Two lines

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Mais uma vez, o capítulo fala por si! Boa leitura, mozis! ☘

Dada o fim daquela noite, Emma simplesmente não conseguia processar todos os acontecidos. Ao chegar em casa, depois de ter visto Regina ir embora de táxi por pura teimosia, a garota sentia uma necessidade insana de escrever. Tomou banho, colocou seus fones que tocavam uma playlist calma e encostou a ponta da caneta no papel:

"Teus lábios eram chama. Chama que inflamou-me como não deveria. Ora, conheci a ti com um balde de água fria, nunca havia passado por minha cabeça que serias pra mim importante. Veja agora, pouco tempo passou, mas parecem anos. Anos já não mais distantes. Onde estava eu antes de conhecer-te? Onde estava eu antes de jogar teus jogos? Onde estava eu antes de ver o brilho dos teus olhos? Não sei o que sinto no momento, mas pergunte-me onde estava. Sinto-me inflamada. É confuso demais para dissertar. Espero que não te assustes. Eu estaria assustada, assim como estou. Mas quero que saibas, oh doce menina, que o teu jeitinho inflamou meu coração. Hoje a certeza.

Com carinho,
Emma x"

Era surpreendente como escrever relaxava Emma. Depois releu, estava aliviada. Parecia ter tirado um peso de suas costas, embora continuasse confusa. Algum dia entregaria o texto para a "doce menina"... Ao acomodar-se na cama, resolveu mandar uma mensagem para Regina...

"Oi! Vc chegou bem? Espero que sim... Até segunda?

💋☺️"

Regina havia visualizado há poucos minutos. E logo os tracinhos ficaram azuis. Emma travou o celular e pensou consigo "agora que ela vai ter certeza que tu tá caidinha por ela, idiota". Logo sentiu a vibração do celular e sabia de quem era a mensagem. Não demorou até que visse:

"Oi, cheguei bem sim. E vc, moça? Não vou dizer até segunda pq antes quero que vc responda, rs"

"EITA MENINO PELAMORDIDEUS" pensou Emma. Conteve-se e respondeu:

"Hahahha, cheguei bem sim, obrigada ☺️ Estava escrevendo pq tava meio tensa..."

"Tensa pq?"

"Ué, sei lá. Só tensa"

"Anham, sei..."

"Sério..."

"Me mostra, então"

"Não posso 🌚"

"Ah, saquei. Chegou em casa e foi escrever cartinha pra namoradinha, né?"

"Eu nem tenho namoradinha, louca 🌚"

"Tá, com essa cara eu vou acreditar, claro que vou 🌝"

"Aff mas tu é chata, viu?"

"SE ENTREGOU"

"Parece doidas, Regi"

"Me respeite?"

E a conversa se prolongou até a madrugada. Elas estavam realmente com uma afinidade preciosa mesmo com poucas semanas de amizade. Amizade? Amizade.

Os dias passaram, e para o azar de Emma, Regina estava a tratando como sempre tratou. Pobre menina, achava mesmo que Regina chegaria segunda toda cheia de beijos, mas nada disso. Ela nada podia fazer a não ser conter o famoso crush que havia nutrido pela morena. Emma estava encrencada.

Um mês e alguns dias haviam se passado desde que o "clã das najas" (nome carinhosamente adotado para o grupo) havia se conhecido. Peter e Killian estavam com o namoro quase engatado, Kristin ainda tentava dobrar Zelena e convence-la a ter algo mais sério. Mulan e Ruby continuavam muito apaixonadas. Regina e Emma, bem, as velas.

••
~Regina

Naquele dia acordei com um pouco de dor de cabeça, creio que tenha sido porquê não me alimentei direito ontem. Fiz o que tinha de ser feito, arrumei-me e hoje por quase um milagre tive vontade de me maquiar mais que o normal. Delineei os olhos, alonguei os cílios e pus um batom vinho na boca. Eu era da turma de garotas que realmente não ligava pra horário quando o assunto era batom. Eu amava batom, sério.

Tomei café com papai, minha mãe ainda dormia por causa dos remédios que ela tomava. E minha irmã só acordaria mais tarde. Despedi-me do meu velho e fui esperar o ônibus 5 minutos antes do horário que ele passa. Era bem perto da minha casa e exatamente 6 minutos depois estava eu lá dentro. Santa pontualidade. A viagem não era tão longa e hoje não havia trânsito, mesmo assim pluguei os meu fones e observei o caminho pela janela. Eu nunca perderia esse hábito. Mas hoje, algo "latejava" em minha cabeça e me inquietava. Era Emma.

Eu não sabia o que estava acontecendo, mas desde que nos beijamos na sorveteria sinto-a distante. Distante no sentido de sempre estar na defensiva e parecer ansiar algo, algo vindo de mim. Não sou de muitas demonstrações de carinho. Sempre joguei na defensiva e sabia quando alguém fazia isso. Eu tenho um carinho MUITO grande por ela, mas se eu não perceber algum interesse, nunca passará disso. À não ser que eu me apaixone avassaladoramente, o que a muito tempo não acontece. Fiquei pensando no que poderia fazer durante todo o percurso até a faculdade e parecia que meus pensamentos andavam em círculos. Eu não queria distância de uma pessoa tão especial. Mas não sabia o que fazer pra reverter essa situação.

