Um Amor Capaz De Libertar

12 Capítulo X - Eu Vou Tirar Você De Lá


Notas iniciais
Oi galerinha bonita! Estou imensamente feliz essa semana, tão feliz e dedicada à tudo o que faço, que consegui escrever este capítulo nos dois dias de folga! Perdoem-me os erros, irei betá-los assim que possível!
Gente, informo que a fic está concorrendo como FANFIC DO MÊS no blog Sunrise Fanfics, e faltam dois dias para encerrar, e estamos perdendo, mas TEMOS CHANCE, se votarem lá: sunrisefanfics.blogspot.com.br certo? Me ajudem e votem, divulguem! Sei que muitos ainda não sabiam da votação, e alguns já viram no grupo do face!
Agradeço imensamente para as meninas que recomendaram a fic: Taimara, meu anjo que sempre apostou em mim, obrigada, e Lili, obrigada por estar no grupo, comentando e ajudando a fic à crescer sempre! É importante para mim ver que alguém como você, com uma história como a sua, recomendou a minha fic! s2

PS: Ainda sonho com o dia que só direi "Espero que gostem" ou "Boa leitura" e não tenha nenhum recado a mais! Hahaha.

Bella

Abriu a porta sorrateiramente, desejando para si mesma que Jacob estivesse dormindo.

Assim que passou pela porta, deu-se por conta de que seu pedido não fora atendido. Jacob estava deitado no sofá, assistindo ao que parecia um jogo na televisão – como de costume -, com o braço pendendo para fora do sofá. No exato momento em que deu um passo, ele apressou-se em levantar-se e vir até sua direção, com uma aparência cansada.

- Eu disse para que viesse cedo, Bella! – Ele rugiu. O seu hálito fedendo à cerveja barata batendo contra o rosto dela, o que a fez torcer o nariz. Estava sob o efeito de álcool. Além de Jacob estar enrolando a língua para falar aquela pequena frase, as várias latas que agora estavam jogadas no tapete da sala, indicavam o seu estado físico.

- Ugh! Você está bêbado Jacob! – Deu um passo à frente – Deixe-me passar. – Ela queria seguir logo para seu quarto e receber a recompensa de não ter de confrontá-lo aquela noite, que fora tão perfeita até aquele exato momento.

- Eu falei com você! – Ele dirigiu o dedo na direção dela, quase tropeçando nos próprios pés, apenas ao inclinar-se para frente. – Você não deveria ter chegado esta hora! Você tinha regras a cumprir comigo... – Bella foi o ultrapassar, optando por ignorá-lo, mas sentiu a mão de dedos grossos aperta-lhe o braço – Ei! Estou falando com você! – Ele chamou sua atenção.

Bella remexeu-se na tentativa de conseguir livrar-se do aperto do homem ali à frente, mas foi em vão. – Não temos nada para falar aqui! Deixe-me subir logo ou...

- Ou o quê? – Ele a afrontou – Vai mandar o seu viadinho vir aqui te salvar?! – Ele gozou de sua cara, rindo copiosamente. – Ele pode ter te salvado uma vez, mas não acontecerá de novo! – Ele assegurou-a.

As maçãs do rosto de Bella tornaram-se de uma tonalidade rubra, indicando a raiva que se apossara de seu ser. Apontou-lhe o dedo contra a face de Jacob e esbravejou em alto e claro som – Não fale assim do Edward! Você não sabe nada dele ou da vida dele! – Ela cerrou os dentes — Você não tem esse direito! – E Jacob sem demorar-se mais golpeou a bochecha esquerda de Isabella, que virou o rosto com o ato inesperado. Seus cabelos ondulados chacoalharam no ar.

- Me respeite e abaixe este dedo antes que eu o torça! – Ele rosnou.

Bella voltou seu olhar para Jacob um instante passado do acontecido, esfregando a palma da mão onde ele batera, sentindo a pele queimar sob o local. Lágrimas salgadas desciam por seus olhos castanhos, contornados de um preto que agora manchava sua pele leitosa e imaculada, até que as gotas salgadas atingissem seus lábios rosados.

