Twisted Life
5 Se eu estiver com você
Aproveitando um tempinho antes do marcado com Keiko, os dois rapazes dão uma passada rápida na enfermaria para dar uma olhada em Yusei, que estava sentindo algumas dores desde o encontro com o divergente. Logo após isso os dois se dirigem ao salão de treino.
"Aliás... quem é esse tal de Shun que aquela sua amiga citou? Do jeito que ela falou, ele parece ser durão." Pergunta V em tom curioso, enquanto caminham.
"Ah, o Shun... Ele é um cara mais velho que a gente, antes ele tinha o título de mais forte fisicamente, mas quando a Keiko chegou o título tá desde então empatado."
Um sorriso pretencioso cresce no rosto de V. E dando uma leve risada, ele diz:
"Ah, é? Talvez eu queria conhecer esse daí..."
"Mas, se você disse que eles estão empatados... não seria só os dois lutarem para ver quem é mais forte?"
"É.. mas aí tá o porém. Não deixam os dois lutarem para ter um mero "título". A diretoria e os professores acreditam fielmente que a organização é para a segurança pública, e por isso, não temos competições oficiais entre alunos e coisas assim." Explica Yusei.
"Também porque.. os dois lutando a sério poderiam chamar muita atenção, o que é que menos queremos que aconteça."
V concorda com a cabeça, e então estrala seu pescoço, finalmente chegando no salão. Ele abre a porta rapidamente, e entra primeiro, Yusei entra logo em seguida.
O salão está consideravelmente vazio comparado à mais cedo, com poucas pessoas apenas. Kaori e Akiko haviam chegado mais cedo, e estavam conversando com Keiko sobre alguma coisa que Yusei e V não entendem.
Assim que os dois rapazes pisam no salão, Kaori os vê e diz em tom alto e claro:
"Olha só quem chegou!!"
"E essas ataduras, Yusei? Levou umas porradas dele?" Diz Kaori, rindo, enquanto olha para V de relance.
Yusei ri com a pergunta da garota, mas responde num tom apressado:
"Não.. Não! Tá doida? Eu estaria morto se sim."
Keiko, que estava dizendo algo para Akiko, se vira para os outros e diz:
"Vamos! Chega de enrolação. Vamos trocar alguns golpes ou não?"
"Paciência é uma virtude, sabia, Keiko?" Diz Yusei.
V dá uma leve risada, e responde enquanto dá alguns passos em direção ao meio do salão, que estava vazio.
"Não, ela tem razão. Estou curioso para ver se é tudo isso o que dizem."
Keiko segue o mesmo e fica alguns metros de distância, e diz:
"Vou te mostrar. Não tenha pressa."
Quando os dois ficam numa distância aceitável, eles se encaram por uns segundos, antes de Yusei falar:
"Querem que eu conte até o 3??"
Mas, sem contagem alguma, Keiko imediatamente avança contra V, atirando seu punho em alta velocidade na direção do mesmo, mas faz um ataque falso e complementa com uma rasteira, que V percebe por pouco e consegue desviar, eles então se afastam de novo, se encarando. Yusei, Akiko e Kaori ficam surpresos com a velocidade dos golpes da garota, o que também chama a atenção dos outros no salão.
Os dois parecem focados, mas V permanece com seu sorriso de canto. Keiko então novamente avança, tentando o chutar diretamente na barriga, mas ele segura o pé da garota e a puxa para perto, dando uma cabeçada de leve nela, o que a força a se afastar.
Ela se afasta e coloca a mão aonde levou o golpe, e dá uma leve esfregada com os dedos, e olha para V, irritada.
Ela avança uma terceira vez, se aproximando mais rápido que o normal, desferindo um jab de esquerda na direção do rosto de V.
No momento exato do ataque, V bloqueia com seu antebraço, mas rapidamente a garota tenta desferir um soco vinda de baixo, mirando nas costelas de V. Mas com o mesmo braço que bloqueou o soco anterior da garota, ele empurra o ataque, deixando Keiko de guarda baixa.
Ele rapidamente aproveita essa brecha e desfere um soco na barriga de Keiko forte o suficiente para atordoá-la mas não derrubá-la, e então V segura o braço direito da garota, e de palma aberta, ele desfere 2 poderosos golpes na barriga da jovem, e logo em seguida a empurra para longe, a fazendo cair no chão.
Todos ficam surpresos com o fim rápido do confronto, gritos de emoção são ouvidos, o que causa atenção do lado de fora.
A garota se recupera e se senta no chão, visivelmente desapontada. V então se aproxima.
"O que você quer?" Diz ela, sem olhar para ele.
