A rotina em Konoha voltava ao ritmo habitual após o Natal. Mas para quem observava com atenção, algo parecia... diferente.

No gabinete do Hokage, o ar estava mais leve. Kakashi distribuía tarefas com mais eficiência, menos resmungos. Seus suspiros costumeiros diminuíram, assim como os longos momentos de dispersão olhando pela janela. Shikamaru notou que ele até chegou antes do horário dois dias seguidos — algo inédito. E o mais surpreendente: havia sido gentil com o burocrata do setor financeiro. Duas vezes.

Enquanto isso, no hospital, Sakura caminhava pelos corredores com um brilho novo no olhar. Ela sorria com mais facilidade, conversava com os colegas enquanto revisava prontuários, e até riu de verdade durante a última reunião com a equipe médica, para surpresa geral.

O que não passou despercebido por seus braços direitos, que observavam tudo com olhos atentos.

Na tarde de sexta-feira, os dois amigos se encontraram por acaso numa pequena cafeteria perto da torre Hokage. Ino, de cabelo preso em um coque elegante, sentou com um café nas mãos e um sorriso malicioso no rosto.

— Você notou? — ela perguntou, direta.

Shikamaru, com seu olhar sempre entediado, arqueou uma sobrancelha.

— Se você está falando do nosso Hokage, sim. Parece mais... leve. Menos ranzinza. Até agradeceu um relatório.

— E Sakura? — Ino rebateu, com um brilho cúmplice nos olhos. — Parece que voltou do interior renovada. Ela sorri por tudo. Até me deixou usar o estoque especial de bandagens do andar dois sem reclamar.

— Hm — Shikamaru murmurou, pensativo. — E eles passaram o Natal fora.

— Juntos. — Ino cruzou os braços, satisfeita.

— Você tem certeza?

— Tenho faro pra essas coisas, Nara. Alguma coisa aconteceu. E olha... o que quer que tenha sido, foi pra melhor. A aura dos dois tá diferente. Como se tivessem deixado alguma parte da armadura pra trás.

Shikamaru recostou-se na cadeira, os braços atrás da cabeça, refletindo por um instante.

— Então talvez o Natal finalmente tenha servido pra alguma coisa.

— Para unir o improvável? — Ino sorriu, olhando pela janela.

— E para acalmar corações cansados — ele concluiu.

Eles brindaram com as xícaras de café, sem dizer mais nada. Afinal, sabiam que certas mudanças não precisavam ser declaradas em voz alta — bastava observá-las florescer.

...

As luzes brilhavam por todo o centro da vila. Lanternas de papel balançavam preguiçosamente ao vento, adornando as ruas com tons quentes de vermelho, dourado e branco. Crianças corriam com estrelinhas acesas nas mãos, comerciantes ofereciam bolinhos de arroz e sake doce em bancas decoradas com flores de ameixeira, e uma trilha musical festiva misturava-se às vozes animadas dos moradores.

Konoha sabia comemorar o fim de um ano — e o início de outro.

Sakura chegou com Ino, ambas em quimonos floridos. O dela era num tom vermelho profundo, bordado com detalhes brancos e dourados. Os cabelos presos em um coque frouxo, apenas algumas mechas soltas emoldurando seu rosto. Ela sorria, mas os olhos vez ou outra buscavam algo — ou alguém.

— Não adianta tentar disfarçar — disse Ino, pegando dois copinhos de saquê. — Você está esperando por ele.

— Eu estou esperando os fogos — rebateu Sakura, com um sorriso contido.

— Aham.

Do outro lado da praça, Kakashi caminhava lentamente, cumprimentando aldeões, acenando para crianças e escapando educadamente de algumas abordagens femininas mais ousadas. Estava num traje formal escuro, tradicional para a ocasião, e com a máscara habitual no rosto. Mas seus olhos estavam atentos — e também buscavam alguém.

Os dois se viram quase ao mesmo tempo.

Nenhum aceno. Nenhuma palavra. Apenas sorrisos e passos que começaram a se mover.