Aos poucos, deixou que sua força se esvaísse e parte da grande tristeza que carregava em seu peito se fosse junto de seu choro, acompanhado de soluços audíveis. Jacob deslizou os dedos — que mantinham o braço de Isabella preso — pela extensão do mesmo, deixando a mão cair ao lado do corpo, enquanto Isabella corria para seu quarto, com os olhos cobertos de lágrimas, que cegavam-na à medida que acumulavam-se em suas pálpebras finas, de cílios longos.

A garota bateu a porta com força, jogando-se sobre o colchão macio, chorando e molhando a roupa de cama, porém, poucos minutos depois, ela deparou-se com batidas na porta de seu quarto.

­- Bella abra a porta! Eu não queria... – A voz de Jacob era abafada por não chegar a atravessar totalmente o anteparo na sua frente. — Eu vou entrar...

Ele alertou, enquanto Bella apenas ouvia o girar da maçaneta e Jacob infiltrava-se no quarto da moça, direcionando-se até a cama sobre a qual ela escondia o rosto em meio aos travesseiros. Ela sabia, porém, que não importava o quão chateado ele estivesse, logo esquecer-se-ia disso, pois já não era a primeira vez que ele batera nela. Não seria nada surpreendente que ele o fizesse milhares de vezes mais.

Bella pôde notar o colchão movendo-se, ao passo que Jacob sentava-se ali e alisava com suas mãos imundas, os cabelos dela que pendiam em suas costas. Acariciava-a agora com as mesmas mãos que ele ousara bater nela e tocar-lhe repulsivamente.

- Me desculpe, eu não devia ter feito isso... – Bella não olhou para a face do moreno por um segundo sequer, ignorando-o enquanto ele falava da boca para fora suas desculpas esfarrapadas. Poucos segundos depois pôde ouvir um choramingar do fundo da garganta de Jacob, e olhou por sobre seu ombro, deparando-se com Jacob chorando com os dedos sobre as têmporas, certamente tentando conter as lágrimas. Oh céus, além de bêbado precisava ser dramático! Pensou Isabella para si própria. Ajeitou-se na cama e olhou seriamente para Jacob, intencionada de fazê-lo acalmar-se e rumar de volta para qualquer lugar que não fosse seu quarto.

- Jacob, pare de chorar. – Indicou, observando ele fazer o que ela pedira. – Vá tomar um banho gelado ou fazer qualquer outra coisa desinteressante como fazia antes. – Disse, na intenção de livrar-se dele o mais rápido e coerentemente possível, pois ele nem devia mais lembrar-se do tapa que desferira nela. No entanto, ela sentia-se odiosamente impossibilitada de tocar nele para expulsá-lo dali. Sentia-se humilhada o bastante por ter sido agredida, não arruinaria ainda mais com a própria reputação – mais do que já havia feito na vida, no caso James – ajudando-o a livrar-se da ressaca que assolava o corpo de Jacob, o qual consumia o álcool gradativamente.

- Bella, eu não posso... Eu fiz errado! – Ele olhava para ela com uma expressão que poderia dar pena se não fosse tão odiosa e falsa, para ela. – Eu não posso deixar você ir com ele de novo, não posso te perder para ele! – Ele gemeu, tal como um cachorro quando faz manha.

- Eu não vou deixá-lo, se é isso que quer... Agora faça-me o favor de tirar esse seu corpo fedido à cerveja daqui! – Ela fez cara de nojo, e temeu mentalmente que ele enjoasse ali, já que seu estado estava deplorável!

Jacob, à medida que sua cabeça girava tanto, apenas compreendeu a parte em que Bella disse que não deixaria Edward, e decidiu, em sua consciência alcoolizada, que faria algo a respeito para evitar.

- Não! – Gritou – Você não vai não! Você é minha! – Bateu o punho contra o colchão, já completamente alterado – Você não vai mais vê-lo, eu não irei deixar! Tenha você aproveitado o que aproveitou hoje, foi a última vez! – Ele assegurou-a.

Bella considerou a situação risível. Mesmo bêbado ele acreditava em seus ideais de que um dia ela ousaria amá-lo. Era ainda pior do que se estivesse sóbrio!

- Você não tem esse direito sobre mim! Eu irei vê-lo e você não vai me impedir disto! – Agora ela também gritava em alto tom, estressada pela audácia daquele homem em confrontá-la mais ainda.

