Two Pieces

18 Capítulo 17


Notas iniciais
Curto.. infelizmente.. ando tão cansada e tão sem inspiração em TP..

Rachel suspirou vendo Brody fazer Mia gargalhar. Ele estava fazendo a menina voar pela sala, os cabelos escuros que haviam caído começavam a nascer e Mia parecia mais forte a cada dia.

– Ela te adora. – Comentou com um pequeno sorriso. – Quando você não está parece que ela te procura.

Brody se virou olhando para Rachel, seus olhos azuis esquadrinharam o rosto da mulher.

– O que há de errado? – Perguntou ajeitando Mia em seu colo.

– Por que teria algo errado? – Rachel desconversou cruzando os braços.

– Quinn não está aqui. – Brody arqueou as sobrancelhas. – Tenho a impressão que você a mandou embora.

– Quinn é bem grandinha. – A Berry fechou a expressão.

– Viu, tem algo errado. – Segurou Mia que se jogava para a mãe.

Rachel suspirou olhando para a filha no colo do rapaz, olhou em volta apenas para ter certeza que estavam sozinhos.

– Preciso te contar uma coisa. – Se sentou no sofá, sua postura ereta e rígida.

Brody se sentou ao lado dela deixando Mia em pé com os pézinhos sobre a sua coxa.

– Diga.

– Eu… eu… — Rachel parou engolindo a saliva. – Eu… fiz alguns exames…

Brody franziu as sobrancelhas grossas olhando para o perfil de Rachel, a morena se recusava a olhar para ele. Rachel abaixou a cabeça lambendo os lábios secos.

– Posso ter câncer. – Soltou de uma vez fechando os olhos bem apertados.

Brody sentiu como se alguém tivesse lhe dado um soco no estômago, fez Mia se sentar sobre a sua perna ignorando o choramingar da menina. Olhou para Rachel em silêncio, a morena manteve seu olhar focado na estante e a postura impecável.

– Onde? – A voz dele saiu rouca.

– No seio esquerdo. – Mordeu o lábio fechando os olhos. – Mia não está correndo o risco.

Brody se levantou e colocou Mia no carrinho que estava na sala, voltou para Rachel e se ajoelhou na frente dela.

– Olha pra mim. – Pediu em voz baixa atraindo o olhar de Rachel. – Eu to aqui e eu não vou sair daqui. Eu vou estar do teu lado em cada etapa que precisar passa, você estando ou não com câncer. Quinn foi embora por causa disso?

– Não, eu pedi para que ela fosse. – A lágrima traíra escorreu pelos seus olhos. – Eu precisava de um tempo.

Brody ergueu a mão e secou a lágrima com o polegar.

– Vamos passar por isso juntos e não pense nem por um segundo que vai conseguir me tirar do teu lado. – Ele sussurrou segurando as mãos da mulher.

– Eu precisava que você soubesse. – Abaixou a cabeça. – Mia pode precisar muito de você.

– Rachel. – Ele a chamou outra vez. – Vou cumprir todas as minhas funções de pai com relação a Mia, com isso você não precisa nem se preocupar. Estou aqui te garantindo que vou cumprir com minhas funções de amigo, de companheiro, de pai da tua filha.

– Eu sei. – Rachel sussurrou com um sorriso pequeno. – Só espero que não precisemos disso.

Brody se inclinou beijando as mãos de Rachel.

*

Quinn se inclinou sobre a grade da varanda, seu rosto sendo tocado pela brisa salgada que vinha do mar. O som das ondas se chocando contra as pedras logo abaixo dela tinham a função de acalmar seu coração traiçoeiro. A madrugada já estava alta e mesmo assim ela não conseguia dormir, já perdera a conta de a quantos dias não conseguia ter uma noite descente de sono. Abriu os olhos quando sentiu o celular vibrar no bolso do short que usava.

– Alô?

– Não consegui dormir a noite inteira. – O sussurro de Rachel chegou aos seus ouvidos.

– Eu também não. – Olhou para as águas escuras. – Estou na varanda tentando… não sei…

– Não pense em pular. — A pequena nota de sorriso na voz de Rachel.

– Quando saem os resultados? – Quinn suspirou.

– Em uma semana. – Rachel sussurrou outra vez. – Mia hoje conversou o dia inteiro… ela sorria toda vez que ouvia o seu nome.

– Estou morta de saudades dela, de Beth e de você. – Quinn sussurrou.

