UNDERTALE - No Mercy
2 Mamãe
Notas iniciais
Lá estava eu, apoiado numa das paredes do elevador, pensando na vida e na notícia de hoje. Ainda não havia me conformado com a ideia de uma guerra contra os monstros. Aquilo era realmente inútil. Eles não terão a menor chance! Esses militares são tão impiedosos assim? Alguns segundos se passaram, e as portas do elevador se abriram, assim que ele chegou no quarto andar do pequeno prédio onde eu morava. Andei pelo hall no andar até chegar na porta do meu apartamento, número 42.
Abri a porta, andei até minha sala, e desabei no sofá velho que eu tinha lá. Meu apartamento era bem simples. Ao abrir a porta, se dava de cara com a sala de estar, e uma passagem para o lado, que dava na cozinha, e logo após, numa área de serviço. Em minha sala, havia esse sofá velho, uma TV um pouco antiga, e um telefone fixo, em cima de uma mesinha. Passando por um curto corredor, onde também havia a passagem para um banheiro apertado, haviam dois quartos. Em um dos quartos havia minha cama, meu armário com minhas roupas e um pouco de tralha, e também meu violão, apoiado na parede, além de uma janela que dava vista para as janelas do outro prédio ao lado. No outro, havia algo como um “escritório”. Era simplesmente uma mesa, onde eu podia fazer qualquer coisa que envolvesse escrever ou sei lá.
Por um momento pensei em ligar a TV, mas eu estava com preguiça de mais para encontrar algo realmente interessante. Então levantei e fui até meu quarto. Peguei meu violão, sentei na cama e comecei a improvisar alguma coisa na escala pentatônica, a unica que eu realmente sabia fazer. Eu fiz aula de música por um tempo, mas depois eu larguei. Antes eu queria ser musico, ter uma banda e tals. Mas hoje em dia eu realmente não sei o que quero. Já que eu não tinha nada para fazer, decidi fazer o que eu sempre faço quando não estou trabalhando (quase nunca) ou dormindo (quase sempre). Compor.
Eu estava trabalhando numa música que estava ficando bem interessante... Algo bastante enérgico. Ficou um pouco difícil para executar no violão, mas era até que bem legal... Eu ainda não tinha um nome para ela. A base já estava feita, então agora eu precisava de um solo, que sempre é a parte mais difícil. Tentei me inspirar, ouvindo alguma coisa com meu celular velho, e um fone de ouvido barato que estava guardado em meu guarda-roupa. Ouvi algumas lendas do rock tocarem seus solos, e então voltei a trabalhar no meu.
Mais ou menos meia hora depois, eu finalmente acabo de criar algo que preste. Deixo as folhas onde escrevia as tablaturas de lado, e parei para observar meu violão. Meu pai havia me dado ele quando eu tinha, oque, uns 12 anos. Sempre me interessei por música e sempre tive uma vontade inexplicável de tocar trombone. Sério, eu acho muito legal! Mas como esse tipo de instrumento é bastante caro, eu me viro com minha boa e velha viola... Estava pensando em comprar uma guitarra, mas, além de ser bastante cara, os vizinhos iam encher o saco mais do que já enchem. Por fim dedilho alguns acordes soltos e coloco meu instrumento de lado. Foi nesse momento que me lembrei de minha mãe. Ela morava em minha cidade no interior, ao pé do Monte Ebott, aquela velha montanha inabitada. Dizem que existe uma rede subterrânea de cavernas por lá... Mas eu não sei se é verdade. Enfim, aquela é minha cidade natal. Recentemente eu me mudei para a capital, em busca de oportunidade de trabalho, mas tudo que eu consegui foi ser funcionário público, no caso, servente do exército. Eu não gosto muito de meu trabalho, mas é melhor do que fritar hambúrguer em um bar de esquina. Eu fui convocado quando me alistei, e decidi seguir carreira. A maioria das pessoas não seguem carreira militar depois de servir porque simplesmente não gostam. Eu acho interessante... Apesar de achar os serviços bem chatos.
Eu ando até a sala, e me jogo no sofá. Agarro o telefone, e decido ligar para minha mãe. Digito os números na base do telefone (eu nunca os esqueci), e espero ela atender, com um sorriso ansioso no rosto. Ouço alguém tirar o telefone do gancho e então chega aos meus ouvidos aquela voz doce e suave, que me dava grande saudade:
— Eu já disse para vocês pararem de ligar para minha casa! Eu NÃO quero plano nenhum!!! Já chega disso! Parem por favor, ou terei que chamar os oficiais!
— Ei, mãe, calma. Sou eu.
— Oh! Filho! Mas quanto tempo! Eu estava com tanta saudade...
— Eu também, mãe. Nós ficamos sem nos falar por muito tempo.
— Sim, sim... Então, como está indo ai na capital? Tudo supimpa?
— Com certeza, mãe! E a senhora? Progrediu com o tricô?
A meia hora seguinte foi um bate-papo intenso entre eu e minha mãe. Estava percebendo que o assunto estava escapando e logo teríamos que desligar, então decidi tocar no assunto crucial:
— Mãe, tem algo que preciso lhe contar.
— Diga, meu filho.
— Hoje, no quartel, tivemos uma conferência, onde foi anunciado que os militares declararam guerra aos monstros... Eles invadirão alguma cidade mês que vêm!
— Oh, querido! Isso é terrível! Você... Você ficará bem?
— A preocupação não é comigo mãe, e sim com os monstros... Você sabe como eles são tão mais fracos que nós! Eles não terão nem chance!
— Oh, Dylan... Você é um menino de ouro...
— Eu não quero matar ninguém, mãe...—eu disse, tristonho.
— Não se preocupe filho... Vai ficar tudo bem! Você vai ver, as coisas vão se resolver.
—E u espero que sim, mãe... Eu espero que sim...
...
— Filho, eu terei que desligar. Seu tio está reclamando de alguma coisa, e eu terei que o acudir. Você sabe como as costas dele doem.
— Sim, eu sei.
— Então nos falamos qualquer dia desses.
— Certo. Nos vemos outro dia—eu disse, antes de desligar o telefone
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