- Cale a boca! Você não vai mais ver ele Bella, ou eu acabo com você e você sabe muito bem que eu posso fazê-lo! É apenas você me desobedecer! – Ele alertou, e Isabella abriu os lábios em indignação. Estava ridiculamente presa com ele naquela maldita casa.

- Você não sabe o que está falando... Está fora de si! – Ela revidou enquanto Jacob levantava cambaleante e tateava os bolsos da calça jeans surrada.

- Vamos ver então quem é o certo aqui Bella... Você não irá mais fugir de mim! – Ele foi em direção à porta, e Bella percebeu qual sua intenção, levantando-se em um átimo e rumando para a porta, quando Jacob já segurava a maçaneta.

– Você não vai mais ver Edward Cullen! – Ele afirmou, batendo a porta na cara de Bella que obrigou-se a dar um pulo para trás com o estrondo. Ouviu Jacob trancar a porta e desesperou-se, levando as mãos para a maçaneta e girando-a, forçando a porta a se abrir, mas nada acontecia. Os punhos chocavam-se contra a madeira diversas vezes, enquanto lágrimas escorriam pelas bochechas de Bella até atingirem seu queixo e pingarem contra o chão.

Seus pulsos estavam vermelhos, assim como as laterais de suas mãos. Tanto batera para que seus esforços surtissem algum efeito e a livrassem de seu cárcere, de seu cativeiro, até que o cansaço dominou o corpo esguio da garota, que encostou as costas contra a porta, batendo a parte traseira da cabeça no material, desejando acordar de algum pesadelo irreal, de alguma breve ilusão que sua mente criara para aprisioná-la pelo crime cometido.

A face dela contorcia-se em um choro incessante, e aos poucos suas pernas foram dobrando-se e as costas dela deslizando pela madeira, até que Bella estivesse sentada no chão frio, aprisionada, soluçando e acabando-se em lágrimas, até que não houvesse mais o que chorar. Tal qual as lágrimas cessaram, seu corpo pendeu para o lado, os olhos fitando a escuridão do quarto, até adormecer em um sono profundo, sem sonhos ou pesadelos, apenas o cansaço e a tristeza entorpecendo-a.

Os raios de sol batiam contra a pele do rosto de Bella, já que não havia fechado as cortinas devido ao transtorno do dia passado, esquentando sua pele gradativamente, até que seu inconsciente acordou-a antes que ali se fizesse uma queimadura.

Bella grunhiu, semicerrando os olhos até acostumar-se com a claridade, então revirando-se no chão levemente e sentindo uma pontada nas costas. Chão! Por isso estava tão dolorida e tivera a noite mais mal dormida que pudera imaginar! Tateou o piso frio até firmar as mãos ali e levantar-se paulatinamente, testando a forma com que a ossada de suas costas aceitava os movimentos sem lhe causar dor.

Levantou-se e torneou o rosto para trás, observando a porta ainda fechada. Ela não precisava nem checar, sabia que permanecia trancada, tratando-se do merda do Jacob. Debruçou-se sobre sua cama e fitou o relógio digital ali presente. Marcava oito e quinze da manhã.

Por um momento, ponderou se Jacob não havia queimado o trabalho excedendo o horário para acordar, mas deduziu que não ainda. Embora atrasado, ela podia ouvir os resmungos dele no andar de baixo e talheres batendo, certamente estava furioso por agora não ter quem cozinhar para ele, ainda que ele soubesse muito bem como fazê-lo por trabalhar em um restaurante, embora tal privilégio de carreira não o permitisse ter tempo de cozinhar em casa.

Ouviu a porta batendo com força e logo o som da moto de Jacob arrastando-se rua afora. Só então Isabella percebera que estivera segurando a respiração, pois soltara um suspiro aliviado por entre os finos e delicados lábios.

Rastejou até a borda da cama, logo indo a passos lentos até o banheiro simplório do quarto de hóspedes. Fitou a própria imagem refletida no espelho do armário, observando os olhos ainda tingidos de preto borrado, envoltos agora por manchas arroxeadas e pequenas bolsas que se formavam abaixo dos mesmos. Sua aparência estava péssima! Em sua própria concepção, ela poderia ser comparada a um cadáver tranquilamente.

