Um Amor Arranjado
3 Oceano de Flores
Notas iniciais
A viagem fora longa, porém tranquila. Sakura dormira apoiada em seu irmão, que a acolhera em seus braços carinhosamente. Logo chegaram ao objetivo da viagem. Touya empertigou-se ao lado de sua irmã, alisando seu rosto. — Onee-chan, acorde. Chegamos ao nosso destino. Sakura abriu os olhos com grande dificuldade, os encarquilhando. Bocejou delicadamente, dando um sorriso efervescente. Retiraram-se do carro, Touya com indiferença deixando sua irmã para trás. Sakura observava o desconhecido com grande atenção. A casa a sua frente aparentava ser luxuosa, com belíssimos detalhes de sua origem, japonesa. Porém, não fora isso que prendera seus olhos. O verde que rodeava a casa era exuberante, com árvores enormes e um verdadeiro oceano de flores.
– Por favor, Akizuki-chan, leve minha irmã ao seu quarto. – Disse Touya ao adentrar a casa. A jovem ao seu lado assentiu. Outros serviçais fixaram seus olhos na bela flor, provocando leve rubor nas bochechas da jovem. Sakura estranhou certa quantidade de pessoas encontradas em apenas uma casa. Aliás, fora acostumada sua vida inteira com a presença de seu pai, sua governanta e seu irmão. Apenas.
– Siga-me, senhorita. — Propôs Akizuki, referindo-se a flor. Sakura assentiu a seguindo. Subira pelas escadas, que aparentava não ter um fim, deparando-se com inúmeras portas em um corredor sombrio.
– É aqui, senhorita. – Falou Akizuki de cabeça baixa apontando para uma porta específica. Sakura sorriu timidamente em resposta. O quarto era grande, havia objetos de ouro e grandes janelas. Sakura questionou-se o porquê de seu irmão exclamar que se encontrava em falência. – Irei me retirar, senhorita. Precisa de alguma coisa? – Questionou Akizuki.
– Não, obrigada. — Sussurrou a jovem. Deitou-se na cama sentindo um grande pesar em suas pálpebras, permitiu que caíssem a levando para os seus sonhos.
– Onee-chan, abra a porta. – Sakura sobressaltou-se pulando para fora de sua cama, abriu a porta apressadamente. – O que foi Touya?- Perguntou sonolenta. – Onee-chan, amanhã virá seu futuro marido, creio que irão se casar em breve. – A flor de cerejeira abaixou a cabeça decepcionada com o seu destino. Ela não podia lutar contra. Touya despediu-se, se dirigindo ao andar de baixo.
Já na manhã seguinte, Sakura encontrava-se sentada em frente à penteadeira, os seus olhos fixos em suas mãos, enquanto seus cabelos eram graciosamente penteados. – Oh, sempre quis me casar assim, sem saber quem é o meu pretendente. Viver uma história de amor com um “desconhecido”!–Exclamou uma das serviçais de forma sonhadora. – Sim, seria de fato romântico. – Afirmou Akizuki. – Akizuki-chan, ouvira falar que a família Li procura por uma esposa para aquele ser indesejado?
Akizuki assentiu. – Ah Deus. Quem teria a coragem? Soube que ele é um monstro, o verdadeiro demônio dentro do corpo de um ser humano. Tortura por pura diversão. – Sakura arregalou seus olhos verdes. Agora seus dedos eram uma forma de distração. – Será que... — Comentou Akizuki perdendo-se em suas palavras. As jovens serviçais entreolharam-se, fincando seus olhos na inocente flor.
Sakura se retirou do quarto, extremamente nervosa. As lágrimas inundaram-lhe os olhos, provocando leves soluços na jovem. Seus pés agiam por impulso, sua mente não era mais capaz de controlá-los. Porém, a atitude dos seus pés foi sensata. A bela flor sorriu ao perceber que se encontrava no belo jardim da casa. – Olá, senhorita.
Sakura abafou seu grito com as mãos, olhando para trás. Deparou-se com um belo rapaz. Um jovem alto, de pele clara. Seus olhos foram capazes de hipnotizar a flor de cerejeira por alguns segundos.
– É o jardineiro, senhor? – Questionou. – Sim, adoro ficar próximo da natureza e sou apaixonado por flores, são cativantes. – Respondeu sorridente. Sakura corou em resposta. – Sinto o mesmo que o senhor, as minhas preferidas são as Sakuras.
– Oh, são encantadoras. – Confirmou o rapaz. A cerejeira se perdeu naquele sorriso. -Então moça, qual é o seu nome? — Perguntou ele retirando delicadamente uma flor da terra. – Sakura, pergunto o mesmo para o senhor.
–Yukito, senhorita. – Respondeu o jardineiro, oferecendo a bela flor vermelha para a jovem. Sakura hesitou, mas por instinto recolheu a flor enquanto inalava seu doce cheiro.
–Sakura-chan, venha. – Gritou Touya, distante. –Terei que ir, até mais senhor. — Despediu-se Sakura olhando em seus olhos. – Yukito, senhorita. – Repetiu sorrindo. Sakura assentiu afastando-se. Yukito a observava partir. “A jovem é fiel ao seu nome, tão bela quanto” – O que fazia com a irmã do vosso senhor? – Questionou Akizuki irritada. –Nakuru-chan, estávamos apenas tendo uma conversa, minha querida. – Defendeu-se.
– Não tenha ciúmes, meu amor. – Yukito sorriu carinhosamente. A moça assentiu cruzando os braços.
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