"Ei, ei. Você foi bem até."
"Aquele seu soco que eu bloqueei.. se me acertasse poderia te dar uma boa brecha."
Ela olha de relance para V, ainda visivelmente irritada.
"Não querendo bancar o professor, mas você tem muito a melhorar."
"Você é bruta, e muito confiante."
"Você pensa com os punhos, não com a cabeça, até o seu jeito de andar entrega isso."
Keiko, ainda irritada, ao menos olha curiosa para o que V tem a dizer.
"Mas.. também não tem problema em ser confiante, na verdade, todo mundo deveria ser assim. Porém, confiança em excesso gera arrogância. Você acaba subestimando seu oponente, e aumenta suas chances de derrota."
"Analise seu oponente, descubra o jeito que ele luta, e crie uma estratégia rápida porém eficiente."
"E principalmente-"
Antes que V pudesse terminar de falar, Keiko se levantava e saia do salão, causando uma situação um tanto que constrangedora para ele.
Logo que a garota sai do local, Yusei e as duas garotas se aproximam.
"Mano, isso foi incrível! Você não deu brecha!!" Diz Yusei, com uma expressão de admiração e surpresa.
"Mal consegui acompanhar os golpes... Inacreditável.." Diz Akiko.
"Isso foi loucura! Será que podemos te considerar o segundo mais forte fisicamente?" Comenta Kaori.
V mais uma vez fica satisfeito com a atenção que recebe, mas tenta não deixar esse sentimento subir a cabeça, e responde Kaori:
"Foi só uma troca de golpes.. Isso não foi nada. Mas também não ligo para título algum."
Ele então dá alguns passos, como se estivesse se preparando para sair da sala, mas Yusei o interrompe.
"Não diga isso. Você vai ficar bem famoso por aqui, bom, provavelmente mais do que já vai ser."
V parece ficar interessado com a afirmação do jovem, mas prefere demonstrar não se importar muito.
"Que seja. Vamos mofar nesse salão ou não?"
Kaori faz um barulho de incômodo, e diz:
"Vocês já vão??"
"Sim, vamos sim." Responde V com um pouco de pressa, antes que Yusei falasse algo que o atrasasse.
Sem questionar, Kaori apenas concorda, e os dois rapazes deixam a sala rapidamente.
Assim que saem da sala, V comenta:
"Droga, parecia que estava sendo entrevistado..."
Yusei dá uma leve risada, mas concorda com V.
"Isso é só o começo, cara... É porque esse horário os corredores não estão cheios, se não você estaria parecendo uma celebridade."
"Mas você é realmente muito interessante... Não tem como negar."
"Interessante, é?" Diz V, olhando para Yusei enquanto cruza seus braços, interessado na fala do jovem.
"É, você é uma habilidade muito única, jamais vista antes, claro, sem querer falar pejorativamente."
"Em gerações nunca foi visto alguém como você. Duas mentes num corpo com características próprias..."
"Hmm... entendo."
"Parece que estou com a sorte, hm?"
Antes que qualquer um dos dois pudesse falar alguma coisa, vem se aproximando do fundo do corredor Masato, com sua expressão neutra. Em tom profissional, ele diz enquanto arruma seus óculos com a ponta de seu dedo indicador:
"Então você é o V. A habilidade do Vincent. Alaska disse a mim de imediato."
V olha um tanto que curioso pra o homem de terno, enquanto olha de cima para baixo, de que a certo ponto de vista torne-se arrogante. Masato não se abala pelo olhar do jovem e permanece íntegro, passando então pela dupla. Ele para no meio do caminho, olhando os dois de maneira relaxada enquanto ajeita seu terno, e diz:
"Gostaria muito de permanecer e conversar com você... V. Mas já bateu minha hora de ir embora e a Keiko detesta quando nos atrasamos para voltar para casa."
V faz uma expressão confusa porém curiosa, mas permanece calado esperando que Masato se retire para assim comentar com Yusei. O jovem de cabelos flamejantes responde Masato com seu tom amigável de sempre:
"De boa, professor. Melhor não se atrasar também. Ela já deve estar esperando você no salão de treino."
"Da próxima você troca um papo com o V... eu e ele ainda temos bastante pra conversar!" Termina Yusei, dando uma leve gargalhada enquanto dá um tapa amigável no ombro de V.
Masato então abanando e mão enquanto um leve sorriso se molda em sua face, ele se vira e anda alguns metros, até ficar de frente com a porta do salão entrar no cômodo no mesmo instante.
Assim que Masato sai de cena, V vira sua cabeça para Yusei e o pergunta, com um tom de genuíno interesse:
"Então eles moram juntos, eh?"
