Um Amor Arranjado
16 Um Sentimento Humano
Notas iniciais
Sakura continuou deitada em sua cama, mergulhada em pensamentos confusos, enquanto os seus olhos acostumavam-se com a escuridão pertencente à noite. Nem reparara o pequeno barulho da porta que se fechara.
Shaoran encarquilhou os seus olhos, tentando reconhecer alguma sombra que a escuridão acolhia. Suspirou pesadamente, pensando estar só em seu quarto. Cambaleou em direção a sua cama, jogando-se na mesma. Sobressaltou-se ao chocar-se com um corpo, que logo após dera origem a um pequeno gemido. O Li se levantou rapidamente, tentando encontrar a forma desconhecida em sua cama.
– Ficou louco? – esbravejou Sakura. Shaoran encolheu os seus ombros, relaxando. — Me perdoe. Eu não a vi nessa escuridão.
– Tudo bem. – disse a flor endireitando-se sobre a cama. O silêncio penetrou os tímpanos dos dois jovens, apresentando-se cada vez mais perturbador com a participação do escuro que os rodeavam. O rapaz pigarreou deitando-se ao lado de sua mulher, passando a observar o teto.
– Como foi o seu dia? – perguntou-lhe a jovem.
– O que? – Shaoran franziu o cenho confuso.
– Estou perguntando sobre o seu dia. – disse Sakura corando instantaneamente.
– Ah, foi... Cansativo. – sussurrou o rapaz exasperado.
– Oh. — murmurou a jovem pensativa.
Novamente o silêncio reinara sobre o local, deixando audível somente a respiração em compasso do casal. Sakura engoliu em seco, colocando-se no centro da cama. Deu um pequeno pulo ao deparar-se com o seu corpo colado ao de seu marido. Tentara afastar-se, porém fora inútil. Shaoran a enlaçou em seus braços, aproximando-a completamente de si.
Sakura arregalou os olhos diante da ação realizada pelo marido. Tivera certeza que a vermelhidão expandira-se por cada canto de seu corpo, porém era incerto dizer se o motivo teria sido o calor ou pura vergonha. Aquietou-se a espera de algo coerente atravessar a sua mente.
Shaoran colocou-se de bruços sobre a jovem, enterrando o seu rosto no pescoço da mesma, apenas inalando aquele cheiro que lhe proporcionara estranhas sensações. Sakura fechou os olhos ao sentir as suas entranhas embrulharem-se, junto com o calafrio que percorrera todo o seu corpo, sentindo o roçar dos lábios de seu marido em sua pele.
– Shaoran-kun. – sussurrou. Shaoran depositou um delicado beijo no pescoço da jovem, subindo para os seus lábios. Beijou-lhe novamente, almejando tornar aquele toque mais intenso. Continuou a beija-la até sentir a ausência do ar em seus pulmões. Afastou-se devagar, deparando-se com gigantes olhos esverdeados arregalados, e uma respiração pesada se retirando dos lábios entreabertos da moça.
Sorriu de lado apertando-a cada vez mais ao seu corpo. Suspirou fatigado, desmanchando o seu sorriso. Sakura o fitou compreensiva. Nunca percebera desde então, o seu marido cobrava-se muito, tentava dar o melhor de si, independente do seu trabalho. Shaoran entregava-se por inteiro em suas escolhas. Poderia esquecer que era humano, tinha sentimentos, tinha limites.
Passara a sua mão para o rosto do jovem, o acariciando. O Li fechou os seus olhos, suspirando. Não fora dito uma única palavra, mas estava tudo tão claro para ambos. Shaoran permitira cair com a sua cabeça sobre a região do tórax de sua mulher. Sakura deslizou os seus dedos delicadamente para os cabelos desalinhados do rapaz. A jovem manteve-se nesta posição, disposta a retirar a dor que se prendia sobre cada pensamento do marido. Shaoran nada comentou, estava tão feliz por encontrar-se em sua paz. Adormeceram em seus postos, satisfeitos em irem de encontro aos sonhos sentindo o calor um do outro.