Despiu-se e não obteve o bom senso de pôr as roupas sujas em seus devidos lugares. Limitou-se a separar apenas uma toalha de algodão branca.

Entrou abaixo do chuveiro, e deixou que a água morna envolvesse seu corpo, esvaindo junto de si todo o desleixo e descaso de Bella para com a noite anterior.

Flashes da noite anterior invadiram seus pensamentos, e ela recostou-se sobre o azulejo do boxe, deixando mais lágrimas contidas derramarem-se e misturarem-se à água que caía contra o piso. Ensaboou-se e teve os cabelos lavados, antes de desligar o chuveiro e só então, conseguir conter o choro.

Enrolou-se na toalha que reservara antes, e escovou os dentes. Ao terminar de fazê-lo, observou uma pequena lâmina, a qual usava para se depilar. Puxou apenas o metal do restante plastificado do objeto, e brincou com o mesmo entre seus dedos. Os olhos chocolates tornando-se mais escuros à medida que os pensamentos de acabar com o sofrimento logo lhe pareciam corretos.

Girou e girou o objeto na mão e por fim aproximou sua ponta afiada contra o pulso esquerdo, chegando a pressionar e forçar a veia a ser perfurada, quando a possibilidade de estar dando o gosto de ser fraca demais para enfrentar Jacob, lhe invadiu. Não poderia dar este prazer a ele, dar esta vitória de mãos beijadas, pois, era justamente o que ele queria. Poderia não desejar sua morte, mas ele desejava a vitória, e isso ela lhe daria caso não lutasse.

Arrependeu-se na mesma hora e guardou a lâmina no lugar em que pertencia, rumando até o armário de roupas e escolhendo calças jeans, uma camiseta de ombro caído vermelha e uma jaqueta fina preta de couro que dobrou as mangas até os cotovelos, antes de vestir-se por fim. Não estava empolgada para se arrumar para o nada, para ficar trancafiada o dia inteiro. Jacob nem sequer deixara comida para ela! Vagabundo! Pensou.

O som de Notion, do Kings Of Leon ressoou no quarto enquanto Bella tinha seus cabelos sendo penteados, e ela rumou o olhar para o objeto eletrônico sobre sua cama.

Aproximou-se e pegou o celular nas mãos, enquanto o visor piscava com o nome “Edward Cullen” em letras claras estava exibido ali. Aceitar ou rejeitar? Sua mente indagou. Pressionou sobre a tela touch-screen e levou o telefone ao ouvido.

- Alô? – Disse ela, não sabendo muito bem como atendê-lo.

- Oi Bella, aqui é o Edward! – Ela revirou os olhos. Ele ainda havia cogitado a possibilidade de que ela não lembraria seu nome, ou sua voz ou até mesmo não havia salvado seu telefone na lista de contatos?!

- Eu sei que é você Edward. – Ela sorriu, o que, de alguma forma, Edward pôde perceber do outro lado da linha telefônica.

- Bom saber que gravou meu número aí! – Ele gracejou. – Enfim, falando sério agora... Como você me deu seu número, isso me permite te chamar para sair de novo. O que você acha? – Um breve silêncio se fez, e Edward pôde ouvir um breve suspiro de Bella. Parecia estar ponderando algo, medindo escolhas.

- Ér... Edward, não me leve a mal, mas não ando muito a fim de encontros ultimamente, sabe?! – Ela pigarreou, como se estivesse forçando a voz a não falhar.

- Nesse caso, não precisa ser um encontro! Podemos só sair para tomar um café, algo casual... – Ele deu de ombros, ainda que ela não pudesse vê-lo.

- Edward... Eu... não quero mais sair com você. – Ela pontuou pausadamente.

Ele ficou estático do outro lado da linha, porque tinha certeza absoluta de que Bella sentira também o que ele sentira. Obrigou-se a se recompor, e ao menos arrancar algum motivo dela.

- Por quê? – A voz dele saiu mais falha agora.

Bella não sabia o que dizer. Não podia revelar que fazia isso para a proteção dele. Contra si mesma, e contra Jacob. Ele fora capaz de bater nela e prendê-la ali! Não queria que Jacob entrasse em conflito com Edward também, e não somente isto, mas o ferisse, o ameaçasse.