Yusei, de maneira relaxada, porém intrigada, responde, enquanto coça sua cabeça suavemente com os dedos:
"É. O professor Masato meio que adotou ela quando trouxe ela pra fundação. História triste."
"Agora fiquei curioso. Vai me contar?" Diz V.
"Claro, claro. Não lembro com totais detalhes mas vou te resumir." Responde Yusei, sorrindo de maneira amigável, enquanto olha em volta antes de começar a falar novamente.
"A Keiko é da organização tem bastante tempo. Desde os 11 anos."
Gesticulando com as mãos enquanto fala, Yusei continua:
"Uma vez Masato me disse que na época ouviu boatos de um casal com filhas "estranhas" no interior. E foi lá investigar."
"Os moradores da cidadezinha falavam que o casal também agia meio estranho. Até demais. Eles eram muito fechados e grosseiros... Principalmente com as garotinhas, no caso, Keiko e a irmã dela."
Balançando a cabeça levemente enquanto coloca sua mão esquerda sob seu queixo, ele olha para Yusei com interesse diante a história, e diz:
"Hmm.. não sabia que ela tinha uma irmã."
"É, ela tem. Só que o mais impressionante é que as duas nem são irmãs de sangue. Uma delas foi adotada, se não me engano. Só esqueci qual delas foi."
"Mas bom, continuando.. Só sei que no final de tudo os pais das duas eram abusivos e elas sofriam maus tratos."
"O professor Masato entregou eles à polícia e acabou se tornando o benfeitor da Keiko. Praticamente adotando ela. Eventualmente ela veio pra organização."
"E o que houve com a irmã dela?" Pergunta V, curioso.
"A irmã dela? Ah, nem lembro cara." Responde Yusei.
"Se eu não me engano ela foi enviada pra Yokohama, e anda pela organização de lá." Termina o jovem.
Respirando profundamente, Yusei complementa enquanto faz um sorriso de canto, o mesmo complementa:
"Mas, mesmo sendo daquele jeitinho dela, não dá pra negar que ela é durona. Nunca passei por algo assim, mas não deve ser fácil superar um trauma desses."
Voltando alguns momentos, Masato entra no salão de treino, e de longe consegue ver Keiko, que havia voltado para o salão para pegar suas coisas via outra entrada. A garota desliza suas mãos suadas sob suas coisas e as juntando com certa pressa, de maneira aborrecida. O homem então anda calmamente até a garota, e mesmo que ela tenha percebido a presença de Masato, ela não diz nada. Ficando próximo, mas não o suficiente para invadir o espaço pessoal da garota, Masato, com um tom calmo e reconfortante diz:
"Desculpe-me a demora, Keiko. Estava resolvendo algo na sala de professores."
"Deixe-me te ajudar." Diz o homem, se oferecendo para carregar as coisas da garota.
Mas ela não permite, respondendo com um tom de incômodo:
"Não, obrigado. Eu estou bem."
Lentamente concordando com a cabeça, Masato de maneira preocupada diz, assim que Keiko se vira e sai andando para a saída do salão e ele a segue.
"Aconteceu alguma coisa? Você parece aborrecida."
Mesmo zangada, ela solta um pouco de ar pela boca, e deslizando sua mão sobre seu pescoço enquanto anda, ela diz:
"Eu te conto quando sairmos daqui."
Dito então, saindo do salão, eles passam por Yusei e V, mas Keiko não fala com nenhum dos dois e passa direto, diferente de Masato que se despede dos dois educadamente, e logo em seguida se aproxima de Keiko novamente.
Já fora da construção e depois de andarem um pouco, Masato entra no banco do motorista de seu carro escuro, e Keiko entrando no carro rapidamente e sentando-se ao banco do passageiro, soltando um profundo suspiro.
"E então, qual o motivo do seu aborrecimento?" Diz Masato, encaixando a chave do carro e dando partida ao motor.
Cruzando seus braços enquanto se ajeita no assento do banco, a garota responde em tom cansado, com um pouco de incômodo:
"Não é motivo de ficar irritada com isso... Mas eu perdi numa troca de socos com aquele frouxo do Vincent."
"Diz o V? Não se preocupe com isso. Não sei muito sobre ele... Mas pelo o que me Alaska disse ele é muito forte. Mas não esquente com isso, é tudo uma questão de tempo até que você se acostume com ele."
"V, Vincent... Tudo a mesma coisa." Murmura Keiko, descansando sua cabeça na janela do carro, e inalando ar profundamente.