Sakura despertara com o sol em seu rosto. Colocou a sua mão em frente aos os olhos esverdeados, tentando bloquear a luz que invadia a janela. Recordara-se do rapaz olhos de âmbar, e sorriu largamente. O procurou pelo quarto, inutilmente. O rapaz não se encontrava mais lá. Suspirou em frustração. Levantou-se rapidamente, desequilibrando-se um pouco tonta. Ignorou o que ocorrera, respirando fundo e reerguendo-se. Arrumou-se para mais um dia que estava prestes a começar. Desceu a escada lentamente, um degrau de cada vez.
– Bom dia Sakura-chan. Está bem? Parece um pouco abatida. – disse Chun ao reparar a aproximação da jovem.
– Estou bem, Chun-san. – argumentou Sakura sorrindo amarelo.
– Tem certeza? Está pálida. — falou a governanta com um semblante preocupado. A cerejeira balançou a cabeça negativamente.
– Estou bem. – retrucou sentando-se em frente á mesa de refeições.
– Então, tudo bem. – sussurrou Chun abaixando a cabeça.
– Onde está o Shaoran? – questionou a flor, provocando um pequeno sorriso nos lábios da senhora.
– Ele saiu cedo. – justificou. Sakura abaixou a cabeça frustrada, mas logo a levantara ao ouvir uma pequena risada vinda de Chun.
Sakura permaneceu calada durante a refeição. Logo após retirou-se para a sala principal, se sentando no sofá e um livro em mãos. Passaram-se algumas horas até finalizar o último capítulo, levando a jovem em uma reflexão realizada no fim de todo livro. Despertara de seus pensamentos, questionando-se o que faria no momento. O tédio a preenchera completamente, tornando-a impaciente.
Seu pé direito batia freneticamente no chão, enquanto seus dedos deslizavam pela capa do livro, apreciando a textura da mesma. Quando fora decidido levantar-se e for à busca de algo que lhe valesse a existência. Assim, fora feito. Levantou-se e galgou pelo corredor, até encontrar-se diante de uma porta já conhecida. Abriu-a e a atravessou.
Ficara boquiaberta com a visão de livros e mais livros que a rodeavam. Já fora ali antes, mas a sua reação não mudara de forma alguma. Andou ao lado de pilhas e mais pilhas, passando os seus dedos em cada detalhe, mesmo que empoeirados. Em certo momento, os seus olhos pararam sobre um pequeno caderno de anotações. Pegou-o, reconhecendo de imediato.
Não era certo, não era admirável, e nem um pouco respeitável de sua parte tê-lo aberto, mas o fez. Folheou parando na página que dera o fim no bisbilhotar da vida de seu marido. Os olhos deram início à leitura, enquanto a sua mente insistia em alerta-la.
“Encontro-me diante da escuridão, literalmente. Estou encolhido em meu chão no escuro total. Segundo a minha mãe, desta forma estou mais seguro. Porém, não entende muito bem o porquê deste alvoroço. Meu pai está longe de nós, completamente distante. Ele viajou por conta da rebelião que tomou conta dos cidadãos desta cidade suburbana. Apesar de nunca ser tão próximo do mesmo, eu espero de todo o meu coração que ele esteja bem. É o meu pai, eu o amo.”
Sakura parou a sua leitura, arregalando os olhos surpresa. Sentira o seu coração revoltar-se em seu peito, batendo aceleradamente. Colocou-o no local que encontrara, o seu senso falara mais alto. A jovem andou em direção à janela, observando as árvores que chacoalhavam com o vento e os pássaros que pousavam nas mesmas. Pôde observar de longe, uma figura esbelta de cabelos acastanhados e bagunçados, afastar-se aos poucos. Sakura dera um pequeno pulo ao perceber que se tratava de seu marido.
Correu em direção ao jardim, em busca do rapaz. O avistara ao longe, entrando por entres as árvores. “Mas o que ele está fazendo?” perguntou a si mesma. O seguira quieta, enquanto apressava os seus passos procurando não o perder de vista. O rapaz andava de maneira rápida, causando certo cansaço à cerejeira. Depois de algum tempo, o rapaz se aproximou de algo que aparentava ser um penhasco. Sakura apoiou as suas mãos no joelho, enquanto ofegava exageradamente. Recuperou o ar, aproximando-se mais. Quando perdera o equilíbrio caindo adentro a um arbusto.