Eles se encontraram próximo ao grande portão torii montado para a cerimônia de purificação. Kakashi a observou de cima a baixo, com um brilho quase imperceptível nos olhos.

— Boa noite, Sakura.

— Boa noite, Hokage-sama.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Achei que havíamos superado isso.

Ela riu baixo.

— Só estou sendo educada.

— E eu só vim ver os fogos.

Ela cruzou os braços, encarando-o com um olhar brincalhão.

— Aham.

Eles ficaram lado a lado, observando o céu começar a se iluminar com os primeiros fogos que riscaram o céu à meia-noite. As pessoas aplaudiam, gritavam votos de prosperidade, brindavam. Mas entre eles dois, o silêncio era confortável.

— Está bonita hoje — disse ele, sem tirar os olhos do céu.

— Você também não está nada mal — respondeu ela, com um leve rubor subindo pelo pescoço.

O céu começou a se encher de cores. Meia-noite. As explosões coloridas iluminaram o rosto de Sakura, que olhou para o céu com um brilho nos olhos que Kakashi não pôde ignorar.

Nesse momento, Naruto surgiu com Hinata ao seu lado, animado como sempre.

— FELIZ ANO NOVO!! — gritou ele, erguendo um copo de saquê. — Que todos os desejos se realizem! — então, com um olhar maroto, acrescentou: — Mas olha só, dizem que pra isso acontecer, é preciso selar com um beijo, hein!

Hinata ficou vermelha, rindo, e puxou o marido pelo braço.

— Naruto...

— O quê?! É tradição em Suna! Ou será que era Kiri? — e, rindo, se afastou com Hinata, deixando os dois sozinhos novamente.

Sakura balançou a cabeça, sorrindo, mas não olhou para Kakashi. Ficou observando os fogos, como se o céu fosse menos complicado que os sentimentos crescendo dentro dela.

Kakashi foi quem falou primeiro.

— E qual é o seu pedido, Sakura?

Ela levou um instante para responder, observando as explosões de luz refletirem nos olhos dele antes de encarar o céu também.

— Bem... eu queria que tudo fosse sempre assim. Como tem sido nesses últimos dias. Calmos, tranquilos, apesar do trabalho. Como se o tempo respirasse junto com a gente.

Kakashi murmurou um "Entendo", suave como uma brisa.

— E o seu, sensei?

Ele riu de leve, e o som aqueceu o espaço entre eles.

— Espero que não seja egoísmo da minha parte... mas acho que tenho dois. Primeiro, também gostaria que meus dias continuassem assim... em suas palavras, mais leves, mais simples, mais fáceis de respirar. E depois... eu gostaria que você parasse de me chamar de "sensei".

Ela riu com a cabeça jogada para trás.

— Eu sabia que você falaria algo sobre isso — brincou, virando-se para ele com um sorriso leve. — E copiar minhas palavras não soa nada original.

Ele soltou uma leve e breve risada junto de um suspiro.

Sakura então, como se não quisesse nada: — Então, sen... — ela fingiu escorregar, mas se corrigiu — quero dizer, Kakashi... precisamos garantir que nossos desejos se realizem, não é?

Virando-se para ela, ele a encarou, olhos semicerrados.

— Você está, por acaso, sugerindo que eu te beije, Sakura Haruno?

Ela respondeu sem hesitar, com a calma calculada de quem sabia exatamente o efeito das palavras:

— Bem, eu preciso que o meu se realize pelo bem de Konoha. Afinal, assim como você, também cuido do bem-estar da vila. Mas... se por acaso o Hokage não estiver disponível, quem sabe outro...

Ela não teve tempo de completar.

Kakashi a puxou pela cintura com firmeza, colando os corpos com mais ousadia do que jamais tivera com ela antes.

— Nem pense em terminar essa frase — rosnou de forma quase divertida.

E então, sem permitir espaço para mais provocações, puxou a máscara para baixo com um gesto ágil e a beijou.

