Two Dimensions, One Fate
5 O outro ponto de vista
Notas iniciais
A porta que aparentemente dava para o banheiro se abre e Alphys volta para perto dos demais monstros um pouco mais esperançosa, mas apenas o suficiente para não ficar de cabeça baixa. Ela teve uma conversa com seus amalgamates enquanto esteve no True Lab, e eles fizeram o que puderam para animá-la.
Isso era triste. Os amalgamates entendiam a situação difícil de Alphys e faziam de tudo para ajudar a mesma, e ela ainda não se sentia capaz de fazer a única coisa que os animaria: deixá-los voltar para suas casas e famílias. Mas, agora, era ainda pior, pois aos poucos as "famílias" estavam sendo exterminadas pela determinação de Chara.
Ao perceber o retorno da cientista, Sans rapidamente foi contar o ocorrido, pois Alphys 1 não tinha coragem de dizer a verdade. Respirou fundo e foi o mais direto que conseguiu.
— Alphys.
— O quê?
— Uma das Shyrens morreu.
E ela olhou para a porta que fingia ser de um banheiro, mas era do True Lab, sem reação. O amalgamate Lemon Bread tinha perguntado de Shyren.
— E a outra?
— Nem apareceu. Talvez estivesse escondida, talvez já tinha fugido... Sei lá, só sei que ela não acabou como a outra.
— Hum...
O esqueleto apenas voltou para perto do irmão sem falar mais nada. Ninguém ali estava feliz, mas Alphys 1 agradeceu Sans por ter contado por ela. A versão 2 de Alphys tentou evitar, mas acabou deixando algumas lágrimas caírem enquanto voltava para perto do telão.
Quebrando o silêncio e o clima solene, uma caixa de metal entra no laboratório com velocidade.
— Cheguei, queridos! Alguma coisa importante que...
Antes que pudesse terminar de falar, Papyrus saltou sobre Mettaton, o derrubando, enquanto exclamava sobre o quanto estava feliz de conhecer seu ídolo. Tudo o que o robô conseguiu pronunciar foi:
— Quanto amor!
Alphys 1 ria da situação. Sans estava contente de ver a felicidade do irmão, mas tinha receio de que Mettaton fosse rude. Alphys 2 focava o telão, embora tivesse visto a cena. Mettaton não conseguia se levantar, Papyrus ainda estava em cima dele, mas não ficou irritado ou algo do tipo. Na verdade, estava era curtindo o carinho do fã.
Só depois de quase um minuto que Papyrus percebeu o que tinha feito e ajudou Mettaton a se levantar enquanto se desculpava dramaticamente.
— Por favor, não me odeie! Eu juro que foi sem querer!
O robô deu uma breve risada, achando o drama engraçado.
— Calma, fofo! Eu nunca iria te odiar! Você é uma das pessoas mais carinhosas que eu já conheci!
Sans, mais aliviado, resolve ver o que os humanos estavam fazendo. Sua expressão alegre simplesmente some.
— Papyrus... Aquela sua amiga está atacando os humanos.
— A Undyne? Oh, eu falei para ela não fazer isso! Bem, acho que eles vão ter que tomar cuidado por onde andam, mas tenho certeza que vai ficar tudo bem!
Sans já estava com um frio na barriga (esqueletos têm barriga?) de ver todas aquelas lanças quase acertarem as crianças. Estava se preparando para ir até lá. O que faria? Não sabia ao certo, provavelmente tentaria dizer algo para fazer Undyne parar. Estava prestes a ir para Waterfall quando viu que sua segunda versão e a própria Toriel já estavam lá. Apesar do alívio de saber que não teria que sair do lugar, outra preocupação surgiu: Toriel e Sans 2 estavam sendo atacados. Undyne era forte, todos sabiam disso.
O esqueleto, no final, apenas respirou fundo e torceu pelo melhor.
~~ Um pouco antes, na Waterfall ~~
Toriel andava muito devagar, ainda não tinha se recuperado.
— Vem Tori, ou vamos ficar para trás!
— Sim, sim, você está certo.
