Twisted Life
18 Repentinamente
Passou-se uma semana depois de outra lenta semana da recuperação dos ferimentos de Masato. Alaska começou a acostumar-se com a nova vida, e Kizuko, por motivos no qual Masato nunca soube, andou um tanto quanto ausente naquela semana, o que, para algumas pessoas, atrapalhou diversas coisas. A semana foi calma, sem muita correria e nada preocupante. Mas, por algum motivo, Masato estava com uma péssima sensação devido o ritmo "relaxado" dos últimos dias. A organização também andava muito quieta, mas em principal naquele dia. Muitas poucas pessoas foram, tanto funcionários, quanto alunos. Provavelmente foi o dia com menos atividade no local, oque, mesmo para aquele ano, era uma surpresa. Masato também não estava se sentindo muito bem de manhã cedo e pensava em ficar na cama, mas ir para a organização era quase como uma atividade religiosa para o rapaz. Não podia faltar uma se quer vez. Mas aquela semana chata e estranha não era totalmente ruim; Masato conheceu uma garota enquanto voltava para casa na semana que se feriu, e hoje, iria a encontrar de noite. O rapaz estava lendo um livro sobre a vida animal nas américas enquanto estava sentado na sala sozinho.
"A capivara é o maior roedor do mundo, pesando até 91kg, medindo 1,2 metros de comprimento e 60 centímetros de largura... Uau, nunca ouvi falar desse bicho." — Murmurou Masato, passando a página com calma. Enquanto continuava a ler, Masato pensava sobre o dia em que ele Alaska enfrentaram o divergente, tal qual teve um fim pelas mãos de Kizuko. Masato não conseguia parar de pensar na maneira que tudo acabou tão rápido. O som da carne sendo esmagada. Como o sangue se espalhou tão rápido em volta do corpo. Masato sempre soube que Kizuko não fosse a melhor pessoa, mas aquilo havia sido assassinato. Ou será que não havia outra maneira? O rapaz pensava sobre tão profundamente que parou de virar as páginas, e apenas as encarava. Mas repentinamente, sua linha de pensamento é cortada bruscamente por seu celular que tocava. O mesmo jogou o livro na mesa e pegou seu telefone do bolso, e olha o contato. "Oma Kizuko". Masato encara a tela do telefone por uns segundos, surpreso, mas logo atende a ligação e pressiona o telefone contra a orelha.
"Alô? Kizuko? Oque houve?" — Disse Masato, num tom levemente preocupado. O rapaz não é muito de receber ligações. Do outro lado da linha, o jovem apenas ouve uma leve risada. "Não houve nada. Você tá livre né? Tô afim de fazer alguma coisa." — Respondeu Kizuko, de maneira despreocupada. Masato rapidamente se levanta da cadeira, pegando suas coisas enquanto respondia ao rapaz. "Ehh, sim, claro. Aonde te encontro?" — Perguntou Masato, saindo da sala. "Tô na frente da organização já." — Disse Kizuko, enquanto bocejava. "Ahn? Tá bom né... Já já tô aí." — Respondeu Masato. O jovem estranhou Kizuko estar o esperando por perto ao invés de ir vê-lo, mas preferiu ficar quieto no momento. Masato passou pelos corredores vazios do local enquanto olhava seu relógio de pulso, vendo as horas, esperando ansiosamente por seu encontro. Ele saiu da organização e viu de longe Kizuko esperando pacientemente, olhando para o céu com uma expressão vazia, e então se aproximou.
"Por que você não foi logo lá me ver?" — Questionou Masato, num tom amigável. Kizuko então virou a cabeça para Masato, e levantou as sombrancelhas e deu um sorriso leve. "Eu? Andar uma cota pra ver homem? Olhe lá viu." — Respondeu Kizuko, rindo. "Bora, quero bater perna." — Disse o jovem, andando pela calçada. Masato o acompanha e pergunta novamente. "Não quis andar pra ir até mim, mas me esperou pra eu te fazer companhia?" — Pergunta Masato, num tom de brincadeira. Kizuko dá uma risadinha e balança a mão pra cima. "Vá te fuder pra lá, vai." — Respondeu o rapaz. O jovem então se vira enquanto anda de costas. "Bora ver um filme mais tarde. Tá passando umas coisa daora no cinema." — Disse Kizuko, já afirmando que irão ao lugar. Masato grunhe e coça a cabeça. "Hmm, mais tarde não vou conseguir. Tenho um... um encontro." — Disse o jovem, murmurando após a pausa entre. Kizuko faz uma expressão de surpresa, e dá um leve sorriso, quase que orgulhoso. "Uau! Então quer dizer que tua hora chegou? Vai, me fala mais sobre. Ela é bonita?" — Diz o amigo de Masato, se aproximando mais com animação e curiosidade. Masato fica sem jeito e dá um sorriso nervoso enquanto ajeita seus óculos.