"Bom, eu ia te dizer mais tarde, mas se serve pra te consolar, eu comprei um pouco de Dorayaki ontem. Iria deixar para comermos juntos... Mas pode ficar com todos se quiser." Diz Masato
A expressão cansada e zangada da garota se esvai assim que ouve as palavras de Masato, virando sua cabeça levemente do vidro do carro, e o olhando quietamente, porém de maneira amigável. Ela então dá um pequeno sorriso de canto enquanto se vira novamente para a janela, encarando a rua, ao dizer:
"Obrigada..."
No meio do caminho começa a chover levemente, porém as ruas estavam calmas e conseguiram chegar em casa com facilidade, uma casa de dois andares porém simples. Antes de saírem do carro, Masato pega um guarda-chuva do porta-luvas do carro. Saindo do carro, ele abre o guarda-chuva e se aproxima da porta do banco do passageiro, e abrindo para a garota.
Trancando o carro, Masato e Keiko caminham rapidamente para a porta de casa, e encaixando a chave e a girando, os dois entram em casa. Masato num movimento limpo e calmo fecha a porta e a tranca, logo então fechando o guarda chuva e o pendurando num cabide próximo a porta.
"Vá tomar um banho, você suou bastante hoje... Vou fazer o almoço." Diz Masato, sentando-se ao chão e retirando seus sapatos, seguidamente de seu terno, que é pendurado sob seu antebraço esquerdo assim que ele se levantou do chão.
Fazendo o mesmo, Keiko concorda com Masato assim que retira seu par de tênis claros e os coloca na sapateira na entrada de sua moradia, assim então subindo as escadas rumo ao segundo andar, sumindo da visão do homem, que anda até a cozinha.
No segundo andar, Keiko entra no seu quarto, cujo qual é primeira porta do corredor. Entrando no espaço, uma sensação reconfortante toma conta de seu corpo, sentindo-se livre. Ela rapidamente fecha a porta e alcança seu celular, que sempre deixa em casa quando vai para a organização. O aparelho estava carregando numa mesa de estudos de frente a sua cama.
Desbloqueando seu celular, imediatamente começa a responder todas as mensagens que recebeu e fazendo um "check-in" num genérico aplicativo de objetivos pessoais. Ela então deixa o aparelho de lado, e dá alguns passos até seu armário, abrindo-o e gaveta por gaveta, pegando uma muda de roupas e saindo de seu quarto, ela parte até o banheiro, apenas uma porta ao lado.
Mais ou menos após meia hora de Keiko entrar no banho, na cozinha Masato já teria terminado de fazer o almoço. Um delicioso Harumaki. Estaria apenas esperando a garota. O relógio marcava 13:45. E então ela desce as escadas, vestindo shorts de cor cinza claro, com uma camiseta azul escura larga. Seus cabelos soltos e brilhantes, após o uso de um creme de cabelo.
"Desculpe a demora. Preciso dar um pouco de atenção a mais ao meu cabelo quando eu suo desse jeito."
Rindo levemente, Masato se senta numa cadeira, ficando frente a frente com o almoço, então diz:
"Claro, sem problemas. Sente-se, vamos comer. Minha barriga já está roncando!"
A garota então puxa uma cadeira suavemente, e sentando-se, fica a frente de Masato e da comida. E em tom gentil, ela diz:
"Falando de banho... Você também precisa de um. Usar um terno desses nesse sol... não tem condição.
"Estou cheirando tão mal assim?" Questiona Masato, levantando seu braço direito e inalando de leve próximo as suas axilas. O cheiro de suor na camisa branca intoxica suas narinas, de maneira que ele até tussa assim que sente o cheiro, afastando seu rosto e abaixando seu braço.
"Nossa... tem razão. Vou comer rápido e depois tomar um banho..."
Os dois então se calando para poderem finalmente comer, de maneira tradicional, Keiko diz:
"Obrigado pela comida."
Ambos começam a comer levemente, com pequenas quantidades, enquanto conversam.
"Como vai aquele projeto do velho Fukushima?" Pergunta Keiko.
"Ah, é... Já tinha esquecido desse negócio." Responde Masato, lembrando-se do fato.
"Ele parou de informar do progresso. Acho que desistiu, sei lá. Quase ninguém entra naquele laboratório. E o diretor Yamanachi não se importa com o que ele faz lá, então não tem muito o que fazer." Termina Masato.
Keiko parece intrigada, mas abaixa a cabeça, colocando uma quantia de comida na boca.
Engolindo o alimento, ela responde:
"Parou de informar? Hmph... Muito estranho, eu acho."