O beijo não foi como o do Natal. Não era tateante, nem hesitante. Havia nele uma certeza silenciosa — um entendimento mútuo de que algo havia mudado, mesmo sem palavras. Era um beijo inteiro, entregue.

A mão dela se apoiou em seu ombro, os dedos dele tocaram a base de sua nuca, puxando-a mais para si.

Acima deles, fogos explodiam no céu.

Mas ali, entre os dois, só havia silêncio, calor e a certeza de que aquele novo ano começava de um jeito absolutamente diferente.

Quando se afastaram, ela ainda segurava o tecido da roupa dele.

— Feliz ano novo, Hokage-sama.

Ele sorriu, os lábios ainda próximos demais dos dela.

— Feliz ano novo, Dra. Haruno.

E não disseram mais nada.

Não precisavam.

...

O bar era discreto, escondido numa travessa tranquila de Konoha, frequentado por veteranos de guerra e alguns outros shinobis. Era o tipo de lugar onde ninguém precisava usar máscaras — literais ou não.

Kakashi já estava lá quando os demais chegaram. Yamato sentou-se ao seu lado com um aceno de cabeça, logo seguido por Guy, que fez questão de cumprimentar todos com abraços constrangedoramente longos.

Iruka se acomodou com um sorriso cansado, Shikamaru apenas bufou um "tch" antes de recostar na cadeira e acender um cigarro. Por fim, Naruto entrou esbaforido, Hinata no encalço, mas logo se despediu da esposa com um beijo na testa e juntou-se ao grupo.

— Finalmente — disse ele, afrouxando o cachecol. — Agora sim, uma noite entre homens!

— Você acabou de sair de uma festa entre famílias — murmurou Shikamaru, arqueando uma sobrancelha.

— Mas eu precisava disso — Naruto ignorou. — Bebida, amigos e... bom, histórias constrangedoras.

— Que tipo de histórias? — perguntou Yamato, desconfiado.

Naruto sorriu maliciosamente, servindo saquê para todos.

— Por exemplo... vocês sabiam que o nosso querido Hokage foi vítima de um genjutsu floral no Natal?

Kakashi ergueu uma sobrancelha. Shikamaru olhou de lado. Guy arregalou os olhos. Iruka engasgou com o saquê.

— Naruto... — Kakashi advertiu.

— Ah, qual é! — o loiro riu. — Foi só um visco. Um visco enfeitiçado, ok? E foi muito engraçado.

— Defina "engraçado" — comentou Shikamaru, já interessado.

— Um beijo! — Naruto disse, triunfante. — Isso mesmo. Um beijo debaixo do visco. O jutsu só liberava depois disso. E advinhem quem estava com Kakashi na hora?

Todos viraram os olhos lentamente para o Hokage.

Kakashi continuou em silêncio.

— Haruno? — Yamato perguntou, só para confirmar.

Kakashi suspirou, pegando o copo de saquê na mesa.

— Foi uma coincidência — disse, como se quisesse encerrar o assunto.

— Coincidência, huh? — Iruka riu. — Você parece bem calmo pra alguém que foi forçado a beijar a pupila no Natal.

— Ex-pupila — Kakashi corrigiu automaticamente.

— E agora...? — Yamato não resistiu.

— Agora somos colegas — respondeu ele, com uma tranquilidade treinada.

— Colegas que viajam juntos no trem, passam o Natal juntos e voltam sorrindo feito dois adolescentes — completou Shikamaru.

Kakashi o encarou.

— Ah, a vila toda está sabendo. Dizem que foram vistos agarrados na noite de ano novo também. — Foi a vez de Yamato.

— ANBU ainda tem tempo pra fofoca?

— Bem, é o que todos estão dizendo... — Yamato respondeu, sorrindo de lado.

Guy bateu a palma da mão na mesa, empolgado:

— O poder do amor floresce até nos jutsus botânicos!

— Ok — disse Kakashi, levantando-se. — Acho que já bebi o suficiente por hoje.