– Quem está ai? – questionou Shaoran indo em direção ao som que fora provocado com a queda da moça. Sakura ficou calada.
– Quem está ai?- repetiu. A jovem podia ouvir os passos do rapaz em sua direção. Fechou os olhos os apertando, desejando poder sair dali correndo. Sakura reabriu os mesmo ao reparar na ausência dos passos, porém fora surpreendia ao vê-lo a sua frente com um semblante irritado.
– Sakura, o que faz aqui? – disse franzindo o cenho.
– Me de-e-sculpe, eu o vi de longe. Então...
– Me seguiu? – perguntou Shaoran levantando as sobrancelhas. Sakura assentiu corando. O rapaz riu cruzando os braços.
– Você é muito teimosa. – murmurou balançando a cabeça. A cerejeira abriu a sua boca para proferir algo, mas Shaoran logo a interrompera.
– Já falei para não se desculpar. – disse sério. A jovem assentiu novamente, totalmente rubra.
– Venha. – falou Shaoran oferecendo a mão para levanta-la. Sakura aceitou levantando-se com certa dificuldade. A jovem avaliou o seu estado, reparando em alguns arranhões e manchas em sua pele, porém dera de ombros. Já teve momentos piores.
– Está bem? – perguntou-lhe preocupado.
– Estou não se preocupe. — disse sorrindo. Shaoran retribuiu o sorriso, retirando algumas folhas do cabelo da cerejeira.
– Quero lhe mostrar algo. – disse guiando-a para o penhasco.
– Não irá me atirar, correto? – perguntou Sakura fazendo bico.
– Não. – respondeu Shaoran rindo.
– Veja. – Shaoran saiu de seu caminho, deixando visível a vista que os cercavam. Sakura paralisou diante do que os seus olhos viam sem crer. O verde da natureza reinava a sua volta, porém lá no alto a pequena cidade estava amostra.
– Belíssimo não é mesmo?!- exclamou o rapaz mais para si. Sakura apenas confirmou com a sua cabeça.
– Aqui é o único lugar que consigo ter paz. – falou o jovem sentando na grama. – Desde pequeno. – Sakura sentou-se ao seu lado, ainda em estado de choque com a beleza de cada detalhe que os seus olhos enxergavam.
– É lindíssimo. – pronunciou-se. Shaoran assentiu.
– Obrigado pela paciência com o meu tio. – disse Shaoran.
– Sem problemas. – riu a jovem.
– E obrigado também por tudo que tem me feito. – disse o rapaz. Sakura corou.
O diálogo chegara a um clima constrangedor, os deixando em total silêncio. Apreciaram o barulho que a natureza exercia de forma agradável.
– Sakura-chan. – sussurrou Shaoran. A flor o olhou intensamente, o fazendo desviar o olhar.
– Sim?
– Eu... – Sakura penetrava os seus olhos no jovem, enquanto o seu coração enchia-se de algo indistinguível.
– Eu... Devemos viajar amanhã. – falou Shaoran rapidamente. A jovem mordeu o lábio, pensativa.
– Para onde? – questionou-lhe a flor.
– Vamos visitar a minha mãe. – disse o Li por fim.
– A sua mãe?! – perguntou Sakura dando um pequeno salto.
– Sim, mas não tenha medo, — Shaoran pousou a sua mão sobre a da moça, passando-lhe um calor desconhecido. – eu estarei do seu lado. – a jovem sorriu sinceramente em resposta. Shaoran aproximara-se mais de seu rosto, colando as suas testas.
Recusavam-se a sair desta posição, por mais desconfortável que poderia ser, era tão doce sentir o corpo um do outro, mesmo que o toque seja mínimo. Afastaram-se ao observar o resquício de luz que o sol deixava aflorar no ambiente.
– Melhor irmos, está tarde. – anunciou Shaoran levantando-se e ajudando a Sakura a fazer o mesmo.
