Two lines

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Oi, lindxs. Faz um tempinho que não atualizo, aconteceram MUITAS coisas durante esses 13 dias que não pude postar esse capítulo. Uma delas foi a perca total de meu computador, o que implica numa fic sendo postada pelo celular. Mas, é isso aí. Cada dia um tombo diferente! Bem, esse capítulo é só de SwanQueen. Elas duas. Somente uma pela outra. A música que usei no capítulo é essa: http://youtu.be/vy0NySCmuFU Recomendo que escutem! Além de linda, vcs se sentirão ainda mais próximas da realidade da fic. O filme que cito, bem, sem comentários. Muito amor por ele. Enfim, boa leitura! Não esqueçam de ler as notas finais...

Logo estávamos no quarto de Emma. Era tão sereno. Ela avisou que iria banhar-se e eu assenti. Teve o cuidado de ligar a televisão que ficava bem em frente a sua cama e deixou o controle perto de mim. Havia um puf enorme, daqueles que se moldam ao corpo, perto da cama e foi tudo que eu pedi a Deus, minha cabeça que voltara a incomodar agradeceria. Me atrevi a tirar as sapatilhas que calçava e fiquei jogada. Estava passando um documentário do Sebastião Salgado, que eu adorava, e não relutei a escolher. Eu realmente adorava aquele homem e parecia um cachorro enquanto olhava um frango naqueles fornos giratórios. É sério. Sério mesmo.

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~Emma

Eu saí do meu closet já trocada. Como havia uma passagem de dentro do banheiro pra lá, Regina não me viu de toalha. Amém? Amém. Vesti um pijama, porque só Deus pra saber o quanto eu só queria passar o dia deitada. Vegetando.

Quando eu ia chamar Regina, resolvi parar na porta do closet que ficava do lado da cabeceira da cama. De lá eu via uma Regina em frente a tv, esparramada no meu puf, apoiando o rosto nas mãos que estavam coladas por suas palmas. Ela parecia um anjinho. Quando pensei nessa palavra, nossa me reprimi demais. "Anjinho? Que é isso, amada". Mas era mais forte que eu. "Trouxa, você é muito trouxa, Emma. Olha como você está a admirando... Parece que vai babar a qualquer momento... Mas, tão bonito o jeitinho, né? Olha que coisinha mais linda aí na sua frente, eu sei que você ficaria horas olhando pra ela..." fechei os olhos e chacoalhei a cabeça, eu sempre tinha monólogos muito sinceros. Parecia um diabo e um anjo. Eu e minha consciência.

Regina estava tão concentrada que não percebeu nem minha presença, nem meu movimento. Continuei a observa-la... Quando vi que o documentário estava pra terminar e os créditos subirem, resolvi intervir.

– Psssssiu — "assobiei" e ela virou-se, enquanto se espreguiçava. Que cena, meus amigos.
– Eu assisti o documentário todo e você não saia do banheiro... Mas não imaginei que havia passado tanto tempo, tu demorou, né? — franziu o cenho meio brincalhona.
– Na verdade eu estou vendo faz um tempo... Você que não percebeu, senhorita.
– Sério?? Quanto tempo?? Poxa, nem pra avisar...
– Eu não queria atrapalhar — juntei minha cabeça ao ombro, fazendo expressão de "não tenho culpa" — você tava tão concentrada e não queria te tirar da posição que estava, era muito bonitinho! — confessei.
– Bonitinho? — franziu o cenho de novo.
– É, Regina. Bonitinho. Você tava com as mãos juntas e seu rosto deitado nelas, parecia um anjinho... — "NÃO ACREDITO QUE FALEI ISSO ALTO", o grito na cabeça ecoava...
– Gostei de como me apelidou — ela disse e eu corei — eu tenho que ir...
– Ué, como assim? Você prometeu pra minha mãe...
– Você parece beeeem melhor e eu acho que estou com enxaqueca, desde cedo minha cabeça dói... — ela explicou.
– Olha, eu realmente estou bem melhor, mas aqui tem remédio para enxaqueca e isso não é desculpa pra você ir embora. Ainda tenho que te mostrar meu tesouro, moça.
– Hmmm... Tesouro? O que me diz sobre ele?
– É algo que você quer tanto quanto eu — sorri ao dizer e me aproximei dela, ela continuava no puf, mas de bruços, com aquela bunda maravilhosa pra cima, olhando em minha direção com as mãos apoiando o queixo — sua mão deixou uma marca no seu rosto — passei as costas dos dedos descendo da testa para o queixo de Regina, seguindo a marca. Ela fechou os olhos, sei lá porquê — inclusive, você tá linda de gatinha...
– Linda de gatinha? — perguntou confusa, me encarando.
– É por causa do delineador de gatinho — ri — você fica muito bem com essa maquiagem! — tá, eu já tava chegando perto da humilhação. Isso é ser mais que trouxa!
– O que a maquiagem não faz, né? — ela respondeu, envergonhada.
– Regi, você é linda de qualquer jeito...

