Notas iniciais
Boa leitura! :D

— Um, dois três, quatro! Um dois, três, quatro! — gritava o capitão enquanto nós marchávamos em meio às ruínas de uma cidade destruída — Um, dois, três, quatro, e PARA!

Todos nós paramos de marchar. O céu era nublado, e o chão era barrento. Eu me perguntava se a lama era feita de terra e agua, ou terra e sangue. Era o lugar mais sinistro que já havia visto em minha vida. Olhei meu capitão, ainda calado, e então o oficial se virou. Mas não havia rosto. Só havia morte. Ele se virou novamente, com a perna direita erguida, e todos começamos a marchar novamente. Todos os soldados eram tão mais altos que eu... e não havia nenhum rosto familiar. Eu estava com medo.

Marchamos por mais horas e horas. Aquilo parecia realmente interminável, e parecíamos estar andando em círculos, apesar de nunca fazer uma curva. A paisagem só se repetia. Chegamos então, finalmente, ao pé do Monte Ebott. Eu tentei observar o pico da montanha, mas a vertigem não me permitiu.

— O que há com você, cabo?! — o capitão me perguntou. Eu rapidamente endireitei minha coluna e encostei meus dedos na testa, fazendo a continência, o cumprimento militar.

— N-Nada, senhor. É só a v-vertigem...

— Vertigem é para fracotes, cabo! Você não é um fracote, é? — eu fiquei calado, sem reação — ME RESPONDA.

— N-Não, senhor!

— Então PROVE.

Nesse momento eu me vi na sala de conferência do quartel. E eu estava em cima do palco. Haviam milhares e milhares de soldados me assistindo, olhando fixamente para mim, e a minha frente, o capitão.

— Prove que você não é um fracote! Me mostre do que você é capaz.

Eu continuei sem reação, simplesmente não fazendo nada.

— AGORA, CABO GIBSON!

Eu dei alguns passos para trás. O capitão então caiu de joelhos no chão, e, quando levantou sua cabeça, agora eu podia ver seu rosto. Era Simon.

— Vamos, Dylan. Você precisa fazer isso — Simon me olhava com um sorriso sarcástico e medonho — Você precisa...

Simon abaixou a cabeça furiosamente, e quando ele levantou, sua face agora era a de Asgore Dreemurr, o rei dos monstros.

— Dylan Gibson. Me mate. Me mate agora. VAMOS. ME MATE. ME MATE JA! POR FAVOR!!! — o rei gritava.

Eu senti um peso em minha mão, e então percebi que segurava uma arma. Um revolver de calibre alto. Poderia atravessar uma cabeça como se fosse de manteiga... Eu agora arfava furiosamente, enquanto dava passos para trás.

— E-Eu não... E-Eu n-não quero... — eu dizia baixinho

— O QUE DISSE, CABO GIBSON? — era o capitão novamente.

— E-Eu não quero, senhor! — eu disse mais alto, fazendo a continência novamente, agora bem mais fraca.

Nesse momento, todos os solados, todos aqueles milhares de soldados começaram a rir de mim. Gargalhar. Eles viam algo muito divertido em minha piedade. O capitão também gargalhava furiosamente. E Simon... e Dreemurr... todos riam. Riam da minha incapacidade de acabar com uma vida. Eu levantei a arma lentamente. Quando ela já estava alta o bastante para mirar nos três homens de joelhos, eu a engatilhei. Eu estava extremamente ofegante, e eles continuavam rindo. Eu comecei a colocar força no gatilho, e, quando ele finalmente foi pressionado o bastante para acionar o mecanismo, e atirar a bala, eu acordei em minha cama, molhado de suor.

...

Eu estava sentado na cama, com a testa pingando. Aquele fora um pesadelo e tanto. Eu ainda arfava de tensão. Levantei da cama lentamente, fui até a sala. Ja era de manhã. Fui até minha cozinha, e olhei para o relógio que eu tinha em cima da geladeira. Marcava 7:48. Eu preciso estar no quartel as 8:15. Bati a mão na minha testa, fazendo um barulho bem alto, e corri para o banheiro para tomar um banho.

...

Eu olhava para os lados nervosamente. Ainda me sentia bastante cançado da noite de pesadelos intensos, e realmente não queria ir para o serviço. Mas eu precisava ir. Quando a porta do ônibus abriu, eu rapidamente pulei para fora, e comecei minha caminhada pela calçada, pois o quartel era um pouco distante do ponto de ônibus. Eu andava o mais rápido que podia, mas sem perder a pose. Um cara de farda militar correndo para não se atrasar por que dormiu de mais não é algo que colabora para sua reputação.

Finalmente cheguei ao portão do quartel, e entrei o mais rápido que pude. Cruzei o campo, onde os serventes treinavam, e faziam todo tipo de serviço, e fui em direção à bandeira, que ficava mais para o fundo, perto da caserna.

Ao chegar perto da bandeira, vi os serventes enfileirados para o hasteamento das bandeiras, a primeira coisa que se fazia no quartel, antes de todos os outros serviços. Na maioria dos dias, o hasteamento era bem pontual, exatamente as 8:15, mas hoje, por sorte, estava atrasado.

— Bom dia, senhor — disse Simon, quando cheguei atrás dele, no meu lugar da fila — Está atrasado.

— Bom dia — eu disse, ignorando sua conclusão um tanto quanto óbvia.

— Como foi a noite? Muito bem dormida, imagino.

— É... Mais ou menos — eu disse, enquanto encarava seus olhos. Seu rosto ainda me dava um certo medo... Não medo, mas sim um desconforto. Aquele sonho me deixou um pouco paranoico.

— O que foi? — Simon disse, após um minuto de silencio constrangedor — Você está estranho.

— Eu...? Não foi nada...

Continuei encarando ele, com aquele desconforto.

— O que tem com a minha cara?

— Nada, sério.

— Então porque tá me encarando assim?!

— Nada, foi só que eu... eu tive um sonho meio estranho... — nesse momento um oficial começou a falar alguma coisa no microfone, e o hasteamento ia começar, então ficamos quietos.

...

Depois de todo aquele discurso de sempre, fomos dispensados para nossas posições. Um capitão da Infantaria logo ns chamou para uma “reunião” com todos dessa área. Ele basicamente ia falar alguma coisa importante, e eu tinha certeza absoluta que era sobre a guerra que estava por vir. Fomos marchando até outra parte do campo, e então paramos.

— Bom, senhores. Como vocês sabem, por fim a guerra aos monstros foi declarada, e como vocês são a Infantaria, serão vocês que “verão a cor dos olhos do inimigo”, hehehe. É obvio que vocês não morrerão para monstros, pois acho que um feito desse é impossível até para vocês, mas podem morrer para si mesmos. Quem sabe um retardado não se perde do resto, e morre de fome? Infelizmente, temos que impedir que coisas como essa aconteçam. Então teremos um treinamento especial até o dia da invasão, onde vocês aprenderão a se virar.

Até hoje eu não sei porque escolhi a Infantaria. Talvez fosse influência dos filmes de ação. Devo ter visto algum filme sobre guerra, no dia anterior a minha escolha, e fiquei super fascinado com os soldados indo salvar a pátria e agora que eu sofro as consequências. Quem sabe se eu tivesse escolhido Engenharia, eu estaria verificando armas ao invés de usando elas...

Notas finais
Obrigado por ler! Se gostou, considere deixar um comentário para me motivar! Até a próxima :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.