Um Amor Arranjado
4 Um Pacto
Notas iniciais
-Sakura-chan, esse é o senhor Shaoran Li. – Afirmou Touya fitando o homem. Sakura ergueu os olhos verdes enquanto pressionava o seu seio, reprimindo os batimentos de seu coração
– Pra-a-zer. – Gaguejou.
– Vocês irão se casar, onee-chan, hoje mesmo.
Sakura perdeu o seu equilíbrio, atordoada sentou-se na cadeira mais próxima, suando frio. Em momento algum ousou erguer sua cabeça, não se atreveu olhá-lo nem por um segundo.
– É isso, senhor Li, iremos nos ver mais tarde. – Confirmou Touya. Shaoran se retirou da sala sem ao menos proferir uma palavra – Como pôde? – Questionou-se a flor de cerejeira, mantendo sua cabeça abaixa. Seu irmão suspirou pesadamente. O peso na consciência consumia sua mente. Apenas se retirou do cômodo com grande preocupação em sua face.
Sakura olhava fixamente para o seu reflexo no espelho, já com o kimono que seu irmão pedira para usar no casamento. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, seus lábios cheios e rosados como sempre. Em seu peito encontrava-se uma dor incerta, em sua mente encontrava-se questões de um futuro incerto. – Sakura-chan, está na hora. – Disse Touya batendo na porta.
Sakura se olhou pela última vez no espelho, colocando a sua tiara delicada. Saiu do quarto, em direção ao escritório onde seria o casamento. A jovem questionou-se o porquê de não ser um casamento decente em uma Igreja, mas não sabia que as pessoas não achavam digno Shaoran adentrar a Igreja da cidade. Touya segurou firme o braço de sua irmã a levando para o escritório. Assim que entraram, um homem alto, de cabelo da cor castanha, bagunçado, chamou a atenção de Sakura. Ele a fitou de forma intensa, o que a fez corar e ficar completamente perdida nos belos olhos âmbares. Sakura se aproximou e se pôs ao lado do homem alto de olhos castanhos, em frente ao padre. – Começaremos o casamento entre Li Shaoran e Kinomoto Sakura. – Anunciou o mesmo. Sakura mantinha sua cabeça baixa. Então ela estava ao lado do seu futuro marido. “Esse casamento seria o mesmo que fazer um pacto com o demônio?” Perguntou-se mentalmente. A jovem flor estava nervosa, mordia o seu lábio fortemente, enquanto o medo consumia todo o seu ser. Não prestara atenção no que foi dito pelo padre, apenas procurava maneiras de fugir daquele local.
–Li Shaoran, aceita Kinomoto Sakura como sua legítima esposa? – Perguntou o padre.
–Aceito. – Disse Shaoran. Sua voz não era tão grossa, porém demonstrava determinação.
– Senhorita Kinomoto Sakura, aceita Li Shaoran como seu legítimo esposo? – Perguntou o padre volvendo seu corpo para Sakura que sussurrou um “sim” de cabeça baixa.
– Pode beijar a noiva. – Anunciou o padre observando Shaoran que depositou seus olhos sob a jovem. Sakura manteve sua cabeça baixa, completamente petrificada. Shaoran bufou dando de ombros retirando-se do escritório em completo silêncio. A flor suspirou pesadamente.
– Venha, onee-chan.- Chamou-a Touya, puxando-a pelo braço para a sala. Shaoran encontrava-se de pé em frente à porta. Ao se aproximar, Sakura corou por estar perto de um homem tão esbelto. – Foi um prazer negociar com o senhor. – Exclamou Touya o cumprimentando como se acabasse de fechar uma compra. A flor de cerejeira se sentiu usada, um objeto. Shaoran acenou com a cabeça.
Touya despediu-se de sua irmã com um sorriso amarelo, sua preocupação era evidente.
– Siga-me – Ordenou Shaoran com grosseria dirigindo-se a jovem. Assim que chegou ao carro Shaoran abriu a porta para sua recém-esposa, que adentrou tremendo. Logo após Shaoran entrou, dando partida para o motorista.
Sakura observou seu marido, curiosa. O homem apenas observava o escuro ao redor do carro. Tinha uma expressão séria e preocupada, o que deixou a menina intrigada, pois não aparentava ter muita idade. Poderia dar-lhe no máximo 27 anos de vida. Voltou os seus olhos para fora do carro, sentindo seu coração palpitar, questionando-se se era audível seus batimentos. Por um momento, faltou-lhe ar aos pulmões, provocando um desespero silencioso. Des de muito jovem tivera problemas com asma, porém seu pai sempre a ajudara a recuperar o oxigênio transmitindo calma a flor. Ofegante, procurou manter a calma, fechando os olhos. Shaoran a fitou com a confusão estampada em seu rosto, — O que há com a senhorita? – Questionou de forma áspera.
Sakura abriu seus olhos, rolando-os para a escuridão á fora. Voltou-se para o rapaz, o encarando pela primeira vez. – Não há nada. – Respondeu gentilmente, enquanto demonstrava o seu belo e doce sorriso. Shaoran ignorou-a olhando para fora.
De longe, ao alto, Sakura pôde enxergar uma bela mansão, na qual o carro parou em frente. O motorista retirou-se do carro, abrindo as portas para os seus senhores. A jovem não foi capaz de enxergar muita coisa, o escuro encontrava-se ao seu redor, e dentro de si. Corou ao tropeçar inúmeras vezes em seus próprios pés, provocando uma seca risada de reprovação do seu marido. Sakura finalmente entrara na mansão, logo após de Shaoran, encontrando os serviçais em uma fila organizada.
– Muito bem, mostre a Kinomoto o seu quarto. – Ordenou Shaoran apontando para uma senhora humilde, que assentiu. Ela subiu as escadas, Sakura a seguiu. Entraram em um quarto não muito grande, mas bastante bonito. Havia muitas janelas, todas com cortinas brancas. Sobre a cama encontrava-se uma camisola branca com rendas. A flor fez uma careta, completamente enojada. A senhora retirou-se do quarto deixando a jovem com a companhia de seu medo.
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