– Vamos. – disse a jovem sorrindo. Caminharam pelo trajeto de volta a mansão, enquanto compartilhavam sobre as suas vidas e gargalhavam por coisas tolas. Em algum momento, Sakura sentira o seu estômago embrulhar, junto com algo incessante que subia pela sua faringe. A jovem ajoelhou-se diante de uma árvore, pondo aquilo que se encontrava entalado em seu ser para fora. Levantou-se limpando sua boca com as costas da mão, enquanto com a outra tentara apoiar-se na árvore.
– Sakura, você está bem? – perguntou Shaoran perplexo.
– Estou ótima, Shaoran. Vamos. – disse andando de volta para o caminho. A tontura logo a perturbou, a deixando cambaleante. Quase caíra, mas fora amparada por mãos másculas que a cercaram pela cintura.
– Você não está bem. – falou Shaoran apertando-a mais a si.
– Estou sim. – teimou a garota apoiando a sua cabeça no ombro do rapaz.
– Vamos para casa. Suba em minhas costas. – disse o rapaz ajoelhando-se de costas para a cerejeira.
– Já disse que estou bem. – esbravejou a moça batendo o pé no chão e cruzando os braços.
– Suba, é uma ordem! – falou mais sério. Sakura bufou derrotada, subindo nas costas do marido.
– Pronto, vamos. – murmurou Shaoran levantando-se e a segurando pelas pernas, enquanto a mesma o enlaçava delicadamente pelo pescoço.
Logo ao chegarem foram abordados pela Chun, completamente preocupada ao ver a cena. Oferecera ajuda, mas Shaoran a recusou. Ele mesmo gostaria de cuidar da jovem. Era uma necessidade que crescia em seu peito.
Shaoran a deitou na cama, deitando-se ao lado da mesma. O rapaz a abraçou fortemente, caindo em sono profundo. Na manhã seguinte, Sakura despertara com um par de âmbares sobre si. Fitavam-na de maneira preocupada, com uma pequena ruga entre as sobrancelhas.
– Shaoran-kun. – cumprimentou a jovem tentando se levantar, porém mãos a impediram.
–Não, descanse. – pediu Shaoran.
– Mas estou bem. – riu a cerejeira.
– Você me disse isso ontem. – falou o rapaz cruzando os braços. Sakura abaixou a cabeça compreendendo.
– Podemos adiar a viagem. – disse Shaoran reflexivo.
– Não, eu posso ir. – Sakura sentou-se na cama, mas logo fora reprendida.
– Nada disso. – recusou Shaoran fazendo-a deitar-se novamente.
– Por favor, eu estou melhor agora. – suplicou a flor arregalando as esmeraldas. Shaoran fitou aqueles olhos, logo se arrependendo por ter o feito. Suspirou pesadamente, assentindo com a cabeça. Sakura sorriu largamente.
– Vou arrumar as minhas coisas no escritório. A Chun irá ajuda-la com a sua bagagem. – disse retirando-se do quarto. Sakura sorriu vitoriosa.
Em poucos minutos, Chun encontrava-se no cômodo, e a sua mala já estava feita. Sakura se retirou do seu quarto devagar, tentando ao máximo não tropeçar em seus próprios pés e isto ser um motivo para adiar a viagem. Colocou-se em frente ao escritório de Shaoran, adentrando sem hesitação. Deparou-se com o rapaz de costas para a porta. Aproximou-se devagar e o abraçou de costas, riu ao perceber que o assustara.
– Perdoe-me. – falou entre risos, ainda o envolvendo em seus braços. O seus olhos foram de encontro ao objeto segurado pelo mesmo. Era uma arma. Sakura o soltou imediatamente, cruzando os braços.
– Não irá levar isto. – disse.
– Claro que irei. – falou Shaoran seco.
– Não, não irá.
– Ah, irei. – murmurou o rapaz.
– Então eu não irei. – anunciou a jovem jogando as suas mãos para o alto.
– Sakura. – Shaoran arregalou os olhos.
– Não irei. Escolha. – disse a jovem batendo o pé no chão. Shaoran fitou a arma em suas mãos por longos segundos, logo após abaixou-a suspirando derrotado.
– Tudo bem. Não irei levar. – Sakura sorriu assentindo.