Ela respira fundo e acelera um pouco o passo, se aproximando de Sans, que estava na frente.
No entanto, conforme andavam, uma música é ouvida de longe. É uma música familiar para Toriel.
Ela começa a correr na direção do som, deixando Sans para trás.
— Ei, aonde você vai?
— EU RECONHEÇO ESSA MÚSICA!
Ele tentou ir atrás dela, mas correr realmente era algo que ele não gostava.
Toriel foi chegando cada vez mais perto da origem da música, até a hora em que encontrou o que procurava. Lá estava ela, imóvel: uma estranha estátua de pedra, fechada em uma sala escura, com um guarda-chuva encaixado. Era de lá que vinha a melodia.
Sans observou Toriel enquanto ela mantinha seu olhar triste fixado na estátua. Sim, ele apareceu lá.
— De onde você reconhece essa música?
Ela ia contar, mas se lembrou que era melhor manter segredo.
— Eu prefiro não falar sobre isso.
— Bem, se é assim que você quer, não vou insistir, mas saiba que estou aqui caso queira desabafar.
— Okay, obrigada.
O esqueleto resolveu se apoiar na parede. Embora quisesse continuar, escolheu ficar por perto. Toriel se ajoelhou e abraçou a estátua como se a mesma fosse uma criança. Não tentou segurar o choro e simplesmente deixou as lágrimas rolarem.
Flashback ON
Toriel: — Minhas crianças... Já faz um tempo que não vejo a caixinha de música e nem a ouço tocar. Por acaso perderam ela? Posso ajudar a procurar.
Chara: — Nós escondemos ela.
Toriel: — Esconderam?
Asriel: — É, e daqui uns anos, vamos brincar de caça ou tesouro e encontrar todas as coisas que escondemos!
Toriel: — Entendi... Daqui mais ou menos quantos anos?
Chara: — Eu não sei. Que tal dez, Asriel?
Asriel: — NÃO! É muito tempo! Eu estava pensando em dois!
Chara e Toriel riram.
Chara: — Mas aí fica muito POUCO tempo! Lá na superfície, normalmente as pessoas esperam vinte, trinta anos!
Asriel: — MEU DEUS, HAJA PACIÊNCIA!
As duas garotas riram de novo.
Chara: — Eu também acho que é exagero, só dez está bom.
Asriel: — Dez é muito também. Prefiro dois. Afinal, eu quero a caixinha de volta! Gosto daquela música.
Toriel: — Que tal seis anos, então?
Chara: — Por mim, fechado.
Asriel: — Tudo bem, melhorou um pouco. Depois de seis anos, a caixinha estará de volta, mamãe!
Flashback OFF
E, no final, a caixinha nunca voltou pra casa.
— Sans.
— Yup?
— Vamos.
Toriel saiu puxando Sans pelo braço. Foi bom lembrar de como as coisas eram antes, de como a vida era feliz, mas tinham que prosseguir. As crianças humanas estavam na frente, e eles precisavam acompanhá-las.
Chegaram na sala dos guarda-chuvas, onde Sans pegou um, mas Toriel simplesmente tirou o objeto da mão dele.
— Você é baixinho, eu posso carregar por nós dois.
Sans concorda, sem muitas opções. Os dois vão caminhando pelo corredor chuvoso. Pra quebrar o silêncio, o esqueleto começou a contar algumas de suas piadas, animando um pouco o passeio, mas a melancolia voltou com tudo quando eles chegaram naquela parte sem teto, onde se tem uma das vistas mais bonitas do Underground.
Aquela estrutura no fundo era o castelo de Asgore, e ele enchia Toriel de lembranças, tanto boas quanto ruins. Sans ficou em silêncio, provavelmente aproveitou o momento para refletir também. Depois de um curto tempo, Toriel não aguentou mais pensar em Asgore e voltou a andar. Sans ainda ficou alguns segundos tomando chuva enquanto olhava para o horizonte até perceber a ausência da cabra. Toriel sentiu a manga de seu vestido sendo puxada.
— Hey, você me deixou para trás.
Era Sans, que apareceu embaixo do guarda-chuva.