— Ah não, Hokage-sama, agora que ficou bom! — Naruto ergueu o copo. — Brinde ao beijo mais inesperado de Konoha!

Yamato puxou o Hokage de volta para a cadeira ao lado. Kakashi pegou o copo de volta.

— Inesperado... — murmurou. — Talvez nem tanto assim.

Todos brindaram, com exceção de Kakashi. Ninguém disse nada depois disso. Mas os sorrisos cúmplices entre eles foram suficientes.

...

— Kakashi já sabe? — perguntou Ino, a cabeça apoiada na mão, o corpo largado sobre a cama de Sakura como se estivesse em sua própria casa.

— Saber o quê? — respondeu Sakura, sem levantar os olhos dos relatórios que trouxera do hospital.

— Que está todo mundo sabendo. Do beijo. Do visco.

Sakura parou de escrever no mesmo instante.

— Que droga, Naruto... — murmurou ela, levantando o olhar para Ino com uma expressão entre irritada e exasperada.

— Claro que foi o Naruto! E, sinceramente? Eu agradeço. Estava começando a achar que era coisa da minha cabeça... o seu bom humor, o dele com menos olheiras, vocês dois se esbarrando "sem querer" nos corredores...

Sakura tentou fingir desinteresse, mas o rubor na ponta das orelhas a entregava.

— Não foi... exatamente planejado — ela disse, fechando o caderno de anotações com mais força que o necessário. — O visco era enfeitiçado.

— Claro que era, Sakura — Ino disse, revirando os olhos. — E o que aconteceu depois do visco desaparecer? Você tropeçou nos lábios dele de novo?

— Ino! — Sakura levou uma almofada direto no rosto da loira, mas acabou rindo. — Vocês são todos um bando de intrometidos.

— Somos apenas amigos preocupados. — Ino sentou-se, o sorriso diminuindo um pouco. — Você está mais feliz, sabe? Mais... você. Acha que ele sente o mesmo?

Sakura respirou fundo. O rosto dele surgiu em sua mente imediatamente: o jeito que olhava para ela com o rosto exposto, a forma como a segurava sem dizer uma palavra, e a forma como dizia tanto mesmo assim.

— Eu não sei. — ela respondeu, sincera. — Mas pela primeira vez, não me sinto insegura. Com ele... parece tudo no tempo certo.

Ino sorriu.

— Era o que eu precisava ouvir.

...

As batidas na porta soaram baixas, quase tímidas — e mesmo assim, bastaram para deixá-la alerta. Era noite, a vila já dormia, e mesmo sem checar, Sakura soube quem estava do outro lado.

Abriu devagar, revelando a figura dele, meio encoberta pela penumbra do corredor.

— Posso entrar? — perguntou Kakashi, a voz mais baixa que de costume.

Ela deu um passo para o lado, permitindo a entrada, e fechou a porta atrás de si com cuidado. Ele permaneceu em pé, as mãos nos bolsos, como se não soubesse bem como começar.

— Eu... preciso conversar. Sobre nós. — disse, finalmente.

— Claro — ela respondeu, sentando-se na poltrona ao lado da janela. Ele permaneceu de pé por mais alguns instantes, como se ponderasse se deveria mesmo continuar. Mas continuou.

— Bem... a vila já sabe. Não fui exatamente eu quem contou, mas... todos já sabem. Sobre o beijo, quero dizer.

Ela soltou um riso contido.

— Eu sei, Kakashi. Já soube que o Naruto andou espalhando por aí.

— E isso não te incomoda?

— Não. Não me importo. Por quê? Te incomoda?

Ele balançou a cabeça, cruzando os braços em frente ao peito.

— Na verdade... eu só fiquei preocupado com você. Mal tive tempo de pensar em mim.

Sakura inclinou a cabeça, os olhos se suavizando.

— Tudo bem, eu penso em você por você.

Um sorriso despontou por baixo da máscara. Era pequeno, mas verdadeiro.

— Veio me dizer isso?