– E as gravações? Como estão?

­– Você sabe que ainda não gravamos nada, estamos apenas nos ensaios e provas de figurinos. – Quinn suspirou esfregando a nuca. – Como elas estão? Como você está?

– Está tudo bem, comigo e com as meninas. – Ouviu o suspiro que a morena soltou. – Contei para o Brody sobre…

Quinn se endireitou fechando os olhos.

– Bom, isso é bom.

– Eu precisava que ele estivesse preparado. – Rachel sussurrou. – Quero que me prometa uma coisa.

­- O que?

– Se eu morrer… me prometa que ajudara o Brody a cuidar dela.

– Rachel. – Quinn bronqueou. – Isso não vai acontecer.

– Quinn, eu preciso disso.

– Mas, isso não vai acontecer.

– Por favor, me prometa isso. Preciso de um pouco de paz de espirito, preciso saber que… que ela não vai…

– Mia terá você para ensina-la tudo que uma mulher deve saber. – Quinn apertou a barra da varanda.

– Estou te pedindo. – Conseguiu ouvir o tom de choro da mulher. – Estou te pedindo Quinn.

Quinn respirou fundo fechando os olhos.

– Eu te prometo que… independente do que acontecer… eu terei um papel fundamental na vida de Mia.

– Obrigada. – O murmúrio da morena veio fraco, o leve fungar.

– Rachel… — Quinn sussurrou.

– Sim?

– Eu te amo.

* Dias depois *

– Meu Deus, não vou ber minha filha crescer. — Rachel soluçou, estava encolhida na cama.

Quinn estava sentada ao lado dela acariciando os cabelos de Rachel, a loira suspirou fechando os olhos.

– Não pense assim. — A loira sussurrou.

Rachel se ergueu a encarando com os olhos vermelhos.

– E o que você quer que eu pense? — Rachel exigiu irritada. — Em como vou ficar linda sem seios? Sem cabelos? Magra? Em um caixão?!

– Para! — Quinn a segurou pelo rosto. — Rachel não aceite isso como uma sentença de morte.

– E como devo aceitar? — Rachel elevou a voz.

– Nunca parou para pensar que todas as tuas escolhas te trouxeram até aqui? — Quinn respondeu. — A este momento.

– A culpa é minha então? Da vida que levei? — Rachel grunhiu se levantando. — Fala como o seu pai. Sou uma pecadora pagando pelos meus pecados.

– Eu nunca diria isso, não me compare a ele. — Quinn se defendeu. — Estou dizendo que você teve uma vida ótima, linda...

– Então continuou sendo castigada, mas agora é por ter tido uma vida muito boa? — Rachel gritou a encarando incrédula.

– Não! Não é um castigo. É vida! — Quinn devolveu. — É uma sentença de vida.

– Uma doença extremamente grave é uma sentença de vida? — Rachel soltou uma risada sarcástica. — Meu Deus, Fabray você é louca.

– Não sou, não sou louca e não me chame pelo sobrenome. — Quinn se levantou, enfrentou Rachel. — Não tiro a gravidade da doença, de maneira alguma, mas não vou ficar presa a isso. Você recebeu uma dádiva Rachel e não uma condenação. Uma segunda chance é o que você tem, a chance de aproveitar os mínimos detalhes que todos deixam passar. A chance de dar o real valor a cada sorriso de Mia, a cada novidade da Beth. Sentir todas as emoções que a dança e a atuação podem te causar como se fosse a primeira e a última vez. Ter conversas com os teus pais sobre coisas que você sempre quis, mas nunca teve coragem.

– Então eu troco minha dádiva pela tua condenação de ter uma vida saudável. — Rachel se mexeu pegando o casaco e a bolsa.

– Onde você vai? — Quinn a segurou pelo braço.

– Sair, tenho decisões a tomar e você também.

– Não tenho nada para pensar. — Quinn a puxou para si, mas Rachel se afastou.

– Tem sim e eu também, temos que pensar se continuar juntas realmente vale a pena e eu tenho que pensar se na hora em que esta tua visão tão romântica desmoronar e você correr como sempre faz, vai terminar de me matar ou não.

Quinn ficou parada até o momento em que a porta da sala bateu, então ela se sentou na beirada da cama e suspirou. Tinha muito em que pensar.

Notas finais
@just_someone13 e ask.fm/PSomeone