Cheguei na faculdade e encontrei todos, menos Emma. Talvez fosse melhor assim, não ficaria fantasiando coisas com ela em minha frente. Pouco tempo todos nos encaminhamos para as respectivas salas e as aulas correram bem. Quando eu, Kristin e Killian nos encontramos com o restante do "clã", foi nítida a tensão entre eu e Emma. Hoje totalmente causada por mim que parecia uma criança tentando desvendar como era a cabeça de outra pessoa.

Fomos almoçar no centro de convivência, menos Kristin que tinha um almoço "especial" com minha irmã e não podia atrasar. Como de costume, eu e Emma ficamos de vela. Aquilo pesava ainda mais o clima. O almoço foi tranquilo apesar de.

Ruby e Mulan foram embora, juntas... claro, pois não queriam se atrasar para o trabalho. As meninas davam duro e eram sonhadoras, viviam falando em casamento... Depois que elas foram, pairei em meus pensamentos e fiquei inerte olhando prum ponto fixo. Até que escutei um: "Vou desmaiar..." de uma Emma pálida e soada à minha frente. Ela já pendia pro lado...

••
~Emma

Só tive tempo de dizer um "vou desmaiar" arrastado e depois tudo apagou. Maldito seja.

••
~Regina

Eu fui num pulo até o outro lado da mesa, de encontro com o corpo frio de Emma. Por sorte consegui pega-la antes dela se espatifar no chão.

– Minha nossa senhora das graças, a menina morreu?? — disse Killian pulando até mim
– Vira essa boca pra lá, Kill! — respondeu Peter que também estava ao meu lado e abanava Emma com o cardápio que buscou em outra mesa
– Gente, ela tá fria, eu não sei o que fazer... Mas ela tá respirando, olha — pus meu indicador rente ao nariz dela — consigo sentir o ar quente, mas ela tá toda molenga...
– Amiga, senta do lado dela e tenta molhar o rosto dela com água! — Killian disse
– Isso, vou comprar a água e vcs não deixem de abanar e nem deixem que muita gente fique perto pra não sufocar a coitada! — nessa hora Peter já dava indireta para as pessoas que insistiam em se aglomerar ao nosso redor.

Eu dava tapinhas no rosto de Emma, que estava encostado em meu peito, as costas escoradas em meu braço. Ela estava mais branca que o normal e o lábios pareciam sem sangue e estavam secos. Eu tava ficando apavorada. Quando Peter chegou, até bem rápido, derramou um pouco da água em minha mão livre e a levei ao rosto de Emma. Repeti isso algumas vezes, passei os dedos molhados em seus lábios afim de umedece-los e nada.

– Emma, bisha, eu te ordeno a acordar!!! — Killian falou um pouco alto e chacoalhou a garota que estava em meu braços — vai, mulher, reaja!!!! — nesse momento ela se mexeu e o alívio foi instantâneo
– M-m-as o que é isso? — Emma olhou ao redor mas não se desvencilhou de mim
– Você achou que era a bela adormecida... — falei, risonha, e ela assustou-se ao perceber que estava em meus braços. Me encarou com aqueles olhos assustados e pouco depois ergueu-se em sua cadeira
– Caralho, minha cabeça — ela levou as mãos a cabeça e parecia tentar segura-la — eu vou cair de novo...
– Não, não, não pelo amor de Deus — segurei o rosto dela em minhas mãos — olha pra mim e toma essa água, dá aqui Peter — ele ergueu a garrafa pra mim e eu levei até a boca dela, ela queria recuar, sempre na defensiva... — toma logo!!! — ordenei
– Menina que susto da porra, tu tá louca garota? — Killian falou olhando pra loira
– Eu quase pari o teu sobrinho, viado! — Peter completou e tirou uma risada de todos (agora só nós novamente, pois os curiosos já haviam se dispersado)
– Eu acho que foi o meu filho que fez isso comigo... — Emma falou
– O QUÊ??? FILHO??? — não escondi a surpresa e nós 3 olhávamos pra ela com os olhos esbugalhados
– CONTA ESSA HISTÓRIA AGORA, SAFADA! — Kill ordenou e Emma riu tímida
– Você acha que tem graça? Você tá vendo alguém rir aqui? Não é porque você acabou de desmaiar que a gente vai achar essa confissão de gravidez natural e digna de piada, não, Emma Swan. — falei, autoritária
– Calma, senhora — ela falou ainda em tom abalado — é brincadeira, não tem filho nenhum aqui não — apontou pra barriga — nem poderia, né... Esse é o apelido que dei pro meu problema hormonal, quase todo mês eu tenho essas coisas... — esclareceu. Um "ufaaa" soou de nós três, juntos
– E eu pensando que ia ser titia, fiquei triste! — Peter brincou
– Você precisa se cuidar mais, menininha! — falei a encarando e ela me devolveu um beicinho lindo
– É melhor você ir pra casa, a Mary já foi? Quer que eu fale com ela? — Killian perguntou a Emma e se prontificou, desde que soube que Mary era a mãe dela se sente a íntima da professora!
– Ela já foi sim, eu disse a ela que iria almoçar com vocês e depois daria um jeito de ir pra casa. — respondeu
– Eu levo você pra casa, então — ela ameaçou responder — não adianta teimar, hoje você não vai escapar — senti que minha última palavra deixou-a meio sem reação — sua teimosia não vai te livrar, Emma!
– Eu tô de moto, se pudesse a levaria mas já tem esse encosto — Peter apontou pro "namorado"
– Olha que bisho imundo! — o outro garoto bateu em Peter, que riu
– Não precisa, mesmo. Eu levo ela de táxi, não vim de carro hoje mas táxi é o que não falta — expliquei — vamos? — ela concordou com a cabeça
– Pois cuide bem dela — Peter me olhou com certo sarcasmo — se garanta, viu? — finalizou me dando uma piscada
– Vai te catar, tá pior que esse outro viado maldito! — falei referindo-me a Killian
– Mulher vai embora logo com a morta viva e liga se acontecer alguma coisa! — ordenou
– Não fala assim com ela nem comigo, respeita as caras, imunda! — Emma saiu em defesa, mesmo ainda meio fraca