— Desculpe.
Andaram mais um pouco e logo chegaram na sala com o muro. Toriel se perguntava como ela e Sans subiriam enquanto retornava o guarda-chuva, mas assim que virou, o esqueleto já estava em cima do muro. Ela já tinha acostumado com essa dele de aparecer nos lugares, mas ainda achava estranho.
— Como eu vou subir?
— Hum, deixa eu ver... Cabras voam?
Toriel deu uma breve risada, pensando que Sans estava a zoando.
— Infelizmente não.
— Então vai ser a primeira vez que você vai voar?
Ela paralisou, um pouco assustada com a pergunta.
— Err... Como assim?
Antes que Sans pudesse responder, ela sentiu uma coisa estranha em sua alma. Olhou para o amigo, na intenção de perguntar o que estava acontecendo, e viu que um dos olhos dele piscava em azul e amarelo.
— ... Sans?
Toriel parou de sentir o chão rochoso sob seus pés e, quando olhou para baixo, viu que estava flutuando!
— SANS, O QUE É ISSO?!
— Rápido ou devagar?
— ME PÕE NO CHÃO!
— Heheh, ok.
O esqueleto tirou a mão do bolso e levantou o braço. Toriel foi parar uns 30 metros acima do chão. Ao abrir os olhos, que tinha fechado durante a subida, e ver seu estado, a monstra abraçou os joelhos e começou a gritar. Sans não conseguiu segurar e caiu na risada. Deu meia volta e levou a mão para baixo. Toriel sentiu que estava caindo e aumentou o volume do grito. Quanto mais perdia altitude, mais ela ouvia as gargalhadas do parceiro.
E, do nada, ela "freiou" e começou a descer devagar. Finalmente, suas nádegas encostaram em uma superfície rochosa, que nunca pareceu tão confortável. Era o tão adorado "chão". Toriel abriu os olhos e encontrou o colega ao seu lado, rindo tanto que até tossia.
— Você está parecendo um tatu-bola, toda encolhidinha!
Ela o encarou seriamente.
— Isso não foi engraçado.
Ele continuou rindo.
— Dá próxima vez que for fazer uma cabra voar, explica o que está acontecendo!
Ele perdeu as forças e caiu no chão, em um ataque de riso. A reação dela tinha sido tão engraçada assim? Talvez. Ela riu brevemente enquanto o ajudava a se levantar.
Os dois andaram mais um pouco. Sans ainda não tinha parado de rir. Toriel o cutucou.
— Sans.
— Oi.
— Sans.
Ele olhou para frente e parou de rir na hora: eram os Frisks, eles estavam em uma ponte enorme e similar a um labirinto. Várias lanças mágicas saíam do chão: um ataque típico de Undyne. Toriel e Sans assistiram sem reação.
Enquanto recuava, um dos Frisks percebeu a presença dos dois e nem viu que estava prestes a ser atingido. Toriel gritou o mais alto que pôde.
— Minha criança, cuidado!
Ele olhou para baixo e viu o círculo. Desviou por pouco.
Toriel não aguentou ver aquilo.
— Eu vou lá, Sans!
NÃO! ERA PERIGOSO!
— Tori, não!
Mesmo assim, ela não parou. entrou na ponte e foi na direção das crianças.
A voz de Undyne era ouvida de debaixo da ponte.
Undyne: — O quê?! Ouço passos! Seja lá quem for que esteja aí, meu assunto é com esses humanos. Sugiro que saia ou vou acabar te machucando!
Nem com o aviso da guerreira Toriel parou. Então, os círculos que sinalizavam que lanças apareceriam começaram a surgir próximos de Toriel. E ela nem mesmo parecia vê-los. Sans entrou em desespero e começou a andar de um lado para o outro, com as mãos na cabeça. Ele foi atrás dela.
Undyne ficou maluca com tanta muvuca na ponte. Sans viu um círculo sob seus pés e saltou para o lado, escapando de um ataque.
Pois é... Ele estava sendo atacado. Todos estavam. E ainda tinha muita ponte pela frente...
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