Deu-se por si, que Edward não poderia fazer parte de sua vida. De uma vida tão conturbada e abarrotada de problemas como a dela.

Ela não podia deixar a casa de Jacob, e isso era somente um dos limites impostos pela vida para que não visse mais Edward.

- Eu não quero mais ficar com você, somente isto. – Respondeu seca, guardando as lágrimas para si, enquanto formava-se um bolo em sua garganta.

- E eu não acredito em você! – Ele juntou as sobrancelhas, intrigado.

- Pois é melhor acreditar, porque é a verdade! – Ela garantiu, embora mentisse para si própria na intenção de convencer-se.

As pessoas costumam fazer este tipo de coisa, até que se acredite na própria mentira.

- Tudo bem então. Se for assim que você quiser, assim faremos. Mas, me acompanhe pelo menos para um café, para conversarmos. E, se essa for mesmo sua decisão, eu a respeito e cada um vai para o seu lado... – A voz dele soou séria no telefone, como se desse total liberdade de escolha para Bella embora desejasse que ela aceitasse seu convite, pois isto mostrava que ainda tinha chances.

Mesmo que ela dissesse que não o queria mais, ele ainda estava lá, lutando por ela. Novamente.

- Tudo bem. – Ela disse em um fio de voz. – Te mando uma sms com horário e lugar. – E encerrou a chamada.

Não podia arriscar deixá-lo decidir essas coisas, para não correr o risco de Jacob estar em casa e/ou vê-la na rua.

Enviou minutos depois a mensagem que prometera. Marcara para nove horas o encontro deles, afinal, estava realmente com fome e levaria em torno de meia hora para chegar onde combinaram.

Bella vasculhou os bolsos de algumas calças, e uma gaveta com fundo falso para reservas de dinheiro. Deixar toda a grana ali fora um grande trunfo afinal!

Pegou um punhado na mão e pôs bem para o fundo do bolso esquerdo da calça, logo olhando para o celular e arquitetando sobre como faria para que ele não chegasse espatifado no gramado dos fundos da casa.

Esqueça celular! Minha mente alertou. Desliguei o aparelho e o joguei sobre o colchão macio que dispensei esta noite. Pus primeiramente um pé sobre a janela, calculando mentalmente a distância e a força necessária para pular até o galho da árvore logo ali na frente. Céus, iria morrer! Respirou fundo, tomando fôlego. 1, 2, 3... Contou, e um instante depois estava de olhos apertados, segurando-se em um galho forte que por sorte havia ali. Suspirou em alívio, e sua cabeça girou para trás, fitando o quarto agora vazio. Quantas loucuras na vida ela faria por Edward Cullen, e um relacionamento – ou seja lá o que quer que fosse aquilo – perigoso com ele?

Fixou os pés em áreas estratégicas, até em pouco tempo estar no gramado dos fundos. Sorte que ninguém podia vê-la daquele ângulo, escondido atrás da casa. Bateu as mãos umas nas outras até tirar os resquícios de sujeiras impregnados ali, e ajeitou a roupa, impecável – e milagrosamente – limpa e quase impecável. Fora até ágil o suficiente no seu esforço de descer da árvore!

Isabella deixou o quintal de casa, seguindo pelas calçadas de sua própria vizinhança até optar pelo caminho que a levaria até a cafeteria que marcara com Edward. Ele já devia estar lá e ela devia estar atrasada! Maldita hora em que escolheu não levar o celular, ou ao menos pôr um relógio de pulso!

Trinta minutos exatos e chegou frente à porta do café em que marcara com Edward. Mordeu os lábios, receosa e adentrou o estabelecimento.

Revistou o local com os olhos, até encontrar um rosto emoldurado por fios cobre, que tinha olhos esmeraldinos fixados na rua através da grande janela de vidro que adornava as paredes de tijolos à vista escuros do local.

Estavam agora ambos no café exatamente ao lado da rua em que encontraram-se pela primeira vez, mas o fato não trazia lembranças ruins para Isabella, e sim a lembrança de que ele a salvara ali, de que encontrara alguém que realmente se preocupara com ela desde então.

