Twilight Shadows : Evil is between us...

17 The Things That Wear Our Faces


POV Bella

Hospitais nunca dormem de verdade.

Eles apenas fingem.

Eu revisava exames no balcão da ala noturna quando senti aquela pressão familiar no peito — não dor, não medo, mas algo mais antigo. Instinto puro. Como se o mundo tivesse errado o passo por um segundo.

— Bella.

A voz de Stefan veio do fim do corredor.

Levantei o olhar imediatamente.

Ele caminhava em minha direção com o jaleco branco, o crachá preso de qualquer jeito, exatamente como sempre. O mesmo rosto. A mesma postura. A mesma calma treinada.

Ainda assim… algo estava errado.

— Você não devia estar aqui — eu disse, fechando o prontuário. — Carlisle te liberou depois do plantão.

— Eu sei — respondeu. — Mas não consegui ir embora sem falar com você.

Ele parou a poucos passos de mim.

— É sobre a Renesmee.

Meu corpo inteiro entrou em alerta.

— O que aconteceu? — perguntei rápido. — Algum exame alterado? Alguma reação tardia?

— Não — disse ele. — Não clinicamente.

Hesitei.

— Então o quê?

Stefan inclinou levemente a cabeça, como se estivesse me observando de um ângulo diferente do habitual.

— Você não sentiu nada hoje? — perguntou. — Como se algo estivesse… fora do lugar?

Engoli em seco.

— Eu senti — admiti. — Mas isso não significa—

— Significa tudo — ele interrompeu, com suavidade demais. — Especialmente para alguém como você.

Foi aí que percebi.

Não foi na voz.

Não foi no rosto.

Foi no silêncio entre as palavras.

— Stefan… — murmurei — me diga uma coisa.

— Claro.

— O que você fez ontem à noite depois que saiu da mansão?

Ele sorriu.

Um sorriso lento. Consciente.

— Eu não saí da mansão ontem à noite, Bella.

Meu coração despencou.

Porque Stefan tinha saído.

Eu lembrava.

Edward lembrava.

Carlisle lembrava.

— Então quem é você? — perguntei, a voz firme apenas por treino médico.

Ele deu um passo para o lado.

E então… outro Stefan surgiu do fim do corredor.

Meu Stefan.

O verdadeiro.

Parou abruptamente ao nos ver.

O mundo pareceu se partir em duas linhas perfeitamente simétricas.

Dois rostos idênticos.

Dois olhares verdes.

Duas presenças impossíveis.

— Bella, afasta-se — disse Stefan, tenso.

O outro riu baixinho.

— Sempre tão protetor — comentou. — Mesmo depois de tantas vidas.

Olhei para ele.

— Silas.

Ele inclinou a cabeça em um gesto quase respeitoso.

— Finalmente nos apresentamos sem truques — disse. — Sem sonhos. Sem transe. Sem feitiços intermediários.

Meu estômago se revirou.

— O que você quer? — perguntei.

— Eu queria te ver acordada — respondeu. — Fora das ilusões. Fora das versões que empurraram sobre você.

Ele caminhou lentamente ao meu redor, idêntico a Stefan em cada detalhe físico — e completamente diferente em tudo o mais.

— Você sente, não sente? — continuou. — A diferença entre nós.

— Você não é ele — rosnei.

— Nunca fui — concordou. — Mas fomos feitos do mesmo molde.

A mesma punição.

O mesmo erro.

Stefan se aproximou de mim, firme.

— Afaste-se dela.

Silas sorriu.

— Ainda acha que isso é sobre posse? — perguntou. — Eu não preciso roubar corpos. Eu sou o espelho. E espelhos… não invadem. Eles apenas mostram.

As luzes do corredor piscaram.

Alarmes soaram à distância.

— Isso é só o começo — disse Silas, recuando. — As sereias já estão cantando. Cade já está se movendo.

E a criança…

Ele olhou diretamente para mim.

— …é a única coisa que vocês têm que não deveria existir.

E então ele desapareceu, como se nunca tivesse estado ali.

-

A casa dos Cullen virou um centro de guerra.

Mapas místicos. Grimórios abertos. Relatos de afogamentos inexplicáveis, pessoas ouvindo vozes vindas da água, cidades costeiras entrando em colapso emocional.

— As sereias não querem matar — Damon disse, andando de um lado para o outro. — Elas querem convencer.

— E Cade — completou Bonnie — quer um mundo onde mortos e vivos coexistam sob julgamento eterno.

— Silas quer quebrar tudo isso — disse Qetsiyah, fria. — Porque enquanto o sistema existir… ele ainda é prisioneiro.


O treinamento de Renesmee foi silencioso.

Bonnie, Qetsiyah e Lúcia a cercaram em um círculo de proteção.

— Você não empurra o poder — disse Bonnie. — Você escuta.

Renesmee fechou os olhos.

O ar se dobrou.

— Eles estão chamando — ela sussurrou. — Do outro lado.

Qetsiyah empalideceu.

— Cade sabe — disse. — Sempre soube.

-

Naquela noite,Edward veio até nosso quarto, meu e de Renesmee.

Edward sentou-se na cama. Eu abracei nossa filha com força.

— Você não precisa carregar isso sozinha — disse ele.

Ela sorriu, triste e doce.

— Eu sei — respondeu. — Mas eu fui feita para ser a resposta de algo que deu errado antes.

Meu coração se partiu.

— Você não é um erro — eu disse, firme. — Você é nossa filha.

Ela se aninhou entre nós.

E, ao longe, o mar cantava.

Promessas antigas.

Ameaças doces.

E eu entendi, com clareza assustadora:

Silas era o passado tentando se libertar.

Cade era o inferno querendo governar.

As sereias eram a tentação de desistir.

E Renesmee…

Renesmee era a escolha que podia destruir todos eles.