— Não só isso. Eu... eu queria entender o que está acontecendo. Com a gente. — Ele se aproximou um pouco mais. — Quero saber como você se sente em relação a isso. A mim.

Ela não desviou o olhar.

— Bem, eu gosto de você. Muito, muito mesmo. E não como amigo. Ou como meu ex-sensei. Eu te vejo como um homem, Kakashi.

A pausa entre as palavras pesou no ar antes que ela continuasse.

— Mas eu preciso saber... você também sente tudo isso que eu tô sentindo? Porque se não... se tudo isso for só um mal-entendido...

— Sakura, calma — ele disse, firme, aproximando-se e segurando com delicadeza os braços dela, num gesto que pedia calma sem forçar nada. — Respira.

Ela obedeceu, inspirando fundo, os olhos já marejados.

— É recíproco. Eu... amei cada parte disso. Mas também sinto que é errado. Que eu não devia. Que sou o mais velho aqui, que devia ter sido mais responsável.

Ele a soltou com cuidado, como se suas próprias palavras o afetassem.

— Mas aí, quando você vem, e meus olhos pairam sobre você... eu esqueço de tudo que me afasta de você. — Ele parou por um segundo, e quando voltou a falar, a voz estava mais baixa. — Eu acho que estou perdidamente apaixonado por você, Sakura Haruno.

Ela não disse nada. Apenas se lançou para frente, abraçando-o com força, o rosto afundado no peito dele. Os soluços vieram suaves, contidos, enquanto ele a envolvia com os braços largos e firmes. Ficaram assim por um tempo, até que a respiração dela se acalmasse.

— E o que fazemos agora, Kakashi?

Ele afastou o rosto dela com gentileza, enxugando as lágrimas que manchavam seu rosto bonito.

— O que você quer que a gente faça agora?

Sakura mordeu o lábio inferior, a tensão sendo substituída por um brilho divertido nos olhos.

— O horário já permite que eu diga?

Ele arqueou a sobrancelha, tentando disfarçar o arrepio.

— Você não está sugerindo o que eu estou pensando... está?

Ela se inclinou para mais perto, e a voz veio carregada de ironia doce.

— E o que você está pensando, sen-sei?

Ele fechou os olhos por um instante, já sabendo que tinha perdido.

— Não faça isso — murmurou, quase como um aviso, mas já puxando a máscara para baixo antes que ela pudesse responder.

E então a beijou. Desta vez, com pressa. Mas sem culpa. Sem nenhuma dúvida.

Ainda estavam com os lábios colados quando ele murmurou, com a testa repousando suavemente contra a dela:

— Eu quero isso. Quero muito. Mas quero que tenha certeza... Que não se arrependa amanhã. Eu espero o tempo que for preciso.

Antes que ela respondesse, ele a puxou para mais perto, seus corpos colando um no outro — e o calor entre eles se intensificou. Sakura sentiu o quanto ele a queria na forma como a segurava, na respiração contida contra sua pele, e um som baixo escapou de seus lábios antes que pudesse se conter.

— Mas eu quero — ela sussurrou contra a pele dele, firme.

Ele desceu os beijos para o pescoço dela, devagar, sentindo o perfume doce da pele dela, ouvindo a respiração entrecortada. Seus lábios voltaram a encontrar os dela com um toque suave, mas então se afastaram o suficiente para que ele a encarasse de novo.

— Você sabe o que acontece depois, não sabe? — disse em voz baixa. — Todos vão se virar contra você. Podem e vão falar de mim... mas com você, Sakura, serão impiedosos.

Ela prendeu o ar por um segundo, o olhar ainda firme no dele. Ele continuou:

— Por favor... pense bem. Se ainda me quiser, eu estarei aqui. Sempre estive.

Kakashi selou a frase com um último beijo, simples, quase casto, mas cheio de promessa. E antes que ela pudesse responder, se afastou, cruzando a porta por onde havia entrado, deixando Sakura sozinha, com o coração acelerado e as palavras dele gravadas em cada centímetro da sua pele.