Aproximou-se, notando o rosto dele tornear-se e sorrir – um tanto aliviado – por vê-la ali. Edward levantou-se, procurando prestar o serviço de puxar a cadeira para ela, mas ela fez sinal objetivando-o parar.

Foi inevitável que trocassem olhares durante o ato, e Bella sentou-se à frente de Edward, tendo como melhor opção não tocar em Edward agora e recair às tentações que a pele dele incitavam-na.

- Quer beber algo? – Ele indagou, tentando notoriamente parecer sério, quando um sorriso brincava por entre seus lábios, ameaçando aparecer.

- Um chocolate quente seria bom... – Ela deu de ombros, apoiando as mãos sobre a mesa enquanto fitava a rua, não mais impedindo desta vez que flashes daquela noite invadissem sua mente. Seus olhos pareceram receber um brilho a mais, quando lembrou-se de seu filho, morto, quando lágrimas ameaçaram formarem-se ali.

Edward chamou a atendente e fez o pedido de um chocolate quente e um bicerin tradicional italiano, composto por chocolate, café e leite, respectivamente, montados estrategicamente em uma torre, um sobre o outro.

Entreolharam-se os dois após a partida da moça, sem saber muito bem por onde começar.

- Fico feliz que tenha vindo... – Edward iniciou – Achei que realmente não quisesse mais me ver ou sei lá... – Ele ajeitou a postura na cadeira, um pouco desconfortável com a possibilidade.

- Eu não posso vê-lo Edward, esta é a questão. – Ela sorriu fraco. – Você acha que sabe sobre mim, sabe quem eu sou, mas está enganado. Você não sabe nada sobre mim! – Ela então elevou o olhar – antes focados na mesa — até os olhos de Edward.

- Então me conte! – Pediu-lhe, em momento algum alterando a voz como faria Jacob, ou obrigando-a.

- Não é algo que você possa saber assim... – Ela suspirou e desviou o olhar para a janela.

Edward franziu o cenho, observando pequenas marcas arroxeadas no braço de Bella. Marcas de dedos. Esticou sua mão até alcançar a dela, erguendo-a levemente enquanto Isabella voltava seu rosto para Edward, com uma expressão confusa sob seu semblante.

- Bella, o que é isso em seu braço? – Ele perguntou, um tanto aflito pelo o que quer que houvesse causado aquilo.

Bella surpreendeu-se pela observação de Edward, e cobriu o braço com a mão livre. – Não é nada. – Ela disse. Nem havia notado o hematoma que Jacob deixara em sua pele por segurá-la ontem.

Edward afastou a mão dela dali, avaliando o ferimento e a fitou no fundo dos olhos, porém não com paixão ou romantismo de momento, mas sim com preocupação e zelo. Queria protegê-la mais do que tudo, desde que a resgatara naquele dia chuvoso.

- Foi ele? – Edward apontou para o braço dela, fitando-a.

Bella foi incapaz de responder, o que só confirmou toda a suspeita da parte do Cullen.

- Por que você ainda mora com ele, Isabella?! – Perguntou claramente indignado com a situação. Daquele momento em diante, não descansaria enquanto não tivesse Isabella sob seu teto. Já que ela não moraria com os pais, com Jacob que não moraria mais.

- Eu não posso sair de lá Edward, por motivos que você não está pronto para saber! – Levou a mão delicada aos cabelos, virando-os para o lado oposto em que se encontravam, já nervosa. – Não pode saber ainda... – Bella disse por fim, com um suspiro longo. Doía tanto em seu coração não poder revelar nada para ele, em quem confiava tanto, apenas por não querer prejudicá-lo ou afastá-lo de si!

- Não vou arrancar isto de você, não é?! – Edward perguntou, mesmo que já tivesse a certeza.

Ela negou com a cabeça, arrancando um breve riso da parte de Edward. – Você é tão teimosa... – Livrou a mão dela do aconchego da sua para afagar seu rosto de bochechas coradas. – Ainda tenho muito tempo para esperar por você! – Ele sorriu, acalentando o coração de Bella, com a certeza de que ele não a deixaria mesmo que ela escondesse um segredo como aquele, com a convicção de que ele estaria ali por ela, sendo seu eterno protetor, seu anjo, como fora desde o momento em que seus olhares cruzaram pela primeira vez.