Rimos enquanto nos despedíamos. Peguei a mochila de Emma e coloquei nas costas, enquanto no ombro livre a alça de minha bolsa estava pendurada. Enlacei nossos braços, fazendo com que o meu servisse de gancho para o de Emma. Ela parecia envergonhada mas não reclamava. Como era um pouco mais alta que eu, se curvou e colocou a cabeça em meu ombro, segurando em meu braço com sua mão livre, enquanto esperávamos o táxi em frente a faculdade. Não demorou muito para que chegasse.

– Me sinto um pouco enjoada... — ela falou, enquanto mantia a posição de antes, agora sentada ao meu lado
– Você quer vomitar? — perguntei, olhando pro seu rosto
– Não, não, é só a dor no estômago, mas ela sempre vem acompanhada de tontura e não quero repetir a cena da faculdade!
– Respira fundo, benzinho, daqui a pouco a gente chega, não vai acontecer nada não... — falei, tentando acalma-la enquanto acariciava seu rosto e o braço

Emma já havia falado a rua onde morava para o taxista e logo já estávamos quase lá. Pouco depois chegamos, eu paguei o táxi mesmo sendo reprovada pela loirinha teimosa. A acompanhei até a porta e quando já dava as costas ela segurou minha mão. Deus é testemunha do que aquilo me causou. "Que negócio é esse, Regina?" pensei comigo.

– Por quê você não fica? Daqui a pouco minha mãe volta pra faculdade e meu pai só chega a noite — "o quê que ela quer com isso?" me perguntei — os meninos pediram pra você cuidar de mim, hein... Se acontecer alguma coisa vai ser culpa sua! — disse, dramática que só ela
– Não te conheci tão dramática... Só fico se você matar meu desejo — disse e ela corou, bingo! — eu tô com desejo de comer coisa doce, tem algum doce aí? — vi sua expressão mudar e ela rir aliviada
– Tem sim, tem vários, vamos... — me deu passagem e entramos. A casa de Emma era extraordinária.

Eu estava na sala quando Mary apareceu e foi, como sempre, super simpática. Tive que explicar o que havia acontecido com Emma, porque ela não iria falar. Preocupada, me explicou o que a filha sofria desde quando teve seu primeiro ciclo. Ela fazia acompanhamento e havia melhorado muito, mas nos últimos meses estava desleixada.

A mais velha tratou de dar uma lição de moral a qual assisti, embora direta e séria ela era muito gentil e delicada. Dava pra sentir a preocupação e o quanto ela era um ser humano lindo. Ao final, se despediu e surpreendeu-me:

– Regina, eu sei que é a sua primeira vez em nossa casa e já disse que pode ficar a vontade, mas... — pausou, dramaticamente, já sabia de quem Emma havia puxado aquilo — você vai ficar cuidando de Emma, certo? Vou confiar o meu tesouro pra você!
– Ah, sim, Mary! Pode deixar que eu vou ficar com ela até que ela esteja bem e qualquer coisa insisto para que ela te ligue. Ok?
– Boa menina! — falou e beijou o topo da minha cabeça, maternalmente — agora preciso voltar pro trabalho! Fiquem bem, tá?

Despediu-se com beijos em Emma e falou mais algumas precauções. Logo saiu da casa e vimos sua Evoque vermelha passar, imponente.

– Eu vou subir pro meu quarto, você vem junto ou vai ficar aí velando as ordens da mamãe?
– E eu lá tenho escolha? — fiz cara séria, ri e a acompanhei

Notas finais
Gostaram? O que acham que vai acontecer na casa da Emma, hein? Comentem, por favorsinho! É tão importante. Seja crítica, seja elogio, seja dúvida, comentem! Ajuda demais. Ah, outra coisa: o que vocês acham d'eu postar um capítulo a cada dois/três dias? Me digam! Obrigada e um beijo! ❤️