvez, deveria deixá-la sozinha por alguns instantes, prometendo que estaria lá em baixo esperando por ela.

Ela forçou um sorriso, com a intenção inútil de fingir estar tudo bem, quando seu coração apertava-se em seu peito. Tomou alguns remédios para dor no corpo que ele trouxera para ela, enquanto sua respiração falhava à medida que se preparava psicologicamente.

Ignorando toda a dor em seu peito, e tomando uma postura adulta que sabia ter de tomar naquele momento, desceu as escadas para enfrentar seus temores, e aceitar seja lá o quê a vida tinha reservado para si.

Edward a aguardava como prometera, em um sofá frente na parede à esquerda da porta, detalhe que mal percebera quando chegara ali. Ela aproximou-se devagar, mas decidida, quando Edward chamou-a para junto dele.

Ela sentou-se ao lado dele, mas não tinha coragem de olhar em seus olhos agora. Ele não proferira nenhuma palavra, e assim ela deduziu que ele estava pronto para ouvi-la, apenas. Talvez tivesse muitas duvidas, mas tinha a impressão de que ele não pediria que as esclarecesse antes de saber toda a história, portanto, começou.

– Eu estava na faculdade, morando em Seattle, quando aconteceu. Quando o conheci, achei que ele era o cara certo pra mim. Era atencioso, gentil e bonito. Eu estava tão cega pela ideia de estar gostando de alguém, que fui atrás da proposta dele. Seu nome era James, e... – Ela suspirou profundamente antes de falar. – Naquela noite, ele me violentou. – Fechou os olhos, forçando as palavras a saírem – E eu o matei, depois disso. – Quando abriu os olhos para fitar Edward, ele estava inexpressível. Era para que continuasse, ela sabia.

– Tinha que vir para Forks, antes que descobrissem de algo, e nesse meio tempo descobri que estava grávida. Quando cheguei aqui, precisava muito conversar com alguém sobre isso, eu estava confusa. Não sabia o que fazer. Jacob foi o primeiro que veio em minha mente. Ele era meu melhor amigo, e agora eu sei, que aproveitou da minha fraqueza para me ter. Fui pra casa e contei pros meus pais a novidade. Não disse quem era o pai, não iria falar sobre o que sofri e o que fiz. Indignados, eles me expulsaram de casa. Jacob foi quem me acolheu, e acabou achando que o filho era dele. Eu não consegui desmentir logo de cara, mas quando aconteceu ele quis me bater, eu vi nos olhos dele. Então eu fugi, e você me encontrou, quando bem... – Seus olhos lacrimejaram levemente – Você sabe o quê. Ele ficou com raiva e ciúmes por sua causa, e estava me deixando louca. Me considerava um objeto dele. Não sei mais do que ele é capaz... Ele está louco, descontrolado. As filmagens que você pegou, é a melhor prova disso. E agora eu estou aqui.

Edward estava calado, pensativo, talvez em choque, não tinha certeza. Considerou que o melhor a fazer era sair dali, deixá-lo com seus pensamentos e conclusões sozinho.

Andou até a varanda, olhando para o gramado da casa de Edward, aguardando pacientemente pela despedida que ela sabia estar por vir. Estava distraída, sentindo-se um pouco aliviada por ter contado enfim, mas sentia seu peito em frangalhos, quando ouviu a porta abrindo-se atrás de si. Não precisou olhar para saber que era Edward. Ele se pôs ao seu lado na varanda, e falou em tom baixo, sua voz um pouco rouca.

– Bella... Eu não consigo nem imaginar você fazendo algo dessa magnitude. – Ele fez uma breve pausa. – Mas o que me impressiona mais, é que sinto raiva pelo o que fizeram com você. Se eu soubesse disso antes, jamais teria te deixado voltar com Jacob. Eu não sei o que dizer... — O coração dela batia forte, errôneo. Estava nervosa à espera do que ele iria dizer. – Mas saiba que, embora eu não goste de lembrar que você cometeu algo assim, – Ele claramente preferia não falar a palavra “matar” – eu sei que foi por defesa. Alguém que a violentou daquela forma, repetiria por milhões de vezes mais.

– Sabe, agora eu fiquei confuso. – Ele riu fraco. – Eu sei que o certo a fazer é seguir a razão. Mas... – Ele virou seu corpo na direção dela, enquanto ela sentia as mãos dele afagando-lhe o rosto, rendido a algum sentimento que ela não soubera decifrar, em seus olhos. Bella suspirou profundamente quando Edward aproximou seu rosto do dela. Era possível sentir a respiração entrecortada dele batendo em seu rosto, e seu hálito doce de encontro aos lábios dela. E então, a centímetros dos lábios de Bella, ele sussurrou – Eu estou apaixonado por você. – E a tomou em um beijo longo, sem pausas para respirar. Seus corações pulsavam em uníssono, enquanto em um beijo, declaravam que lutariam, independentemente do que houvesse, pelo amor.

Notas finais
Não abandonei vocês gente! Tô tão feliz que consegui acabar esse capítulo, que a inspiração não me deixou e as palavras fluíram tranquilamente assim que consegui a atmosfera necessária pra escrever a fic, em um tempo tão corrido! Espero que tenham gostado, e sejam bem-vindos leitores novos, apareçam nos reviews!
Amo vocês, tenham um ótimo final de semana!