"Ela é, eu acho... Ela foi bem legal comigo, quero dizer. Falei que gostaria de ver ela de novo no nervosismo, e meio que ela aceitou, foi isso. Depois trocamos números." — Explicou Masato, nervoso. Kizuko geme em entendimento, enquanto balança a cabeça. "E conheceu ela aonde?" — Pergunta o rapaz. "No caminho de casa, perto de uma loja de conveniências." — Respondeu Masato, coçando o nariz logo em seguida. Kizuko dá uma risadinha e dá um tapa leve nas costas do seu amigo. "Fico feliz por você, de verdade. Mas ó, se liga viu. Mulher é complicado, vai no seu tempo... não se afoba não." — Disse Kizuko, de maneira um tanto quanto sugestiva, oque faz Masato pensar um pouco, mas o rapaz considera a dica do seu amigo, pois o vê como um "exemplo" nesse "ramo". Os dois se aproximaram duma ponte com vista para um pequeno rio embaixo. Kizuko se aproximou e apoiou seus braços na borda da ponte, olhando para o horizonte. Masato se aproximou também e ficou ao lado do rapaz. "Desculpe perguntar, mas você não me chamou só pra andar e conversar, né? Você não é tão simples assim." — Questionou Masato, o olhando seriamente.
O jovem então respirou profundamente, fechando seus olhos. E quando os abre, aquela expressão vazia de antes retornou. "Pelo menos você percebe as coisas." — Murmura Kizuko. Ele balançou a cabeça, e olhou para baixo, encarando o rio. "Eu deveria estar me fodendo quanto à isso, mas você sabe que eu estive um tanto quanto ausente nos últimos tempos, gostaria de me desculpar, pelo menos para você." — Diz Kizuko, num tom de voz frio. "Minha família... Está se despedaçando. Aos poucos. Tudo por causa de uma briga ridícula entre irmãos." — Explica o rapaz. Masato se aproxima, prestando atenção.
"Oque houve?" — Diz Masato, de maneira amigável. O mais forte respira profundamente mais uma vez. "Meu pai e tio estão brigando à tempos para decidir quem vai ser o líder da família quando meu tio morrer. Eles sempre se desentendiam, mas dessa vez é estúpido." — Explica Kizuko. "Tecnicamente, o certo deveria ser meu primo o líder. Ele tem uma visão muito mais ampla e tem futuros para a família. Eu não me importo com nada disso. Mas meu pai insiste que eu deveria ser o futuro líder, então ele quer propor uma "competição de força" entre eu e meu primo, oque é ridículo. Meu pai só quer poder. Poder." — Continua o rapaz. "Eu não quero nada disso, sinceramente. E o mais engraçado é que a minha força... O meu poder não tem relevância e nem é decisivo nessa briga. Eu não tenho como impedir nada. Me sinto impotente de alguma coisa. Isso é novo." — Complementa o jovem. "Já acho estúpido quantas responsabilidades eu tenho. Tipo, eu não sou adulto ainda. Ser forte não é tão fácil quanto achei que seria." — Termina Kizuko, dando uma pausa e olhando para o horizonte, melancolicamente.
Masato fica um pouco quieto, pensando no que falar. "Nossa. Isso é..." — Murmura Masato, antes de ser interrompido por seu amigo. "Não precisa falar nada. Não preciso do seu consolo." — Interrompe friamente o rapaz, logo em seguida virando e olhando para Masato. "Olha, você sabe que eu não sou muito sentimental. Mas... Dentre todos os idiotas que eu conheço, você é o menos idiota, se isso vale de alguma coisa." — Diz o jovem, num tom mais relaxado e brincalhão. As palavras parecem fazer sentido na cabeça de Masato, que dá um leve sorriso. "Só queria... falar pra alguém oque estava acontecendo. E eu acho que confio em você. Acho." — Diz Kizuko, ficando quieto. A sua expressão vazia permanecendo intacta.
Mas de repente, ele se vira, com sua expressão mudada, agora mais relaxada, normal, com um sorriso leve estampado em seu rosto. "Brincadeira!" — Exclamou o rapaz, dando um soco de leve no ombro de Masato, que fica sem reação, e ri sem graça. "Você é meu amigo, Masato. Confio em você. Tu é um cara legal." — Confessa Kizuko. Masato sente-se genuinamente feliz e confortável com uma informação dessa. Os dois se encararam por um momento, e então Kizuko deu um bocejo e começou a andar na direção que vieram. "Vem, vamos voltar pra organização. Aqui é bem chato, vou ser sincero." — Resmunga o rapaz.
Mas repentinamente o celular de Kizuko toca, e o mesmo o agarra com impaciência. Masato tenta ver o nome do contato, mas não consegue por causa da luz do sol que bloqueia a visão da tela do aparelho. Kizuko atende rapidamente e pressiona contra o ouvido. "Tá me ligando por quê?" — Questiona o jovem, que fica quieto escutando a pessoa do outro lado da linha. A expressão de Kizuko muda de impaciente para neutra em questão de segundos. "À caminho, então." — Diz o rapaz antes de desligar o telefone e não se virar. Masato, um pouco curioso e preocupado, se aproxima. "Quem era? Aconteceu algo?" — Pergunta o rapaz.