Tomaram ambos seus cafés e andaram de mãos dadas pelas ruas calmas de Forks, parando vez ou outra para sentarem-se sobre abaixo de alguma árvore e ficarem por ali, apenas apreciando a companhia um do outro, enquanto Isabella tinha sua cabeça recostada sobre o ombro de Edward. Dir-se-iam namorados, se não fosse assim tão difícil.

Jacob

“Oi, aqui é a Bella, não posso atender agora, assim que ver sua ligação eu retornarei!” Beep.

Caíra na caixa-postal de novo! Merda, ela devia ter fugido... Desgraçada! O que faria com essa garota? Nada do que fazia, do que a propusera, do que a forçara adiantou para que ela ficasse ao seu lado. Ah Bella! Ela estava mexendo com fogo e não sabia!

Discou outro número no celular, observando enquanto todos exerciam suas determinadas funcionalidades na cozinha, e pisou adiante até a frente do restaurante.

– Jenks falando. – A voz grossa do homem atendeu.

- Olá Sr. Jenks, aqui é Jacob Black, tenho uns serviços que podem lhe ser interessantes... – Os lábios do moreno curvaram-se em um sorriso perverso enquanto tramava meticulosamente sua estratégia.

Bella

E então chegara a hora da despedida. Não queria ter de deixá-lo, mas era estritamente necessário, antes que Jacob chegasse a casa. Era exatamente onze e meia, e ela não podia arriscar chegar após a meia hora!

Edward envolvera-a em um abraço caloroso, aconchegante. Isabella poderia permanecer sobre a fortaleza daqueles braços por toda a eternidade, e jamais se cansaria. Ele levou o polegar até seu queixo, levantando o rosto dela até que seus olhos se encontrassem, e então a envolveu em um beijo delicado, com lábios calmos, porém sedentos de paixão, com direito a corações acelerados e dedos entrelaçados em meio aos cabelos acobreados de Edward, no caso de Bella. Não queria soltar-se dali, desejava prendê-lo para sempre consigo, assim, grudados, apaixonados, unidos por um beijo.

Separaram-se com grande esforço e trocaram longos sorrisos em meio à respirações entrecortadas, e então Bella virou a cabeça rapidamente em direção à um amontoado de árvores do outro lado da rua.

- O que houve? – Edward rumou seu olhar para o mesmo local.

- Não sei. Pensei ter visto algo... – Confessou confusa e voltou sua atenção para Edward, abraçando-o fortemente enquanto inspirava seu cheiro amadeirado apenas mais uma vez.

Ele a envolveu no acalento de seu corpo. – Nos vemos amanhã, como combinamos? – Encostou o queixo sobre o topo da cabeça de Bella, que assentiu positivamente e ergueu o rosto para dar mais um selinho sobre os lábios que agora lhe assemelhavam com um vício.

- Tenho de ir agora. Não fuja de mim! – Sorriu largo, enquanto afastava-se de Edward e seguia para a porta, recebendo uma piscadela dele antes que o mesmo pusesse as mãos nos bolsos e sumisse por entre as outras casas.

Ela retornou para seu quarto da mesma forma ridiculamente cômica com que saíra, porém, agora sentia-se feliz.

As falas de Edward não saíram mais de sua mente desde então, “Eu vou tirar você de lá.” Ele prometeu aquela manhã.

Notas finais
Muito bem, como já disse, perdoem os erros! É 01:30 da manhã agora, e eu tô só esperando pelo clipe novo do Paramore porque sou louca, então garanto que tem coisas horrendas aí no texto, mas logo logo corrijo!
Para quem não sabe o que é um bicerin, procurem no google imagens e morram comigo, porque meu sonho é tomar aquilo, como sou viciada em café, mas aqui não tem o tal bicerin K
Pensei em pôr links hoje, mas prefiro a imaginação. Preferem assim também, ou querem links?
Bem, como sempre, comentem sobre o que acharam e recomendações são sempre muito bem vindas! Boa semana para vocês gente, acho que post agora só para final de semana que vem, sorry! Beijos!