"Eu ainda acho que ele trama alguma coisa... Das vezes que eu já vi ele, ele agiu muito estranho... muito desconfiado." Completa Keiko.
Coçando o nariz, Masato responde de maneira que soe inteligente:
"Ele é assim mesmo. É um velho de pele enrugada no auge dos seus 60 anos."
"Mesmo assim, acho que deveriam ficar de olho." Responde Keiko, com um tom mais sério.
"É, claro. Tem razão. Mas, vamos terminar de comer, nem eu estou aguentando meu cheiro mais..."
Os dois então resumem em degustar do alimento como se estivessem sem comer a dias. E praticamente em 10 minutos terminam a refeição, ficando então de barriga cheia. Os dois soltam o ar pela boca de maneira exausta, mas Keiko se levanta, pedindo licença, e diz:
"Já vou pro meu quarto... Preciso fazer minhas atividades de amanhã."
"Certo, certo. Vá. Vou lavar essa louça e tomar um banho." Responde Masato, de maneira relaxada e satisfeita.
Keiko então sobe para o andar de cima e entra no seu quarto. Assim que pisa dentro do quarto e fecha a porta, a garota dá um pulo e se joga de braços abertos na cama, caindo suavemente devido a maciez do colchão. Se virando e se espreguiçando na confortável cama, bocejando intensamente antes de se aquietar e piscar algumas vezes antes de se levantar da cama e puxar a cadeira acolchoada de coloração branca e sentando-se.
Checando suas atividades para o dia seguinte, a garota conecta um headset bluetooth ao seu telefone, e colocando um pouco de música para escutar, Keiko abre sua mochila da escola encostada abaixo da mesa de estudos, e pega seu caderno, um livro e seu estojo.
Keiko passa a tarde fazendo as atividades, e de tempo sobrando estuda um pouco a matéria de uma futura prova. Assim que bate no relógio 17:20, a garota para de estudar e se levanta de sua cadeira, pausando a música e abaixando o headset em seu pescoço.
Ela desce até o andar de baixo para falar com Masato, mas assim que desce, encontra a casa totalmente escura, apenas com a televisão ligada a frente do sofá na sala de estar. Ela se aproxima calmamente e encontra Masato deitado ao sofá, dormindo, com seus óculos quase caindo de seu rosto. Aparentemente apagou enquanto assistia à TV. Keiko dá uma olhada na televisão, e percebe que Masato estava vendo uma gravação de câmera do horário noturno na organização de 5 dias atrás em loop. Keiko fica levemente curiosa, mas decide não perturbá-lo, e subindo no andar de cima novamente, pega uma coberta no quarto de Masato e descendo novamente, o cobre com a manta, deixando-o descansar.
Keiko volta então para seu quarto no andar de cima, e sentando-se na sua cama, ela boceja suavemente, sentindo-se sonolenta. Já sabendo que seu alarme estava preparado para tocar de manhã cedo e que poderia arrumar sua mochila e uniforme no dia seguinte assim que acordasse, ela se deita na cama de lado e fecha seus olhos, adormecendo alguns minutos depois.
Mas, diferente do dia de Keiko, o de Vincent não foi muito produtivo.
O alarme do rapaz toca alto às 6 em ponto. O acordando no susto. Se sentindo sonolento e atordoado, ele rapidamente se levanta da cama enquanto boceja. É notável que quando chegou em casa esqueceu de trocar de roupa e dormiu de qualquer jeito, acordando com um forte torcicolo no pescoço.
Desligando seu alarme e coçando os olhos, logo em seguida coçando a cabeça, Vincent desliga o alarme e murmura para si mesmo:
"Segunda feira... De novo."
Ele se levanta da cama e sem mais nem menos anda até o banheiro para tomar um banho, pegando apenas um par de cuecas limpo e uma camisa diferenciada. O fato é que, Vincent não se lembra direito do que ocorreu no dia passado, apenas se lembra de V tomar controle e depois acordar na cama, mas não se importa muito no momento.
Após 30 minutos, Vincent sai do banho, ainda sonolento. Vincent demorou no banho pois se sentou no chuveiro por um momento e ficou 20 minutos parado. Ele entra na cozinha, e, novamente, sua mãe não está em casa. Passou mais uma vez uma noite no hospital. Ele não lê o bilhete que sua mãe deixou desta vez, e apenas se alimenta de maneira quase robotizada, como se estivesse no "modo automático".
às 7:30, ele sai de casa, já um pouco menos sonolento, apenas sentindo um mal estar. Mas, mesmo assim, ele vai para a escola. Afinal, é só mais uma segunda feira, como qualquer outra. Ou é oque ele acha.
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