Em algumas horas encontravam-se na estrada. Sakura um pouco inquieta em relação à viagem, enquanto o nervosismo percorria pelo corpo de Shaoran, e sua mente sempre disposta a açoita-lo sobre as suas obrigações que foram e seriam cobradas pela sua mãe. Algumas horas mais tarde, Sakura estava sonolenta em seu posto, enquanto sua cabeça pendia sobre o ombro do marido.
O automóvel parara de forma brusca, por pouco não levara a jovem de encontro ao chão. Shaoran a pegara rapidamente em seus braços, completamente confuso. Sakura despertara em choque. Ouviram-se um estrondo do lado de fora, Shaoran reconhecera aquele barulho. Fora um tiro.
– Saiam deste automóvel. – pediu uma voz grosseiramente.
– Saia, isto é um assalto. – anunciou outra voz. Shaoran passara sua mão por cima de seu bolso da calça em busca de sua arma. Bufou ao recordar-se de ser impedido de trazê-la consigo.
– Estamos armados. – anunciou a primeira voz. Shaoran revirou os olhos.
– Vamos, precisamos sair. – disse segurando a mão de sua mulher e a levando para fora do automóvel. Sakura passara a suar frio, enquanto observava tudo aterrorizada.
– Vai ficar tudo bem. – sussurrou o Li em seu ouvido.
– Parem de cochicho. – falou o assaltante apontando a arma para o casal.
– Não tenho medo de usar isto, tenho o seu motorista como prova. – disse rindo e olhando para o chão, onde se encontrava um corpo sem vida e ensanguentado. Shaoran levantou os braços, derrotado. Os assaltantes entraram no automóvel, ainda a apontar a arma ao casal. Deram partida, deixando para trás uma flor e um chinês inertes.
– Eu não acredito. – sussurrou Sakura pondo as duas mãos em sua boca. Shaoran manteve-se calado.
– Eles nos roubaram. – disse a jovem em um tom mais alto.
– Isso não teria acontecido se eu tivesse a minha arma em meu bolso. – murmurou Shaoran entredentes. Sakura volveu o seu corpo para o rapaz, o fitando perplexa.
– Shaoran, como ousa dizer isto? Está se comparando a eles? – disse Sakura.
– Acredite em mim Kinomoto, o meu trabalho é bem pior que o deles. – retrucou o chinês. – Eu poderia acabar com a vida deles de olhos fechados. – disse em um tom zombeteiro. Sakura arregalou os olhos recusando-se a acreditar no que acabara de ouvir.
– Shaoran, como pode pedir compaixão de minha parte se não há isto em seu coração? Onde está a sua humildade? O seu caráter? – esbravejou. Shaoran riu secamente.
– Compaixão? Sakura, eles acabaram de nos assaltar. – falou o rapaz elevando o tom de sua voz.
– No que isto importa para você? Pode arranjar outro automóvel, outras vestimentas e com grande pesar, eu digo, outro motorista. – sussurrou fitando o corpo paralisado sobre o chão.
– Não me venha com está, Sakura. É questão de dignidade.
– Dignidade? Está mais para orgulho, seu bruto!-exclamou batendo o pé no chão. – Você não precisa ser assim. Lembre-se, você é humano, assim como eu, como os assaltantes e como este pobre homem. – argumentou a jovem apontando para o motorista. Shaoran abrira a boca para falar, mas Sakura não permitira que o mesmo continuasse.
– O medo que o senhor faz as pessoas sentirem por você não constrói o respeito, nem o amor. Isto tudo me deixa enojada. Sinto repulsa deste jeito. Esse jeito que impede o verdadeiro Shaoran mostrar-se para a sociedade, — dera uma pausa respirando fundo. — mostrar-se para mim. – sussurrou. O chinês ficara perplexo, fitando-a completamente chocado. Quando algo chamara a sua atenção. A respiração da moça encontrava-se entre cortada, arfava excessivamente, enquanto a sua pequena mão pressionava o seu seio.
– Sakura, você está bem? – questionou se aproximando.
– Sim, e-e-estou. Não se encoste a mim. – falou asperamente. Sakura apoiou-se na primeira árvore que vira, em busca de ar.
– Sakura, não seja teimosa. – pediu o seu marido, se aproximando.
Fale com o autor