Ela me "respondeu" colocando, agora, as mãos em seus olhos e sorrindo. Ela era tão charmosa que eu chegava a ficar triste. A levei até a cozinha, dei o remédio que ela precisava, tomei o meu e mostrei a ela uma parte do armário que era só minha. Tinha chocolate, biscoitos, bolachas e vários tipos de finni. Eu amava doces? Amava doces. Ela parecia criança escolhendo. E incrivelmente escolheu todos os meus preferidos.

– Esse era meu tesouro! — falei.
– Que tesouro m a r a v i l h o s o! — disse e sorriu enormemente.
– Agora a gente pode assistir um filme? Ou série? Você que sabe. Eu só quero poder estar deitada em minha cama...
– Podemos sim, sra. Depois desse caça ao tesouro eu não negaria um desejo de vossa majestade! — ela fez uma reverência engraçada. Regina era muito engraçada.

Enfim, subimos de volta para o quarto. Escolhemos "As Vantagens de Ser Invisível" e nos acomodamos na cama. Ela estava ao meu lado, na minha cama. Mesmo que com meio metro nos separando. Eu não podia acreditar?

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~Regina

Eu estava na cama da Emma, assistindo um dos meus filmes preferidos da vida. Charlie era meu eu exposto. Literalmente. Bem no começo, quando tocou "Asleep" e vi Emma cantarolando, não segurei o sorriso. Aquela música era muito especial e saber que ela conhecia me deixava feliz, é, feliz...

O filme já estava pra lá da metade e nós estávamos mais próximas, não sei explicar como, magnetismo? Talvez. Na cena em que Charlie e Sam conversam na véspera da viagem da garota, Emma pousou sua cabeça em meu ombro. Senti necessidade de falar o que me atormentava. Embalada por uma Sam indignada, soltei:

– "Eu não quero ser a quedinha de alguém, quero que a pessoa se apaixone por quem eu sou" — falei no instante em que Sam fala isso para Charlie e a encarei, de cima.
– Isso foi uma indireta? — ela falou, me olhando, meio confusa.
– Digamos que sim... — disse, sustentando o olhar.
– B-bom... Não sei porque diz isso... — ela respondeu e aquilo me fez afastar-me e a encarar.
– Emma, eu não sei o que você quer — ela fez menção de responder mas não deixei — desde quando nos beijamos, na sorveteria, você me evita... Não sei bem se essa é a palavra... Eu sei que você se arma toda vez que eu estou na mesma roda de conversa que você e isso é bastante frequente, convenhamos. Você está sempre na defensiva, mesmo quando eu quero te fazer uma gentileza, hoje na hora que eu te dei água depois do seu desmaio foi um exemplo — ela ouvia tudo com atenção mesmo com a cabeça meio baixa — e eu realmente não sei o que eu fiz. Não sei o que você quer com isso. Sinceramente. — terminei.
– Olha... — ela respirou fundo, me encarou e continuou — eu também não sei porquê depois que nos beijamos você não deu a mínima. Poxa, Regina, foi um momento tão legal, não foi? Você não concorda? — assenti, serena, com a cabeça — pois bem... Na segunda após o "acontecido" — fez aspas com as mãos — você simplesmente me tratou como se NADA houvesse acontecido e eu pensei: "porra, vai ser vacilo levar isso adiante ou tentar qualquer coisa, já que pra ela não foi nada", aquela era a minha verdade. Então tive que me defender. — terminou, meio esbaforida.
– Tá, eu posso ter sido fria, me desculpe, mas eu sou meio durona. Não gosto de ficar demonstrando nada. E, poxa vida, Emma — indignei-me — quando estamos na frente da pessoas você é uma coisa. Quando nos falamos pelas redes sociais, outra. E não me diz nada diretamente. Eu também não posso adivinhar... — ela me olhava um tanto assustada, (acho que também porque gesticulo muito) nem terminei e ela já me cortou.
– Mas você não dava brecha, Regina!!!! — nessa hora ela ficou realmente indignada — Eu sustentava seu olhar no meio das conversas, tentava sentar sempre próxima a você, sei lá, mesmo depois da segunda, na primeira semana, eu ainda tentei me aproximar... mas você não dava brecha e era sempre indiferente!!!

Levei minhas mãos às minhas têmporas e tentava massagear. Minha cabeça parecia que ia explodir. Eu coloquei a culpa toda em Emma, sendo que eu também tinha minha parcela de culpa. E, porra, minha cabeça tava latejando mais que antes. E acho que daqui uns minutos ela vai latejar mais. Eu detesto esse tipo de resposta do meu corpo.

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~Emma

Acho que me exaltei demais. Depois que acabei de falar Regina baixou a cabeça e começou a massagear a região de suas têmporas, com os olhos fechados. Aí que fui lembrar que ela estava com dor de cabeça. Mas foi ela que começou, não foi? Caralho, eu sou muito burra.