Kizuko se vira, com uma expressão mais séria, e impaciente. "Era o diretor. Um divergente grau SS foi localizado na cidade de Hyoshi, no interior da região. 70% da cidade foi arruinada." — Diz Kizuko, franzindo as sobrancelhas num semblante triste. "O professor e o calouro estão mortos." — Completa o rapaz. Masato fica sem reação, boquiaberto. "O professor e o Kenji... morreram? Mas... por que mandaram eles para lutar contra um divergente grau SS? É... Suicídio, os dois eram mais de 2 graus de diferença." — Murmura Masato, tentando processar a informação recheada de angústia. "Acreditaram que o divergente fosse grau B à uma hora quando os enviaram. Eles "acreditaram"." — Respondeu Kizuko, com raiva. E ao se virar bruscamente, fechando seu punho e apertando, ele range os dentes. "Eu vou para Hyoshi agora mesmo. Vou aniquila-lo de uma vez." — Completa o rapaz, calando-se.
Mas Masato dá um passo a frente, se aproximando audaciosamente num momento tão tenso. "Vamos... tentar nos acalmar. É melhor você não ir lutar distraído pela raiva..." — Diz Masato, murmurando sua última frase. Kizuko vira sua cabeça, apenas encarando Masato. "Se acalmar? Se acalmar Masato?" — Murmura Kizuko, virando-se para o mesmo. "Não foram só duas pessoas que morreram, foram um fudendo professor renomado da organização e um calouro. Um calouro." Diz Kizuko, num tom quase que cruel e pesado, enquanto sua expressão se mudou totalmente, com frustração. Masato não sabia oque falar. As palavras dificilmente saiam de sua boca, e a ansiedade tomou conta. "Ma...Mas.. O professor di...disse uma vez que..." — Masato gaguejava enquanto tentava encontrar palavras para explicar seu silêncio constrangedor, quase como uma necessidade, mas foi interrompido. "O professor tá morto, porra! Você não entendeu?" — Gritou o rapaz, em resposta, cheio de frustração.
Masato se assustou com a repentina e agressiva resposta do seu amigo, e se calou. Kizuko depois de encarar Masato com aquele mesmo olhar por alguns segundos, percebeu oque fez, mas se calou igualmente, e se virou novamente, dando alguns passos pra frente. "Olhe... Eu vou acabar com isso. Eu sou o mais forte, não sou?" — Diz Kizuko, com seu tom confiante e decidido comum. "Vou limpar essa bagunça. Essa não é minha função?" — Completa o rapaz. Masato não consegue responder de jeito nenhum, apenas observa, frustrado assim como seu amigo. Mas com palavras presas na sua garganta, que se recusam a sair. Kizuko, sem esperar por uma resposta de Masato, olha para cima, e fechando seus olhos, respira fundo, antes de desaparecer rapidamente em alta velocidade, em direção a Hyoshi.
Masato ficou ali, na mesma posição, engolindo todas aquelas informações, palavras, de uma vez só. Mas o mesmo conseguiu criar forças e deixou para trás a angústia e frustração. "Oque aconteceu, aconteceu. Preciso seguir em frente." — Pensou o jovem, ajeitando seus óculos e passando a mão no rosto, se recompondo. Assim que ficou pronto, partiu rumo a organização. O garoto corria o mais rápido que podia para chegar o mais rápido possível. Enquanto corria, o rapaz pensava brevemente sobre oque Kizuko disse. "Eu sou o mais forte, não sou?" Foram as palavras do jovem.
Processou um pouco, e Masato se aliviou. Ele era forte, não tinha com oque se preocupar. Vai derrotar o divergente e tentar fazer justiça por duas importantes vidas para alguns. Quando chegou no portão da organização, ele passou pela barreira e assim que entrou já podia ouvir o tumulto. Enquanto caminhava apressadamente até o interior do local, podia ver gente saindo de onde tão havia. De repente, aquele vazio e solidão dentro da organização do dia havia sumido, uma multidão, estava concentrada no centro do pátio, observando um enorme portal, que assimilava-se com uma tela de televisão, ao perceber oque estava acontecendo, o mesmo deu uma disparada e começou a correr novamente, em direção a multidão.
Ao se aproximar, o jovem se mete no meio das pessoas, e começa a empurrar para os lados quem estava na sua frente. E ao chegar na frente, estavam o diretor, Fukushima cientista chefe, responsável pelo portal, e Alaska, que observavam a tela. Alaska toma um leve susto ao ver Masato, e o olha com sua expressão fria de sempre. "Chegou a tempo." — Disse a garota, virando-se para a tela novamente. Masato então vira para a tela com curiosidade, e toma conta do evento que chama tanta atenção. Kizuko havia se encontrado com o divergente. E todos ali poderiam ver um evento raríssimo — Aquele abençoado por Deus viria a lutar — E mesmo que não fosse um desafio a altura, o jovem poderia se soltar um pouco. E novamente, aquelas palavras ecoam na mente de Masato.
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