– Você tá bem? — falei, pegando em seu ombro — me desculpa, eu quase gritei e você estava com dor de cabeça, eu sempre faço merda... — disse, com sinceridade.
– Não é nada... Fiquei meio nervosa, também, e meu corpo sempre dá um jeito de responder... — ela falou, sem mudar de posição e sem abrir os olhos.
– Eu posso fazer uma coisa? — perguntei.
– Emma, eu não estou em condições pra rodeios! — ela me lançou aquilo e putz, ela sabia como dar uma cortada, mas ainda sim insisti.
– Eu só quero te dar um pouco de carinho... — falei, envergonhada e abri os braços — não custa ceder um pouco, né?
– Não, não... não custa. Desculpa se fui grossa, é que fico estressada quando tô assim e... — nem a deixei terminar, a puxei pro meu peito.

Apoiei meu corpo na cabeceira da cama, em cima dos travesseiros, e Regina ficou sob o meu peito, meu braço se apoiava em suas costas. De olhos fechados, contorcida em uma conchinha solitária, ela só grunia as vezes. Acho que pela dor. Eu acariciava suas costas com a mão do braço de apoio e com a livre, passava pela extensão do seu braço e rosto. Aquele momento fazia meu coração ferver. Ela era tão importante... Estar com ela assim tão frágil em meus braços era mágico... Até que de surpresa a ouvi cantarolar, com a voz abafada:

"Sing me to sleep, sing me to sleep... I don't want to wake up on my own anymore..."

(Cante pra eu dormir, cante pra eu dormir... Eu não quero mais acordar sozinho...)

Reconheci a letra de "Asleep". Fiz questão de completar, baixinho:

"Sing to me... Sing to me... I don't want to wake up on my own anymore... Don't feel bad for me, I want you to know deep in the cell of my heart, I really want to go..."

(Cante pra eu dormir... Cante pra eu dormir... Eu não quero mais acordar sozinho... Não se sinta mal por mim, eu quero que você saiba do fundo do meu coração, eu realmente quero ir...)

Cantei, calmamente, sem parar de lhe acariciar. Ela abriu os olhos, e me encarou, ela estava na alta do meu tórax e olhou-me de baixo.

– Se você continuar assim, além de me apaixonar, eu vou dormir... — ela falou e com certeza ouviu meu coração disparando.
– Esse é o intuito... Agora, sssshiu, vai dormir... — ela me sorriu com os lábios e com os olhos. Linda! Regina era linda!

Ainda cantarolamos mais um pouco da música e logo senti que ela havia dormido. Ali, nos meus braços. Eu realmente não podia acreditar. Agora pouco ela que me cuidava e agora sou eu. Fora que ela me cobrou explicações. Sim, explicações!!! Estava em estado de graça e, mesmo eufórica por dentro, também peguei no sono. Dormimos. Nós. Nós dormimos.

••

Umas duas horas deviam ter se passado. Ou até mais. Quando acordei Regina coçava o nariz enquanto bocejava e esticava as pernas, meio que se espreguiçando.

– Te acordei? — ela perguntou.
– Acho que não muito... — ri.
– Nossa, que horas são? A gente dormiu muito, já tá escurecendo!
– Que eu saiba você não tem nenhum filho pra se preocupar... Ou tem? Meu Deus, você tem um filho, Regina? — disse, fingindo seriedade e ela gargalhou.
– Não, doida, não tenho não, graças a Deus! Eu só falei por causa do anoitecer mesmo... — respondeu — não tô reclamando, inclusive é muito bom ficar aqui... — se aninhou em mim como pôde.
– Ah, é, senhorita?
– É, sim, cala boca! — bateu no meu braço.
– Vejo que já está melhor da dor cabeça...
– Mas você não se cala mesmo, né? Pelamor! — se desvencilhou e quando ela ameaçou virar a puxei.
– Pra onde você pensa que vai? — disse a resgatando em meus braços.
– Ué?
– Ué nada. Vem pra cá que ninguém mandou você sair e eu ainda tô com um sono descomunal, esses remédios são horríveis!
– Eu sei que você quer é que eu fique perto de você, isso sim, Emma! — disse, voltando a se aninhar.
– Se não quiser, sai, oras — brinquei.
– Agora vai ter que aguentar!

Rimos e eu aproveitei pra beijar sua bochecha. Várias vezes. Numa delas, numa jogada de mestre, Regina me deu um selinho. Que passou a ser um beijo calmo. E depois sorriu. Eu também, pena que ela não via de olhos fechados. Pena não, me livrei dela ver a cara de bobona que fiz.

– Vai ser diferente a partir de amanhã? — ela me perguntou depois de um tempo, quase em sussurro, acho que pensou que eu estivesse dormindo.
– Você quer que seja? — respondi retoricamente.
– Unhum...
– Então a partir de amanhã tudo será diferente.

Agora eu que dei o selinho. E logo caímos no sono de novo... Juntas. Eu já contei isso? Sim. Nós. Juntas.

Notas finais
Confesso que depois que escrevi esse cap fiquei horas imaginando tudo. Achei uma situação muito preciosa! Vcs gostaram? EU PRECISO SABER. Sério. Queria muito saber do que vcs gostam e do que não gostam, também. É tudo muito importante pra quem desenvolve a história. Então, me deixem um review maroto, por favor. ❤️ AH! Obrigada pelos mais de 1000 views da fic. Muito orgulho! Um beijo e espero voltar em breve!